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2.2. Öz Düzenlemeli Öğrenme

2.2.2. Sosyal BiliĢsel BakıĢ Açısına Göre Öz Düzenlemeli Öğrenme Evreleri

2.2.2.1. Öngörü Evresi

Entretanto, a ênfase em um aspecto idílico e pitoresco adotada, nos projetos dos primeiros subúrbios, ajudou a torná-los um local ideal, aprazível e o estereótipo do que seria o local perfeito, para a família perfeita. A origem destes subúrbios idílicos pode ser encontrada na pintura, na filosofia e literaturas dos séculos XVII e XVIII, que idealizavam valores rurais em paisagens pitorescas. No final do século XVIII, paisagistas, construtores e arquitetos utilizavam estas idéias em seus trabalhos. Entre os líderes do movimento de projeto pitoresco na Inglaterra estava o arquiteto John Nash17 e o paisagista Humphrey Repton.

Nash foi o autor do projeto do primeiro subúrbio idílico: Park Village (FIG. 36), então localizado em uma área fora de Londres18. Em 1810, recebeu a encomenda, pelo príncipe

regente19, de criar um novo parque — Regent Park — e uma rua homônima na região do

antigo Marylebone Park, uma propriedade da coroa. Com uma concepção pitoresca, o parque/rua tinha 56 villas espalhadas, com jardins entremeados, criando vistas diversas que se alteravam em função da posição do observador, introduzindo elementos arquitetônicos e paisagísticos diversos com um cenográfico alinhamento de casas e apartamentos definindo os limites.

17Nash nasceu em 1752, em condições humildes, era filho de um construtor de moinhos galês. Utilizou sua obra

como forma de ascender na sociedade britânica. Procurava trabalhar para pessoas influentes, inclusive o príncipe regente.

18Atualmente, a região de Park Village, localizada próxima ao Regent Park, é parte do bairro de Marylebone, em

Londres. Está completamente integrado à cidade de Londres, mantendo, entretanto suas características originais.

FIGURA 36 – Projeto de Park Village, elaborado por John Nash, para a região do Regent Park, próximo à margem

do Regents Canal. Fonte: ARCHER, 1983, p.141.

Park Village, contemporaneamente, está dividido em duas partes desde que foi construída uma extensão do Grand Junction canal que possibilitava um acesso de bens e mercadorias mais fácil e direto aos mercados. O canal também serviu como um elemento pitoresco no Regent’s Park, além de fornecer água para o lago. Um dos últimos projetos de Nash foi o projeto para Regent’s Park leste, datado de 1823; sua construção iniciou-se no ano seguinte quando Nash tinha 72 anos. Seu plano evitava os padrões urbanos do século XVIII com ruas e praças em grelha que ele qualificava como rígidas. Instalou as casas em uma paisagem sinuosa. Todos os elementos do que, posteriormente, viria a ser classificado subúrbio pitoresco estavam contidos em seu esquema: uma arejada rua com calçadas laterais, casas em variados estilos, vistas amplas e introdução de elementos paisagísticos como água, arvores e elevações no terreno (FIG. 37 e 38). Muitas casas foram construídas em pares, para parecerem com mansões20. Metade das 50 casas originais foram demolidas

quando a ferrovia foi alargada entre 1900 e 1906 e o segmento do Canal Regent em Park Village foi coberto.

FIGURA 37 – Vista de casas em Park Village.

Fonte: SOUTHWORTH; BEN-JOSEPH, 2003, p. 31.

FIGURA 38 – Desenho com a implantação de casas em

Park Village.

Fonte: SOUTHWORTH; BEN-JOSEPH, 2003, p. 31.

20 Este recurso foi sistematicamente utilizado em construções residenciais, registrando-se sua utilização

Park Village foi importante na medida em que estabeleceu alguns dos estereótipos do subúrbio do século XIX, entretanto, suas reduzidas dimensões diminuem sua repercussão. Não seria nos arredores de Londres, entretanto, que efetivamente se implantaria o primeiro subúrbio que, de fato, impactou o ideário da burguesia, mas em Manchester. Esta cidade foi uma das que mais sofreu com os impactos da revolução industrial, o que acabou por transformá-la em sinônimo de cidade da primeira revolução industrial.

