2.6. Örgütsel Bağlılık ve İş Doyumu Arasındaki ilişki
3.2.3. Araştırmanın Varsayımları ve Sınırlılıkları
Na TV, a categoria telejornalismo abrange várias subcategorias: telejornal, documentário, reportagens especiais, entrevista, programa de debates, talk show. Há ainda as episódicas, tais como plantão, retrospectivas de fim de ano e dos espetáculos midiáticos. O jornalismo está presente também em programas híbridos, alternando ocorrências com subcategorias ficcionais, educativas e apresentações artísticas: programas de variedade e revistas eletrônicas são exemplos dessas subcategorias.
Pensando em subcategorias no jornalismo, podemos enquadrar o Roda Viva como um típico programa jornalístico de entrevista e debate. Jean-Jacques Jespers na obra Jornalismo televisivo (1998) caracteriza a entrevista pela capacidade de ser destinada a fazer emergir uma informação, esclarecê-la e midiatizá-la (Jespers, 1998: 149). Diferentemente do jornalismo impresso, a entrevista na televisão não só transmite a mensagem verbal, como também expõe a intimidade do entrevistado, por meio de formas de comunicação não verbais, mas igualmente importantes: as expressões corporais, faciais, de entonação, figurino e maquiagem. O entrevistador de televisão, se
for competente, tem a habilidade de “tirar do entrevistado mais do que ele gostaria de dizer.” (Lima, 2003: 84)
Para Jespers, há dois tipos de entrevistas televisivas – a factual, cujo principal objetivo é comprovar a veracidade de um relato jornalístico, e a retrato, que pretende revelar aspectos da personalidade do entrevistado. Os dois tipos de entrevista são observáveis no Roda Viva, sendo a factual mais comum nos anos 1980 e 1990 e a intimista muito frequente nos anos 2000. O autor afirma, por fim, que há dois tipos de entrevista do ponto de vista da produção; a entrevista de estúdio, que pode ser gravada ou ao vivo. Geralmente, essas entrevistas seguem uma pauta vinculada à cobertura dos fatos do dia ou agenda pública e política. O Roda Viva se enquadra nesse formato. Além dele, as entrevistas podem ser ao vivo nas ruas. Conhecida como "o povo fala" ou enquete, na qual se formula uma mesma pergunta para diferentes pessoas do público. Vimos anteriormente que esse recurso foi usado recorrentemente nos anos de redemocratização do Brasil em telejornais diários e até mesmo no Vox Populi e no Abertura.
Ainda em relação ao gênero "entrevista" é importante considerar que está incluído em sua estrutura o momento de conversa. Ao definir-se como conversação, geralmente os programas de entrevista convocam o telespectador para um movimento de proximidade com o entrevistado, como se pretendesse que a conversa ali encenada se assemelhasse às praticadas no cotidiano. Numa análise da história da conversação, Peter Burke (1995) salienta que o significado do termo latino para conversação “conversatio” aproximava-se da ideia de “intimidade”, uma vez que ressaltava relações sociais entre as pessoas.
Entretanto, no Roda Viva, há um limite para essa intimidade. Como o programa também se propõe a ser um debate, o momento de “conversa”, cuja marca é a intimidade com o entrevistado, fica suprimido pela necessidade de expor as ideias do entrevistado. Segundo Souza, “é o número de pessoas que cria o debate, diferentemente da entrevista, que pode ser produzida com apenas um entrevistador e um entrevistado” (Souza, 2004: 144). Geralmente, o primeiro nível de perguntas para o entrevistado está no campo informativo, mas, em seguida, caso a resposta do entrevistado não satisfaça a bancada de jornalistas segue-se uma nova etapa de perguntas, no formato
especulativo/argumentativo, e é isso que transforma o programa de entrevista para debate, já que o entrevistado precisa recomeçar sua fala apresentando um novo argumento. Essa marca é tão característica que os telespectadores que assistem ao programa já possuem informações básicas sobre o entrevistado. Em muitos casos, o público que assiste ao programa não está só interessado em se informar sobre um determinado tema, mas quer saber como o entrevistado da noite vai se sair diante do embate com a bancada de entrevistadores.
Nessa perspectiva, é possível enquadrar ainda o Roda Viva na categoria de debate opinativo, visto que é um espaço de troca de opiniões – mais que informar, o programa busca extrair do entrevistado opiniões sobre um determinado assunto. Em muitos casos, o entrevistado da noite está envolvido em alguma situação que foi exaustivamente comentada em outros veículos de comunicação. O Roda Viva, então, dá oportunidade ao entrevistado para se esclarecer melhor sobre um determinado assunto.
Muitos estudos sobre o programa têm analisado as entrevistas e debates em termos de influência política, usando, para tanto, o corpus documental dessa área de conhecimento. Um importante trabalho que vai nessa direção é a dissertação de mestrado de Renata Palumbo (2008). O objetivo da autora é analisar os processos de referenciação, do ponto de vista argumentativo, do debate político organizado pelo programa Roda Viva transmitido em 15 de julho de 2005, cujos debatedores, deputados e senadores, integrantes da CPI dos Correios, estavam divididos em dois grupos partidários: a oposição, formada por representantes dos partidos PFL, PPS e PSDB, e os governistas, do partido do PT. Já Maria B. Souza (2004), analisou a cobertura da crise política do governo Luís Inácio Lula da Silva realizada pelo Roda Viva para entender sua contribuição na consolidação do debate democrático no país. Segundo ela, o programa teve uma cobertura diferencial em relação ao restante da mídia no tratamento da crise, por possuir uma estrutura diferencial em relação aos demais veículos de divulgação das outras televisões abertas. O Roda Viva trouxe diferentes atores sociais para compor a banca de entrevistadores e, ainda, ofereceu a possibilidade de o telespectador participar com perguntas ou comentários aos entrevistados. Além disso, como estava menos preocupado com a urgência da informação e mais preocupado com a gravidade da situação, o programa abordou o tema enfatizando sua complexidade, abrindo, portanto, espaço para discussão e reflexão. Ela ainda constatou que os debates
conduzidos no programa nesse período extrapolaram o momento da entrevista,. As declarações feitas no Roda Viva pelos atores envolvidos na crise foram publicadas em diferentes veículos de comunicação momentos depois. No entanto, a autora não investigou quais eram as intenções da produção ao levantar esse tema para discussão. Também não discutiu o formato e a estrutura do programa e como tal fator contribui para a realização de um amplo debate.