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Beden Eğitimi ve Spor Etkinliklerinin Engelliler İçin Önemi

2.1.3. Ses ve Özellikleri

2.1.5.8. Engellilerde Beden Eğitimi ve Spor

2.1.5.8.1. Beden Eğitimi ve Spor Etkinliklerinin Engelliler İçin Önemi

O uso de corpora na investigação sobre aprendizagem/ensino de L2 não é coisa nova. Desde o final do século XIX já havia preocupações pedagógicas neste sentido. Segundo

McEnery & Wilson (1997), alguns lingüistas e psicólogos já elaboravam, naquela época, listas de vocabulário para o ensino de L2 com base em corpora. Edward Thorndike, psicólogo americano que investigou de forma pioneira certos processos de aprendizagem, deixou importantes contribuições nesta área, conforme destaca Gregory (1998: 775-776).

No entanto, de acordo com McEnery & Wilson (1997), a partir do final da década de 50 (mais especificamente no ano de 1957, ano de lançamento de Estruturas Sintáticas) as teorizações de Chomsky fizeram com que o uso de corpora e dados “reais” e “autênticos” de uso de uma língua fossem rejeitados (diante da famosa dicotomia competência versus desempenho lingüísticos). Tudo relacionado ao desempenho (performance) foi tratado como inútil para os estudos sobre a aquisição linguagem (i.e., o estudo da competência lingüística). Assim, os corpora perderam o valor, pois nada mais são do que exemplos autênticos de uso de uma língua (ou seja, estabeleceu-se um paradigma racionalista nos estudos lingüísticos, em oposição à tradição empirista anterior).

Recentemente, com o desenvolvimento tecnológico e o uso de computadores com uma capacidade de memória cada vez maior, renovou-se o interesse pelos corpora em lingüística, lingüística aplicada, e outras disciplinas. Estabeleceu-se, assim, a Lingüística de Corpus, que, de acordo com Gries (2008), pode ser definida como um conjunto de procedimentos (i.e., método) que envolve a coleta e análise de elementos lingüísticos dos corpora. Por meio do uso de arquivos digitais contendo textos escritos e/ou transcrições minuciosas de linguagem oral, de crianças e adultos (i.e., corpora), auxiliados por computadores com uma capacidade cada vez maior de processamento e armazenamento destas informações, está se tornando cada vez mais possível investigar as regularidades estatísticas da estrutura lingüística, principalmente com o desenvolvimento de ferramentas (programas) de concordância, ou concordanceadores, que possibilitam explorar cada vez mais detalhadamente estas grandes coleções eletrônicas de exemplos de língua em uso (tanto escrita como oral). Com isto, estamos observando o (re)estabelecimento gradual do paradigma empirista nos estudos lingüísticos.

De acordo com Gries (2008), a própria natureza da Lingüística de Corpus (que se preocupa essencialmente com os aspectos de freqüência e co-ocorrência de palavras e estruturas) já produz, naturalmente, uma grande afinidade com as investigações conduzidas no âmbito da lingüística cognitiva (cujo principal foco de investigação é a língua em uso), fornecendo, assim, os dados empíricos e a matéria prima que compõem o cerne das investigações conduzidas pela lingüística cognitiva.

No tocante à pesquisa no âmbito dos estudos em ASL, os corpora podem ser muito úteis. Gries (2008:413) lista uma série de perguntas que a investigação por meio do uso de corpora pode vir a responder: como se estrutura o insumo lingüístico? Como se estrutura a L1 do aprendiz? Como se estrutura a L2? Qual a diferença entre a estruturação da L1 e da L2? Como se estrutura a interlíngua? Quais tipos de erros os aprendizes cometem? Como sugere Sardinha (2000), o uso de corpora na investigação dos fenômenos em ASL tem propiciado uma desmistificação de muitos pontos acerca da sua natureza (i.e., sua estruturação e sua aprendizagem).

Como vemos na discussão teórica que permeia esta tese, alguns pontos obscuros e cruciais acerca da natureza dos processos de aquisição de línguas já começaram a ser, pelo menos parcialmente, clareados. A investigação sobre o processo de aquisição de algumas construções por meio da análise de corpora em ASL conduzida no âmbito desta tese é mais uma tentativa de lançar luzes sobre algumas questões importantes dos processos envolvidos na aprendizagem de uma L2 e, acredito, toca em alguns pontos relevantes de pesquisa levantados por Gries acima.

4.3 Construções

As Construções, mapeamentos recorrentes e entrincheirados entre forma e função, constituem-se unidades básicas em todos os níveis de representação lingüística. Como destacado por Goldberg (2006; 2003), construções são aprendidas (ou induzidas) devido a nossa exposição ao insumo lingüístico e condicionadas por restrições de processamento cognitivo globais e por aspectos pragmáticos. Alguns tipos de construções da língua inglesa, com base em Goldberg (2003:220), são fornecidos na Tabela 1 a título de ilustração para a nossa discussão:

Construção Forma/Exemplo Função

Raízes de palavras e.g., book, dog, or Expressões semi-

idiomáticas.

e.g., jog <someone’s> memory Construções co-

variacionais ou condicionais

Forma: The Xer the Yer (e.g., the more you think about it, the less you understand)

Significado: ligar variáveis independentes e dependentes. Construção

bitransitiva

Forma: Subj [V Obj1 Obj2] (e.g., He baked her a carrot cake.)

