5. TARTIŞMA, SONUÇ VE ÖNERĐLER
5.1. Tartışma ve Sonuç
5.1.5. Beşinci Alt Probleme Đlişkin Tartışma ve Sonuç
No ano de 2010 a UNESCO publicou um documento sobre os princípios da diversidade cultural no mundo e a forma como a qual ele torna-se essencial para o desenvolvimento humano. Essa posição da organização vem de encontro à tentativa de resolver uma questão posta a partir da percepção de igualdade e desigualdade, e que vem sendo observadas ao longo dos tempos no que se refere às contraposições entre o que nos faz iguais e o que nos faz diferentes enquanto seres sociais.
Isso se reflete naquilo que compreendemos como unidade única da sociedade e que, de acordo com a organização, faz menção à possibilidade de intercâmbio de riquezas culturais. A partir de tal perspectiva debate-se a possibilidade dessas mesmas diferenças serem responsáveis por deixar-nos perdermos aquilo que temos de comum, para valorizar o específico, ponto esse crucial para compreender os diversos conflitos existentes no mundo. Entende-se, portanto, que nossa diversidade pode ao mesmo tempo nos unir e nos afastar. No entanto o objetivo da UNESCO (2010, p.1) sempre foi trabalhar a questão de modo que a diversidade possa ser encarada como benéfica para a comunidade internacional.
• analisar a diversidade cultural em todas as suas facetas, esforçando-se por expor a complexidade dos processos, ao passo que identifica um fio condutor principal entre a multiplicidade de possíveis interpretações;
• mostrar a importância da diversidade cultural nos diferentes domínios de intervenção (línguas, educação, comunicação e criatividade) que, à margem das suas funções intrínsecas, se revelam essenciais para a salvaguarda e para a promoção da diversidade cultural;
• convencer os decisores e as diferentes partes intervenientes sobre a importância em investir na diversidade cultural como dimensão essencial do diálogo intercultural, pois ela pode renovar a nossa percepção sobre o desenvolvimento sustentável, garantir o exercício eficaz das liberdades e dos direitos humanos e fortalecer a coesão social e a governança democrática. (UNESCO, 2010, p. 1)
Esse processo de compreensão da diversidade cultural como acesso ao desenvolvimento humano é coerente com um discurso de respeito às diferenças e valorização do saber socialmente constituído, discurso esse que aparece ligado a uma série de contextos globais que reforçam o argumento de que a diversidade pode impactar nas relações entre sociedade e Estado. A esse respeito a própria UNESCO (2010) argumenta que a utilização do conceito de diversidade vem sendo muito estudado por outros organismos internacionais sendo, inclusive, adotado com fundamentação para o desenvolvimento de políticas específicas ao redor do mundo.
O Banco Mundial, por exemplo, seguiu em diversas ocasiões o exemplo fornecido pela UNESCO no contexto da Década Mundial para o Desenvolvimento Cultural (1988-1997), tendo levado a cabo investigações sobre os vínculos entre a cultura e o desenvolvimento. Também o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) publicaram importantes relatórios sobre o assunto. Posteriormente, o Grupo de Alto Nível para a Aliança das Civilizações conferiu um relevo sem precedentes às iniciativas de fomento do diálogo entre pessoas, culturas e civilizações. (UNESCO, 2010, p.2-3)
O trabalho da organização foca diretamente a influência da diversidade cultural em áreas consideradas chave para a complexidade do processo de desenvolvimento humano e social, sendo, portanto, definidos como essenciais os seguintes tópicos: Língua; Educação; Comunicação; Mercado; Desenvolvimento Sustentável e Direitos Humanos e Democracia. A) Língua
Os processos linguísticos são reflexos diretos de nossa cultura e são responsáveis pela transmissão direta de conhecimento ao longo dos tempos, fato esse que permitiu o domínio da expressão, do diálogo e dos valores partilhados socialmente. Os códigos sociais e a participação coletiva são sinônimos e resultados diretos obtidos por meio do
desenvolvimento linguístico do ser humano. De acordo com a UNESCO (idem, p.12) a diversidade linguística reflete a adaptação criativa dos grupos humanos às mudanças no seu ambiente físico e social.
