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2.4. Ġkna Modelleri

2.4.1. Ayrıntılandırma Olasılığı Modeli (Petty ve Cacioppo, 1980)

Compreender a metáfora, isto é, sua natureza e seu funcionamento, requer a observação de seu comportamento na dinâmica da interação contextualizada, ou seja, quando as pessoas conversam umas com as outras. Nessa perspectiva, não mais como um mapeamento estático e fixo; a metáfora é vista como dinâmica e adaptável, uma estabilidade temporária que emerge no discurso, o qual é tido como resultante da interação de múltiplos sistemas complexos dinâmicos, que operam em vários níveis e escalas cronológicas (CAMERON; DEIGNAN, 2009 [2006]; CAMERON et al., 2009).

Um sistema dinâmico complexo é composto de inúmeros elementos ou agentes de diferentes tipos, os quais têm vários graus de liberdade e, por esse motivo, podem eles mesmos ser considerados sistemas em si. Tais elementos interagem dinamicamente por meio de muitos tipos de relações e conexões, o que confere ao sistema seu caráter complexo e dinâmico, isto é, tanto pela multiplicidade de elementos e interações entre os componentes do sistema, quanto pela constância das mudanças ocorrentes nas interações entre os elementos (CAMERON, 2003; FELTES; PELOSI; FERREIRA, 2009). Os sistemas complexos, portanto, caracterizam-se principalmente por: (a) serem não-lineares, uma vez que as

interações entre os elementos mudam a todo tempo, e (b) serem abertos, de modo que podem receber novos afluxos de energia e influências do ambiente no qual estão inseridos. É importante salientar que, devido ao fato de serem abertos, os sistemas complexos podem permanecer em constante adaptação para manter a estabilidade (LARSEN-FREEMAN; CAMERON, 2008). Dito de outro modo, por serem altamente sujeitos a mudanças,

é dessa instabilidade que decorrem adaptações e evoluções no sistema, o que equivale a dizer que o sistema dinamicamente se adequa ou muda, a ponto de fazer emergir um novo sistema (FELTES, PELOSI, FERREIRA, 2012, p.92).

Consoante a isso, conforme Cameron (2010b), o evento discursivo, ou atividade discursiva, é entendida como o desdobramento de um sistema dinâmico complexo de (um grupo de) pessoas engajadas numa interação. O sistema dinâmico complexo do discurso desenvolve-se, adapta-se e flui enquanto as contribuições dos falantes vão sendo construídas umas sobre as outras, quando desenvolvem suas próprias ideias e as de seus interlocutores. A própria atividade discursiva dos falantes (suas contribuições na interação) é compreendida como emergente da interação de vários (sub)sistemas dinâmicos complexos dentro de cada indivíduo, tais como: sistemas da língua, sistemas cognitivos, sistemas físicos, etc.

O evento discursivo local, sendo um sistema dinâmico complexo que ocorre num contexto maior, também é ligado a redes de sistemas ambientais, sociais e cultuais maiores. O que significa dizer que, qualquer que seja o sistema em foco, como um evento discursivo em particular, ele estará inteiramente relacionado a sistemas maiores ou menores.

Cameron (2010b) assevera que duas são as escalas em que podemos identificar e descrever os sistemas e subsistemas do discurso: a escala de tempo e a escala, ou nível, de organização social. Com respeito à primeira escala, tomemos como exemplo uma discussão em grupo focal40: um evento discursivo que acontece na escala cronológica de horas e minutos; esse mesmo evento é composto por episódios de fala sobre questões particulares, os quais ocorrem na escala de tempo de minutos e segundos; os enunciados de tais episódios de fala podem acontecer em escalas de segundos. Enfim, todas essas escalas podem ser influenciadas pela atividade cerebral que acontece numa escala de milissegundos. Cameron (op. cit.) atenta, no tocante a escalas de tempo maiores do que um evento discursivo, que é aceitável a ideia de que as contribuições dos falantes no momento do evento discursivo podem ser resultado da influência do que tenha acontecido com eles recentemente, ou em

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circunstâncias mais anteriores de sua vida, numa escala de dias, meses e/ou anos. Em relação ao nível de organização social, pode-se tomar para análise desde o sistema mais diminuto dentro do indivíduo até sistemas mais amplos, como o meio no qual ele interage, que pode ser, por exemplo, um grupo focal ad hoc, um grupo de amigos, família, outros grupos sociais, comunidades e mesmo nações.

