• Sonuç bulunamadı

BÖLÜM II: BALKAN SAVAŞLARI’NDA MEHMED ESAD PAŞA

2.3. Balkan Savaşları’nda Yanya’nın Coğrafî ve Stratejik Önemi

2.3.2. Bağımsız Yanya Kolordusu

Iniciamos o capítulo apresentando diferentes definições de Bilingüismo, a

complexidade do tema e a necessidade de se definir claramente a que tipo de Bilingüismo nos

referimos. Em nosso trabalho, tratamos do Bilingüismo infantil precoce, no qual a aquisição

da segunda língua se inicia antes dos três anos, ou seja, antes da aquisição completa da

primeira língua.

Em seguida, apresentamos um levantamento de pesquisas acerca de conseqüências do

Bilingüismo infantil sobre o desenvolvimento, dividindo o conjunto de temas abordados em

três grandes grupos: vantagens, diferenças e desvantagens. No primeiro grupo (vantagens?)

foram abordados temas como desenvolvimento cognitivo em geral, controle inibitório,

pensamento criativo, memória, competência metalingüística, resolução de problemas de

matemática, surdez, problemas no desenvolvimento. Temas como o letramento

(biletramento), aquisição bilíngüe, mudança de código e funcionamento cerebral foram

abordados dentro do segundo grupo (diferenças?). No item referente a possíveis desvantagens,

trabalhamos temas como a influência do ambiente escolar, social e cultural, o papel da

aculturação e o Bilingüismo Subtrativo. Importante ressaltar que as desvantagens às quais nos

referimos não são fruto do Bilingüismo em si, mas do contexto no qual ele se desenvolve.

No terceiro item do presente capítulo, centramos nossa atenção nas pesquisas sobre a

influência do Bilingüismo infantil sobre o desenvolvimento cognitivo, a partir da perspectiva

piagetiana. A mencionada questão não é algo que se possa sintetizar de modo absoluto. A

partir do levantamento de pesquisas realizado, bem como das revisões de literatura às quais

tivemos acesso, salientamos que o Bilingüismo infantil precoce pode ter como conseqüência

uma antecipação da percepção da relação entre a palavra e o objeto representado e

afirmando que crianças bilíngües mostram ter vantagens em tarefas que demandem controle

inibitório e de atenção.

Entre todos os pontos por nós apresentados no presente capítulo, esses últimos serão

desenvolvidos com profundidade e interpretados à luz da teoria da equilibração de Piaget. O

primeiro critério de seleção foi a relação com a perspectiva piagetiana. Na questão do

aumento do controle inibitório, a relevância do tema e a revisão de literatura vasta e

diversificada foram consideradas ao selecionar tal tópico para análise mais aprofundada.

Porém, há pesquisas que não constatam tais vantagens, mesmo com um controle de

variáveis poluidoras. Hamers e Blanc (1983/2003, p. 94-100), ao trabalharem tal tema,

apontam duas possíveis explicações para pesquisas que constatam neutralidade ou

desvantagem vinculadas ao Bilingüismo. A primeira delas seria a falta de proficiência

acadêmica nas línguas. A segunda explicação possível refere-se a uma desvalorização da

língua e da cultura de origem da criança. Tal perspectiva será por nós utilizada como

organizadora de nossa leitura a partir da teoria da equilibração.

Assim, de maneira geral, a seqüência de temas a ser trabalhada acerca de relações

entre Bilingüismo e cognição será:

- A maioria das pesquisas aponta para vantagens quanto à

1) Antecipação da percepção da relatividade da relação signo-referente no real

2) Intensificação da capacidade inibitória e do controle de atenção

3) Antecipação da entrada no pensamento operatório

- Pesquisas que apontam desvantagens – explicações possíveis:

1) Falta de proficiência acadêmica nas línguas

Tal quadro de pesquisas será o norteador da presente tese, que discute possíveis

conseqüências do crescer em contexto bilíngüe para o desenvolvimento cognitivo da criança,

a partir da teoria da equilibração de Piaget. Para discutir tal tema, é fundamental que se

esclareça o que se entende por cognição e linguagem verbal, bem como a relação entre elas.

2. INTELIGÊNCIA E LINGUAGEM VERBAL

Piaget, no início de seus estudos no campo da psicologia, trabalhou com testes de

inteligência numa abordagem psicométrica. Pensamos que essa experiência lhe foi

extremamente útil para desenvolver seu próprio método investigativo, chamado pelo próprio

de método clínico. Piaget constatou que os resultados absolutos encontrados em testes

psicométricos não possibilitavam que se conhecesse a construção do raciocínio da criança,

mas somente seu produto final. Sendo o seu interesse conhecer como se dava a construção do

conhecimento do mundo pela criança, ficou clara a necessidade de uma outra forma de

acesso. Na metodologia piagetiana, o mais importante não é a resposta em si, dada pela

criança, mas a orientação do pensamento que levou a essa resposta.