Essas mudanças, no entanto, ocasionadas nas últimas décadas principalmente em decorrência dos processos evolutivos via expansão da globalização, ameaçam diretamente a manutenção de uma grande gama de variedades linguísticas ao redor do mundo. Estima-se que a tendência atual é a da extinção da maioria delas já nesse século, tornando-se predominante as línguas veiculares associadas ao próprio mecanismo de globalização como o inglês. A globalização encorajou também perspectivas mais diversificadas e híbridas do inglês, revelando formas extremamente complexas de interação, em que a língua, a identidade e as relações se influenciam reciprocamente (UNESCO, 2010, p.12).
Segundo a organização as principais causas para os perigos da extinção de determinadas línguas estão associadas ao ambiente externo e interno das sociedades. Como relação ao ambiente externo aponta-se para elementos como a própria globalização, pressões políticas, e vantagens econômicas, e como indicadores associados ao ambiente interno aponta- se para a própria atitude negativa de determinada comunidade em relação à a sua língua. Em alguns casos as combinações dos dois fatores tornam inevitável a substituição da língua materna por outro idioma.
A partir do ponto de vista de uma manutenção dos processos dialógicos maternos associados ao avanço das sociedades por meio da inexorável globalização, a UNESCO adota a postura de referendar a abertura do diálogo através de ações que viabilizem o acesso e manutenção da diversidade linguística e tudo o que ele representa historicamente para as comunidades em processo de desenvolvimento.
Para assegurar a contínua viabilidade das línguas mundiais, torna-se necessário encontrar os meios de, não somente salvaguardar a diversidade linguística, protegendo e revitalizando as línguas, mas também de promover o multilinguismo e a tradução, por meio da criação de políticas nacionais que encorajem o uso funcional de todas as línguas da sociedade. (UNESCO, 2010, p.13)
B) Educação
Pensar no avanço social mundial sem estabelecer seu vínculo direto com a educação não seria possível descartando-se as diversidades regionais e o impacto direto que a cultura representa em cada comunidade, sociedade ou nação. O discurso nesse sentido é o de garantir
o princípio do direito universal à educação ao mesmo tempo em que se respeita e preza-se pelo reconhecimento da diversidade cultural no seio dos sistemas educacionais.
A relação entre as necessidades individuais, baseadas nos contextos socioeconômicos, e os conteúdos ministrados dentro do processo educacional formal, parece ser o maior desafio a ser superado. A ausência de ligação entre o “mundo da sala de aula” e o “mundo vivido” acaba que por diversificando as ofertas educacionais não as restringindo unicamente ao sistema formal, ampliando-as a partir de experiências não-formais cujo cerne central é a relação objetiva entre conteúdo educacional e contexto econômico-social do educando. De acordo com a própria UNESCO (2010) esta asserção é cada vez mais evidente a partir do crescente número de países que procuram explorar vias diferentes dentro dos sistemas de educação.
Essa tendência de ampliação de possibilidades através dos sistemas educacionais diferenciados reforça a tese que a diversidade é tema recorrente no debate internacional e que seus resultados podem impactar nas configurações das diretrizes globais para a área. Sob esse aspecto, observa-se que a diversidade cultural aparece exposta também nos princípios da Educação Para Todos (EPT), através da asserção do direito à educação e manutenção da diversidade tendo como referência central a pluralidade ao qual fundamenta-se a educação de um povo. A partir dessa posição a UNESCO (idem) afirma que seus princípios funcionais baseiam-se na convicção de que a educação é essencial para combater a ignorância e a desconfiança que provocam os conflitos humanos.
A educação como possibilidade de desenvolvimento humano aliado aos princípios da diversidade cultural não deve ser unicamente observada a partir da perspectiva da orientação estatal e a definição de suas diretrizes, ela deve ser encarada como mecanismo social universal ao quais todos fazem parte da engrenagem: pais, alunos, comunidades locais, educadores e governantes.
