Reino Unido: British Broadcasting Corporation (BBC)
A emissora britânica – BBC – é a televisão pública mais conhecida no mundo. Mais que sua tradição, a rede se tornou fenômeno de audiência no Reino Unido e hoje possui oito canais nacionais, sendo seis digitais. A BBC 1 e BBC 2, as principais são analógicas e estão no topo da audiência; os canais digitais, também estão disponíveis na internet, www.bbc.co.uk (conhecido como BBCi), e são as BBC 3 e BBC4 (público mais jovem e programação cultural). CBBC e CBeebies (infantis), BBC Parliament (atividades parlamentares e políticas) e BBC news (canal de notícias 24 horas por dia).
Como corporação pública, é financiada por uma taxa anual cobrada por residência com televisor. O valor é de 116 libras para todos os cidadãos britânicos, com exceção dos idosos e pessoas que possuem aparelhos preto e branco. No ano de 2003, por exemplo, a BBC faturou, com essa arrecadação, cerca de 2,5 bilhões de libras,
equivalente a 12 bilhões de reais – esses valores de arrecadação de impostos costumam não variar muito, visto que o imposto é o mesmo ainda hoje (Mesquita, 2003: 29). Mas essa não é a única fonte de renda da BBC. A emissora também trabalha com parcerias ou cooperações comerciais criadas justamente para otimizar a rentabilidade da corporação. A BBC worldwide, braço comercial da BBC, vendeu um total de 660 milhões de libras no mesmo ano de 2003 (Conferir Tabela 2).
A base legal e jurídica da BBC está contida em uma carta régia (Royal Charter), que existe há cerca de oitenta anos, embora renovada com certa frequência. Essa carta é aprovada pelo Parlamento com a outorga da Rainha. Nela são instituídos os princípios básicos e de gestão da organização. Dois documentos – chamados licença e acordo – também estabelecem os detalhes operacionais da corporação, a cada dez anos, de acordo com consultas iniciadas pelo governo (Leal Filho, 1997: 34). O órgão máximo de decisão da emissora é o Trust. Esse conselho curador é composto por 12 pessoas (quatro representam cada país que compõe o Reino Unido) que possuem mandato fixo e remunerado. Os conselheiros são indicados pela Rainha, atendendo a conselho do Ministério da Cultura, e aprovados pelo Office of the Commissioner for Public Appointments, agência independente responsável pela análise das nomeações em órgãos públicos. O diretor geral da BBC é subordinado ao Trust, a quem cabe sua indicação ou substituição. Ao Trust cabe também discutir e aprovar o plano de trabalho submetido pelo diretor geral (Leal Filho, 1997: 34-37).
Em relação aos programas sobre ciência e tecnologia, a BBC produz uma série de documentários chamada Horizon de cerca de uma hora de duração desde 1964. Também possui uma divisão Science and Nature responsável por gerenciar, produzir e assessorar os principais programas relacionados a ciência e tecnologia. Sobre este programa, trataremos com detalhes no terceiro capítulo.
Reino Unido: Independent Television (ITA)
A Independent Television Authority (ITA) é um canal aberto explorado por concessionários privados com renda obtida por meio da venda de publicidade que foi ao ar a partir de 1955. A ITA fica responsável pela infraestrutura e pela regulação das
atividades da nova rede, e os operadores privados responsáveis pela produção dos programas. Segundo Leal Filho (1997, 49-53), não se pode mencionar a existência de um sistema comercial puro na Inglaterra. E tampouco emissoras comerciais, pois as empresas que compõem a ITA não possuem controle sobre o sistema de transmissão, realizado pela corporação pública (Jeanneney, 1996: 223).
Alemanha: Arbeitsgemeinschaft der Rundfunkanstalten Deutschlands (Associação das Empresas Públicas de Radiodifusão da Alemanha) (ARD) e Zweites Deutsches Fernsehen (Segunda Televisão Alemã) (ZDF)
A transmissão pública dos meios de comunicação na Alemanha teve início com o rádio em 1923. A emissora era dos Correios, que tinham a propriedade dos equipamentos e transmissão e é assim ainda hoje – quem quiser ouvir rádio precisa comprar um aparelho e, em seguida, pagar uma taxa aos correios pelo equipamento de captação dos programas de rádio (conferir Tabela 1). No período pós Segunda Guerra, o sistema de radiodifusão foi organizado pelos “aliados” (Estados Unidos, Inglaterra e França), em 1955, tendo como características principais a independência perante o governo e a distribuição regional – são 12 televisões públicas para 16 estados. Nesse modelo, a tarifa ainda é cobrada pelos Correios, que, por sua vez, distribuem 80% do valor total recebido para as diversas regiões que compõem o país, os 20% restantes ficam para a instituição e servem para a manutenção de equipamentos (Rosenbaum, 2003: 44).
