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2.5 TELEVİZYON VE ETKİLERİ

3.1.1 Araştırma Modeli

O processo formativo vivenciado com a professora Dulce revelou-nos que, no âmbito teórico, as suas necessidades formativas disseram respeito a: conhecer a Teoria da Assimilação de Ações Mentais por Etapas de P. Ya. Galperin e aprofundar estudos sobre habilidade, interpretação e consciência histórica.

No âmbito da prática, inteiramo-nos da necessidade que Dulce apresentava de metodologias e estratégias para ensinar o aluno a interpretar textos de história e do seu desafio frente à resistência dos alunos à leitura e de suas dificuldades de interpretar textos, no processo de aprendizagem, da disciplina em questão.

Na busca de superação, atinente às necessidades de aprofundamento teórico, efetuamos estudos sobre habilidades, interpretação e consciência histórica.

Os resultados revelaram que, para a docente, habilidade é saber-fazer e quando o indivíduo tem um dom para algo e o faz com facilidade. Entendimento que foi refletido, gerando uma perspectiva de mudança, quando a professora destacou que as habilidades cognoscitivas podem ser ensinadas pelo professor aos discentes, sendo necessário o aluno exercitá-las para apreendê-las.

Estudando sobre a interpretação de textos de história compreendemos que Dulce entende que interpretar é compreender, mesmo percebendo que, no texto estudado, há uma diferença entre essas duas expressões.

Revelou-nos, como vinha desenvolvendo a interpretação de textos de história com seus alunos envolvendo: a participação dos educandos na leitura – feita mais de uma vez, quando necessária –, fichamento do lido, discussão/resposta a questionamentos apresentados por ela, além do aluno construir suas próprias respostas.

Sabemos que a interpretação envolve um sistema de ações que apresentamos no mapa da atividade. Quando Dulce deu ênfase à leitura e falou do interesse de o aluno construir

suas respostas no âmbito da interpretação, manifestou uma preocupação em torno de duas ações que destacamos no referido mapa: ler e criticar.

No contexto das reflexões acerca da interpretação, apresentamos à professora esse mapa. Como ela, inicialmente, demonstrou dúvidas em compreendê-lo, esclarecemos-lhe como o construímos, expomos o seu sistema de ações e discutimos como ele poderia ser operacionalizado para ajudar o aluno na interpretação de textos de história.

Na continuidade da apropriação teórica, enveredamos pela consciência histórica a qual, para Dulce, forma-se na prática da vida em sociedade (aspecto apregoado por Rüsen, 2001) e diz respeito a um indivíduo ter consciência do que aconteceu numa época. Visão mantida, mesmo após a leitura e discussão do texto sobre A consciência histórica na atividade humana e no aprendizado da história.

Esse ter consciência traz um indicativo da apreensão de acontecimentos de uma época de forma abrangente. Há, porém, nessa visão uma ênfase, somente, ao passado quando sabemos da importância da relação presente, passado e futuro para o indivíduo melhor construir a sua consciência histórica.

Quanto ao desenvolvimento da consciência histórica do aluno, no aprendizado da interpretação de textos de história, Dulce disse que isso ocorre no cotidiano, no contato com a leitura da história, na descoberta do tema em estudo, na ampliação do conhecimento, no saber sobre os fatos e na busca de respostas, dentro do texto, para os questionamentos – o que consideramos procedente, com uma ressalva à busca de resposta, apenas, dentro do texto escrito para esses questionamentos.

Além dos estudos acerca dessas temáticas, pudemos discutir sobre a teoria de Galperin, vivenciar com a docente dificuldades na compreensão dessa teoria – principalmente no tocante às etapas de assimilação de ações mentais – o que requereu vários momentos de estudos/discussões incluindo neles a elaboração de um plano de aula simulado.

Na constituição desse plano, dentre os elementos que o compõem, destacamos a compreensão de Dulce quanto ao grau de consciência se referir tanto, ao discente saber o que está estudando de um acontecimento histórico, como o para quê e o porquê de estudá-lo. Na construção dos demais planos de aulas, vivenciamos com a professora importantes e necessários momentos de superação de dificuldades no âmbito teórico e metodológico.

Ao planejar a interpretação do texto Uma carta de Anita, Dulce nos manifestou dificuldades quanto à compreensão e constituição/estruturação do plano de aula, bem como uma preocupação em ministrar as aulas no 8o ano do Ensino Fundamental. Nessa ocasião, a

reflexão crítica que estabelecemos foi fundamental na execução do planejamento em conformidade com as teorias e metodologia adotadas.