C) Comunicação
A ampliação do acesso à comunicação trouxe à tona a possibilidade de inserção de diversos povos a novas culturas, novos conhecimento, novas realidades. Essa possibilidade torna-se real mediante a expansão da mídia televisiva, escrita e digital que agora torna-se responsável por grande parte dos processos de transmissão de conhecimento entre os povos.
A expansão dos serviços ofertados no setor cresceu exponencialmente na medida em que os investimentos tornaram-se maiores e os lucros compatíveis com as previsões de rentabilidade. Nesse sentido, no entanto, segundo a UNESCO (2010, p.19), o aumento da oferta de conteúdos da mídia pode dar lugar a uma falsa diversidade que oculta o fato de que a algumas pessoas só interessa comunicar com as que partilham as mesmas referências culturais.
De acordo com a organização os desafios na área de comunicação frente ao contexto da diversidade cultural focalizam-se em três aspectos: conteúdos inovadores – com a garantia de produções locais que privilegiem a cultura regional e as suas especificidades; ampliação do acesso – com políticas de redução da exclusão digital e a possibilidade de visualização de pontos de vistas contrários, corroborando para o debate e a inclusão de outros olhares; e representação equilibrada – com garantia da liberdade de expressão e manifestação das diversas comunidades que vivem em um mesmo país.
D) Mercado
O olhar da UNESCO para a relação entre diversidade cultural e mercado está amparada em uma visão da expansão dos negócios comerciais cuja mercadoria possa ser a própria cultura. Nesse contexto as artes cênicas, as músicas populares o artesanato e a literatura adentram no campo do intercâmbio cultural ao mesmo tempo em que são transformados em commodities internacionais.
Segundo a própria organização (2010, p.19) o consumo cultural hoje atinge um público cada vez mais numeroso e abrange expressões e experiências culturais cada vez mais vastas, assim, a promoção da diversidade cultural depende em grande parte do apoio concedido a projetos comerciais adaptados ao contexto cultural e às limitações da economia local. Além dos vínculos diretos de oferta/procura de temas recorrentes à cultura, outro aspecto fundamental nas relações de mercado e diversidade cultural faz menção aos elos sociais e corporativos que podem ser estabelecidos.
Assim, a diversidade cultural adentra também nesse contexto corporativo na medida em que as decisões contratuais, o estabelecimento de parcerias comerciais, e novos vínculos e contatos profissionais só podem ser concretizados se a diversidade for considerada como variável decisória frente à tomada de decisões. Segundo a própria UNESCO (idem) trabalhos
de investigação tendem a confirmar a existência de um vínculo positivo entre a diversidade cultural e os resultados econômicos e financeiros das empresas multinacionais.
E) Desenvolvimento Sustentável
O conceito do que se compreende por “desenvolvimento” está habitualmente associado a um processo econômico linear, presente nas sociedades ocidentais, mas que não pode ser aceito como um modelo padronizado replicável universalmente em diferentes contextos ao redor do mundo. Essa afirmação é respaldada pela UNESCO (2010) que argumenta que essas tendências padronizadas de desenvolvimento econômico tendem a desordenar sociedades que procuram seguir caminhos ou que possuem valores distintos.
Obedecendo a essa lógica, compreende-se que processos de desenvolvimento sustentáveis não podem ser considerados neutros e tampouco desconectados dos valores culturais de cada sociedade. Para a organização a chave central é propiciar um desenvolvimento com vistas à sensibilidade social e a diversidade ao qual ela está mergulhada, possibilitando uma maior compreensão dos problemas econômicos, sociais e ambientais que, isolados e/ou interligados impactam na condição de vida dos seres humanos.
