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3.3. Araştırma ve Uygulama Süreci

3.3.4. Aracın Özellikleri

Tendo em vista todo o acima exposto, conclui-se que a melhor alternativa para contemplar os quatro elementos da solução vislumbrada seria a elaboração de um projeto de lei complementar, fundamentada no art. 23, § único da CF/88, para adequar o sistema normativo brasileiro aos princípios da Legisprudência e que regulamentasse a cooperação entre os entes federativos de que fala o referido dispositivo normativo, de modo que fosse possível concretamente, adotar uma gestão cooperativa e democrática e a educação para uma alimentação adequada como eixo transversal para a PNSAN.

Verifica-se, porém, que já há dois projetos de lei complementar em tramitação no Congresso Nacional que versam sobre esse assunto, o Projeto de Lei Complementar 15 de 2011, de autoria do Deputado Felipe Bornier; e o Projeto de Lei Complementar 413 de 2014, do Deputado Ságuas Moraes. O segundo foi aprovado na forma do Substitutivo na Comissão de Educação em 01/12/2015, quando o relator, Deputado Glauber Braga, apresentou seu parecer pela aprovação, com substitutivo. Em seu voto o relator explica porque conjugou os dois projetos de lei complementar, e informando que apresenta o mesmo texto para os dois processos.

Após analisar os três projetos, o Projeto de Lei Complementar 15 de 2011, o Projeto de Lei Complementar 413 de 2014 (original) e o seu Substitutivo, verifica-se que nenhum deles se adequa ao que entendemos ser fundamental. Desse modo, decidimos propor modificações aos textos em pauta no Congresso Nacional para propor novo Projeto de Lei Complementar com as modificações, revogações e acréscimos que seguem. O esqueleto que servirá de base para a proposta desta pesquisa será o Projeto de Lei Complementar 413 de 2014 aprovado na forma do Substitutivo (vide Anexo E). O texto em preto é o original do texto base e o texto em vermelho é o substitutivo proposto.

SUBSTITUTIVO AO PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR nº 413, de 201468

Regulamenta o art. 23, parágrafo único e art. 211 da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de Educação, modifica a Lei 13005, de 25/06/2014, a Lei 11346 de 15/09/2006, os Decretos 6272/2007, 6273/2007, e 7272/2010 e dá outras providências.

CAPÍTULO I - DO SISTEMA NACIONAL DE EDUCAÇÃO SEÇÃO I - DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1º Esta Lei Complementar institui o Sistema Nacional de Educação - SNE e fixa normas para cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios.

SEÇÃO II - DOS PRINCÍPIOS E DIRETRIZES

Art. 2º O Sistema Nacional de Educação e a cooperação federativa serão organizados com base nos princípios estabelecidos no art. 206 da Constituição Federal e atenderão, ainda, às seguintes diretrizes:

I - fomento à cooperação federativa vertical e horizontal entre os entes da Federação;

II - superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da cidadania e na erradicação de todas as formas de discriminação;

III - garantia de acesso à educação de qualidade independente de local de residência ou classe social dos estudantes;

IV - articulação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais;

V – adoção da educação para um alimentação adequada como eixo transversal do Sistema Nacional de Educação, com vistas a garantir o direito à alimentação para todos, conforme o SISAN;

VI - respeito às diferenças de personalidade e de processos de aprendizagem, mediante atendimento intensivo aos alunos com maiores dificuldades.

VII - promoção do protagonismo do aluno e da cooperação entre estudantes e professores; VIII - estímulo à construção de habilidades e atitudes essenciais ao desenvolvimento de capacidades cognitivas, em especial nos casos de crianças e adolescentes cujos direitos foram ameaçados ou violados;

IX - valorização e desenvolvimento permanente dos profissionais da educação e dos gestores educacionais;

X - conciliação da educação e do uso de novas tecnologias;

68 De acordo com as últimas informações sobre a tramitação deste PLP, disponíveis em

http://www2.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=620859 , em 16/12/2015 o projeto foi retirado de pauta a requerimento dos Deputados Rogério Marinho e Evandro Gussi. Houve tentativas de contato com os deputados, todavia ainda sem retorno.

