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1.4. Görgül Yazın

1.4.2. Bazı Ülkelerde Kâr Oranı Gelişim

Desde a fundação do jornal Zero Hora, em 1964, a empresa permitia outra atividade além da exercida como jornalista. A rigor, o duplo emprego era uma rotina na maioria das redações do país. A prática foi quase que totalmente abolida (permite-se determinados tipos de atividades paralelas como, por exemplo, professor universitário) em ZH no início dos anos 90, quando o jornalista Augusto Nunes trocou o centenário Estado de São Paulo, um dos mais tradicionais e prestigiados periódicos do país, pela direção de Redação de ZH, em 1992. O mais comum na dupla jornada realizada por jornalistas era a função de assessor de imprensa de algum órgão público ou privado e, em paralelo, a de editor ou repórter dentro da redação. Até a década de 70, porém, havia policiais que atuavam como repórteres.

Naquele período, conta Waithers, alguns predicados essenciais da atividade jornalística, como domínio da língua portuguesa, eram colocados em segundo plano em função da capacidade de apuração supostamente privilegiada de comissários e escrivães de polícia que literalmente faziam bico como repórteres. Além das fragilidades ortográficas, que eram minimizados por redatores, nos casos de denúncia envolvendo policiais, os investigadores/repórteres assumiam compromisso com seus pares policiais, no que sugere um

comportamento corporativo, colocando a verdade factual e o comprometimento social em segundo plano. O relato de Waithers mostra como esta relação se dava na prática:

Tinha vários colegas que eram policiais. Tinha um colega, que também era comissário de polícia, mas não sabia escrever. Ele fazia o plantão da madrugada. Ele chegava de manhã, a gente pegava o relatório dele e escrevia. Mas ele dizia: “eu não escrevo contra colega”. Então, se tinha algo envolvendo policial, ele não nos passava a história (WAITHERS, 2009).

Embora houvesse policiais atuando como repórteres, a atividade paralela mais comum realizada pelos jornalistas ocorria, como já referido, nos limites da própria profissão, como assessoria de imprensa em órgãos ligados à área da segurança. Galdino, por exemplo, que se orgulha de ser um dos poucos jornalistas a transitar com desenvoltura na sede da Superintendência da Polícia Federal na década de 70, período em que o Brasil vivia sob ditadura militar, sempre teve dois empregos como jornalista. Entre 1979 e 1984, atuou na Secretária da Secretaria da Segurança Pública. Depois, migrou para outras funções, sempre em órgãos públicos, até se aposentar como diretor de imprensa do Ministério Público, em 1992. A proximidade com o poder permitia a Galdino alguns privilégios que a redação, de certa forma, não só tolerava como se beneficiava. Galdino conta que inúmeras vezes utilizou seu prestígio para auxiliar profissionais do jornal a resolver algum tipo de pendência com os órgãos de segurança durante os governos militares. Editor de Cultura de Zero Hora, Luiz Pilla Vares, marxista e militante de esquerda, que se tornaria, após a ditadura, secretário da Cultura em Porto Alegre e no Estado durante governos do PT, teria sido um dos ajudados por Galdino. O jornalista conta:

Eu fui o primeiro repórter a cobrir a Polícia Federal. Eu tinha livre acesso à PF e acabei fazendo grandes amigos lá dentro. Então, os colegas nos pediam favores. Uma vez, o Pilla Vares (Luiz Pilla Vares), editor de Cultura, recebeu um convite para ir ao Oriente Médio, mas não tinha passaporte. Ele era comunista, esquerdista, toda polícia o conhecia. Como o Pilla ia ter passaporte? Além disso, ele não tinha certificado de reservista. Então, fui chamado para conseguir um passaporte para o Pilla. Fui lá e consegui o passaporte para o Pilla. O compromisso era o seguinte: quando o Pilla retornasse, eu devolveria o passaporte. Foi o que aconteceu (GALDINO, 2009).

A versão de Galdino não pôde ser apresentada a Pilla Vares, que morreu em outubro de 2008.

Mais do que trabalhar para sobreviver, a prática jornalística dentro de uma redação de jornal, e a reportagem em particular, são opções de vida, que repercutem física e psiquicamente nas vidas dos profissionais. Não há originalidade nesta definição,

compartilhada com referências entre jornalistas como Ricardo Kotscho (1989). Para produzir um material que respeite seus leitores, com informações precisas e exclusivas, trabalha-se à exaustão até o final de uma edição. Quando a jornada está concluída e as rotativas a imprimir o jornal que estará nas mãos dos leitores, na manhã seguinte, começa tudo de novo, numa infinita ordenação da novidade e rotinização do inesperado (DINES, 1986).

O jornalismo, em qualquer das suas manifestações, busca satisfazer a três necessidades do espírito humano: busca informar-se do novo, do imprevisto, do original e recordar-se do passado, “do já sabido, do quase perdido nos arcanos da memória”, em segundo lugar, “receber uma mensagem de advertência ou orientação”, ou seja, “alertar-se para o futuro, para a ação e, por fim, entreter-se, descansar das preocupações no humor, na ficção, na poesia, nas belas letras, na arte” (BELTRÃO, 1992, p. 75).

Sob o ponto de vista ético, o jornalismo busca “conseguir a verdade pela objetividade das notícias”, embora possa não realizá-lo plenamente (JOBIM, 1992).

Pela sua própria natureza, a informação jornalística é superficial, colhida e redigida apressadamente. O jornalista não pode esperar tranquilamente que a verdade saia do fundo do poço. Desce ao fundo e vai surpreendê-la, de câmara a tiracolo, mas se limita a fotografar aquela que, conforme lhe segreda o instinto, deve interessar mais aos seus leitores (JOBIM, 1992, p. 56).

É lícito supor que a jornada dupla, com profissionais dividindo a energia com outras atividades e comprometem-se com interesses que não a verdade factual dos fatos, fragiliza a qualidade e a precisão das informações prestadas por um veículo.