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B. Şeref ve İtibarın Korunması Şikâyetleri 1. İlhan Cihaner Başvurusu (2)

3. Bejdar Ro Amed Başvurusu Karar Bilgileri:

Neste estudo pretendemos identificar que características psicossociais dos arguidos condenados são consideradas para a determinação da medida concreta da pena, ou seja, de que forma é feita a individualização das penas, partindo, para tal, da análise dos acórdãos. Tratando-se de um estudo exploratório, de um objeto complexo, num campo ainda com poucas investigações semelhantes no nosso país, optámos pelo recurso a uma metodologia qualitativa.

A estratégia qualitativa a que recorremos neste primeiro estudo, foi então determinada pelos objetivos do mesmo e pela natureza das questões de investigação. A metodologia qualitativa dá “relevo ao contexto da descoberta antes e durante a recolha

dos dados: as questões, as hipóteses, as variáveis ou as categorias de observação normalmente não estão totalmente formuladas ou predeterminadas no início de uma pesquisa” (Lessard-Hébert, Goyette & Boutin, 1994, p. 102). Assim, abordámos o nosso

objeto de estudo sem formular hipóteses à partida, permanecendo atentos a todas as dimensões e conceitos que se pudessem revelar importantes para os nossos objetivos. O nosso intuito foi o de explorar, «escutar» o que o material nos revelou, pelo que o objeto foi estudado na sua complexidade, numa constante procura de relações relativamente à estrutura, ocorrência de conceitos e dimensões encontradas, procurando pontos de convergência e de conflito (Flick, 2005; Janesck, 1994;). Para tal, assumimos uma postura flexível que nos permitiu reformular os campos de análise à medida que se foi avaliando a evolução do projeto e que o objeto de estudo se foi clarificando. Mantivemos então uma ligação próxima entre a recolha e a interpretação dos dados, de forma a avaliar até que ponto a nossa metodologia e as teorias abordadas faziam justiça ao tema e aos dados recolhidos. Uma vez que se trata de um estudo qualitativo exploratório, “Sabemos que estamos a lidar com um objecto complexo e sensível a uma

diferentes fatores. Deveremos, por isso, estar abertos a conjuntos teóricos e não a uma única teoria” (Van der Maren in Lessard-Hébert, Goyette & Boutin, 1994, p. 104).

A investigação qualitativa é caraterizada pela interpretação, ou seja, pela leitura que o investigador faz dos dados que recolheu, na tentativa de produzir sentido e atribuir-lhes significado (Denzin, 1994; Schwandt, 1994). Trata-se de “um conjunto de

práticas materiais e interpretativas que dão visibilidade ao mundo. Essas práticas transformam o mundo em uma série de representações” (Denzin, 2006). Assim, sendo

não há uma só verdade interpretativa, os dados obtidos não poderão ser considerados como simples factos irrefutáveis uma vez que esta informação recolhida “envolve

sempre um acto de julgamento humano. Numa perspectiva crítica este acto de julgamento é um acto interpretativo” (Kincheloe, in Kincheloe & McLaren, 1994, p.

145). A interpretação implica compreender a relação entre o particular e o todo e entre o tema e o objeto de análise (idem). Iniciámos assim esta investigação com o intuito de compreender o campo de estudo no seu todo, através de uma análise indutiva, o que quer dizer que as categorias, temas e padrões emergiram dos dados, não tendo sido construídos antes da recolha dos mesmos (Janesck, 1994).

Para responder às questões orientadoras desta investigação, partimos do estudo de um conjunto de acórdãos de arguidos condenados no âmbito criminal, no sentido de dar conta das principais características psicossociais dos arguidos que são mencionadas enquanto fundamentos para a determinação da pena percebendo em que sentido são valoradas - positiva ou negativamente - aquelas características, para depois proceder a uma análise de conteúdo dessas características, de forma a identificar o seu corpo teorico-epistemológico. Confrontados com a quantidade de dados disponíveis nesses documentos, começámos por organizar os dados, em termos dos conceitos e temas emergentes relevantes para o nosso estudo.

i. O tratamento dos dados: análise de conteúdo

Recolhidos os dados, há que fazê-los «falar», ou interpretá-los; “a interpretação

dos dados é o cerne da investigação qualitativa” (Flick, 2005). O tratamento e a análise

dos dados é um processo que “envolve o trabalho com os dados, a sua organização,

divisão em unidades manipuláveis, síntese, procura de padrões, descoberta dos aspectos importantes e do que deve ser aprendido” (Bogdan & Biklen, 1994, p. 205).

Para realizarmos esta tarefa de tratamento e a análise dos dados recolhidos, optámos pela análise de conteúdo, defendida por alguns autores como uma ferramenta de investigação valiosa para estudar o que é feito e dito nos tribunais (Hall & Wright, 2008). A análise de conteúdo pode definir-se como “um conjunto de técnicas de análise

das comunicações visando obter por procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição do conteúdo das mensagens indicadores (quantitativos ou não) que permitam inferências de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferifdas) desta mensagem” (Bardin, 2009, pág. 44).

Uma das vantagens da análise de conteúdo de documentos é que nenhum dos intervenientes da produção e receção da mensagem sabe que vai ser analisado, pelo que a análise não vai influenciar o processo de comunicação dessa mensagem (Weber, in Pais, 2004); ou seja, no caso específico, os acórdãos foram redigidos de forma independente á presença do investigador ou do seu método de análise.