Os demais planejamentos também tiveram seu nível de dificuldade, entretanto suas construções foram menos desafiantes porque a professora já estava mais familiarizada com a forma de organização do plano de aula e compreendendo mais os elementos teóricos e metodológicos que entram na sua composição, a exemplo das etapas de assimilação de ações mentais. Destas, destacamos a motivacional, que tanto lhe exigiu refletir sobre a constituição de situações-problema.

Nesse percurso, as discussões em torno do mapa da atividade foram constantes tendo em vista as dificuldades apresentadas pelos alunos, principalmente, no que se refere ao texto, ou seja se ele retrata a cultura da época em que foi produzido e se o autor a/os/as se posiciona/m em relação ao conteúdo do texto.

Quando passamos à realização das aulas, vivenciamos momentos ímpares, singulares, construtivos e dinâmicos nos quais o empenho, dedicação e esforço da professora foram sugestivos no sentido de superar limitações, dúvidas e receios, em face do desenvolvimento de uma metodologia que não havia sido adotada, ainda, no decurso de sua vida profissional.

Apreendemos que, por ter sido algo novo para essa partícipe, nas primeiras aulas ela procedeu a modificações na sequência do plano de aula e fez alterações na metodologia, recorrendo a procedimentos que lhe eram familiares. Isso requereu uma reflexão crítica, de modo que Dulce teve oportunidade de rever suas ações e aprimorar o processo de ensino e de aprendizagem.

Dentre as alterações feitas, consideramos que duas foram procedentes. Uma em que, devido os alunos apresentarem muitas dúvidas, a docente deu encaminhamento para que eles respondessem por escrito, determinadas ações do mapa da atividade (previstas para serem observadas e não escritas) e a outra, ao perceber a inquietação do educando para iniciar a interpretação, suas dúvidas e indisposição para ouvir, resolveu orientar poucas ações desse mapa (quando estava previsto a orientação de todas as ações) para ir orientando as demais nos grupos, conforme os alunos as fossem desenvolvendo. Os saberes da experiência, construídos por Dulce no exercício de sua profissão, permitiram-lhe dar esse direcionamento na aula, o que se mostrou frutífero.

Ademais, ressaltamos o estabelecimento do diálogo entre professora e alunos o que favoreceu a orientação docente e possibilitou aos discentes realizarem, com mais desenvoltura, as interpretações dos textos de história.

Por ocasião da socialização da produção, do que os grupos haviam escrito, o desempenho de Dulce, demonstrando atenção para com o que os educandos escreveram, valorizando seus modos de escrever e lhes possibilitando rever seus erros são exemplos da vigilância dessa partícipe com o processo de aprendizagem de seus alunos.

Nessa trajetória, desafios foram sendo superados, também, pela pesquisadora e eles se deram na organização dos momentos de reflexões realizados com a professora, na seleção e organização do material didático utilizado e no estabelecimento do diálogo, principalmente naquelas ocasiões quando a docente demonstrava dúvidas e receios, o que contribuiu para os resultados alcançados.

Considerando o exposto, constatamos que concernente à categoria Atividade Docente Prevista, podemos afirmar que houve, por parte da professora Dulce, uma apropriação de conhecimentos atinentes ao processo de organização do ensino, com base na teoria P. Ya. Galperin, o que possibilitou a elaboração de planos de aulas fundamentados nesse aporte teórico; domínio do mapa da atividade, inclusive com uma participação dessa docente aprimorando (conversão, em perguntas, da escrita de algumas ações) esse meio de ensino para melhor atender às necessidades de aprendizagem dos educandos, além de compreensão dos objetivos a serem alcançados e desenvoltura nas construções de situações- problema.

Com relação aos recursos didáticos: textos do livro didático de História e os textos informativos/suplementares, eles foram relevantes no percurso do planejamento não representando um desafio para a docente.

Adentrando na categoria Atividade Docente Efetiva, verificamos que a professora demonstrou domínio de conhecimentos e procedimentos pedagógicos que ocorreram em processos nos quais a relação teoria e prática se revelou, no âmbito da sala de aula, prenhe de possibilidades quanto ao saber e saber-fazer dessa professora e utilizou com desenvoltura o mapa da atividade que, inicialmente, lhe parecia desafiante.

Nesse processo de ensino e de aprendizagem, encontramos conjugados as atitudes de Dulce no enfrentamento de desafios (incertezas, dúvidas, receios) e na operacionalização de uma metodologia – numa perspectiva teórica, anteriormente desconhecida – para ensinar o aluno a aprimorar sua interpretação de textos de história desenvolvendo a sua consciência histórica crítica.

A veracidade do exposto pode ser ainda mais esclarecedora quando analisamos o desenvolvimento do processo de aprendizagem do educando como veremos adiante, após a discussão sobre a reflexão crítica.