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Araştırmanın Sonuçları ve Sonuçların Değerlendirilmesi

4.3. ALAN ARAŞTIRMASI

4.3.4. Araştırmanın Sonuçları ve Sonuçların Değerlendirilmesi

Claudia é a filha mais velha de um casal de migrantes nordestinos que, tão logo se casaram, veio para a região do ABC Paulista, como tantos outros, na esperança de dias melhores, e em busca de prosperidade e melhores condições de vida. O pai de Claudia já tinha alguns parentes morando em São Paulo, o que ajudou no processo de vinda do casal, porém a mãe de Claudia e todo o resto da família paterna estavam longe, no estado de Pernambuco, origem da família.

Claudia nasceu em São Paulo e, logo de início, ao contar sua história de vida, diz: “a minha infância é bem marcada por eu ter nascido aqui em São Paulo, por ter aprendido os meus valores familiares de uma família que estava longe da família dela”.

Nesse momento, e em vários outros momentos de seu relato de história de vida, Claudia enfatiza algo que sempre a acompanhou: os valores familiares que aprendeu com seus pais e o saber lidar com a distância física de entes queridos.

Porém, desde cedo, ainda nessa fase da infância, Claudia enfatiza um valor em especial dentre os vários que recebeu de “herança” de sua família: o valor do trabalho. Segundo ela: “e um dos valores que eu aprendi desde esta época, e que foram muito importantes, que eu levo até hoje, foi o trabalho. Porque meu pai sempre trabalhou pelo sustento e a minha mãe que não teve a mãe dela (ficou órfã muito cedo), também teve que trabalhar. Acho até que é uma coisa que a gente carrega nesta geração como herança dos nossos antepassados. O significado do trabalho aparece muito cedo em todas as nossas famílias, principalmente a gente que tem uma origem mais humilde”.

E com Claudia não foi diferente... ela diz: “Tanto que coisas que me marcaram,

nesta minha infância, além de estudar, do gosto pelo estudo, foi a questão de já ajudar a minha mãe desde muito cedo. Desde os oito anos, tenho várias recordações de eu ajudando minha mãe a costurar para fora. Mas sem ser uma obrigação e sim o prazer de estar ali. Daquilo fazer parte da coisa da família”.

Nessa época, Claudia diz ter por volta de 8 anos e já tinha nascido sua única irmã, que é um pouco mais de 5 anos mais nova que Claudia. Nesse mesmo momento de sua história, há uma primeira mudança na vida da família. O pai de Claudia fica sem emprego em São Paulo, busca outra colocação por cerca de um ano, sem sucesso e, então, recebe uma proposta de oportunidade de trabalho em Recife e, motivados também pela possibilidade de estar novamente próximos às suas origens, os pais de

Claudia resolvem se mudar com a família para Pernambuco, deixando em São Paulo alguns parentes da família de seu pai (tios e avós paternos de Claudia).

Neste trecho do seu relato, Claudia fala um pouco sobre sua relação com sua irmã, relação de muito afeto que se perpetua por toda a vida das duas: “já me lembro

assumindo a responsabilidade sobre a minha irmã, que era pequenininha. Eu também me lembro eu pequena e ela menorzinha ainda, a gente neste núcleo de família, nesta vivência, eu crescendo e sempre trazendo junto a minha irmã”.

Em outros momentos da história de Claudia, ela destaca bastante a preocupação que sempre teve e tem com o bem-estar de seus pais, da irmã e da família que posteriormente, a irmã viria a formar.

Chegando em Recife, a mãe abre um pequeno comércio que, anos depois, com um novo episódio de desemprego do pai, já prestes a se aposentar, torna-se a fonte de renda da família. A motivação para a abertura desse comércio é porque moravam em um bairro muito distante do Centro, e viram a oportunidade de comprar e revender produtos de primeira necessidade naquela comunidade (aviamentos, presentes etc.). Nessa época, Claudia já manifesta a internalização do valor do trabalho. Ela ajuda a mãe a tomar conta do comércio e estuda com bastante dedicação. E, hoje, ao contar sua história, dedica a essa investida o resultado que obteve e classifica como bom: “Então eu me lembro desde muito pequena, eu nem alcançava o balcão, e já tomando conta e estudando sempre. O estudo foi sempre uma coisa muito presente. A minha dedicação, tanto ao estudo e ao trabalho foi isto que motivou a mudança de condição social que a gente tem hoje. De ter saído de uma classe bastante mais simples. Que eu acho que é diferente do crescimento social hoje, subsidiado pelo governo. Quer dizer é um crescimento sustentado, com a base muito forte”.

Podemos discutir aqui, baseado no sentido identificado por Claudia para a mudança de condição socioeconômica de sua família, que já havia, ali, mesmo que de uma forma espontânea, um esboço de projeto de vida. O investimento e apoio que os pais de Claudia (e que ela, ainda menina, internalizara) de que os estudos poderiam lhe proporcionar uma condição de vida melhor no futuro era uma representação desse projeto de vida incipiente.

Essa mudança de classe foi algo que foi se consolidando ao longo da vida da família de Claudia e que apresentaremos mais adiante, inclusive destacando o papel ativo de Claudia nesse processo.

Claudia completou seus estudos, estava fazendo o Ensino Médio (na época, Segundo Grau) na Escola Técnica Federal de Pernambuco, já estava com uns 15 anos, e o papel da “criança que acompanha a batalha dos pais” se transforma. Ao mesmo tempo, já inicia a carreira num emprego formal e segue ajudando os pais no pequeno comércio da família. Vejamos a seguir.