• Sonuç bulunamadı

ÖRNEK OLAY-3

3.1 Avukat - Çocuk Ön Görüşmesi

Segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2009) e do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (2008), O município de Fortaleza possui área de 313 Km². Localiza-se no litoral da costa atlântica-leste brasileira com uma distância de 1.684 Km da Capital do País. (BARREIRA, 1998). Limita-se ao Norte com o oceano Atlântico e Caucaia, ao sul com os municípios de Pacatuba, Eusébio, Maracanaú e Itaitinga. Ao leste com o município Eusébio, Aquiraz e oceano Atlântico e a Oeste com o município de Caucaia e Maracanaú. A altitude da sede de Fortaleza é de 16 m em relação ao nível do mar.

A cidade está localizada estrategicamente logo abaixo da linha do Equador. É a rota mais curta do Brasil para Europa, Estados Unidos, Cone Sul e África, a apenas 6 horas e meia de vôo, além de estar a meio caminho para se chegar a outros Estados brasileiros. Essa localização tem credenciado a cidade de Fortaleza como portão internacional aéreo e marítimo da América do Sul para turismo, negócios e eventos.

A cidade, porém, não agrega somente áreas prósperas de ordenado valor estético, ela também apresenta zonas conhecidas por índices elevados de pobreza, insalubridade e deterioração ambiental. Essas não são características exclusivas da cidade de Fortaleza, que possui, porém, especificidades que se acentuam em

função das diferenças dos modos de vida de 60% dos habitantes do Estado. (BARREIRA, 1998). Segundo pesquisa feita pelo IBGE em 2008, com os atuais 2,5 milhões de habitantes, a capital cearense ocupa 5ª posição no País em número de habitantes. (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2009).

Do ponto de vista histórico, o território do Ceará foi o berço de desembarque de europeus no Brasil, tendo sido Vicente Pinzon o primeiro navegador a tocar o litoral cearense. A visita de Vicente Pinzon deu-se em fevereiro de 1.500, provavelmente no Mucuripe, em Fortaleza, e na Ponta Grossa no Município de Aracati. (FARIAS, 1997).

A origem da cidade Fortaleza data do início do século XVII quando os portugueses construíram, em 1603, o forte de São Tiago, na barra do rio Ceará. Em torno do Forte formou-se uma pequena localidade denominada Nova Lisboa. Nove anos depois, Martin Soares Moreno, navegador português edificou, no mesmo local, o Forte de São Sebastião. Na metade do século XVII, os holandeses, sob o comando de Matias Bech, edificaram o Forte Shoonenborch, que deu origem à atual Fortaleza. (BARREIRA, 1998).

Fortaleza foi oficialmente criada em 1725, com a criação de uma vila no forte da Assunção, solenemente instalada em 13 de abril de 1726, denominada Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. Alguns historiadores calculam que o povoado do Forte contaria na ocasião com cerca de 200 habitantes, por certo, muito pobres. A vila, porém, já dispunha de um mínimo de organização urbana de expressão material. (CASTRO, 2006). Com o desmembramento do Ceará da Capitania de Pernambuco (1799), a exportação do algodão através de Fortaleza se intensifica e a vila é elevada à categoria de cidade, recebendo o nome de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. (BARREIRA, 1998).

Segundo Castro (2006), Não há que se confundir a instalação da vila com a fundação da cidade. Nenhuma cidade pode exatamente determinar a data em que foi fundada, ao menos se se considerar o verbo fundar no sentido de edificar desde o fundo. Fortaleza não é uma cidade planejada, como Teresina, Belo Horizonte, Goiânia, Brasília e Palmas. Ao contrário, ela se caracteriza como cidade de nascimento espontâneo, e por isso mesmo paira absoluta incerteza quanto à data de seu nascimento físico, aliás, como de qualquer cidade cujo nascimento tenha se dado de modo espontâneo. No início do século XIX, a vila de Fortaleza foi beneficiada por fatores extremamente importantes: uma no campo administrativo;

outra no comercial, ambos nascidos da posição geográfica litorânea e privilegiada com relação à costa cearense. (CASTRO, 2006).

A expansão da cidade relaciona-se fortemente com o crescimento da economia algodoeira, ligados aos núcleos produtores do interior e também dos centros importadores (Estados Unidos, Europa) e com a principal cidade brasileira, que era o Rio de Janeiro, principalmente a partir de 1866, com a criação de linhas de navegação. (BARREIRA, 1998).

