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4. Bebeğin değerlendirilmesi:
A Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, regida pela lei federal nº 12 305/2010 é baseada na Política Nacional de Saneamento Básico – Lei n º 11 445/2007 que integraliza como serviço público, a limpeza e o manejo dos resíduos sólidos realizados de forma adequada, mantendo a saúde pública e a proteção do meio ambiente.
Esta legislação teve uma longa trajetória e ampla discussão nacional que demorou cerca de dez anos e envolveu sociedade, poder público e o setor privado. Mas, a construção dessa normativa foi marcada por uma incessante busca social por avanços ambientais (BRASIL, 2017).
Após a promulgação da PNRS/2010 tem-se a expectativa que haja mudanças significativas na área dos resíduos sólidos no país e estes avanços tragam ganhos não só ambientais, mas econômicos e além de tudo sociais. Por isso, o CEMPRE (2013) organizou as principais alterações que cada escala social sofrerá com as reformas estruturantes que a política propõe (Quadro 2).
Quadro 2: Principais Mudanças após a PNRS. ANTES DA PNRS/2010 DEPOIS DA PNRS/2010
P
o
d
e
r
P
ú
b
li
co
Pouca prioridade para a questão do lixo urbano.
A maioria dos municípios destinava os dejetos para lixões a céu aberto. Sem aproveitamento dos resíduos
orgânicos.
Coleta seletiva ineficiente e pouco expressiva.
Falta de organização.
Municípios devem traçar um plano para gerenciar os resíduos da melhor maneira possível, buscando a inclusão dos catadores. Lixões passam a ser proibidos e devem ser erradicados, com a criação de aterros que sigam as normas ambientais.
Municípios devem instalar a compostagem para atender a toda a população.
Prefeituras devem organizar a coleta seletiva de recicláveis para atender toda a população, fiscalizar e controlar os custos desse processo.
Municípios devem incentivar a participação dos catadores em cooperativas a fim de melhorar suas condições de trabalho.
E
m
p
re
sa
s
Inexistência de regulação sobre os investimentos privados na administração de resíduos. Poucos incentivos financeiros. Desperdício de materiais e falta de
processos de reciclagem e reutilização.
Sem regulação específica.
Legislação prevê investimentos das empresas no tratamento dos resíduos. Novos estímulos financeiros para a
reciclagem.
A reciclagem estimulará a economia de matérias-primas e colaborará para a geração de renda no setor.
Empresas apoiam postos de entrega voluntária e cooperativas, além de garantir a compra dos materiais a preços de mercado.
C
a
ta
d
o
re
s
Manejo do lixo feito por atravessadores, com riscos à saúde.
Predominância da informalidade no setor.
Problemas tanto na qualidade como na quantidade dos resíduos. Catadores sem qualificação.
Catadores deverão se filiar as cooperativas de forma a melhorar o ambiente de trabalho, reduzir os riscos à saúde e aumentar a renda.
Cooperativas deverão estabelecer parcerias com empresas e prefeituras para realizar coleta e reciclagem.
Aumento do volume e melhora da qualidade dos dejetos que serão reaproveitados ou reciclados.
Os trabalhadores passarão por treinamentos para melhorar a produtividade.
P
o
p
u
la
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Separação inexpressiva de lixo reciclável nas residências. Falta de informações. Atendimento da coleta seletiva pouco eficiente.
População separará o lixo reciclável na residência.
Realização de campanhas educativas sobre o tema.
Coleta seletiva será expandida.
Fonte: CEMPRE, 2013.
Porém, Nascimento (2010) ratifica que só a PNRS não é suficiente para que ocorram transformações profundas na gestão dos resíduos, sendo necessário um compromisso do
poder público com participação da sociedade para que se consiga transformar um instrumento normativo como a PNRS em uma ferramenta modificadora.
Assim, a PNRS trouxe uma nova abordagem para a gestão dos RSU. Esta legislação reafirmou aplicações e conceitos na gestão de resíduos, como: a responsabilidade compartilhada, a logística reversa, o acordo setorial, a hierarquia de gerenciamento (não geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento de resíduos sólidos, disposição ambientalmente adequada de rejeitos) e a integração de catadores nas ações que envolvam responsabilidade compartilhada e avaliação do ciclo de vida.
A responsabilidade compartilhada coloca fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e titulares do serviço de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos a se envolverem no processo de minimização do volume de resíduos produzidos, assim como, diminuírem os possíveis impactos causados ao meio ambiente e a saúde pública provocada pelo seu ciclo de vida. Assim posto, cada parte mencionada tem sua função e responsabilidade quanto à gestão dos resíduos sólidos.
A logística reversa é entendida na PNRS/2010 como um instrumento de desenvolvimento econômico e social, que na prática restitui a indústria com resíduos que podem ser reaproveitados em seus ciclos produtivos. Desta maneira, a aplicação deste conceito pode perfazer interlocuções e acordos entre consumidores, comerciantes, fabricantes e titulares do serviço público de gerenciamento de resíduos, interligando o conceito de gestão compartilhada e logística reversa.