O controle e direção das emissoras de radiodifusão do direito público estão geralmente nas mãos de três órgãos: o Conselho de Radiodifusão ou de Televisão, o Conselho Administrativo e o diretor geral. Os membros do Conselho de Radiodifusão representam grupos da sociedade, cuidando dos interesses coletivos, além de exercerem o controle da radiodifusão de direito público. Eles são eleitos em Assembleias Legislativas estaduais ou nomeados diretamente pelos partidos, comunidades religiosas e organizações sociais. O Conselho de Radiodifusão tem a função de assessorar o Diretor Geral na grade de programação e observância entre a grade e as linhas editoriais que definem a televisão pública. Já o Conselho Administrativo aprova o plano orçamentário e controla a gestão de negócios da emissora. A cada quatro anos, as
televisões públicas devem apresentar relatórios discriminando suas atividades e justificando os aumentos de custo ou elevação da necessidade de recursos financeiros. Os valores balizados que cada emissora pública recebe são determinados em uma legislação ordinária e nas determinações legislativas (Rocha, 2006: 57).
Em parte, as emissoras cobrem os Estados onde estão sediadas como a Baviera e a SWR (Sudwestrundfunk) e em parte transmitem para mais de um estado. As emissoras estaduais reúnem-se no grupo de trabalho das Emissoras incorporadas ao Direito Público da Alemanha (ARD). Além de transmitir regionalmente, essas emissoras contribuem – com programas – para a televisão Primeira Televisão Nacional – Erstes Deutsches Fernsehen (Primeira Televisão Alemã) e Segunda Televisão Nacional – Zweites Deutsches Fernsehen (ZDF).
Em relação à programação, a ARD e ZDF dedicam espaço ao telejornalismo, documentários nacionais e internacionais, teleteatro, longas-metragens. Os noticiários e as reportagens internacionais, tal como na BBC, são de responsabilidade de uma rede de correspondentes e de estúdios próprios, sediados em diversos países.
França: Radiodiffusion Française (RDF/ORTF)
No caso da França, a Segunda Guerra Mundial interrompeu as primeiras experiências de televisão pública, que só foram retomadas em 1947, com emissões experimentais. E, em 1949, com a promulgação da Lei de n.º 49-1032, houve a regularização da emissora pública francesa, que mudou o seu nome de Radiodiffusion Télévision Française (RTF) para Office de Radiodiffusion Télévision Française (ORTF) (Organismo da Radiodifusão e Televisão Francesa) e determinou que a emissora deveria se sustentar através de cobrança de impostos por televisores. Desde então, os recursos financeiros destinados a ORTF vêm do pagamento anual das redevances, um tipo de imposto pago pelo proprietário do aparelho de televisão que servia também de recursos às transmissões de rádio (conferir Tabela 2). Não se transmitia publicidade, a princípio.
Com a chegada do general Charles de Gaulle, nos 1950, tem início uma nova fase chamada de “monopólio do general”, caracterizada por um processo de dependência do ministro da informação. E, em fevereiro de 1959, apesar da ORTF se
transformar em estabelecimento público e jurídico, com orçamento autônomo, ainda era submetida ao conselho dos ministros do governo da França, que escolhiam os diretores. O ano de 1968 marcou uma transformação no rígido controle estatal do sistema, com a abertura para a veiculação de anúncios publicitários pelas emissoras públicas do país. Situação que se agravou na década de 1980, após a criação do Canal Plus, sociedade privada de economia mista, mas com concessão de serviço público. Também nesse período é instaurada a lei sobre a liberdade de comunicação (Lei n.º 86-1067), que substituiu a Comissão Nacional de Comunicação e das Liberdades (CNCL) pelo Conselho Superior do Audiovisual (CSA), formado pelo presidente da República e membros da Assembleia Nacional e Senado, e criado para garantir a liberdade de comunicação audiovisual. Também transformou a France Télévision em uma holding que congrega quatro emissoras, chamadas Societés Nationales de Programme.