A análise de conteúdo, segundo Bardin (2009) passa por 3 grandes etapas gerais: (1) Pré-análise; (2) Exploração do material; (3) Tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação.

A primeira fase é uma fase de organização, onde se faz a escolha dos documentos para análise, se definem os objetivos e se elaboram os indicadores (e que já explicámos como procedemos em relação ao nosso estudo, nas secções anteriores). A segunda fase, de exploração do material, é a fase mais longa e trabalhosa, tratando-se essencialmente da fase de categorização do material, através de “operações de codificação,

decomposição ou enumeração, em função de regras previamente formuladas” (Bardin,

2009, pág. 127). Por fim, na terceira e última fase proposta por Bardin, de tratamento dos dados, inferência e interpretação, os resultados da codificação são tratados, e interpretados, revelando as informações fornecidas pela análise, atribuindo-lhe um significado com base no quadro teórico de referência.

Para proceder a análise de conteúdo, analisámos a totalidade dos textos dos acórdãos, codificando os dados que se referiam a aspetos e/ou características psicossociais dos arguidos mencionados nas justificações dos juízes para a determinação da pena. Segundo Bardin (2009), “a codificação corresponde a uma

transformação (…) dos dados em bruto do texto, transformação esta que, por recorte, agregação ou enumeração, permite atingir uma representação do conteúdo ou da sua

expressão” (pág. 129). Na organização da codificação tivemos primeiro que escolher as

unidades de registo para operar o recorte dos dados, para depois através da classificação e agregação, escolher e construir as categorias.

Assim, num primeiro momento, fomos procedendo ao recorte do material a nível semântico, optando pelo “tema” como unidade de significação recortado em ideias ou enunciados com significações isoláveis. Deste modo, as unidades de registo não foram formais, dadas pela linguística do texto (como a frase), mas “núcleos de sentido” retirados do texto; para tal, tivemos, muitas vezes que partir as frases nas diferentes ideias que as compunham. A unidade de registo “é a unidade de significação a codificar

e corresponde ao segmento de conteúdo a considerar como unidade de base, visando a categorização e a contagem frequencial” (Bardin, 2009, p. 130). Uma vez que

repartimos os textos em pequenos segmentos, tivemos várias vezes que recuar ás unidades de contexto, enquanto unidades de compreensão, para codificar as unidades de registo. A unidade de contexto “corresponde ao segmento da mensagem, cujas

dimensões (superior às da unidade de registo) são óptimas para que se possa compreender a significação exacta da unidade de registo” (idem, pág. 133).

Depois de feito o recorte em unidades de registo, procedemos á categorização do material. A categorização “é uma operação de classificação de elementos constitutivos

de um conjunto por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o género (analogia), com os critérios previamente definidos” (Bardin, 2009, pág. 145).

Assim, fomos gerando categorias por propriedades comuns, numa análise de conteúdo categorial, ou seja, fomos construindo as categorias segundo o conteúdo do material estudado. Segundo Bardin (2009, p. 145) as categorias são “rubricas ou classes, as

quais reúnem um grupo de elementos (unidades de registo., no caso da análise de conteúdo) sob um título genérico, agrupamento esse efetuado em razão dos caracteres comuns destes elementos”.

As categorias resultaram da classificação progressiva dos conteúdos dos acórdãos, no entanto, como apenas nos interessava as características psicossociais de arguidos que são mencionada como justificação para a determinação da pena, foram apenas estes os conteúdos que categorizamos e que se constituíram como o corpus, alvo da nossa análise. As diferentes “secções” dos acórdãos em que encontrámos estes conteúdos, construiriam-se como as nossas pré-categorias. À medida que as as pré-categorias foram emergindo do material e foram ganhando consistência fomos gerando as categorias e

subcategorias.

Este processo foi sujeito a várias reformulações e restruturações da grelha de análise de conteúdo, até chegar á sua versão final (Anexo 1), tendo sido revisto por um codificador imparcial.

As Categorias que fomos construindo regerem-se pelas seguintes regras e qualidades definidas por Bardin (2009): homogeneidade, exclusão mútua, pertinência, objetividade e fidelidade e produtividade.

No que se refere às primeiras duas qualidades, tivemos o cuidado de criar categorias homogéneas organizadas por um único princípio de classificação, para que “um elemento não pudesse ter dois ou vários aspectos susceptíveis de fazerem com que

fosse classificado em duas ou mais categorias” (Bardin, 2009, p. 147), ou seja, para que

houvesse exclusão mútua. As categorias foram construídas de forma a serem pertinentes, ou seja, a adaptarem-se ao material alvo de análise, mas também aos objetivos do estudo e ao quadro teórico-epistemológico adotado. Para assegurar a objetividade e fidelidade das categorias, recorremos á ajuda de um perito independente na construção e revisão da grelha de análise de conteúdo, de modo a minimizar a interferência da subjetividade do investigador. Construímos as categorias, de modo a que fossem produtivas, ou seja, de modos que nos permitissem resultados “férteis em

índices de inferências, em hipóteses novas e em dados exactos” (idem, p. 148).

Finalmente, tendo a grelha construída e o material todo codificado, procedemos á sua interpretação, através da inferência.