• Sonuç bulunamadı

Bağımsız Spor Federasyonlarının Tüzel Kişiliği

A Constituição Federal de 1988 é o ponto mais elevado da evolução constitucional do Ministério Público.

Nesse texto, além de mantidas as tradicionais hipóteses de atuação, houve sensível ampliação, notadamente com a confiança à instituição da tutela dos interesses sociais e individuais indisponíveis.

Mais que isso, o Ministério Público ganhou total autonomia em relação aos demais poderes, bem como perfil que permite a definição inequívoca dos fins

75 Antônio Cláudio da Costa Machado, A intervenção do Ministério Público no processo civil

a que se destina, firmando a instituição como instrumento da soberania popular, envolvida na consecução dos princípios e objetivos fundamentais traçados pelo constituinte originário.

O Ministério Público, como desejável, foi acolhido em seção própria, a primeira dentro do capítulo “Das funções essenciais à Justiça”, iniciando-se no artigo 127, com sua definição.

Os princípios institucionais, a serem melhor abordados no item seguinte, da indivisibilidade, unidade e independência funcional, foram colocados em destaque (art. 127, § 1º).

Recebeu também autonomia funcional e administrativa, juntamente com a faculdade de elaboração de sua proposta orçamentária (art. 127, § 2º).

O ingresso na carreira se dá através de concurso público de provas e títulos (art. 127, § 3º).

O Ministério Público da União abrange o Ministério Público Federal, o do Trabalho, o Militar e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (art. 128, inc. I).

O chefe do Ministério Público da União é o procurador-geral da República, nomeado pelo presidente dentre integrantes da carreira, maiores de trinta e cinco anos, após a aprovação de seu nome pela maioria absoluta do Senado Federal.

Admite-se uma recondução (art. 128, § 1º). A destituição somente pode ocorrer com autorização da maioria absoluta do Senado (art. 128, § 2º).

A escolha da chefia do Ministério Público dos Estados e do Distrito Federal obedece a regime diverso. A nomeação do procurador-geral é feita pelo governador do Estado, a partir de lista tríplice elaborada pela própria instituição, dentre seus integrantes (art. 128, § 3º).

O procurador-geral cumpre mandato de dois anos, permitida uma única recondução. A destituição somente é possível se autorizada pela maioria absoluta da Assembléia Legislativa (art. 128, § 4º).

Tanto na União quanto nos Estados e no Distrito Federal, a organização da instituição dá-se mediante a elaboração de leis complementares, cuja iniciativa é facultada aos respectivos procuradores-gerais (art. 128, § 5º).

Sempre se deve observar, no entanto, as garantias de: vitaliciedade, após dois anos de exercício, hipótese em que somente perderá o cargo por sentença judicial transitada em julgado; inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, mediante decisão do órgão colegiado interno competente, por voto de dois terços de seus membros, assegurada a ampla defesa; e irredutibilidade de vencimentos (art. 128, inc. I).

A par das garantias, existem as vedações de: recebimento, a qualquer título, sob qualquer pretexto, de honorários, percentagens ou custas processuais;

exercer advocacia; participar de sociedade comercial, na forma da lei; exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função pública, salvo uma de magistério; exercer atividade político-partidária, salvo exceções previstas em lei (art. 128, inc. II).

As funções institucionais, a serem abordadas em capítulo seguinte, não exaustivamente, encontram-se elencadas no artigo 129.

A teor do parágrafo 2º do artigo 129, as funções de Ministério Público somente podem ser exercidas por integrantes da carreira, vedando-se completamente a figura do promotor ad hoc.

De grande relevância institucional a vedação da representação judicial e a consultoria de entidades públicas, medida que colocou o Ministério Público em sua devida posição, aproximando-o de sua natureza, corrigindo distorção que por muito tempo permeou o sistema.

A Constituição de 1988, assim como se viu em linhas gerais, formatou instituição forte, independente e vocacionada à tutela dos interesses sociais e individuais indisponíveis, circunstâncias que levaram Hugo Nigro Mazzilli a afirmar que:

“Reconheceu o constituinte de 1988 que a incipiente abertura democrática que vivemos não poderia dispensar um Ministério Público forte e independente, que efetivamente possa defender as liberdades públicas, os interesses difusos, o meio ambiente, as vítimas não só da violência como as da chamada criminalidade do

colarinho branco – ainda que o agressor seja muito poderoso ou até mesmo se o agressor for o governo ou o governante. Reconheceu, aliás, que o Ministério Público é um dos guardiães do próprio regime democrático.”76

Não podem deixar de ser lembradas, ainda sobre esse novo perfil constitucional do Ministério Público, as clássicas palavras de Geraldo Ataliba, para quem a instituição se define como:

“(...) o órgão institucional do Estado, que não fala em nome do Governo, que nada tem a ver com o Governo. É uma magistratura de pé, dotada de vitaliciedade, inamovibilidade e de irredutibilidade de vencimentos, para dispor de condições objetivas de independência, na persecução do interesse público primário. É aquilo que a Lei Orgânica do Ministério Público brasileiro chama de ‘defesa dos interesses e direitos indisponíveis da sociedade’. Não do Estado, mas da sociedade. Dá direitos à sociedade, existe para a sociedade. Foi feita pela sociedade a lei constitucional. E a sociedade tem direitos, tem interesses e consagra princípios e valores que estão acima do interesse da Administração, que eventualmente hoje estão em mãos de fulano, beltrano, do partido tal ou da corrente qual. São eventuais, transitórios, passageiros, contingentes, em confronto com a grandeza do interesse público primário, fixado na Constituição e nas leis que – desdobrando a Constituição – fixam, delimitam, dão-lhe conteúdo, sentido e alcance.”77

Vejamos agora, de maneira mais detalhada, os princípios constitucionais que orientam o Ministério Público.

76 Hugo Nigro Mazzilli, O Ministério Público e a Constituição de 1988, São Paulo: Saraiva, 1989, p.

20.

77 Geraldo Ataliba, Propostas à Constituinte sobre a ação fiscalizadora dos tribunais de contas.