Além disso, foi criado o Conselho de Administração, um órgão superior decisório aos conselhos de cada conglomerado formado por 14 membros, que também decide quem será o diretor geral. O CSA possui o poder de fiscalizar e de exigir o cumprimento de suas resoluções por parte das emissoras. Por outro lado, o conglomerado possui um contrato de gestão com o Poder Executivo. Todo ano a execução do contrato é apresentada às comissões temáticas do Congresso.
Na França, assim como no Reino Unido, o cidadão paga um imposto – IPTV – imposto sobre propriedade de aparelhos de televisão – encaminhado para a holding France Télévision, que abrange os canais France 2, France 3, France 4 (Arte) e o Cinquième (canal educativo). Também existem três emissoras privadas – TF1, M6 (Metropole Télévision) e Canal Plus, este último é um canal por assinatura. Além deles, há em torno de vinte emissoras que formam a TV a cabo nacionais e um extenso número de emissoras regionais que transmitem via satélite e TPS (Rocha: 2006, 72).
Itália: Radio Audizioni Itália (RAI)
As primeiras transmissões radiofônicas do sistema público italiano tiveram início em 1924. Nos anos 1930, a emissora obteve seu primeiro sucesso com a rádio
revista Os quatro mosqueteiros, chegando a atingir a marca de milhões de ouvintes16. Durante a II Guerra Mundial, no entanto, o rádio foi o principal instrumento de propaganda de Mussolini. Inclusive, devido a esse fato, o sistema de radiodifusão italiano mudou seu nome de Ente Italiano Audizioni Radiofoniche (EIAR) para Radio Audizioni Itália (RAI). Em 1947, foi instituída uma Comissão Parlamentar independente responsável por manter a sua objetividade informativa e vigiar qualquer veiculação política partidária do canal. As transmissões nacionais tiveram início na década de 1950, mesmo período no qual o canal autorizou a veiculação de propagandas. Anos mais tarde, em 1961, foi inaugurado um segundo canal, chamado RAI Due.
Acompanhando as transformações em toda Europa nos sistemas de canais público de televisão, o governo federal aprovou em 1975 a Lei de Número 103, que promovia o desenvolvimento interno da RAI (Rocha, 2006: 62-63). A emissora foi vinculada às estruturas do Departamento de Educação e aos Tribunais de Justiça e passou a ser tutelada pelo Parlamento. Em relação à publicidade, apesar de já ser admitida na emissora não era regulada. Com a aprovação da lei isso mudou, a partir da data da promulgação do decreto não poderia ultrapassar 5% da totalidade do tempo. Outro tema importante regulamentado na nova legislação diz respeito ao número de programas internacionais: a transmissão desses programas não poderia ultrapassar a difusão dos programas nacionais.
No início dos anos 1980, as televisões privadas, encabeçadas pelo grupo Fininvest, pertencente ao então empresário Silvio Berlusconi, eleito primeiro ministro da Itália em três mandatos consecutivos (1994-2011), foram aprovadas pelo Parlamento. A situação então passou a ser de duopólio entre as tevês públicas e as de propriedade de Berlusconi. Nos anos 1990, foi aprovada uma nova legislação de radiodifusão no país. A Lei Número 223 reconhecia a existência de um serviço misto composto por uma concessionária de serviço público e por um transmissor nacional privado em regime de concorrência. Situação que resultou em prejuízos para a RAI no confronto com as televisões privadas.
Basicamente o país controla o rádio e a televisão por intermédio do gerente dela editoria, uma espécie de defensor público, nomeado pelo parlamento. Ele é o
responsável pela garantia de igual acesso de todos os partidos ao rádio e à televisão (Leal Filho, 1997: 22).
Portugal: Rádio e Televisão de Portugal (RTP)
Em Portugal, a televisão chegou em 1955, em um período marcado pela Ditadura Militar que, desde seus início, utilizou a emissora pública como propaganda de seu governo. Ela possui característica bastante semelhante à TV Cultura, visto que é gerida por uma sociedade anônima, possuindo um capital social, tripartido entre o Estado, emissoras de radiodifusão privativas e pessoas particulares (Rocha, 2006: 14). Nos anos 1970, a RTP criou seu segunda canal, o RTP 2, voltando para aspectos da arte e cultura. Nesta mesma década, a emissora passou a realizar transmissões aos arquipélagos de Madeira e Açores.
