BÖLÜM 3: DENETİM İŞLEVİNDE DÖNÜŞÜM KONUSUNDA BİR ALAN
3.2. Araştırma Bulguları Ve Yorumlanması
Atualmente, os Araweté se encontram conectados à economia monetária de três maneiras distintas: por meio dos salários e aposentadorias recebidos do governo, da comercialização de artesanato e da comercialização de PFNMs.
Até o ano de 2003, as principais fontes de renda dos Araweté eram a aposentadoria fornecida pelo governo, a comercialização de castanha-do-Brasil e a venda esporádica de artesanato (VIVEIROS DE CASTRO, 2003). Desde 2004, no entanto, os Araweté possuem basicamente seis fontes de renda: as aposentadorias por idade ou por invalidez, os salários dos Agente Indígena de Saúde (AIS) e Agente Indígena de Saneamento (AISAN), a comercialização eventual de artesanato e a comercialização de PFNMs (sementes de mogno e castanha-do-Brasil).
Dentre todas as fontes de renda, são regulares apenas a aposentadoria e os salários recebidos pelo AIS e pelo AISAN. Tanto as aposentadorias quanto os salários equivalem a um salário-mínimo (R$260,00 até 01/05/05 e R$300,00 até 01/04/06), mas apenas no caso dos salários (i.e. do AIS e do AISAN) os valores são recebidos integralmente e em dinheiro pelos próprios beneficiados. Ambos recebem seus salários diretamente em Altamira, a cada quatro meses. No caso das aposentadorias, os 26 aposentados120 recebem seu benefício em produtos que eles solicitam previamente ao chefe de posto, que se encarrega de comprá-los em Altamira, também a cada quatro meses. Em 2005 os aposentados receberam seus produtos em três ocasiões, duas delas durante o período de campo deste estudo. Nessas duas ocasiões, os produtos que cada aposentado recebeu equivaleram a R$ 233,07 e R$ 192,95 (respectivamente em fevereiro e julho de 2005). Além dos aposentados, também receberam
produtos nesse valor os dois líderes oficiais. Esse benefício informal é uma espécie de salário do líder, conforme visto anteriormente (Capítulo 2, subseção 2.3). Um dos principais itens solicitados pelos aposentados é o açúcar.
O artesanato, que já foi importante fonte de renda para os Araweté, ainda que irregular, declinou a partir de meados de 2004, devido à apreensão dos artefatos fabricados com penas121.
No entanto, após o sucesso de vendas durante os II Jogos Tradicionais Indígenas do Pará realizados em agosto de 2005122, houve um aumento considerável na produção de colares por mulheres, homens e crianças que passaram a dedicar boa parte de seu tempo à confecção desses objetos. Influenciados pelo artesanato de outras etnias presentes nos Jogos, os Araweté deixaram de lado as sementes e os modelos de colares mais tradicionais, ousando na criação com todo tipo de material disponível, como bambus, ossos e novas sementes. Os colares, assim como remos, redes de algodão, saias, peneiras, dentre outros são enviados a Altamira para serem comercializados no Museu do Índio. Eventualmente, são vendidos na própria aldeia, para visitantes esporádicos, geralmente turistas estrangeiros.
Outros itens comercializados dentro da aldeia, mas em raras ocasiões, são animais domésticos ou silvestres. Estes são vendidos pelos Araweté quando algum visitante ou funcionário do governo se interessa pela compra. O principal animal silvestre comercializado é o jabuti (qualquer espécie), alimento muito apreciado na região. Ainda mais raramente são comercializadas aves, que os visitantes levam como animais de estimação. Esta fonte, no entanto, não constitui renda significativa para os Araweté, pois ocorre apenas muito
121 O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) proibe a
comercialização de objetos fabricados com matéria-prima oriunda de animais silvestres desde 1998 (Lei de Crimes Ambientais no. 9.605/1998), mas a fiscalização e apreensão na região de Altamira somente se intensificou em meados de 2004.
122 Em entrevista informal o líder Añaño-ro Araweté, relatou que durante os jogos indígenas a comercialização
de qualquer tipo de artesanato foi liberada pelo IBAMA, mesmo os fabricados com matéria-prima de animais silvestres (TI Araweté/Igarapé Ipixuna, 26/11/05).
esporadicamente. Os compradores costumam pagar em dinheiro ou enviando posteriormente produtos da cidade123. Este hábito de comprar com dinheiro era evitado pela antiga chefe de posto124.
Além das fontes de renda individuais, os Araweté recebem doações internacionais de indivíduos ou instituições, na forma de bens ou serviços a serem utilizados por todo o grupo. Essas doações são a única fonte de renda coletiva que os Araweté recebem. As principais fontes de doação são o Dr. Aldo Lo Curto, médico italiano que arrecada dinheiro no exterior e todo ano doa aos Araweté bens de grande valor monetário, e a Fundação Body Shop, que através da cooperativa Amazoncoop financia projetos de infra-estrutura nas aldeias da região125.
Exclusivamente no ano de 2005, outra fonte de renda disponível para poucos Araweté foi a comercialização de canoas de madeira. Em setembro deste ano, o chefe de posto dos Arara126 encomendou aos Araweté seis canoas, que durante o último período de campo deste estudo estavam sendo fabricadas pelo líder Kuni Nady-no e pessoas próximas a ele. Estes receberiam cerca de R$ 300,00 por cada canoa127.
Considerando a renda recebida durante os três períodos de coleta de dados em campo, pode-se perceber que há grande variação nos valores e que as duas principais fontes de renda para as unidades domésticas são a comercialização de castanha-do-Brasil e as rendas regulares (i.e. salários ou aposentadorias), sendo a castanha a mais expressiva (Tabela 4.1).
123 Observações de campo e entrevista informal com Domingos Lopes da Silva (TI Araweté/Igarapé Ipixuna,
31/01/05).
124 Entrevistas informais com Eliene Araújo de Jesus (barco Mizael, 08/01/05) e com Paulo César Viana (TI
Araweté/Igarapé Ipixuna, 02/02/05).
125 Ver detalhes na subseção a seguir 126 Etnia indígena da região.
127 Em entrevista informal, Iwãpajo-ro Araweté disse que as canoas serão comercializadas por R$300,00 cada
Tabela 4.1 - Renda anual das unidades domésticas recebida por diferentes fontes
Fonte de renda (R$)* N Mín. Máx. Média DP
Comercialização de castanha-do-Brasil 24 148 1.335 351 279
Comercialização eventual de artesanato 24 0 445 55 116
Salário ou aposentadoria 24 0 852 208 298
Comercialização de outros itens 24 0 46 4 10
Presentes recebidos de terceiros 24 0 582 40 131
Total de outras fontes (exceto castanha) 24 0 1.106 307 371
Renda total (todas as fontes) 24 158 2.106 659 523
*Valores para o ano de 2005.
Quando os valores são calculados em renda individual, os Araweté adultos (idade igual ou superior a 12 anos) recebem com a comercialização de castanha-do-Brasil, em média, R$101 (n=244; dp=147), e com as outras fontes de renda juntas (exceto a castanha), em média, R$88 (n=248; dp=173). Em termos de renda per capita, somando todas as fontes de renda os Araweté recebem em média R$134 (dp=141).