O ideal de conjugação cidade/campo encontrou, nos Estados Unidos, terreno fértil onde surgiram numerosos projetos de comunidades utópicas, situadas no campo ao longo do século XIX61. Mas foi no século XX que este ideal pôde efetivamente se expressar de forma
mais sistemática na paisagem urbana. Jackson (1985) destacou a importância e impacto que as idéias de subúrbio viriam a ter na cultura norte-americana. Após uma temporada na Inglaterra, o americano Frederick Law Olmsted propõe um dos primeiros subúrbios jardim americanos, Riverside, próximo de Chicago, que seria um sucesso e se tornaria uma referência para um novo padrão de ocupação urbana.
A suburbanização nos Estados Unidos é um processo que tem quase duzentos anos. Iniciou- se no início do século XIX e passou por várias etapas ou ciclos, marcados por loteamentos paradigmáticos e representativos, que foram ora pontos de inflexão ora modelos espelhando uma determinada fase. Entretanto, a urbanização norte-americana traz em seu arcabouço algumas contradições peculiares. Colônia inglesa, após a conquista da independência, ampliou seu território, conquistando ou adquirindo largas porções territoriais. De uma influência inicialmente apenas inglesa, sofreu influências do modelo espanhol – a
61 Várias comunidades utópicas surgem nos Estados Unidos no século XIX, como New Harmony, no estado de
Indiana, idealizada pelo inglês Robert Owen. As idéias de Owen inspiraram outras comunidades como Orbitson, próxima à cidade de Motherwell, na Escócia (RIOT-SARCEY et al, 2006, p.170).
partir de territórios inicialmente colonizados por espanhóis como o Texas e a Califórnia62 — e
francês — a Louisiana. Pode-se conjecturar que, no início da nova república independente, buscava-se também uma independência cultural, e esta busca pode ser relacionada quando da decisão da escolha de um arquiteto francês, Pierre L’Enfant63, para projetar a
nova capital do país foi escolhido. Em seu plano para a nova capital elaborou um projeto de claras raízes barrocas, estilo que, na Inglaterra, teve pouquíssima influência. A cidade barroca era planejada a partir de um esquema, no qual eram marcados alguns pontos notáveis, nos quais deveriam ser colocadas estruturas simbólicas importantes, sendo então interconectadas por meio de ruas axiais, que eram as mais importantes (FIG. 104), conforme descrito por Lynch (1984, p. 281). Este esquema foi adotado por L’Enfant em Washington, conforme pode-se ver em seus estudos para a elaboração do plano da cidade (FIG. 105).
FIGURA 104 – Esquema da rede
urbana barroca segundo Lynch. Fonte: LYNCH (1984, p. 281)
FIGURA 105 – Desenho elaborado por Pierre L’Enfant com a localização dos
principais edificações no projeto para a capital norte-americana. Fonte: GUTHEIM e LEE (2006, p.22)
Determinados estes pontos notáveis - ou pontos nodais, conforme designa Lynch (1999, p.80) — o projeto de Washington, elaborado por L’Enfant, mostra uma organização espacial que denota uma inspiração barroca com fortes influências de Versalhes (FIG. 106).
62A cidade de Vallejo, na Califórnia, uma antiga vila habitada majoritariamente por tribos indigenas, em 1850 foi
ampliada para ser a capital do recém criado estado da Califórnia – esteve nesta condição provisoriamente até que se estabelecesse a capital definitivamente em Sacramento. Seu plano, em tabuleiro xadrez, elaborado sob supervisão do General Mariano Vallejo, tem uma organização que denota uma grande influência das cidades da América Espanhola. (REPS, 1992).
63Pierre Charles L'Enfant (1754–1825), engenheiro-militar francês, chegou aos Estados Unidos em 1777 como parte
de um contingente de engenheiros e artilheiros que se integraram ao exército norte-americano. Após a guerra da independência permaneceu no país projetando e construindo fortificações ao longo da costa (FELTZER ET AL 2005, p.1). Em 1791 foi designado pelo Presidente George Washington para projetar a nova capital, sob a supervisão de uma comissão entretanto após uma discussão com membros da comissão, é destituído por Washington e, em suie lugar assumem os irmãos Andrew e Benjamin Ellicott (FRARY, 1969, p.8-15).