Significado: transferência (pretendida ou realizada)

Tabela 1

Exemplos de construções e suas respectivas variações em tamanho e complexidade

As construções, desde seus ‘pedaços’ menores como as palavras, são simbólicas. As coisas no mundo se repetem. Como costumava dizer uma eloqüente e conhecida ex- senadora conterrânea minha, citando o ministro da propaganda da Alemanha nazista Joseph Goebbels, “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade!”. Pois, como uma mentira repetida ad nauseam, as formas da língua se consolidam e tornam-se entrincheiradas com os seus usos. Assim é a natureza das construções. Ou, como bem destaca Tomasello (2003:99):

Quando as pessoas usam repetidamente os mesmíssimos símbolos linguísticos para produzir enunciados entre si em situações “semelhantes”, o que possivelmente surge, com o passar do tempo, é um padrão de uso da língua esquematizado na mente dos falantes como um certo tipo de categoria ou construção (grifo no original).50

50

Minha tradução de: When people repeatedly use the same particular and concrete linguistic symbols to

make utterances to one another in “similar” situations, what may emerge over time is a pattern of language use, schematized in the mind of users as one or another kind of linguistic category or construction.

A construção bitransitiva X VERBou Y o Z indica transferência (veja exemplo a seguir). Cada ‘pedaço’ (do lexical ao sintático) desta construção possui um significado, significa algo. O aspecto criativo e o caráter infinito da linguagem resultam das possibilidades ilimitadas de (re)combinações de pedaços (chunks) de linguagem em nosso ‘estoque mental’ de construções (i.e., nosso constructicon). As construções fundem-se livremente com outras construções para que possamos realizar nossos propósitos comunicativos de expressão de significados diferentes e novos. Como exemplificado em Goldberg (2003:221), a construção bitransitiva abaixo envolve a combinação (ou chunking) de outros seis diferentes tipos de construções. Observe:

a) [What did Liza buy the child?] b)

1. Construções → Liza, buy, the, child, what, did (i.e., palavras) 2. Construção bitransitiva → (what buy the child)

3. Construção interrogativa → (what did Liza buy the child?) 4. Construção de inversão do sujeito-auxiliar → (did Lisa) 5. Construção de sintagma verbal → (buy the child)

6. Construção de sintagma nominal → (what, Liza, the child)

Desta perspectiva, o que seria a nossa tão almejada ‘competência gramatical’? Podemos dizer que tal ‘competência’ pode ser compreendida como um conjunto de construções - um constructicon – que construímos gradualmente ao longo de nosso viver lingüístico. Podemos conceber nosso constructicon, também, como um gradiente que vai do

concreto ao abstrato (i.e., que varia em especificidade e complexidade), desde

morfemas, passando por palavras, palavras compostas, expressões idiomáticas fixas e semi-fixas, e, finalmente, padrões sintáticos totalmente abstratos. Esta teorização, cada vez mais presente em ambas as áreas de pesquisa citadas, convergem e embasam empiricamente a hipótese de que a linguagem seja inteiramente ‘construída’. Os princípios psicológicos que subjazem tais mecanismos de construção são os mesmos que guiam a aprendizagem de categorias, como discutido no capítulo 3, e que, por sua vez, estão presentes nos processos cognitivos da aprendizagem humana em todos os domínios. Esta é a filosofia subjacente às recentes investigações teóricas e empíricas

conduzidas, principalmente, por Goldberg & Casenhiser (2008), Goldberg (2006, 2003), Goldberg, Casenhiser & Sethuraman (2004), Bybee (2008), Ellis (2007, 2006), Lieven & Tomasello (2008), Gries & Wulff (2005) e Tomasello (2003).

Desta forma, como discutido anteriormente, começamos a construir uma língua com palavras: desde as holófrases (ou seja, enunciados de uma única palavra como mamãe, vê, pai, etc.) passando, por volta dos 18 meses, a enunciados multi-palavras (por exemplo, frases a partir de duas palavras como bola mesa, etc). Holófrases e frases multi-palavras são compostas apenas de pedaços concretos de uma língua (não há categorias). Então, por volta dos 18 meses, os enunciados multi-palavras das crianças passam a exibir um padrão mais sistemático. Tomasello (2003:114-117) chama tais construções de esquemas pivô (há uma palavra ou frase que parece estruturar o enunciado), por exemplo: mais leite (more milk), mais uvas (more grapes), mais suco (more juice); pai foi (Dad gone), carro foi (car gone), neném foi (baby gone), etc. Finalmente, enunciados calcados em items (item-based) vão além dos esquemas-pivô ao possuírem marcadores sintáticos como uma parte integrante da construção (ilhas verbais ou verb islands). Neste processo, a freqüência de ocorrência exerce um papel importante (veja mais adiante sobre os tipos de freqüência token e type).

Em última instância, os aprendizes parecem construir associações entre sinificado/função e forma (i.e., construções) em dois níveis básicos: 1) categorias centradas em verbos (ou ilha verbais, i.e., <agente> coloca <coisa> <local>) e 2) generalizações sobre verbos específicos, desenvolvendo, assim, um conhecimento acerca dos padrões da estrutura argumental numa dada língua (como vimos no exemplo de Goldberg ilustrado anteriormente sobre as construções usadas em uma construção bitransitiva na língua inglesa).