• Sonuç bulunamadı

Pensar a prática é antes de tudo concebê-la como um “[...] movimento dinâmico, dialético, entre o fazer e o pensar sobre o fazer” (FREIRE, 2006, p.38). É um pensar que envolve uma reflexão crítica sobre o que se faz e como se faz. Nesse sentido cabe ao professor ter claro que é ele o sujeito que se debruça sobre o seu fazer e dele abstrai, produz novos saberes.

Pensar sobre a prática como bem nos diz Freire (2006) é um pensar certo, não um pensar ingênuo. Requer do professor um constante avaliar de sua ação: do que faz, como faz, porque faz e para quem faz. São ações que precisam ser consideradas a todo o momento no ato da reflexão sobre a prática.

A reflexão da prática pela professora Rubi está presente quando diz que: “Depois das nossas reflexões compreendi que precisamos dar ao aluno condições deles formarem seus próprios conceitos”. Essa reflexão não acontece sozinha, mas na colaboração com o outro (nossas reflexões) e nem tão pouco isolada de uma situação de sala de aula. Está situada em momento de se ver quais as possibilidades favorecidas pelas discussões no grupo são possíveis de vivência em sala de aula.

Neste sentido, os estudos do grupo suscitaram questões como: o que é aprender? Como o meu aluno aprende? Como posso ajudá-lo a aprender melhor? São discussões que passam por uma reflexão da prática docente no âmbito conceitual e metodológico. A esse respeito à professora Rubi faz uma observação na entrevista coletiva dizendo que: “especialmente na metodologia, isto é, na maneira diferente, inovadora de aplicar conteúdos que já há muito tempo trabalhava”. Na fala da professora se explicita um enfoque ao aspecto metodológico,

no entanto, não se explicita a importância da teoria que embasa tal aspecto. Porém, a partir de nossas discussões no grupo não podemos inferir que a professora esteja pensando, quando desta fala, em uma dualidade entre metodologia e teoria.

A ação de refletir sobre a prática docente é condição necessária para o professor repensar suas ações enquanto profissional buscando possibilidades de reelaborar saberes até então construídos em sua práxis. Entendemos a prática docente como apontada por Azzi (1999), como uma atividade dinâmica que resulta das relações entre os diversos elementos que são constituintes do processo educativo, a saber: o professor, o aluno, o saber escolar, o pedagógico, e os diversos fazeres que envolvem essas relações. Não podemos esquecer que tal prática está situada em um contexto particular, o do professor e sua sala de aula, mas que também está inserida em algo maior: a realidade social da qual faz parte como pessoa.

Assim concebendo, a prática do professor é resultante de todo um processo de inter-relações entre os elementos citados anteriormente e os contextos em que está inserida. Para que o professor possa ser um produtor de saberes a partir da reflexão de sua prática (TARDIF, 2001), é preciso que ele se veja como um sujeito que não apenas aplica saberes construídos por outros, mas que ele é também um produtor a partir do momento que concebe a sua prática como lócus de reflexão, reelaboração e produção de saberes.

No diário da professora Rubi também encontramos destaque para a reflexão da prática como possibilidade de reelaboração de saberes, ao se referir a utilização do ábaco como um recurso para o trabalho com a idéia de sucessor e antecessor de um número. Ela assim se expressa:

Fico pensando como as minhas aulas podem se tornar mais interessantes com a utilização do ábaco e ao mesmo tempo como

as aulas que dei sobre sucessor e antecessor foram

desinteressantes e cansativas e sem muito significado para o aluno (PROFESSORA RUBI).

Na reflexão que faz sobre a sua prática a partir dos estudos do grupo, ela aponta uma reelaboração dos saberes experienciais ao se referir à possibilidade de suas aulas serem diferentes no trato de um conteúdo matemático, mesmo que tal reelaboração seja apenas no discurso, pois não podermos afirmar se estará

presente na futura prática da professora, mas já é um indício forte de mudanças significativas para o seu fazer de sala de aula.

O memorial da matemática foi outro instrumento em que pudemos observar a reflexão da professora Rubi sobre a prática docente. Em seu memorial, ela aponta que ao ter contato com a disciplina de Metodologia da Matemática no Curso de Pedagogia “[…] aprendi modos diferentes de ensiná-la, partindo da vida do aluno, do seu cotidiano”. O contato com a disciplina e a reflexão do que já fazia como professora, fez a professora analisar novas possibilidades de se trabalhar os conteúdos matemáticos. Essas possibilidades surgiram a partir do momento que ela refletiu sobre o “como fazia” e sobre o “como é possível” fazer diferente.

Após trazermos as falas e escritos da professora Rubi nos posicionamos para estabelecer as relações entre os instrumentos enfocados. Em seu memorial da matemática a professora Rubi se apresenta como alguém que não estabeleceu uma relação harmoniosa com a matemática no início de sua escolarização. Já mais adianta quando vai cursar Pedagogia aponta as contribuições que uma das disciplinas cursadas proporcionaram a sua prática docente. Na entrevista coletiva ao falar sobre a sua aprendizagem se descobre apreciadora da aprendizagem matemática com qual passa a ter uma relação favorável. Tal posicionamento também é refletido por seus escritos no diário. Do todo podemos perceber os avanços obtidos pela professora em sua aprendizagem matemática.