FIGURA 106 - Projeto para a cidade de Washington. Esta planta, datada de 1793 apresenta as modificações
introduzidas por Ellicott. Fonte: GUTHEIM, 2006, p.29
Em uma análise morfológica da planta da cidade de Washington como cidade de concepção barroca, observam-se características comuns à de Versalhes: os grandes eixos criam visadas que valorizam as edificações em seu final. Estes pontos nodais – de fuga – têm, entretanto, uma abordagem ―subliminar‖ bastante distinta. Na cidade de Versalhes, o grande ―foco‖ é o Palácio Real e os eixos das três vias para ele convergem: a cidade foi concebida de forma a destacar e valorizar o poder real (FIG. 107). Também na cidade de Washington, nos pontos de fuga dos grandes eixos, estão os principais edifícios públicos, porém com uma distinção clara, não havendo um único ponto de fuga, mas vários, dos quais dois são destacados como principais (FIG. 108). Em um dos pontos (1) está o edifício do Congresso norte-americano, para este edifício convergem dez eixos axiais, sendo que um deles, o mais importante eixo da cidade, o Mall, tem nesta edificação seu ponto de fuga central. No outro ponto (2), igualmente importante, a Casa Branca — sede do poder executivo — convergem oito eixos axiais. Nas duas cidades, Versalhes e Washington, a organização do espaço urbano segue uma lógica em sintonia com o poder político. Enquanto em Versalhes o poder absoluto está consubstanciado na presença de um foco único, dominador e onipresente em todo arranjo urbano, em Washington, existem múltiplos focos, sendo que a dois deles é dado maior destaque: ao edifício do congresso e à sede do poder executivo. Entretanto, o destaque maior fica com o edifício do congresso, que é, em um sistema democrático, o mais representativo dos poderes; são dez eixos convergentes, enquanto na Casa Branca são oito; localiza-se em um ligeiro promontório no final do Mall, o principal eixo da capital norte-americana, enquanto a Casa Branca, embora localizada no que era então o início do Mall, está em posição secundária, em sua face esquerda. Washington e Versalhes, além da concepção barroca comum, organizam o espaço urbano de forma reafirmar a conotação de centralidade e poder.
FIGURA 107 - Planta de Versalhes, Delagrife (1766).
Fonte: WIKIMEDIA (6), 2008.
FIGURA 108 – Planta de Washington, L’Enfant (1791).
Fonte: GUTHEIM, 2006, p.29 (modificada pelo autor)
Assim como ocorreu na Europa, nos Estados Unidos as grandes cidades apresentaram grande crescimento ao longo do século XIX e, até o início do século XX, as maiores cidades se concentravam na costa leste e meio oeste.
O crescimento de algumas cidades norte-americanas foi acelerado, embora não faltassem exemplos ainda mais significativos, como o da cidade de Cincinnati localizada junto ao rio Ohio, que em 1800 contava com 750 residentes e, quarenta anos depois, tinha 100.000 (FIG.
109) e, em 1900, 826.000 habitantes (FIG. 110). Cincinnati como outras cidades do meio-
oeste americano teve grande crescimento a partir da implantação de grandes indústrias manufatureiras. Saint Louis que no princípio do século XIX contava com algumas centenas de moradores, no final do século contava com uma população de meio milhão. Detroit que em 1850 contava com 20.000 habitantes, tinha mais de 200.000 no final do século. Chicago apresentou a maior explosão habitacional do meio-oeste americano. Em 1835 contava com 350 habitantes, em 1860, 100.000 e, na virada do século, mais de um milhão.
FIGURA 109 – Cincinnati, em 1841, vista a partir de
uma colina ao norte. Em primeiro plano está o Canal Erie, e, à distância, o rio Ohio.
Fonte: KLAUPRECH & MENZEL, 2009
FIGURA 110 – Vista panorâmica da cidade de Cincinnati,
1900. Gravura elaborada por John L. Trou e publicada por Henderson Lithographing Co.
Fonte: TROUT, 2009
1
2
Na costa leste, foi Nova York que apresentou maior crescimento. Uma das razões foi a sua localização em região que era ideal para a implantação de um porto. O fator de grande repercussão para o crescimento da cidade foi a abertura do Canal Erie em 1825. Com sua construção, houve uma redução significativa no custo do frete e o porto de Nova York consolidou-se como o escoadouro natural da produção das indústrias que haviam se estabelecido no meio oeste.
Enquanto Chicago e as cidades do meio-oeste cresciam e se tornavam grandes produtoras de bens, Nova York estabelecia-se, de fato, como o centro financeiro desta emergente potência econômica. Em 1900, era a mais populosa cidade americana e, embora sem as grandes indústrias do meio oeste, tinha o mais importante porto norte-americano (FIG. 111). Nesta ocasião a cidade detinha 60% do movimento bancário e 40% do comércio nos Estados Unidos (KOTKIN, 2006, p. 93).