No que diz respeito à programação de ciência, foi possível entrevistar Vasco Trigo17, um dos principais jornalistas desta televisão e especialista no tema. Atual coordenador de comunicação do Instituto Universitário de Lisboa, Vasco Trigo, comentou que começou a trabalhar com divulgação científica em 1996, quando foi convidado pela direção executiva da RTP a editar e apresentar o programa 2001, uma série com reportagens e entrevistas com os principais pesquisadores de Portugal e Algarves. Durante a entrevista, Trigo comentou que trabalhava com jornalismo na RTP desde a década de 1980 realizando cobertura de temas políticos. Segundo ele, o ano de 1995 foi muito importante para a ciência e tecnologia no país. Neste ano, José Mariano Rebelo Pires Gago (1948 — 2015) foi indicado para ser ministro da ciência e educação pelo então primeiro António Manuel de Oliveira Guterres.
Nesta altura, Mariano Gago havia publicado o Manifesto para a Ciência (1990), um livro referência sobre a necessidade de realizar investimentos em C&T. Ao assumir o ministério da Ciência e educação, Gago teve a oportunidade de colocar em práticas as propostas e estratégias sugeridas na obra. “Foi um momento importante para a vida política no país”, afirmou o jornalista. “Com Mariano Gago, teve início uma série
17 Entrevista concedida à autora em 22 de outubro de 2015. Cf. Anexo I contendo os roteiros de entrevistas.
de investimentos na área de educação científica, entre os quais a Expo 98, Pavilhão do Conhecimento e outros. Foi nesta época que a direção a RTP foi convocada pelo governo para criar um programa que discutisse temas relacionados à C&T, a direção executiva da televisão, por sua vez, me chamou para dirigir o 2001, que teria o patrocínio direto da Telecom, empresa de telecomunicações multimídia. Eu tinha uma equipe inteira para fazer o programa”.
O programa 2001 era transmitido na RTP2, canal voltado para cultura e arte, semanalmente; os temas variavam entre biologia, internet nas escolas – era o início da popularização da internet – ciências da saúde, vida, biotecnologia, física, química. “A nossa preocupação era tratar do processo científico e dos métodos usados para se chegar aos resultados expostos. Interessava mais explicar ao público como os cientistas chegaram ao resultado do que apresentar qual era o resultado”. Vasco Trigo afirmou que o programa era, de fato, voltado às comunidades científicas que estavam interessadas em conhecer as diversas pesquisas espalhadas por laboratórios e centros de pesquisa de Portugal, mas, como a RTP é uma televisão que presta serviço público, o objetivo do programa era atingir o maior número de pessoas – de forma que a linguagem criada para falar sobre as pesquisas científicas deveria ser acessível ao público em geral.
“Falamos para comunidade científica, mas o canal é de serviço público, por isso, a linguagem usada deveria ser ampla e acessível a todos. Estabeleceu-se uma relação de confiança e respeito entre os cientistas, população e a equipe de reportagem. No decorrer dos anos e com o sucesso, o nome do programa mudou para 2010. Porém, já nesta ocasião os tempos eram outros. E em 2006, o programa saiu do ar por falta de investimentos da RTP, que passava por intensa crise política e econômica.
Em 2007, Vasco Trigo sugeriu à direção da RTP a criação de um novo programa chamado Com Ciência, dirigido por ele, mas produzido externamente por uma produtora independente com contrato anual. Utilizando o mesmo formato e linguagem dos anteriores, as reportagens do Com Ciência passaram a fazer sucesso e o contrato com a produtora independente foi renovado por mais alguns anos. A partir de 2012, contudo, a direção da RTP decidiu importar séries de outras televisões. Desde então, há, segundo Vasco Trigo, poucos programas específicos de divulgação da ciência, sendo este tema tratado com mais frequência nos programas generalistas,
especialmente nos telejornais diários. “Infelizmente, a proposta de Mariano Gago criada nos anos 1990 de investir na educação para a ciência aos poucos foi definhando e hoje, inclusive, os museus de ciência têm dificuldade de sobreviver diante da falta de investimento do governo. Quanto à RTP, ela está na mesma situação e precisa sobreviver de patrocínios e investimentos privados”. No capítulo 3 desta tesa, veremos que o Brasil tem características bastante semelhantes às descritas por Vasco Trigo.
Estados Unidos: Public Broadcasting System (PBS) e Corporation for Public Broadcasting (CPB)
O sistema de televisão pública nos Estados Unidos é formado por organizações nacionais e emissoras locais. Não é propriamente uma rede, mas sim uma organização que reúne 350 emissoras locais e canais nacionais como a PBS e CPB. Todas juntas forma a TV pública dos Estados Unidos. As emissoras de televisão estão localizadas em cidades como Nova Iorque, Los Angeles e Boston e em todos os estados, inclusive, Porto Rico (Myatt, 2003: 20-27).