A suburbanização em Manchester começou mais tarde que em Londres, mas seu impacto foi muito mais decisivo. No final de 1830, a burguesia de Manchester estava firmemente estabelecida em casas urbanas perto do centro da cidade. Mas, em apenas uma década (1835 a 1845), Manchester atingiu um grau de suburbanização que Londres obteve em todo um século — de 1770 a 1870 (FISHMAN, 1987 p.74) — muito antes do automóvel ou mesmo do ramal ferroviário, com não mais que um sistema de transporte baseado em carruagens particulares.

Em 1837, um grupo de investidores, homens de negócio e políticos de Manchester, formaram uma companhia para comprar cerca 140 acres (566.000 m²) a cerca de 2 milhas (3,2 Km) ao sul da Bolsa de Mercadorias e Valores (Royal Exchange) da cidade para desenvolver um subúrbio modelo21. Planejavam construir suas próprias casas ao longo de

ruas curvas e arborizadas. Os lotes restantes seriam vendidos com grande lucro. O projeto ficou a cargo do arquiteto Richard Lane (FIG.39). Definiram que cada um teria sua própria residência, em lotes individualizados e com padrões mínimos. Buscava-se, desta maneira, estabelecer um desenvolvimento compatível àquele que se pretendia ser o melhor subúrbio da cidade.

FIGURA 39 – Projeto de Richard Lane para Victoria Park (1837)

Fonte: ARCHER, 1983, p.145.

21O local escolhido situava-se a menos de meia milha (800 metros) da área de Little Ireland, uma das piores favelas

A ele se associou uma idéia de distinção, aristocracia e status, atrativos para uma burguesia em ascensão, especialmente industriais e comerciantes, conforme mostra a Tabela 01. Em homenagem à recém coroada rainha, denominaram-no: Victoria Park. O sucesso foi imediato e nos guias turísticos da década de 1840 já aparecia como atração a ser visitada na cidade de Manchester (FISHMAN, 1987 p.92).

TABELA 01

Moradores em Victoria Park, Manchester, segundo a ocupação profissional

1845 1850 1855 1860 1865 1870 1875 1880 1885 Industriais 11 13 12 12 20 17 17 20 21 Comerciantes 18 25 26 30 47 40 41 41 42 Comerciantes alemães 6 12 15 25 30 40 39 47 39 Profissionais Liberais 4 5 5 6 5 6 15 20 22 Total 39 55 58 73 103 102 112 128 124

Obs: nas totalizações foram incluídos os acréscimos de lotes ocorridos ao longo do século XIX. Fonte: SPIERS, 1976, p.8.

Manchester acrescentou, com esta suburbanização intensa, a definitiva separação entre local de trabalho e de moradia. A decisão da classe média de quebrar a tradição de morar no centro da cidade alterou decisivamente a forma e dinâmica de toda a cidade. Na verdade, a clássica forma da cidade industrial retratada de Engels à Escola de Chicago, não foi necessariamente um resultado da industrialização em si mesma. A industrialização é um acelerador de um processo de suburbanização que já vinha ocorrendo.

Ao longo do século XIX, a invenção da locomotiva a vapor e a implantação de uma vasta linha férrea foram decisivas na expansão e propagação dos subúrbios. O surgimento de um transporte de massa que poderia ajudar a ―popularizar‖ os subúrbios, isto é, torná-los acessíveis aos trabalhadores de menor poder aquisitivo, em um contra senso, não ocorre. Dois importantes fatores impediram esta ―popularização‖: o alto custo das passagens e a especulação imobiliária. Em seu planejamento inicial, as ferrovias foram pensadas para fazer ligações entre cidades, percorrendo maiores distâncias e não para fazer conexões a subúrbios — o que determinava uma freqüência e regularidade incompatíveis com um deslocamento diário de grande número de trabalhadores — a este fator somava-se o alto custo das passagens. A especulação imobiliária começou a aparecer no século XIX, passando a ter nos subúrbios uma de suas mais ―sedutoras‖ fontes. Os construtores de ferrovia, em grande parte particulares, compravam terras próximas aos locais onde passariam as ferrovias para, posteriormente, loteá-las. Esta ligação entre os subúrbios e as ferrovias fica explicitada no caso de Clapham, que se torna uma importante conexão ferroviária ao sul de Londres (Clapham junction).