FIGURA 111 – Vista de Nova York e seu porto, 1873. Gravura elaborada por George Schlegel.
Fonte: SCHLEGEL, 2009
Em vista desta condição econômica havia uma significativa presença dos chamados empregos de colarinho branco64, enquanto nas cidades do meio-oeste predominavam os
operários fabris65. Esta peculiaridade contribuiu para que em Nova York tivesse uma
expressiva classe-média.
64 Em inglês white-collars. Empregos ligados a atividades burocráticas, em escritórios e que exigiam maior
qualificação educacional do empregado.
Por outro lado, as atividades portuárias exigiam uma grande massa de trabalhadores, em geral com pouca qualificação, contando com uma significativa participação de imigrantes. Em geral, os trabalhadores procuravam residências próximas ao local de trabalho, o que terminou provocando um adensamento significativo em determinadas regiões da cidade (FIG. 112). A exemplo do que ocorrera em Londres e Manchester, a região central da cidade tornou-se problemática, deteriorada e a classe média e a burguesia com maior poder aquisitivo mudaram-se para regiões mais distantes, fazendo com que, no entorno de Nova York, houvesse uma significativa expansão dos subúrbios.
FIGURA 112 – Mulberry Street, Nova York, Ca. 1900. Esta
região era predominantemente habitada por imigrantes italianos no final do século XIX e inicio do XX. Localiza-se na região sul de Manhattan, a poucas quadras do porto.
Fonte: DETROIT PHOTOGRAPHIC CO., 2009
FIGURA 113 - Flatiron Building, Nova York, em 1903.
Projeto do Arquiteto Daniel Burnham — autor do plano urbanístico para Chicago (1906-09).
Fonte: CHICAGO DAILY NEWS, 2009
A presença deste tipo de trabalhador mais qualificado — colarinho branco — criou uma série de demandas como áreas residenciais que se adequassem às necessidades da burguesia e áreas específicas e adequadas para escritório. O primeiro arranha-céu de Nova York foi construído em 1895 e, em 1902 foi construído o Flatiron Building, marco e paradigma da verticalização da cidade (FIG. 113).
As cidades do meio oeste norte-americano se distinguiam das cidades da costa leste no tamanho de suas indústrias. Enquanto em Nova York e Boston predominavam as pequenas indústrias localizadas em distritos mercantis, nas cidades do meio-oeste predominavam gigantescas fábricas, muitas vezes com centenas de empregados, produzindo bens que iam de aço, implementos e manufaturas a produtos agrícolas processados e, no início do século XX, foi nesta região – em Detroit – que se instalaram os principais fabricantes de automóveis.
Um caso particular dentre as grandes cidades norte-americanas foi Los Angeles que teve, no começo do século XX, um grande crescimento. A particularidade foi que o incremento populacional da cidade ocorreu de forma essencialmente espraiada. No primeiro quartel
do século XX, foram inúmeros os loteamentos lançados em Los Angeles (FIG.114). Em 1923, considerado o pico do boom imobiliário, foram registrados 714 projetos de parcelamento, compreendendo 17.300 acres e mais de 86.000 lotes individuais (FISHMAN, 1987, p.162). Esta expansão foi incrementada pela construção de uma rede de auto-estradas (FIG.115) e, principalmente, pela popularização do automóvel. No início da década de 1920, Los Angeles tinha a mais alta proporção de automóveis por habitantes, comparativamente a qualquer cidade no mundo (FISHMAN, 1987, p.162).
FIGURA 114 – Subúrbio na região de Inglewood, Ca. 1925. A
rápida expansão imobiliária de Los Angeles na década de 1920, fez com que ocorressem situações como a de loteamentos construídos em área onde havia poços de extração de petróleo.
Fonte: UCLA LIBRARY, 2009
FIGURA 115 – Pasadena Freeway, Los Angeles,
1941
Fonte: LOS ANGELES TIMES, 2009.
O sistema de estradas de Los Angeles implicou em uma radical descentralização da cidade, que, somada à implantação preferencial de casas unifamiliares, significou a inviabilidade econômica da implantação e manutenção de um sistema de transporte coletivo de massa como também na própria vitalidade da região central da cidade. Em 1937, o Automóvel Clube de Los Angeles apresentou um plano de implantação e interligação, freeways, com previsão de construção de mais de 500 milhas (cerca de 804 km). O plano diretor de Los Angeles, de 1941, mostrava que 31% das terras da cidade estavam ocupadas por residências unifamiliares e que somente 2% para multifamiliares. Entre as décadas de 1940 e 1980, a cidade de Los Angeles assistiu à transformação de mais de 900 milhas quadradas (cerca de 2.330 quilômetros quadrados) de terras agriculturáveis em subúrbios (FISHMAN, 1987, p.177-78).
