Python’da Ko¸ sula Ba ˘ glı Durumlar
2.5 Basit bir Hesap Makinesi
A ordem econômica, segundo estabelece o artigo 170 caput da Constituição Federal (BRASIL, 1988), tem como fundamento a valorização do trabalho e a livreiniciativa.
4.3.3.1 Valorização do trabalho
A valorização do trabalho humano na Constituição Federal de 1988 foi inserida como fundamento da República Federativa do Brasil, artigo 1o, inciso IV e fundamento da ordem econômica, artigo 170, caput, da Carta Magna.
O trabalho e o capital são fatores de produção que constantemente estão em conflito, porquanto os “[...] titulares de capital e trabalho são movidos por interesses distintos, ainda que se negue ou se pretenda enunciálos como convergentes” (GRAU, 2012, p. 196), entretanto, a busca pela conciliação entre os fatores é escopo do capitalismo moderno76.
Prevalecer o fator humano, representado pela cessão da força de trabalho, no desenvolvimento do modo de produção capitalista é escopo essencial, impondo tratamento peculiar à relação travada entre o trabalhador e o detentor do capital, tendo em vista a hipossuficiência e a necessária valorização da pessoa humana em detrimento do capital.
Matsushita (2007, p. 144), ao dissertar sobre a valorização do trabalho humano, destaca:
A valorização é aqui considerada como aumento do valor do trabalho humano. Abominase a sua supressão ou sua extirpação, que acontece com maior frequência nos países onde há uma economia liberal de mercado.
Isso acontece porque numa economia liberal de mercado o foco central está no capital, unicamente. Já uma economia de mercado social, em que o Brasil se enquadra, as atenções se dividem entre a valorização do trabalho humano e a livre iniciativa.
A matriz econômica constitucional não tem como fim único o capital, mas sim o capital fundado nos seus valores sociais, jamais deixando de lado a valorização do trabalho humano.
O trabalho humano não pode ser considerado como uma simples mercadoria passível de cessão que se agrega como elemento de produção: tratase de uma exteriorização de parcela da dignidade da pessoa, porquanto a força de trabalho é elemento essencial para a pessoa desenvolver suas capacidades.
Hodiernamente o trabalho não se resume a um mero fator de produção cujo objetivo é otimizar a utilização do elemento capital; na realidade, é manifestação de dignidade da pessoa humana. Nesse sentido, é essencial a lição de Petter (2008, p. 168):
76 A evolução do Estado gendarme, garantidor da paz, até o Estado do bemestar keinesiano, capaz de
administrar e distribuir os recursos da sociedade “[...] de forma a contribuir para a realização e a garantia das noções prevalentes de justiça, assim como de seus prérequisitos evidentes, tais como o ‘crescimento econômico’”, demarca o trajeto trilhado nessa busca (GRAU, 2012, p. 196).
Não se poderá olvidar que o trabalho, direito de todos e dever do Estado, é muito mais do que um fator de produção. Diz respeito mesmo à dignidade da pessoa humana, merecendo, por tal razão, ser adequadamente compendiado. Apesar de a relação laboral ser estruturada sob a forma de um contrato, não deverá ser examinada sob ótica estritamente patrimonialista, havendo de ser eqüitativamente sopesado o aspecto humanitário que caracteriza a relação. Valorizar o trabalho, então, equivale a valorizar a pessoa humana, e o exercício de uma profissão pode e deve conduzir à realização de uma vocação do homem.
É inadmissível que o trabalhador seja considerado na cadeia de produção como um mero objeto de exploração do capital. Se assim o for, resta vilipendiada a dignidade da pessoa humana, fundamento da República, nos termos do artigo 1o, inciso III da Constituição Federal e finalidade da ordem social, conforme disposto no artigo 170, caput da Constituição Federal. A concretização do postulado efetivase com a intervenção do Estado nas relações entre capital e trabalho, reconhecendo a posição hipossuficiente do trabalhador que lhe assegura proteção especial, cuja intervenção do Estado se faz presente para eliminar fatores de inferioridade dos sujeitos da relação: promover a vedação ao trabalho infantil e do trabalho escravo; garantir tratamento remuneratório equivalente ao trabalho desenvolvido, vedar discriminação remuneratória em razão de sexo, cor, raça etc.; assegurar a proteção contra o subemprego (negação do trabalho formal submetido às regras do direito laboral); reinserir os egressos do sistema penitenciário no mercado de trabalho e demais manifestações que têm como objetivo assegurar a dignidade do trabalhador (Cf. PETTER, 2008, p. 170175).
O postulado da valorização do trabalho, além de compatibilizar a tensão entre os fatores de produção, cotejando o trabalho humano em detrimento do capital, tem nítida função transformadora, porquanto é elemento essencial para o desenvolvimento pessoal garantindo a todos a possibilidade de integração social, política e cultural, essencial ao fortalecimento da cidadania (Cf. MATSUSHITA, 2007, p. 143).