O combate à pobreza e a sua erradicação tornaram-se fatores fundamentais para a garantia dos direitos humanos em países com graves crises econômicas e sociais. Essa garantia dos direitos humanos constitui-se como prerrogativa clara de obtenção do avanço social e alinhada ao uso correto dos recursos naturais de cada país criam-se fatores propícios a uma nova configuração socioeconômica. Segundo a própria UNESCO (2010, p.25) a pobreza constitui uma violação dos direitos humanos fundamentais e não se compadece com qualquer justificação cultural; no entanto, certas percepções integralistas que incorporam estratégias culturais e a vontade de compromisso com os direitos humanos contribuem efetivamente para a autonomia e para o reforço de capacidades. No que tange as estratégias de combate à pobreza a organização afirma que o mais importante é que elas sejam adequadas e bem aceitas pelas populações locais, considerando-se, portanto, as especificidades culturais das mesmas.
Considera-se assim que os fatores culturais impactam no modo de acumulação do capital e na forma como as sociedades se apropriam de bens de consumo o que nos leva a pensar como a gestão do meio ambiente e seus recursos é fator crucial na condução dos processos de desenvolvimento sustentável de sociedades distintas. Dessa maneira é cada vez mais aceito que existem vínculos entre a biodiversidade e a diversidade cultural, mesmo que
ambas tenham evoluído de maneira distinta (UNESCO, 2010, p.26), e que essa relação de simbiose impacta nos avanços e nos processos de desenvolvimento da humanidade. Considerar a relação entre a diversidade cultural e sua relação o desenvolvimento humano sustentável, é, portanto, observar o presente e considerar as múltiplas possibilidades que nos espera no futuro.
F) Direitos Humanos e Democracia
Algumas afirmações que se estabelecem a partir da relação entre a diversidade cultural e os direitos humanos precisam ser mais bem esclarecidas, especialmente no que tange a negação da negação, ou seja, o entendimento que os princípios estabelecidos nos marcos legais36 da UNESCO sobre diversidade cultural excluem de forma direta as prerrogativas dos direitos humanos universais por considerá-lo como uma imposição de crenças e valores sobre uma sociedade e sua cultura.
Esse entendimento é equivocado e ignora o princípio geral de compreensão dos direitos humanos como valorização também da diversidade cultural e todos os aspectos a ela correlatos; nesse sentido, o diálogo entre as culturas e povos torna-se primordial. É o que afirma a própria UNESCO (2010) ao apontar que a diversidade cultural e o diálogo intercultural constituem meios essenciais para reforçar o consenso da fundamentação universal dos direitos humanos.
A melhor forma de incorporar um conjunto de normas para proteger os direitos humanos num contexto cultural é por meio do diálogo e da comunicação. A diversidade cultural é, portanto, um elemento vital para aceder aos indivíduos na sua vida quotidiana, sem o que a universalidade dos direitos humanos se arrisca a permanecer uma abstração. (UNESCO, 2010, p.28)
Para a manutenção fundamental dos direitos humanos tendo como referência a garantia da diversidade cultural associada, a coesão social aparece como possibilidade de união e junção das propostas em prol do avanço das sociedades. Essa coesão social só pode ser atingida, no entanto, se observada como um parâmetro a ser seguido, levando-se em conta que nunca existiu nenhuma sociedade homogênea e que as diferenças não podem ser negadas. Nesse sentido a globalização aparece como um complicador da transformação social na medida em que as relações tornam-se cada vez mais complexas, minimizando ou
36 Em 2001 foi publicada a Declaração Universal da UNESCO sobre a Diversidade Cultural, documento oficial
maximizando em alguns casos as diferenças culturais, como no caso das imigrações. Em vários países que não levaram suficientemente em conta a globalização, a imigração em grande escala conduziu à emergência de guetos comunitários, que podem tornar-se fonte de conflitos – o que torna necessário estabelecer “compromissos razoáveis” entre as culturas. (UNESCO, 2010, p.29)
A partir desse princípio de transito cultural e social em um mundo tão amplamente globalizado, criar uma rede de confiança a partir de um princípio democrático requer a construção de políticas que favoreçam a participação de todos os grupos de indivíduos favorecendo, por conseguinte, a autonomia necessária para a valorização da diversidade com manutenção da democracia tão necessária para a garantia dos direitos humanos e sua diversidade cultural.