Nos Estados Unidos o processo de suburbanização encontrou seu mais fértil terreno para desenvolvimento em uma ―fórmula‖ que se constituiu em ―fenômeno‖ imbatível:
associaram-se o espírito puritano de separação de família do ambiente de trabalho, com a idéia de relacionamento de subúrbio ao campo, como local saudável e destinado a aristocracia, além de ser um símbolo de status e ascensão social. Jackson (1985, p.61) identifica três autores que, entre 1840 e 1875, tornaram-se as mais importantes vozes que moldaram as novas atitudes sobre casa e o espaço residencial: Catherine Beecher, Andrew Jackson Downing e Calvert Vaux. Sobre as proposições destes autores Fishman (1987, p.121) destaca que a ―mais saliente característica de todos três no seu mérito é o seu débito com as fontes inglesas do estilo suburbano: a ideologia doméstica evangélica e a tradição pitoresca de projeto.‖
Em seus primórdios era considerado como genuinamente subúrbio o design que incorporava elementos naturais na paisagem. A intenção de seus planejadores era reproduzir os valores pitorescos no meio urbano, ou como diz Olmsted ―ruralizar toda a população urbana e urbanizar toda a nossa população rústica.‖ 66 (OLMSTED apud
FISHMAN, 1987, p. 129).
Os primeiros modelos eram ingleses, como Powelton Village67, um subúrbio localizado a
oeste da cidade da Filadélfia, que foi um assentamento ocupado por uma elite Quaker e era, segundo Fishman (1987, p.141), idêntico aos subúrbios londrinos construídos por evangélicos vinte e cinco anos antes (FIG. 116 e 117).
FIGURA 116 - Powelton Village, Ca. 1920. Casa de
Frederick Poth, construída em 1887 pelo Arquiteto Albert Dilkes, em estilo que designava como
Queen Anne Style.
Fonte: SKALER, 2002, p.79.
FIGURA 117 – Planta de Powelton Village, Ca. 1900.
Fonte: POWELTON VILLAGE, 2009
A fase inicial da suburbanização norte-americana seria fundamente marcado por esta influência inglesa. Seus dois mais importantes arquitetos, Frederick Law Olmsted e Calvert
66 "[…] ruralizing of all our urban population and the urbanizing of our rusting population. For I regard it is a doubtful
which of two slants toward savage condition is most to be deplored and struggles with, that which we see in the dense poor quarters of our great cities and manufacturing firms or that which is impeding over the scattered agricultural population of the more especially the sterile parts of the great west.‖ (Trecho de carta que Fredericklaw Olmsted enviou a Edward Everett Hale em 21 de outubro de 1869. Disponível na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, documento nº 01916. (LEDVINA et al., 2009).
67Powelton Village começou a ser ocupada no inicio do século XIX, seu desenvolvimento teve um impulso a partir
da construção de uma ponte suspensa em 1840. Em 1860 foi ligada à cidade central (Filadélfia) por meio de uma linha de bonde. Seu aspecto pitoresco e casas em vários estilos ecléticos foram muito apreciadas e copiadas no século XIX. (SKALER, 2002, p.77).
Vaux traziam em sua obra e formação esta origem. Olmsted era americano, que viajou à Inglaterra onde passou temporada entrando em contato com as obras de John Paxton e John Nash, particularmente o Regent’s Park em Londres. Viajou também até Manchester para conhecer o subúrbio de Victoria Park. Vaux, inglês, após um período de aprendizado na França, mudou-se para os Estados Unidos onde, inicialmente, trabalhou com Andrew Jackson Downing e depois, em parceria com Olmsted. Juntos, Olmsted e Vaux, participaram e ganharam o concurso para a elaboração do projeto do Central Park em Nova York. Este projeto, embora de um parque, se tornou uma referência para a elaboração dos subúrbios do final do século XIX e inicio do século XX. Sua clara influência inglesa com elaboradas visadas, aspecto pitoresco e vias internas em curva, foram reproduzidos em projetos de diferentes subúrbios, vários a cargo da dupla Olmsted-Vaux (FIG. 118).
FIGURA 118 – Central Park, Nova York, região da via pública (the drive). Gravura de Currier e Ives (1862), mostrando
o clima pitoresco, que procurava reproduzir no meio urbano o aspecto rural, utilizando-se de cenários variados, ruas em curva e diversos tipos de vegetação.
Fonte: KLIMASMITH (2005, p.53)
À semelhança do que havia ocorrido na Inglaterra, a burguesia ascendente norte- americana procura mudar-se para o subúrbio, que agregava todos os valores de família e saudável com um inequívoco atrativo: status.