É necessário pontuar que as tensões entre capital e trabalho não se harmonizarão enquanto não houver o reconhecimento da interdependência entre os fatores. A efetiva implementação da valorização do trabalho humano somente é realizável com a intervenção do Estado na relação entre trabalho e capital, uma vez que “[...] a parte mais fraca, embora mais numerosa, se vê submetida ao domínio imperativo dos capitais. O contexto macroeconômico deve oferecer oportunidades eqüitativas tanto para o capital como para o trabalho” (PETTER, 2008, p. 177).
O princípio pode ser traduzido como o direito que todos têm de atuar no mercado de produção de bens e serviço de forma livre, sem qualquer limitação ou condicionamento, representado em duas vertentes: a primeira positiva, garantia da liberdade de ação, e o viés negativo, vedação de intervenção do Estado. Tratase da manifestação da liberdade individual, direito fundamental de primeira dimensão, na esfera econômica da produção, artigo 5o, caput e inciso XIII da Constituição Federal (CF. PETTER, 2008, p. 180).
A Constituição, no artigo 1o, inciso IV, estabelece o valor liberdade de iniciativa como fundamento da República Federativa do Brasil, o qual está inserido no caput do artigo 170 da Constituição, como fundamento da ordem econômica, bem assim é inserido como princípio da ordem econômica, inciso IV do artigo 170 da Constituição.
A liberdade de iniciativa, fundamento da República e da ordem econômica, não pode ser adotada na forma individualista, de cunho liberal. A livreiniciativa deve relacionarse ao fundamento da valorização do trabalho humano, de modo que a valorização do trabalho humano precede à própria livreiniciativa, impondo ao agir econômico o respeito e a implementação da valorização do trabalho humano (Cf. GRAU, 2012, p. 198). Portanto, implementar a livreiniciativa impõe a atuação livre no mercado do agente econômico de modo a assegurar, indissociavelmente, a valorização do trabalho humano, garantindo a todos o amplo desenvolvimento pessoal.
Na própria origem do liberalismo, a presença do Estado intervindo no domínio econômico foi essencial para preservar os agentes econômicos contra a ação do Estado que vilipendiava a liberdade, direito fundamental de primeira dimensão, alicerce essencial do modelo liberal clássico (Cf. GRAU, 2012, p. 201). A liberdade de ação era promovida por meio da garantia da legalidade, de modo que o agir do Estado era limitado ao disciplinado na lei77, assim, a ação estatal restringiase ao disciplinado pela vontade geral expressa no comando normativo.
A intervenção do Estado regulando a economia é manifestação necessária à manutenção da forma de mercado e essencial à preservação da livreiniciativa, visando a limitar eventuais ações indesejáveis de agentes econômicos que possam ser perniciosas à manutenção do sistema de liberdade econômica.
77 “‘Lei’, portanto, referese, tecnicamente, à lei formal, vale dizer, ao ato normativo que emana do poder
constituinte originário (Constituição), bem como de órgão legislativo instituído, representativo do poder soberano (leis ordinárias complementares e, excepcionalmente, medidas provisórias) ou órgão para o qual tenha sido transferida tal capacidade legitimamente, nos termos da Constituição (Chefe do Executivo por via de lei delegada)” (TAVARES, 2010, p. 661).
Nesse sentido, a intervenção é essencial à manutenção do modelo de mercado livre e a repressão dos abusos do poder econômico decorrentes de anômala concentração de poder econômico prejudicial à própria liberdade, uma vez que, “[...] quando se procura evitar que o poder econômico abuse de sua condição, está sendo considerada a liberdade de iniciativa daqueles que estão alijados de um determinado mercado, ou que, mesmo nele inseridos, sofrem com a ilicitude derivada da atuação de outros” (PETTER, 2008, p. 183).
É importante destacar que a livreiniciativa, fundamento da República e da ordem econômica, deve balizar a atuação legislativa quando da imposição de restrições ao agir econômico, de modo que eventual restrição deve ser condizente e essencial de forma a assegurar a concretização do próprio valor da liberdade de iniciativa ou de direito fundamental. Nesse sentido, precisa a lição de Petter (2008, p. 187):
No tocante aos limites impostos à livre iniciativa em hipotético diploma normativo, está em dar a devida guarida à esfera de liberdade do particular – que age, por ser livre, na busca de maior eficiência e lucratividade –, mas, também, admitir seja normativamente valorado o efeito público que marca aquela atividade, agindo de tal forma que o particular se predisponha na perseguição de fins constitucionalmente valiosos.
O reconhecimento da livreiniciativa como valor da ordem econômica materializa a opção capitalista do modelo econômico da República Federativa do Brasil, cuja essência está na propriedade privada dos meios de produção e na liberdade de apropriação e de transferências do produto da conjugação do capital e do trabalho.