XI - valorização e aproveitamento das experiências locais nos sistemas de ensino; XII – solidariedade federativa;

XIII – interdependência com promoção do regime de colaboração a partir da articulação entre os entes federativos na formulação e execução das políticas educacionais e respeito à sua autonomia;

XIV – transparência e submissão aos controles interno, externo e social;

XV – alinhamento do planejamento, por meio de planos decenais de educação de estados, Distrito Federal e municípios, em consonância com o Plano Nacional de Educação;

XVI – proibição de retrocessos no tocante à efetivação do direito à educação SEÇÃO III - DOS OBJETIVOS

Art. 3º O Sistema Nacional de Educação tem como objetivos:

I - universalizar o acesso à educação básica e garantir seu padrão de qualidade no território nacional;

II - fortalecer mecanismos redistributivos de financiamento voltados à superação de desigualdades regionais no acesso à educação de qualidade;

III - articular os níveis, etapas e modalidades de ensino;

IV - promover o cumprimento dos Planos de Educação em todos os âmbitos da Federação; V - garantir a valorização dos profissionais da educação, considerando ingresso por concurso público, remuneração inicial condigna, política de carreira, boas condições de trabalho para o ensino, formação inicial adequada e formação continuada em sua área de atuação;

VI - assegurar padrão de qualidade das instituições formadoras de docentes;

VII - incorporar tecnologias da informação e do conhecimento nas práticas pedagógicas escolares;

VIII - promover a cooperação entre os entes da Federação para alcançar compartilhamento de experiências pedagógicas e gerenciais;

IX - promover o uso dos sistemas de avaliação para desenvolver as práticas pedagógicas; X – coordenação, planejamento, gestão e avaliação democrática da política educacional; XI – garantir que todos os equipamentos educacionais possuam número adequado de alunos por turma, bibliotecas, laboratórios de ciências, laboratórios de informática, acesso à Internet de banda larga, quadra poliesportiva coberta e acesso à rede de água, luz e esgoto;

XII – simplificar as estruturas democráticas, descentralizar os processos de decisão e de execução e fortalecer as instituições educacionais e os conselhos estaduais e municipais de matérias específicas afins;

XIII – promover a coordenação, o planejamento, a gestão e a avaliação democrática da política educacional;

XIV – promover a participação da sociedade civil, dos agentes da educação e dos seus destinatários na elaboração, na execução e no monitoramento da política educacional;

XV – promover ações pedagógicas transversais com outras áreas de desenvolvimento humano, cultural e de autoconhecimento.

SEÇÃO II - DA ESTRUTURA DO SISTEMA NACIONAL DE EDUCAÇÃO

Art. 4º O Sistema Nacional de Educação é constituído pela integração do Sistema Federal, dos Sistemas Estaduais, do Sistema Distrital e dos Sistemas Municipais de Ensino.

Art. 5º Os sistemas de ensino são organizados com autonomia e liberdade por lei específica de cada ente da Federação, observados o regime de colaboração estabelecido nesta Lei e as disposições da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

§1º Compete à União coordenar a política nacional de educação e articular os diferentes níveis e sistemas de ensino.

§2º O regime de colaboração inclui medidas de compensação financeira aos estados e aos municípios nas hipóteses em que ente da Federação assumir a prestação dos serviços de responsabilidade de outro.

§3º É responsabilidade comum a todos os sistemas de ensino promover a articulação dos programas da área da educação, de âmbito local e nacional, com os de outras áreas, como saúde, alimentação, segurança, proteção da criança e do adolescente, trabalho e emprego, assistência social, previdência, esporte e cultura.

§4º Os sistemas de ensino tem como órgãos normativos e deliberativos os Conselhos de Educação, instituídos por lei específica de cada ente da Federação.

§ 5º O Conselho Nacional de Educação terá composição tripartite entre os entes da Federação e paritária entre a representação do Poder Público e da Sociedade Civil na forma da lei;

§6º Os sistemas de ensino têm os Fóruns de Educação como órgãos consultivos, de proposição, planejamento, mobilização e articulação da política de educação com a sociedade, instituídos por regulamento específico de cada ente da Federação.

Art. 6º São instrumentos do federalismo cooperativo destinados a promover o regime de colaboração entre os sistemas de ensino:

I – a avaliação e planejamento da educação;

II – os mecanismos automáticos de redistribuição de recursos e de assistência técnica;

III – a colaboração e apoio entre os entes da Federação para gestão da educação, através de consórcio público ou de Arranjos de Desenvolvimento da Educação (ADEs), entre outros.