Por exemplo, no campo da moralidade, duas crianças afirmam que não se pode mudar

as regras do jogo. Uma delas justifica tal afirmação dizendo que as regras não podem ser

mudadas, pois foram dadas por seu pai, demonstrando um funcionamento heterônomo. A

outra criança diz que as regras não podem ser modificadas, pois são fruto de um combinado

do grupo, e que só o grupo poderia modificá-las, se houver consenso. As respostas das duas

crianças inicialmente eram iguais, ou foram iguais em termos absolutos: não se poderiam

mudar as regras. Mas a explicação dada mostra duas perspectivas bastante diferentes, uma

mais heterônoma, a outra mais autônoma.

Assim, inteligência, para Piaget, é algo bastante diferente da inteligência para a

abordagem psicométrica. Para o autor, inteligência refere-se à capacidade de se adaptar a

novas situações. O termo adaptação, nesse caso, deve ser tomado no sentido biológico, ou

seja, dadas as variações no meio, a capacidade do organismo de se transformar visando

Inteligência para Piaget, pode ser sintetizada como a possibilidade de coordenar meios

para alcançar determinados fins. Por isso, ele considera a coordenação entre meios e fins no

sensório-motor o primeiro comportamento verdadeiramente inteligente do ser humano. É o

momento em que o bebê usa conhecimentos que já tem, como levantar objetos, para alcançar

um fim novo para ele. Por exemplo, a criança que já sabe levantar um lençol e pegar a

chupeta: num determinado momento, depois de ver a chupeta ser escondida embaixo do

lençol, constrói a coordenação de ações “levantar o lençol para pegar a chupeta”. A

intencionalidade é clara: dado um problema a resolver e dispondo de meios conhecidos, a

criança criou a solução para o mesmo. O aparecimento de uma relação criativa como essa é

considerado o primeiro ato de inteligência propriamente dita, na perspectiva piagetiana.

Vemos que, para Piaget, o conceito de inteligência está intimamente ligado à

adaptação do indivíduo ao meio. A inteligência se constrói, uma vez que exista a

potencialidade cerebral, no contato do indivíduo com o meio, por intermédio da ação do

sujeito no mundo. Nessa perspectiva, há espaço para a hipótese de que uma mudança no meio,

ou um meio configurado de modo específico, possa influenciar a construção do conhecimento

do mundo pelo sujeito. Porém, é importante deixar claro, essa mudança não teria relação com

uma construção de estruturas cognitivas diferentes das anteriormente descritas por Piaget,

uma vez que essas dependem também de uma condição estrutural, das possibilidades do ser

humano enquanto espécie. As mudanças que se podem esperar, coerentemente com essa

perspectiva, dizem respeito a uma aceleração na construção de estruturas de conhecimento, à

atualização de uma capacidade específica ou ao fortalecimento de uma determinada

potencialidade.

Por exemplo, diversos estudos comparativos em epistemologia genética mostram que

a seqüência desenvolvimental descrita por Piaget mantém-se a mesma em diferentes culturas.

atualização ou fortalecimento de potencialidades pode variar muito em função das solicitações

do meio. Por exemplo, Dasen e Heron (1981) relatam uma pesquisa de Berry que mostrou que

caçador-coletores desenvolviam mais cedo a noção de espaço em sua dimensão operatória

(importante para sua sobrevivência a partir da caça e da coleta) e que tribos indígenas de

agricultores desenvolviam mais cedo a noção de conservação operatória (importante para sua

sobrevivência a partir da agricultura)83.

Bialystok (2001/2006, p. 186) esclarece que, sob seu ponto de vista, nenhum modelo

de inteligência dá conta de todos os resultados de pesquisas. Segundo a autora, o modelo que

parece mais coerente a partir das pesquisas trabalhadas na obra em questão é o que coloca a

língua como parte do sistema cognitivo, e não os separa como compartimentos totalmente

isolados. Assim, o essencial em sua perspectiva é a consideração de que há interação entre

linguagem verbal e cognição. Sem esse pressuposto, não seria possível se sustentar a hipótese

de que o crescer em contexto bilíngüe pode influenciar (acelerar) o desenvolvimento

cognitivo quando comparado ao crescer monolíngüe.

Consideramos tal perspectiva coerente com a piagetiana e com a leitura que

apresentamos nessa tese, pois entendemos que relacionar o desenvolvimento da linguagem

verbal ao da inteligência, mostrando influências mútuas, não é igual a dizer que um derive do

outro.