O acordo setorial visa segundo a PNRS/2010 firmar contratos entre interessados do setor de resíduos sólidos, principalmente na área da logística reversa, poder púbico, fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes para colocar em prática a gestão compartilhada pelo ciclo de vida do produto, onde cada ente interessado contribui em uma fase do gerenciamento para a reintrodução dos resíduos na linha de produção de novos produtos. Esta ação interliga os conceitos de responsabilidade compartilhada, logística reversa e acordo setorial como mecanismos de intervenção na gestão de resíduos sólidos com o objetivo de promover a sustentabilidade do setor.
A hierarquia de gerenciamento de resíduos sólidos é um objetivo da PNRS/2010 que compreende a não geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento de resíduos sólidos e a disposição ambientalmente adequada de rejeitos. Esta proposta de gerenciamento se comunica com os demais conceitos discutidos anteriormente, pois para
que se torne possível a reciclagem é necessário que se tenha firmado acordos setoriais, tenha-se comprometimento com a gestão compartilhada e que se esteja em prática a logística reversa. Mas também, se faz necessário, que apenas rejeitos sejam encaminhados para uma disposição final, caso contrário, reduzir-se-ia as vantagens econômicas, sociais e ambientais da reciclagem.
Neste sentido, Campani (2016) ratifica a diferenciação feita pela PNRS/2010 entre os conceitos de rejeito e resíduo, sendo resíduo aquele material que na visão do ciclo de vida pode ser desejável para um processo produtivo e indesejável para outro, se tornando um rejeito. Assim, os materiais/substâncias são classificados de acordo com seu potencial energético e econômico para ser reaproveitado.
As integrações dos catadores de materiais recicláveis nas ações que envolvam a responsabilidade compartilhada e avaliação do ciclo de vida reafirmam a s interligações destes conceitos e ações. Assim como, conota a função social da PNRS/2010 enquanto propulsora de ações que promovam a sustentabilidade em seus eixos fundamentais, como, o social, ambiental e econômico.
Outro instrumento de gestão pública previsto na PNRS/2010 são os consórcios públicos, que consistem em uma nova pessoa jurídica de direito público, que tem como objetivo a reunião de entes federados para execução de atividades públicas. Portanto, este tipo de organização pública é avaliado por Madeira et. al (2012) como um organismo fomentado num universo intermunicipal que pode facilitar a implementação das políticas públicas por estar mais próximo da população e instâncias de decisão, fortalecendo a ferramenta de controle social.
O controle social é um dos princípios da PNRS/2010, para tanto é importante que a população tenha acesso à informação. Contudo, a política não explicita quais as informações serão disponibilizadas, mas institui o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos - SINIR. Por isso, almeja-se que sejam publicadas informações sobre resíduos, envolvendo, quantidades geradas, soluções adotadas e qualidade ambiental, impactos gerados ou potenciais e os indicadores de desempenho do sistema (PHILIPPI JR, et. al, 2012).
A PNRS teve um grande avanço com a assinatura do acordo setorial em 2015 para implantação do sistema de logística reversa de embalagens em geral, firmadas pelo setor de embalagens e a União representado pelo Ministério do Meio Ambiente, que funcionará em
parceria com cooperativas, bem como a promoção de campanhas de conscientização para sensibilizar o consumidor para a correta separação e destinação das embalagens utilizando- se de Pontos de Entrega Voluntária – PEV’s (BRASIL, 2017).
Contudo, para uma reflexão mais ampla sobre a questão dos resíduos, que deverá envolver desde a geração à destinação, Bernardes (2012) salienta que a PNRS deveria fazer um enfrentamento ao marketing do consumo que induz as pessoas a consumirem cada vez mais e a gerarem mais resíduos, principalmente as crianças que estão crescendo numa sociedade que cultua o descartável. Desta forma, estas questões que envolvem consumo interferem diretamente nas bases de formação de uma sociedade mais sustentável.
Outra lacuna na PNRS é quanto ao estabelecimento de mecanismos de minimização e do estabelecimento dos modos de produção e consumo. Assim, o controle e a participação social devem interferir em cada nível de gestão integrada de resíduos para instituir ferramentas para a minimização da geração e incorporar a Política Industrial e a Política de Desenvolvimento Nacional para alcançar metas de redução (PHILIPPI JR et. al, 2012).
Para além das reflexões, Besen et. al (2014) pondera que após aprovação da PNRS teve-se poucos avanços na área de resíduos, principalmente, tendo em vista a universalização do serviço. Assim, os municípios em sua grande maioria ainda têm projetos pilotos que não atende a totalidade das municipalidades para a coleta de resíduos. Mesmo tendo um aumento da coleta de materiais recicláveis encaminhados para a reciclagem, ainda se esta distante de enviar somente rejeitos aos aterros sanitários, que é a meta original da PNRS.
Além disso, Monterosso (2016) salienta que para alcançarem-se todos os objetivos previstos pela PNRS será necessário investimento nos municípios para que se consiga capacitação técnica das gestões públicas municipais, conscientização da população para inserção nas atividades que compreendem a gestão dos resíduos, compromisso empresarial para responsabilizar-se nas ações compartilhadas e investimento federal, estadual e privado para suprir as carências dos municípios nesta área.
4.3 OS PLANOS MUNICIPAIS DE GESTÃO INTEGRADA DE RESÍDUOS SÓLIDOS E SUAS