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Bakanlar Kurulu ve Dı i leri Bakanlı ı

B. Türkiye’nin Karar Alma Mekanizması ve Dı Politika Yapım Süreci

2. Bakanlar Kurulu ve Dı i leri Bakanlı ı

Esse acervo arquitetônico e urbanístico do Centro Histórico de São Luís, tombados sob proteção jurídica, tem a seguinte competência legal quanto à preservação, manutenção e fiscalização: áreas e monumentos sob proteção jurídica federal (acervo arquitetônico e paisagístico tombado em 23 de dezembro de 1955 e 13 de março de 1974, pelo governo federal através do IPHAN); áreas e monumentos sob proteção jurídica estadual (área com cerca de 160 ha. protegida pelo Decreto Estadual Nº 10.089 de 06/03/1986) e áreas e monumentos sob proteção jurídica municipal (o Plano Diretor Urbanístico de São Luís – Lei Municipal de 29/12/1992 – dividiu o centro da cidade em duas grandes zonas: a Zona de Proteção Histórica – ZPH – que abrange as duas áreas mencionadas e a ZPH2, que corresponde às áreas de entorno e preservação ambiental do Aterro do Bacanga e do Parque do Bom Menino). (ANDRÉS, 1998, p. 43)

Já no plano municipal há a Lei nº. 3.376, de 29 de dezembro de 1994, que isenta de pagamento do imposto predial e territorial urbano (IPTU) os imóveis do Centro Histórico de São Luís tombado pela União, Estado e/ou Município e a Lei nº 3.392, de 05 de julho de 1995, a qual dispõe sobre a proteção do Patrimônio Cultural do Município de São Luís.

Em 06 de março de 1986, através do Decreto nº 10.089 foi feito o tombamento do Conjunto Histórico, Arquitetônico e Paisagístico do Centro Urbano da Cidade de São Luís, sob o argumento da necessidade de proteger e preservar a parte da memória maranhense representada pelo grande acervo arquitetônico e paisagístico do Centro Histórico de São Luís, que constitui valioso patrimônio nacional, por sua amplitude unidade estética, propriedades que o distingue e o singulariza no Brasil.

Convém ressaltar que São Luís faz parte do Patrimônio Histórico do Brasil, tendo recebido em 1997 o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, concedido pela UNESCO, tendo esta reconhecido aquela cidade como detentora do maior e mais homogêneo conjunto de arquitetura de origem portuguesa do Brasil e do mundo.

A conservação patrimonial internacional produz uma estética urbana “exibicionista” para o turismo, numa tentativa do objetivar a “beleza da cidade” para o consumo cultural. Contraditoriamente, este modelo de conservação vai tornando as cidades cada vez parecidas, contribuindo para a homogeneização dos lugares, operacionalizando o padrão UNESCO em contextos culturais absolutamente diversos. A singularidade cede espaço ao modelo internacional, institucionalizando a museificação das cidades ao redor do mundo. (SERPA, 2007, p. 109)

Esse título só foi possível em razão de várias intervenções urbanísticas ocorridas no Centro Histórico, voltadas, principalmente, à restauração, revitalização e preservação do seu patrimônio arquitetônico. Percebe-se que essa parte da cidade é a que mais interessa aos turistas. Daí ser este o local onde o governo faz de vez em quando algumas “maquiagens” – como veremos em outro capítulo deste trabalho - com o intuito de tornar esse espaço mais atrativo e ao mesmo tempo um “lugar” em que muitos dependem dele para, de alguma forma, ter que resolver situações ligadas à vida cotidiana.

Porém, se considerarmos apenas o seu aspecto físico, descrito no item anterior, isso garantirá um caráter singular a esse espaço, embora a questão do consumo, não só cultural, se faça presente nos dias atuais neste local como resquício de uma época áurea da economia do estado, em que a idéia de “conservação patrimonial” ainda não era pensada no contexto da cidade de São Luís.