O ponto culminante da influência inglesa nos subúrbios norte-americanos, segundo Fishman (1987, p. 125), foi Llewellyn Park, New Jersey. Localizado perto das montanhas Orange, recebeu o nome de seu empreendedor, Llewellyn S. Haskell. O loteamento, dentro do espírito inglês, foi projetado por Andrew Jackson Downing em 1857 (FIG. 119). O arquiteto o concebeu com ruas sinuosas e villas, cercado por um parque de 50 acres (cerca de 202.000 m²), o Ramble. Jackson (1985, p.76) chamou-o de ―primeiro subúrbio pitoresco do mundo‖, mas Archer (1983) demonstrou que foi influenciado por subúrbios de cidades inglesas do início do século XIX, dos quais destaca como ―exemplos de planejamento que podem ser
observados nos Estados Unidos‖ (ARCHER, 1983, p. 141) Regent’s Park e Park Village 68,
Calverley Park69 (FIG. 120), Pittville State70, Birkenhead Park71, Prince’s Park72 (FIG. 121) e
Victoria Park73.
FIGURA 119 – Projeto de Llewellyn Park elaborado por Andrew Jackson Downing, em litografia de 1857. Planta com
o do parque e indicação das villas. Fonte: NICOLAIDES; WIESE, 2006, p.22
FIGURA 120 – Projeto de Decimus Burton para
Calverley Park em Turnbridge Wells, 1827-28. Fonte: ARCHER, 1983, p. 143.
FIGURA 121 – Projeto de Joseph Paxton e James
Pennethorne para Prince’s Park, Liverpool, 1842. Fonte: ARCHER, 1983, p. 147.
68Subúrbios da cidade de Londres, localizados na região do Regent Park, região nordeste da cidade para maiores
detalhes vide Capítulo 2.
69Localizado na cidade de Tunbridge Wells, condado de Kent, 31 milhas (cerca de 50 km) a sudeste de Londres, foi
projetado por Decimus Burton (1827-28), sua principal inovação foi a introdução de um parque privativo em um lado de uma montanha, limitado em sua face superior por casas de classe média. (ARCHER, 1983, p.142).
70Localizado na cidade de Cheltenham – próximo à cidade de Gloucester – a noroeste de Londres, começou a
ser construído em 1824.
71Cidade do projetada por Decimus Burton em 1827-28, embora seja uma pequena cidade, sua conformação
urbana remete às características adotadas em muitos subúrbios ingleses do século XIX: ruas sinuosas, grande arborização, predominância de residências unifamiliares, casas localizadas no centro do terreno, dependência de uma grande cidade e conexão através de linha ferroviária.
72Subúrbio da cidade de Liverpool, Inglaterra, Em 1842 Richard Vaughan Yates comprou uma área de 100 acres
pertencente a Lord Sefton e contratou John Paxton – que teve o auxilio de James Pennetorp - para elaborar o projeto. Este que foi o primeiro grande projeto desenvolvido por Paxton, projetoando-o nacionalmente. Em 1850 foi escolhido para elaborar o projeto do Crystal Palace, em Londres. (MCINTYRE-BROWN e WOODLAND, 2001, p.192).
Se, com Llewellyn Park a conformação do subúrbio norte-americano sob influência do modelo inglês teve seu ápice, em Riverside, um novo modelo começou a ser estabelecido. Nisto terão um papel fundamental os arquitetos Frederick Law Olmsted e Calvert Vaux.
O projeto de Olmsted/Vaux para Riverside (FIG. 122) propunha balancear a relação do homem — urbano — com a natureza, com a construção de um conjunto de casas em um parque, conforme vinha sendo definida nos subúrbios desde Clapham (Inglaterra). Ele retomou, com algumas modificações, o design de linguagem pitoresca que Nash empregou em Park Village: ―ruas com linha de árvores que contrastam com a direção comum das ruas da cidade através de graciosas curvas, generosos espaços e a ausência de esquinas duras, a maior idéia é sugerir um implícito lazer contemplativo e uma feliz tranqüilidade‖ (OLMSTED e VAUX, 1868, p.17).
FIGURA 122 – Projeto de Frederick Law Olmsted e Calvert Vaux para Riverside, 1869.
Fonte: GIRLING; HELPHAND, 1996, p.51.
Os arquitetos propuseram um intenso plantio de árvores — 7.000 Evergreens, 32.000 Dedicous
Trees e 47.000 arbustos — e prescreveram que as casas deveriam ser recuadas 30 pés (cerca