[...]

SEÇÃO II - DOS PLANOS DE EDUCAÇÃO

Art. 10. A lei estabelecerá o Plano Nacional de Educação - PNE, de duração decenal, com o objetivo de articular o Sistema Nacional de Educação em regime de colaboração e definir diretrizes, objetivos, metas e estratégias para a Educação brasileira, por meio de ações integradas dos poderes públicos das diferentes esferas federativas.

§1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão elaborar seus correspondentes Planos de Educação, em consonância com as diretrizes, metas e estratégias previstas no PNE. § 2º Os processos de elaboração dos planos de Educação serão realizados com ampla participação de representantes da comunidade educacional e da sociedade civil.

§ 3º Até o final do primeiro semestre do sétimo ano de vigência de cada PNE, o Poder Executivo encaminhará ao Congresso Nacional, sem prejuízo das prerrogativas deste Poder, fundamentado em diagnóstico, o projeto de lei referente ao Plano Nacional de Educação a vigorar no período subsequente.

Art. 11. O art. 2º da Lei nº 13005, de 25 de junho de 2014, fica acrescido do seguinte inciso:

“Art. 2º. ... ...

XI – promoção da educação para uma alimentação adequada nutricional e culturalmente para todos, sem discriminação; as metas e estratégias correspondentes deverão ser construídas com a participação dos envolvidos – gestores locais, comunidade (Conselhos Municipais), gestores estaduais, docentes, servidores das áreas afins (como nutrição, cultura e saúde, entre outros). Art. 12. O parágrafo 1º do art. 8º da Lei nº 13005, de 25 de junho de 2014, fica acrescido do seguinte inciso:

“Art. 8º. ... §1º...

V – promovam a elaboração e a execução de ações pedagógicas para uma educação alimentar para todos, de forma transversal, coordenadas e perenes.

Art. 13. O parágrafo 2º do art. 8º da Lei nº 13005, de 25 de junho de 2014, passa a vigorar com os seguintes acréscimos:

“Art. 8º. ... §1º...

§2º ... com ampla participação de representantes da comunidade educacional e da sociedade civil, especialmente os conselhos estaduais e municipais representativos de cada matéria específica.

Art. 14. . O art. 2º da Lei nº 11346, de 15 de setembro de 2006, fica acrescido do seguinte parágrafo:

“Art. 2º. ... §1º... §2º...

§3º As políticas e ações necessárias para promover e garantir o direito a uma alimentação adequada deverão se pautar na educação para uma alimentação adequada deverão se pautar na educação para uma alimentação adequada como eixo transversal, de modo a garantir o

desenvolvimento do ser humano e a concretização de sua dignidade.69

Art. 15. O art. 8º da Lei nº 11346, de 15 de setembro de 2006, fica acrescido do seguinte inciso:

“Art. 8º ...

...

V – promoção da gestão participativa democrática e colaborativa com parcerias entre os entes federados e agentes governamentais e/ou não-governamentais, na elaboração e na execução das ações que aumentam a capacidade de participação e ação dos envolvidos.

Art. 16. O art. 9º da Lei nº 11346, de 15 de setembro de 2006, fica acrescido do seguinte inciso:

“Art. 9º ...

...

VII – promoção da transversalidade das políticas, programas e ações governamentais e não- governamentais com base em ações de cunho educativo e pedagógico para uma alimentação adequada.

Art. 17. O inciso III do art. 11º da Lei nº 11346, de 15 de setembro de 2006, fica acrescido da seguinte alínea:

“Art. 11º ...

III...

69 Como justificativa para o acréscimo do parágrafo terceiro temos que a adição deste parágrafo soluciona a incoerência encontrada no artigo 3º da LOSAN quando adota somente a segurança alimentar e nutricional como objeto. Com o parágrafo terceiro, o conceito de direito à alimentação contemporâneo está completamente contemplado.

c) ...

d) coordenar e gerir o Pacto Nacional para Alimentação Saudável;

Art. 18. Os incisos VIII, IX, X, XI e XII do art. 2º do Decreto 6272/2007 serão revogados.70

Art. 19. Os incisos III, IV, VI, e VIII do art. 1º, do Decreto 6273/2007 serão revogados.71

Art. 20. O inciso I do art. 3º do Decreto 7272/2010 passa a vigorar com a seguinte modificação:

“Art. 3º ...

