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Neste cenário de ações estratégicas e de envolvimento entre os atores sociais que optam por cooperar ou não, surge, para Lazzarini (2008), a possibilidade da constituição da sociedade empresarial em redes, sendo interorganizacionais (entre empresas) e intraorganizacionais (entre indivíduos). De acordo com Lazzarini (2008), rede pode ser conceituada como um conjunto de atores (indivíduos e organizações) interligados por intermédio de ações e relações diversas. Nossa atenção neste trabalho será nas redes intraorganizacionais.

O foco das relações sociais traz outra preocupação às organizações relacionada a pessoas; além da gestão do conhecimento, dos comportamentos e da motivação do grupo, as empresas devem estar atentas aos custos e prêmios destas relações, ou seja, existe o risco de perdas e ganhos advindos dos compartilhamentos dos integrantes de cada rede (dentro ou fora

da organização), motivos que levam muitos indivíduos a escolherem seus pares pelo nível de retorno esperado com a relação, visto que “o que podemos obter dos nossos relacionamentos é dependente do que são e do que fazem nossos parceiros” (LAZZARINI, 2008, p. 13).

As relações entre os indivíduos feitas por meio da tipologia de nós e laços é tratada por redes que podem ser mapeadas por uma matriz relacional, que representa a frequência com que cada sujeito se relaciona (LAZZARINI, 2008).

Também podemos perceber alguns pontos explorados por Lazzarini (2008), que identificam o grau de densidade de uma ou mais redes. As redes com mais ligações internas entre os indivíduos são, segundo o autor, mais densas em relação às redes com menos ligações.

De acordo com os estudos de Coleman (1988), existe uma correlação direta entre cooperação e densidade da rede, quanto mais densa for a rede (com maior fluxo informacional), maior o nível de cooperação entre os atores. Conforme Pfeffer (1992), tarefas consideradas fora do padrão diário da rotina (atividades que necessitam de um nível de flexibilização e adaptação relativamente alto) são mais facilmente percebidas em redes densas, sendo nelas criada a possibilidade da expansão da comunicação vertical (entre chefes e subordinados) e da comunicação horizontal, criando, assim, melhores mecanismos para solucionar eventos inesperados.

Dentro da análise de Milgrom e Roberts (1990), um cuidado maior deve ser observado nas redes intraorganizacionais, pois o posicionamento de um determinado grupo pode acabar influenciando as decisões por interesse próprio, uma vez que essas redes se tornam verdadeiras coalizões de amigos no trabalho, em que a interação acaba por criar um cenário favorável para a coleção de metas e objetivos comuns.

Krackhardt (1990), ao analisar redes intraorganizacionais, percebe que indivíduos posicionados no centro dessas redes possuem grandes laços de amizade, sendo, portanto, um ator com grande poder concebido e com alta capacidade de influência. Outro aspecto importante levantado por Burt (1992) é o papel de indivíduos que, com poder em suas redes, utilizam-nas para conseguir incremento salarial ou maiores probabilidades de promoção. Caso este indivíduo seja um profissional central em sua rede, detenha capacidade política na relação com os demais atores na organização, e seja, dessa forma, um agente confiável, este funcionário será visto como alguém com alta capacidade de mediar e resolver conflitos entre os mais variados grupos organizacionais (KRACKHARDT; HANSON, 1993). Yamagishi, Cook e Watabe (1998) alertam para a propensão de maior relação com novos indivíduos e,

consequentemente, com outras redes, na medida em que a confiança se torna geral entre estes atores.

Dado importante, tendo em vista o processo de mudança vivido na empresa objeto de estudo, é que redes intraorganizacionais de caráter denso apresentam funcionários mais resistentes às mudanças organizacionais (GARGIULO; BENASSI, 2000).

As redes são acessadas o tempo todo visando à obtenção de informações capazes de gerar bons resultados para a organização, de solucionar problemas, de gerenciar conflitos, visando ao desenvolvimento de capital relacional e tantos outros aspectos positivos, porém, não há como negligenciar o poder que uma rede possui de boicotar um projeto, embotar uma ideia ou desarticular um processo, sendo, portanto, um mecanismo de imensa complexidade e importância dentro das organizações, capaz de criar fatores otimistas ou pessimistas para uma situação em potencial.

O processo de comunicação organizacional, não somente das redes, mas na empresa como um todo, precisa ser cuidadosamente conduzido. Scroferneker (2000) destaca que o processo de comunicação organizacional se dá pelas diversas maneiras com que a instituição estabelece um processo de comunicação para iniciar, manter ou finalizar determinado tema com seus diversos públicos. Com mesmo raciocínio está Kreps (1995), pois entende que a comunicação organizacional se dá por intermédio de um processo no qual os atores coligem importantes informações de toda a empresa e dos processos de mudanças que ocorrem dentro do cenário organizacional. Kreps (1995) destaca, ainda, que a comunicação dos atores de uma organização é um processo social de grande complexidade e amplitude, podendo ser percebido em quatro níveis: a comunicação entre pequenos grupos, entre grandes grupos, intrapessoal e interpessoal.

A estrutura organizacional traz o delineamento de uma rede de comunicação com a hierarquia, ou seja, a estrutura formal tenta conduzir uma comunicação padrão, pré- estabelecida, que utiliza o poder burocrático como processo de legitimação (TORQUATO, 1986). Por sua vez, de acordo com Torquato (1986), a rede informal é o local no qual ocorrem as espontâneas indagações e manifestações do grupo social, tendo, inclusive, a presença da rede de intrigas e boatos, estruturada numa rede social de “grupinhos”.

Torquato (2002) aborda alguns fatores que produzem efeitos diretos no processo de comunicação interna da companhia, dando ênfase para três sistemas: o tecnológico, que envolve a utilização de novas ferramentas e equipamentos; o institucional, que trata de normativos, regras, políticas, valores e princípios da organização; e o sentimental, que retrata

as formas, atitudes e padrões dos grupos, em que se representa a comunicação interna da instituição. Todos esses fatores são de grande importância para a comunicação interna. Para Kunsch (2003), a comunicação interna é uma área de grande importância estratégica, que tem a capacidade de criar o canal ideal para que se possa compatibilizar interesses, necessidades e prioridades entre a alta administração e todos os funcionários. Kunsch (2003) afirma a capacidade que os funcionários, que representam o público interno da organização, têm de ser agentes multiplicadores de informações e dados. Portanto, faz-se necessária e importante a presença deles no processo de evolução e discussão de itens que os envolvam diretamente.

Consequentemente, podemos perceber a enorme importância que um processo bem executado de comunicação interna pode ter no momento atual que vive a empresa de mudanças e transformações organizacionais.