No que diz respeito à metáfora, ao ser usada pelos falantes, ela contribui para a trajetória do sistema do discurso. Em sua análise da metáfora, embora sabendo que ela seja inexoravelmente inseparável do discurso no qual figura, o pesquisador deve identificar e tomar essas metáforas por sinais ocasionais ao longo da trajetória do discurso. Procura-se por conexões entre metáforas, construindo assim uma trajetória da metáfora dentro da trajetória do discurso.

Segundo Cameron (2010b), a metáfora aparece em escala microgenética, ou seja, no momento da interação, em forma de palavras e expressões Veículo (ver seção 2.1.2.2). Tais metáforas, aliadas a seu referente explícito, ou não, o Tópico, compreendem a chamada

metáfora linguística. Como vimos no capítulo 1, e mesmo anteriormente neste capítulo, para

a Linguística Cognitiva, uma metáfora linguística seria a manifestação linguística de um mapeamento conceptual pré-existente. Dito de outro modo, na perspectiva cognitiva, a investigação e análise da metáfora é feita de maneira top-down, ou seja, aborda-se a metáfora como um fenômeno do pensamento instanciado na língua. No entanto, Cameron argumenta que, na perspectiva da dinâmica do discurso, existem inúmeras maneiras pelas quais metáforas linguísticas podem ser abordadas no discurso, além desse tipo top-down de instanciação do pensamento para a língua. A autora argumenta que ideias e atitudes são influenciadas pelas circunstâncias do discurso no qual os falantes estão envolvidos, bem como pela língua usada por eles; desse modo, a instanciação da metáfora pode ter sua gênese de uma maneira bottom-up, ou seja, uma ativação metafórica no pensamento pode ser oriunda de instanciações linguísticas emergentes da língua em uso no exato momento da interação. O que queremos dizer é que diferentes tipos de processos cognitivos estão envolvidos numa interação (GIBBS; CAMERON, 2008). A metáfora pode ser produzida como uma fórmula que fora aprendida pelo falante e cuja ativação na memória é resultante da situação de interação, uma vez que tenha sido considerada apropriada a ser dita no momento. Pode ser produzida também como uma expressão convencional oriunda da memória conectada a certos tipos de ideias; ou como um processo ativo no qual um termo Veículo é introduzido, cuja ideia é comparada ao assunto sobre o qual se fala. Cameron (2010b) comenta que, na maior

parte do tempo, não é possível saber, nos dados do discurso, o que motiva a produção de uma metáfora em particular.

A maneira como as metáforas, uma vez identificadas no discurso, podem ser interrelacionadas é plural. Elas podem ser conectadas ao longo do evento discursivo – de uma metáfora a outra e da linguagem metafórica à linguagem literal; podem ser interrelacionadas com as metáforas dos participantes do discurso; e podem ser conectadas com o momento em que eles as usaram com experiências passadas dos falantes. Pode-se, inclusive, vislumbrar alguma influência oriunda de outras pessoas e eventos desconhecidos ao pesquisador.

Em suma, na dinâmica do discurso, a metáfora é considera como um atrator que, no movimento do sistema dinâmico complexo, caracteriza-se como uma estabilidade permanente ou temporária que emerge no fluxo do sistema. Analisa-se, portanto, o comportamento da metáfora na produção de tal estabilidade do sistema que envolve o falar-e-pensar-em- interação.