Ainda sobre o sistema público de televisão estadunidense, a PBS oferece a programação não comercial para outros canais que as compram. Também existe a CPB, criada em 1967 pelo governo dos Estados Unidos, é uma corporação pública que recebe financiamento anual governamental que, por sua vez, é repassado para a PBS. Para a década de 1990, o orçamento anual da PBS foi de 324 milhões de dólares, cerca de 13% da verbas que são destinadas a CPB. No entanto, o maior volume vem dos contribuintes – cerca de 25% da verba. Geralmente, as emissoras públicas que fazem parte da PBS fazem campanha três ou quatro vezes por ano para levantamento de recursos. Alguns programas e séries são financiados por empresas que pagam para colocar seus logotipos no final ou início do programa. Como outras emissoras públicas em outras partes do mundo, a PBS se defronta com a ameaça da perda de audiência, juntamente com a falta de habilidade de se diferenciar das outras emissoras. Assim, está comprometida em servir a todo tipo de público com uma extensa variedade de programas.
De forma geral, a programação da PBS é reconhecida pelo alto número de produção de séries permanentes, exibidas há muitos anos. Por exemplo, a Master Piece
Theater, no ar há 32 anos, o Great Performances, um programa de artes no ar há 30 anos e uma série de documentários para jovens, no ar há 15 anos. Sobre programas relacionados à ciência e tecnologia a PBS produz, desde 1983 a série Frontline. O programa tem destaque nacional e já produziu série especiais premiadas tais como The Age of War da AIDS ou Bush’s Wars, entre outras. Também tem a série Nova, http://www.pbs.org/wgbh/nova/, que trata de assuntos variados relacionados à ciência e tecnologia.
Muito da verba que a PBS recebe é usada para manter e/ou renovar a produção desses programas. Outra parte da programação é destinada aos produtores independentes e às produções das emissoras locais, que oferecem seus programas ao canal. Esses programas, no entanto, precisam ser aprovados pela direção da PBS. Em seguida, as produtoras independentes partem para realizar a produção, necessitando, por sua vez, de financiamento. Em alguns casos essas produtoras recorrem à própria PBS, mas a maioria consegue financiamento de fundações privadas ou agências governamentais tais como a National Endowment of Arts/NEA (Fundação de Apoio às Artes) e a National Science Foundation/NSF (Fundação Nacional de Ciência).
Além de enfrentar problemas de espaço na programação local e de verba ou financiamentos para a produção de seus programas, a PBS também possui dificuldade em exibir uma programação nacional em todas as emissoras. Como os Estados Unidos possuem dois fusos horários, é comum as redes comerciais ajustarem a sua programação de acordo com os fusos. Além disso, embora a PBS transmita uma programação via satélite para todas as emissoras públicas, as quais têm autonomia para exibir ou não os programas.
Uma questão interessante que diferencia a PBS de outras emissoras públicas é o uso que se faz do website. O site www.pbs.org tem informações adicionais detalhadas sobre cada programa – é, inclusive, considerado o maior ponto org do mundo. Recebeu, por exemplo, no ano de 2007, em torno de 10 milhões de acessos por dia e oferecendo mais de 130 mil páginas de informação. Além desse site, há outros, para públicos específicos, como, por exemplo, crianças e/ou professores.
Tabela 1 – Taxas de licenças de países selecionados18
País (Euro €/ano) Valor Instituição Financiada
Alemanha 174 ARD, ZDF
França 98 France Télévision e RadioFrance
Reino Unido 163 BBC
Tabela 2 – Quadro comparativo do sistema de televisões públicas da Europa, Estados Unidos e Brasil (TV Cultura)19
Emissora País Estrutura Conselho Financiamento público Índices de audiência
BBC Reino Unido 8 tevês; 56 Rádios; Agência de notícias. 12 membros indicados pela Monarquia Orçamento (2007) € 4,4 bilhões:
75% verbas públicas (taxas) 43%
RAI Itália 16 tevês; 8 rádios; Agência de notícias. 9 membros nomeados pelo gerente della editoria, que, por sua vez, é eleito pelo Parlamento
Orçamento (2006) € 3,14 bilhões:
47% verbas públicas (taxas) 43%
France Télévision França 14 tevês; 7 rádios. 9 membros nomeados da seguinte forma: 3 pelo presidente da República, 3 pelo Presidente do Senado