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A inserção da mulher no mercado de trabalho determina igualdade de oportunidades na busca da superação desses estereótipos de inferioridade. Várias estratégias que visam conseguir esse feito estão encaminhadas; políticas públicas que promovam mudança de comportamento tomam corpo, e desconstroem a figura da mulher como tão somente “rainha do lar”, mas como trabalhadora, cidadão conhecedora de seus direitos e deveres.
O trabalho e a dignidade que ele proporciona amplia horizontes e abre debates sobre suas condições. A dedicação ao serviço doméstico, ao marido e o zelo pelos filhos, por vezes prejudicava o estudo e a consequentemente formação profissional. A total dedicação da mulher aos filhos e marido também acarreta dependência financeira ao seu par.
A participação da mulher no mercado de trabalho impulsionou a liberdade de decisões e a ascensão de direitos e a gradativa aquisição das leis respaldava a luta a ocupar significativo papel na economia do seu núcleo familiar, no bojo desses acontecimentos a CLT proporciona proteção ao trabalho feminino com texto e apropriava valores na consciência das mulheres.
De fato, se iniciou com a Constituição de1934 houve a consagração dos direitos sociais e modificações favoráveis quanto a condição feminina na sociedade. Nesse momento, diante dos problemas da época ascende uma legislação trabalhista protecionista em favor da mulher, CLT- Consolidação das Leis Trabalhista em 1943, é certo que as relações trabalhistas tomam outro contorno passando a ter mulher mais proteção, todavia, pelo fato de alguns dispositivos da CLT haverem clara inclinação sexista, com normas que inclusive restringia o trabalho das mulheres22.
22 Por isso, Sergio Martins narra: “No decorrer da Revolução Industrial (século XIX), o trabalho da
mulher foi muito utilizado, principalmente para a operação de máquinas. Os empresários preferiam o trabalho da mulher nas indústrias porque elas aceitavam salários inferiores aos dos homens, porém faziam os mesmos serviços que estes. Em função disso, as mulheres sujeitavam-se a jornadas de 14 a 16 horas por dia, salários baixos, trabalhando em condições prejudiciais à saúde e cumprindo obrigações além das que lhes eram possíveis, só para não perder o emprego. Além de tudo, a mulher
A campanha por leis protetivas de direitos sociais eclodiu ainda no Estado Novo, aliada a uma crise de privação de direitos, mas culmina na Carta Magna de
1988 na acepção dos direitos sociais em âmbito trabalhista.23
Com as bases protetivas de direitos nas políticas públicas e suas inserções trabalhistas, possibilitam a atuação da mulher no mercado de trabalho, que sem ele a mulher não tem como estabelecer sua independência para que suas vidas sejam livres e autônomas.
deveria, ainda, cuidar dos afazeres domésticos e dos filhos. Não se observava uma proteção na fase de gestação da mulher, ou da amamentação”. (MARTINS, 2003, p. 560)
23 De acordo com Sônia Aparecida Costa Nascimento, autora aponta que até a década de 50, a
proteção do trabalho feminino foi direcionado pela elaboração de convenções e recomendações sobre para a proteção da maternidade, trabalho noturno, insalubre, perigoso, duração do trabalho, trabalho manual e habitual com pesos, segurança e higiene do trabalho, normas a contento das convenções e recomendações destinadas a abordar o trabalho, ainda coma visão da mulher procriadora, dando o sustentáculo necessário para permitir esta função dita primordial naquela época. Vencida esta fase, outros questionamentos subsequentes se inserem, a OIT deixou de se ater apenas as condições de trabalho da mulher, ganhava corpo a promoção da paridade entre os gêneros. Por conseguinte, as discussões e propostas centralizavam a igualdade salarial, a não discriminação do trabalho em razão do sexo, responsabilidade familiar compartilhada entre os sexos.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho alerta para o fato da emancipação da mulher ter ocorrido em muito, pelos movimentos feministas que conquistaram em face de uma legislação protetiva, significativos avanços na conquista de seus direitos.
A Constituição de 1988 cria e aprofunda garantias para os cidadãos que não eram protegidos no ordenamento jurídico pátrio. Nessa lógica, a Constituição estabelece “direitos” e elenca “deveres” ao Estado para com a coletividade e dialoga com direitos humanos.
O processo evolutivo pode ser avaliado pelas vitórias das mulheres durante o século passado e início deste culminando na consolidação da carta de 1988. As garantias catalogadas na constituição e no código civil de 2002 proporcionaram a igualdade de direitos e deveres entre os sexos. Houve um processo paulatino, gradual e permanente para evolução jurídica feminina em muito demorada pelos empecilhos que a mulher teve de enfrentar na sociedade patriarcal.
Grupos sociais menos favorecidos, marginalizados e discriminados, antes da promulgação da Constituição cidadã, foram a partir dela protegidos conforme suas fragilidades, inclua-se as mulheres.
Os conceitos fundantes (direitos fundamentais) das garantias femininas no que diz respeito a discriminação da violência empreendida a elas iniciadas na Carta de 88 têm sua materialidade e maturidade na promulgação da lei Maria da Penha.