A cidade avançou em urbanização durante o século XIX, o que acelerou o desenvolvimento das relações entre Sertão e Litoral, aumentando o seu papel comercial e o seu raio de influência. As rodovias e ferrovias influenciaram de forma decisiva na organização do espaço (localização e disposição dos bairros) de Fortaleza, orientando e dimensionando o seu crescimento. (BARREIRA, 1998).

Segundo o autor, a partir de 1930, a cidade começa apresentar os primeiros sinais da urbanização: alto crescimento demográfico e migratório, ocupação desordenada do solo e construções características de assentamento informal (favelas).

Silva (2006) aponta Fortaleza como uma cidade de geografia singular, com mar, dunas, rios e lagoas dominando a paisagem. De pequena vila à cidade, Fortaleza não sofreu muita mudança em sua fisionomia urbana. A cidade expressava, em sua forma urbana, no século XIX, ordenamento e arranjo espacial subordinado ao plano em tabuleiro de xadrez e dominante até os dias de hoje no traçado da cidade.

O ingresso de Fortaleza, no contexto da modernidade, deu-se aliando padrões de crescimento urbano com características típicas da região cearense. As migrações decorrentes das secas evidenciam as dificuldades, as contradições e os dilemas do disciplinamento da cidade. (BARREIRA, 2006).

Os movimentos sociais no espaço público se desenrolam em Fortaleza desde a República, que apresenta vários registros de transformações: crescimento urbano, modificações de costumes e medidas de controle social. A cidade presencia o desenvolvimento de diversos movimentos sociais, que se constituem os protagonistas da rebeldia ao longo do tempo de mudanças (BARREIRA, 2006).

Segundo o autor, o aparecimento dos movimentos culturais a exemplo da Padaria Espiritual, em 1892, coincide com o advento de uma classe média sintonizada com as mudanças sociais vigentes no país. Vários outros movimentos

populares7 em reações coletivas de protesto fazem parte da história de Fortaleza, os

quais revelaram o descompasso entre expansão urbana e oferta de serviços de consumo.

A partir de 1950, são os bairros populares, mais definidos e segregados dos bairros elegantes da cidade (Jacarecanga – anos 20; Praia de Iracema e Aldeota – anos 30 e 40), que passam a expressar formas de organização por melhorias citadinas e se tornam os protagonistas dos movimentos sociais urbanos (BARREIRA, 2006).

Os moradores desses bairros periféricos, segundo Barreira (2006), são oriundos das migrações decorrentes das secas, que aportam para a Capital um contingente expressivo de milhares de sertanejos. No mesmo sentido, Barreira (1998) acusa a chegada de muitos migrantes em Fortaleza, notadamente em períodos de estiagem, motivados pela perspectiva de desenvolvimento e trabalho, e em decorrência dos investimentos públicos e privados realizados na Capital, superiores àqueles destinados às outras regiões do Estado.

Bessa (1996 apud BARREIRA, 1998) revela dados sobre o crescimento populacional de Fortaleza em decorrência dos fluxos migratórios da ordem de 385% de 1960 a 1996, trazendo consequências para a urbanização da Cidade, dentre os quais o adensamento da zona oeste, que corresponde aos bairros do Pirambu, Colônia, Carlito Pamplona, Barra do Ceará, entre outros, proporcionando a favelização dessas áreas.

Os investimentos realizados contribuem para a concentração da riqueza e de pessoas na capital, atraindo populações das outras regiões que procuram encontrar sobrevivência, emprego, serviços, habitação para si e suas famílias. A capital torna-se a possibilidade de realização do sonho. (BARREIRA, 1998).

Esse sonho, porém, não é concretizado para muitos. O Relatório da Missão Piloto do Banco Interamericano de Desenvolvimento sobre a Reforma Sócio- Econômica de 1996 enumerou várias categorias de problemas sociais existentes em Fortaleza, dentre eles, a extrema concentração de renda, riqueza e poder político; estagnação de empregos no mercado de trabalho do setor formal; negligência de atendimento das necessidades urbanas de habitação, serviços essenciais,

7Barreira faz referência a diversos movimentos como a greve dos catraireiros, greve da Ligth and

Power, em 1917, greve dos operários da estrada de ferro de Baturité em 1892, 1902, 1912, 1921, explosão popular contra a oligarquia Accioly em 1912, dentre outros.

infraestrutura e proteção ambiental; deficiências educacionais e insuficiência e baixa qualidade dos serviços de saúde, migração rural rápida, em parte causada pela injustiça social e falta de oportunidades econômicas; déficits fiscais, dentre outros.

