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2. MERÂHU’L-ERVÂH

2.7. Arapça Öğretimindeki Önemi

54 Além da psicologia, no decorrer dos séculos XIX e XX, outras ciências viriam a exercer papel fundamental na constituição de saberes sobre a educação, auxiliando assim a transformá-la em um saber cada vez mais plural e multifacetado. As profundas e radicais mudanças sofridas pela

pedagogia na contemporaneidade, segundo Cambi, podem ser sintetizadas em cinco principais aspectos, sendo eles o afastamento da metafísica, a busca por cientificidade, as alterações na relação com a filosofia, a interconexão com aspectos políticos e sociais e por fim, a sua configuração como “(...) um saber (...) conflituoso, assimétrico no seu próprio interior (entre filosofia e ciência, entre teoria e práxis” (CAMBI, 1999, p.402). Os três primeiros aspectos estariam intimamente relacionados, uma vez que foi em decorrência do gradual e crescente afastamento da metafísica, que as relações entre pedagogia e filosofia se alteraram, à medida que aquela tornou-se mais influenciada pelas ciências (CAMBI, 1999; HOUSSAYE et al., 2004). Não obstante as relações de filiação, a filosofia teria passado de “unívoca e totalizante” para representar apenas uma parcela, ainda que imprescindível, do “discurso pedagógico”.

Não obstante, como mencionado, este foi um processo gradual, sendo que em meados do século

XIX a pedagogia “científica” estaria em uma fase ainda embrionária, que se intensificaria no decorrer daquele século e que atingiria seu ápice no século XX. Influenciada pelas “ciências positivas”, representadas pelas ciências que tem o ser humano como objeto, a saber a psicologia,

a antropologia, entre outras, bem como pelas ciências cujo foco é o exame da sociedade, a exemplo da sociologia e da etnologia, a pedagogia buscou orientação e fundamentação em diferentes áreas do conhecimento, passando ao longo do tempo, de ciência no singular para ciências no plural da educação. Esse movimento significou para a pedagogia uma intensa

renovação de método e de temática, tendo em vista a “(...) adoção do paradigma científico, indutivo e experimental, articulando conhecimentos baseados em fatos” (CAMBI, 1999, p.

498).

Para Houssaye et al. (2004), a ascensão da pedagogia ao posto de saber científico, apesar de considerada por alguns filósofos da educação como bem-sucedida, teria se dado mais no plano das intenções, uma vez que no meio acadêmico a disciplina ciência da educação teve caráter especulativo e pouco se preocupou com a realidade concreta. Além disso, os professores responsáveis por essa disciplina faziam questão de se manter à distância da pedagogia,

55 conservando sua identificação com suas áreas de origem e apresentando-se como teóricos da educação. Esse movimento teria permitido aos filósofos retomar para a filosofia o posto de saber orientador, justamente a pretensão que criticavam na pedagogia. Não obstante, a intimidade entre filosofia e psicologia teria se alterado quando esta última se tornou uma área do conhecimento à parte da filosofia. Assim, apesar da influência da psicologia sobre a pedagogia, será a filosofia que permanece como principal referencial e prosseguiria a “(...) monopolizar a pedagogia e reduzi-la a si mesma” (HOUSSAYE et al., 2004, p.17).

Desde o início, as pretensões científicas da pedagogia foram, de certa forma, problemáticas, devido à dificuldade de conciliar a multiplicidade de abordagens derivadas das várias ciências humanas e sociais que passaram a influencia-la. Para Cambi (1999), a passagem da pedagogia

às ciências da educação, apesar de ter sido “completada” durante o século XX, constituir-se-ia ainda hoje em um problema em aberto, tendo, contudo, atingido um “ponto de não retorno”,

uma revolução educativa que dificilmente pode vir a ser desfeita ou descartada. O autor chama a atenção para o fato de que não foram apenas questões epistemológicas que alteraram a face

da pedagogia, como o advento das “novas” ciências já mencionadas, mas também as alterações vivenciadas pela sociedade de modo mais amplo, que trouxeram à educação “novas” demandas

de formação. Para respondê-las, a pedagogia teria que necessariamente recorrer a outros saberes.

Em decorrência desse processo, a pedagogia teria entrado em crise uma vez que ao buscar apoio em saberes externos a ela sua identidade teria se alterado. Assim, se a princípio sua identidade é alterada pela psicologia e mais tarde pela sociologia, com o tempo ela passa cada vez mais

por alterações como as “(...) especializações mais técnicas e setoriais, desde a avaliação escolar até as tecnologias educativas” (CAMBI, 1999, p.596). Tem-se como resultado, para Cambi, seu

desaparecimento tal como ela se definia antes das ciências da educação, ou seja, como único referencial para a análise da educação e das questões educacionais. Esta pedagogia se desloca para o campo das reflexões epistemológicas e históricas sobre as questões educacionais,

passando a se situar assim “depois/além das ciências da educação” e a se redefinir como filosofia da educação. Essa pedagogia “filosofia da educação” seria:

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“(...) agora um setor (e um só) – ainda que fundamental, talvez o mais fundamental – do saber pedagógico e não pode competir ou invadir o terreno das ciências da educação: tem um âmbito próprio, métodos próprios e objetivos próprios. Assim, a pedagogia está hoje transcrita em grande parte nas ciências da educação e só partindo delas é que se pode enfrentar a problemática educativa (...) O que deve ser lembrado é que o saber pedagógico (...) articulou-se no seu próprio interior dando vida a uma série de competências setoriais que dissolveram a figura do pedagogo (como especialista da educação e dos seus problemas em geral), a qual foi geralmente transcrita para a do técnico, mas que, ao mesmo tempo, tornaram tematizáveis e resolúveis problemas constantemente abertos na educação (...) o princípio de problematicidade da própria pedagogia contemporânea, um problema aberto, que deve permanecer criticamente aberto, isto é, passível de soluções diversas e a ser revisitado constantemente com rigor e com atenção e argúcia” (CAMBI, 1999, p.596-598).

Como demonstram as análises aqui mencionadas, a passagem da pedagogia para as ciências da educação constitui-se em tema que apesar de discutido há mais de um século, não encontra consenso entre os pedagogos nem entre os cientistas da educação. Se alguns veem essa mudança como fator positivo, que adicionou a esse saber novas abordagens, outros consideram que houve uma significativa e irreparável perda durante essa passagem, que tirou da pedagogia sua

especificidade e a condenou a um “não lugar”. Para compreender esses diferentes pontos de

vista é mister examinar de forma mais detida seus argumentos, o que será realizado na próxima seção deste capítulo, que trará as abordagens de autores que se debruçaram sobre esta temática,

considerando tanto as questões mais “gerais” da Pedagogia quanto as especificidades do

contexto brasileiro.

Benzer Belgeler