A Lei nº 11.340/06 representa um marco no enfrentamento da violência para as vítimas de violência doméstica. Antes da lei era praticamente impossível a denúncia por parte da agredida, inseguras pelo medo de enfrentar intimidações do seu agressor. Ao passo que a lei ganha visibilidade o número de denúncias aumenta, embutindo nas mulheres a coragem para se libertarem do quadro de violência que muitas viviam.
Apesar das inúmeras campanhas e da rigidez da lei, o conservadorismo personificado no machismo sobrevive em nossa sociedade. O homem continua a praticar violência física, moral e emocional em suas parceiras, isso porque o respeito a mulher como ser humano dotado de dignidade está longe de ser alcançado.
A educação conferiu cidadania e esta última viabiliza a compreensão dos direitos, num país com tão baixa escolaridade é notório e compreensível à negligência
pela erradicação da discriminação. Culturalmente a mulher se coloca como dependente de seu companheiro e a sociedade corrobora com este costume em forma de preconceito com as vítimas.
De certo, houve relativo avanço, mas sozinho o legislador não conseguira eliminar todas as diferenças, mas com ajuda da sociedade haverá o real tratamento igualitário, experimentando o exercício e o usufruto dos direitos pelas mulheres. A discriminação positiva constitui importante forma de afirmação, quer seja por leis ou ações estatais na crescente luta por isonomia.
O teor não discriminatório eleva a nossa constituição a condição de constituição cidadã ao estabelecer direitos e garantias fundamentais como parâmetros de igualdade entre homens e mulheres. Reconhece ainda os direitos individuais e sociais das mulheres um avanço para promoção do bem-estar e para proteção das mulheres.
Ao repelir amplamente discriminações negativas à causa feminina consequente o Direito pátrio retira as aberrações do passado de suas legislações com claro propósito de equilibrar homens e mulheres para amenizar as disparidades entre eles nas diversas áreas (educação, política, cultura, trabalho, economia) da sociedade.
A começar pela lei trabalhista que trouxe para mulher uma experiência nova nas tomadas decisões de sua vida e reflexões sobre sua existência. A partir daí novas ambições são discutidas e sua insatisfação toma corpo e forma de pensamento. Nascem novos paradigmas sobre equiparação salarial e percursos são definidos para atingir esse objetivo.
A campanha por leis protetivas de direitos sociais eclodiu ainda no Estado Novo, aliada a uma crise de privação de direitos, mas culmina na Carta Magna de 1988 na acepção dos direitos sociais em âmbito trabalhista.
A agenda pelas eleições diretas pode ser compreendida como um movimento crucial que impulsionou a derrocada do regime militar. O engajamento feminino no movimento pelas diretas já fomenta novas propostas de mudança para a seguridade dos direitos femininos numa nova constituinte que se anuncia em um horizonte de democracia e cidadania.
Com esmerado contorno político, a Carta Magna alterou significativamente por seus dispositivos a condição da mulher, pondo fim a discriminação das mulheres, ao reconhecer seus direitos humanos em condição de igualdade com os homens,
conferindo as mulheres a cidadania plena. Inicia uma mudança transformadora da mulher na sociedade agora as mulheres iniciam a ocupação de todos os espaços sociais.
O movimento feminista foi colocado em xeque e passou a ter contorno de movimento das mulheres que lutavam pela afirmação dos direitos assegurados pelo legislador de 88. As causas do movimento se multiplicaram e se expandiram por vários segmentos sociais que outrora a mulher não adentrava. Militava-se por emprego, renda igualitária, leis civis equiparadas e legislações penais que contemplassem a fragilidade da mulher nas relações sociais.
Nessa conjuntura, a mulher era desafiada a compreender sua nova realidade como: cidadã, trabalhadora e dotada de capacidade civil plena. Entender esse novo momento oportunizou outros enfrentamentos a questão da discriminação o trabalho bem como a liberdade sexual e consequentemente a integridade e autonomia do seu corpo.
O benefício da inserção da mulher em todos os espaços trouxe ganho para a sociedade que experimenta dia a dia um crescente dos seus direitos fundamentais autorizados pelo constituinte de 88.
No mundo os direitos femininos são institucionalizados nas legislações, muito embora sejam constantemente violados pelas práticas de violência contra as mulheres. Urge então a necessidade de leis que não só assegurem a mulher, mas que denunciem e retirem seus martírios da obscuridade escondidos atrás da cortina dos seus medos.
Os constantes atos tentados contra a dignidade da pessoa humana e o discrímen as mulheres ferem nossa constituição e refletem a urgência em leis que discriminem positivamente a questão da mulher. Pautar a lei, em consonância com os princípios é obrigação dos nossos representantes condenar tais práticas também.
A isto equivale a propositura de normas que promovam a igualdade dos gêneros e proporcionem o reconhecimento do gênero feminino como o lado mais fraco da balança; que prioriza mais atenção e garantias com ressalva no princípio da isonomia.
O processo evolutivo da mulher pode ser acompanhado e retornando entre direitos alcançados nas constituições ao longo da recente história brasileira. No início do século passado, a mulher rendia-se a opressão e à vulnerabilidade.
Com tudo, ela resiste por vezes às adversidades de sua condição indo à luta no desejo de ter autonomia para decidir sobre sua vida.
Ainda nos dias atuais muitas mulheres vivem em condições assemelhadas as das mulheres do começo do século passado. Outras diferentemente partiram para a batalha da vida, rompendo com preconceitos e mostrando sua capacidade e valor.
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