O Relatório mencionado apontava, à época, as muitas dimensões da pobreza que se revelavam em setores como saúde, educação, habitação, transporte público, saneamento e meio ambiente, além das deficiências no mercado de trabalho, que se apresentavam na forma de desemprego disfarçado e empregos de baixa qualidade sem carteira assinada.

Os dados revelados sobre Fortaleza pelo Relatório do BID demonstravam que se atribuía às pessoas de baixa renda a maior parte do crescimento do setor informal; somente 44% exerciam cargos assalariado, com vantagens trabalhistas. A taxa de analfabetismo era de 17%.

A concentração de renda de Fortaleza revelou um percentual de 1% mais rico que ganha mais do que 60% dos mais pobres. A consequência é um quadro de desigualdades em Fortaleza, onde a maioria da população é pobre ou tem renda modesta. (BANCO INTERAMERICANO DE DESENVOLVIMENTO, 1996)

Essa é uma realidade que parece ter recrudescido com o tempo. Araújo (2009) apresenta os contrastes desta Fortaleza que se apresenta como um espaço urbano de inquestionáveis belezas naturais, mas que na verdade se constitui num mosaico de múltiplos territórios fragmentados, que se engendram e se articulam, mas permanecem em conflito.

É nesse espaço dinâmico metropolitano, de uma infinidade de agentes e atores sociais, portanto território de inúmeras fortalezas, onde sobressaem ao menos duas distintas fortalezas, frutos de uma modernização incompleta. A primeira que vislumbramos é a cidade moderna, da opulência, da riqueza, com seus modernos arranha-céus defronte para o mar, lugar das grandes redes hoteleiras, do centro das grandes agências financeiras, das franquias internacionais; enfim, por essa perspectiva, temos a metrópole dos cartões postais que circundam o mundo.

Contrastando, temos a Fortaleza da extrema pobreza e da aviltante concentração de renda, das enormes disparidades sociais. Temos por exemplo uma cidade onde quase a metade da população sobrevive com 18% do salário mínimo. Com um déficit aproximado de 160.000 unidades habitacionais e com 94 áreas de risco ocupadas por 20.000 famílias e, somados a tudo isso, os precários serviços de

transportes, saúde e educação, a capital cearense configura-se como um dos mais altos índices de desigualdade do Brasil.

Dados atualizados, no final de 2008, pelo documento que compõe o relatório anual do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (UN-Habitat), revelaram-se preocupantes quanto à qualidade de vida nas cidades. (STATE..., 2008).

Chama atenção no Relatório o estudo que detecta que as cidades brasileiras têm hoje as maiores desigualdades de distribuição de renda no mundo, num nível socialmente desestabilizador e economicamente insustentável. Das cidades destacadas, Fortaleza ocupa a 4ª posição, estando à frente Goiânia, apontada como a campeã de desigualdade mundial, seguida de Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza e São Paulo.

Fato curioso dentre as causas de desigualdade no País, apontadas pelo Relatório Estado das Cidades 2008/2009, que têm natureza estruturais, estão aquelas que se referem à políticas inovadoras de governos de esquerda. Processos democráticos que envolvem a participação popular, e onde grupos de mais baixa renda têm a capacidade de influenciar instituições e políticas, podem ter aumentado o problema, por não serem adaptados à situação local. Como exemplo, o Relatório ilustra a área metropolitana de Porto Alegre, onde o nível de desigualdade aumentou entre 1991-2000. Contudo, a desigualdade poderia ter sido ainda maior sem o modelo de participação popular, enfatiza um dos autores do citado Relatório.

3.2 Contextualização Sociopolítica do Município de Fortaleza

Cabe nesse momento construir um conhecimento sociopolítico da Cidade de Fortaleza. Para construir esse conhecimento é preciso entender que a cidade se produziu de forma desigual. Essa desigualdade se faz evidente a partir da paisagem urbana que foi apropriado de diferentes formas para diferentes usos. Há em Fortaleza áreas dotadas de infraestrutura e serviços urbanos e há aquelas em que predomina a carência generalizada, espaços em que se convive com falta de pavimentação, saneamento básico, iluminação, e mau atendimento de serviços como saúde e educação.