I - promoção do acesso universal à alimentação adequada e saudável, com prioridade, nos programas assistenciais, para famílias e pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional.

Art. 21. O art. 2º do Decreto 7272/2010 sofrerá o acréscimo de um parágrafo único e passa a vigorar com a seguinte redação:

“Art. 2º ...

Parágrafo único. A promoção de que trata o caput deverá ser feita através da adoção de processos permanentes de educação alimentar e nutricional para todos os afetados, e o fomento de pesquisa e formação continuada.

Art. 22. A alínea b do inciso I e a alínea b do inciso II do art. 7º do Decreto 7272/2010 serão

revogados.72

[...].

Art. 43. Os Entes da Federação devem, para instrumentalizar a gestão colaborativa da

educação, se associar prioritariamente sob a forma de consórcios públicos, firmar convênios de cooperação ou organizar arranjos de desenvolvimento da educação - ADEs.

§1º Os Polos Regionais de Educação são referência territorial para a organização dos instrumentos da gestão colaborativa.

§2º O ADE é forma de gestão colaborativa em base territorial, com foco prioritário na colaboração horizontal, instituído entre entes Federados, na forma do regulamento.

§3º À União e aos Estados compete promover e estimular a gestão colaborativa dos serviços de educação entre os Municípios, com assistência técnica e financeira adicionais para a execução e o monitoramento dos compromissos firmados.

70 Como justificativa para esta proposta de revogação temos que os dispositivos afrontam o princípio da legalidade, pois são fruto de abuso de poder delegado que não poderia ter inovado ao criar competências que não estão previstas na lei de origem.

71

Vide nota 63 supra. 72 Vide nota 63 supra.

§4º A União, na forma do regulamento, dará preferência às transferências voluntárias para Estados, Distrito Federal e Municípios cujas ações sejam desenvolvidas por gestão colaborativa.

§5º A União manterá, na forma do regulamento, programa específico para assistência técnica e financeira destinada a estimular o desenvolvimento da gestão colaborativa entre Sistemas Municipais em situação de desempenho crítico no mesmo Polo Regional de Educação.

§ 6º A União somente participará de consórcios públicos em que também façam parte todos os Estados em cujos territórios estejam situados os Municípios consorciados.

Art. 44. A avaliação dos programas será feita bienalmente, através dos procedimentos criados pelo INEP para este fim específico e atenderá as especificidades de cada acordo de cooperação firmado.

§ 1º A avaliação de cada programa deverá verificar a evolução da cultura alimentar dos indivíduos em sua localidade, se há uma crescente evolução na consciência alimentar dos indivíduos, se há projetos de educação interdisciplinares para uma alimentação adequada nutricional e culturalmente.

§ 2º Os critérios de avaliação serão elaborados pelo INEP, com participação dos gestores locais e dos afetados pelos programas de cooperação.

Art. 45. Será criado um Sistema Unificado de Dados (SUD) que compilará os dados relativos aos programas que afetam a segurança alimentar e aos programas que afetam a educação alimentar.

Parágrafo único O SUD será alimentado pelos gestores locais com dados referentes aos critérios de avaliação definidos pelo INEP para cada projeto de cooperação.

Art. 46. O monitoramento dos programas será feito através de eventos locais de apresentação dos resultados e pelo acompanhamento das iniciativas por parte do Ministério da Educação. Parágrafo único. O Ministério da Educação criará uma Plataforma Digital Nacional para promoção e divulgação das iniciativas e da evolução dos dados, para identificar e compartilhar experiências e melhores práticas.

A partir do capítulo V até o final do substitutivo (art. 36) o texto será mantido, somente com a adequação da numeração dos artigos (o último artigo será renumerado para artigo 50) (vide Anexo E).

Como foi defendido durante todo o trabalho, tem-se a convicção de que a propositura de um projeto de lei complementar não pode e não deve ser feito com o esforço deliberativo de um só indivíduo. Toda proposta desta natureza deve partir de um esforço colaborativo, dialogado, democrático. De toda forma, é necessário apresentar um ponto de partida, colocar à

discussão uma pauta, para que a questão da efetividade do direito à alimentação seja enfrentada de forma séria.

Benzer Belgeler