Segundo Alexandre Corrêa, a idéia de patrimônio histórico surgiu na Europa de modo radical após a Revolução Francesa e a expansão napoleônica, em face da queda da monarquia absolutista na França e da conseqüente apropriação dos bens eclesiásticos e aristocráticos em favor da nação, por deliberação da Assembléia Nacional, em 16 de setembro de 1792, o que culminou com o surgimento da primeira lei sobre monumentos históricos franceses em 1887. (CORRÊA, 2003, p. 49)

Já no Brasil, a instituição do patrimônio histórico e artístico, surgiu, segundo ainda Corrêa, “a partir da criação do Museu Histórico Nacional em 1922, com a finalidade de recolher, classificar e expor ao público os objetos de importância histórica que se iniciou o rol de medidas protecionistas em nosso país”. (CORRÊA, 2003, p. 54)

Porém, somente em 1936 que surge um anteprojeto de criação do serviço federal do patrimônio, elaborado pelo escritor Mário de Andrade e de responsabilidade institucional do advogado Rodrigo Mello Franco de Andrade, então diretor de preservação, o qual recebeu a incumbência do Ministro da Educação e Saúde (MES), Gustavo Capanema, para dar um tratamento final ao anteprojeto de lei, cujo texto, após

discussões, mudanças e aprovação no Legislativo incluiu o termo histórico, ao anteprojeto original (Serviço de Patrimônio Artístico Nacional/SPAN), culminando com a criação do Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/SPHAN, em 30 de novembro de 1937, por meio do Decreto-Lei nº 25. (CORRÊA, 2003, p. 68)

Os artistas brasileiros modernos, em estreito conflito com os artistas tradicionais e acadêmicos, disputam a definição de uma política cultural para o país e o estabelecimento de parâmetros para a arte nacional. Mas a definição e operacionalização da política cultural nacional coube aos modernistas. Mário de Andrade e Lúcio Costa, dois expoentes do movimento modernista nacional, exerceram papel determinante na criação e funcionamento da agência nacional de proteção. (SIMÃO, 2006, p. 28)

Percebemos, no entanto, uma vez mais, que apesar de todo esse esforço envolvendo a questão da preservação do patrimônio histórico- cultural, parece que a articulação entre bem material e imaterial, voltada à universalização a seu acesso, não fora pensado, pois deixou de fora desse contexto uma minoria social da cidade. Ou seja, não incluiu a pessoa com deficiência, já que ela é, por natureza, parte integrante desse processo, cujos direitos de cidadania são assegurados através de normas legais, como será demonstrado adiante.

Ressalte-se que, se por um lado o Centro Histórico de São Luís, através das instituições internacionais e nacionais, está protegido juridicamente de qualquer ação que vise modificar o seu acervo arquitetônico e paisagístico, por outro, existe, também, uma legislação que estabelece diretrizes, critérios e recomendações para a promoção das devidas condições de acessibilidade aos bens culturais imóveis, em especial, para as pessoas com deficiência, conforme enfoque a ser dado neste trabalho.

2 – A CIDADE COMO ESPAÇO DE TODOS: O CAMINHO PARA A CIDADANIA

Neste capítulo, realizamos uma reflexão teórica conceitual pertinente ao objeto da nossa pesquisa e discutimos algumas categorias sociais, utilizando os estudos de autores clássicos e contemporâneos, para melhor compreender a relação entre o espaço do Centro Histórico de São Luís e a questão da acessibilidade das pessoas com deficiência visual, com respeito à urbanidade. Pretendemos ainda saber em que medida o acesso a esse espaço se efetiva democraticamente e legalmente.

Para tanto, dividimos o capítulo em quatro subtítulos, a saber: o primeiro trata da Noção de espaço no contexto urbano, o segundo O sujeito, o cidadão na sua relação

com o espaço, o terceiro A cidadania e a cidade na perspectiva do direito e o quarto

trata da Desigualdade, exclusão e inclusão social no Centro Histórico de São Luís.

Benzer Belgeler