2.7. Anadolu Güzel Sanatlar Liseler
2.7.1. Ankara Anadolu Güzel Sanatlar Lisesi Tarihçesi ve Mevcut Durumu Ankara Anadolu Güzel Sanatlar Lisesi 1990/1991 öğretim yılında Mill
Os outros setores da Igreja não passariam incólumes às pretensões de secularização do Estado português. Apesar das limitações do governo, tentou-se reduzir a influência religiosa sobre a vida do povo. Outro campo em que Pombal investiu com prioridade, decisivo para dar novo formato à sociedade portuguesa, foi o educacional. Ao tirar esse segmento do controle da Igreja, laicizando o ensino em todas as suas vertentes, pretendeu criar um novo perfil cultural que estivesse entrelaçado em todas as esferas sociais, da economia à cultura.
Um dos primeiros passos nessa direção foi a interferência sobre os poderes da inquisição. Em 1769, Pombal enfraqueceu o seu poder e colocou um novo intendente-geral. Ao mesmo tempo, deu fim à diferença institucional entre cristão velho e cristão novo. Tudo isso ocorreu contra a vontade da Igreja, assim como na criação, em 1768, da Real Mesa Censória, com a função de fiscalizar os livros então circulantes no país. Com essa modificação, a Igreja perdeu importância nesse setor, pois mais livros circulavam e, com eles, ideias iluministas. A nova instituição, de acordo com Maxwell, “fora planejada para fornecer
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BRAGA, Teófilo. História da Universidade de Coimbra... 1892-1902, p. 329.
41
MAXWELL, Kenneth R. Marques de Pombal: paradoxo do iluminismo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996, p. 94.
um mecanismo destinado a secularizar o controle e as proibições religiosas que de longa data haviam governado a introdução de novas ideias no país. Desse modo, a Real Mesa Censória substituía a Inquisição”.42 A Europa consolidou, em sua autoimagem, a percepção de que chegara o tempo das luzes e, dessa maneira, não haveria mais espaço para ideias arcaicas ou qualquer projeto que pudesse tirá-la do seu próspero e “inevitável” caminho. A confiança no poder da razão seria uma arma contra o obscurantismo.43
Curiosamente, outros setores da Igreja tiveram papel importante no desenvolvimento iluminista português, contribuindo, inclusive, para apertar o cerco contra os jesuítas. Na Europa protestante, os defensores da filosofia racionalista e dos métodos científicos modernos mostraram-se ferrenhos críticos da religião e da Igreja católica, ao contrário de Portugal, que teve integrantes e grupos religiosos à frente do processo de maturação das novas ideias e da própria reformulação educacional do país. Na Igreja católica, segundo Maxwell,
[...] A congregação de São Felipe de Neri, uma sociedade de padres seculares, assumiu a liderança na introdução de experimentação científicas, em Portugal, como haviam feito por toda a Europa católica. Foram os maiores adversários dos jesuítas no debate sobre modelos pedagógicos. Os oratorianos foram os grandes promotores das ciências naturais, tendo introduzido em Portugal as ideias de Francis, Descartes, Gassendi, Locke e Antônio Genovesi [...].44
Com base nessa premissa, percebe-se que enquanto parte da Igreja estava associada às antigas ideias, outra já trazia os ares do pensamento ilustrado. Dessa maneira, os setores considerados mais avançados somavam-se a outras pessoas e entidades, nem sempre diretamente relacionados à instituição religiosa. Já no início do século XVIII, a congregação do Oratório vinha de uma disputa pela hegemonia no ensino, contenda que terminou com a vitória destes diante dos jesuítas. Da mesma forma, ocorreu com entidades laicas ou científicas, como academias e laboratórios, que formaram outra frente contra as velhas ideias. As concepções ilustradas no tempo de Pombal reluziam por todos os lados e contagiaram até certos setores da aristocracia, do clero e da nobreza. Os grupos emergentes eram os mais exaltados e passaram a ter espaço e possibilidade de ascensão social, como os cientistas, exploradores, soldados, funcionários do Estado e os homens de negócios.
A nova combinação de eventos e interesses desdobrou-se em novas relações sociais. Isso quer dizer que se tornou cada vez mais difícil para as velhas compreensões
42
MAXWELL, K. Marquês de Pombal... 1996, p. 100.
43
TORRES FILHO, Rubens Rodrigues. Ensaios de filosofia ilustrada. [Nova ed] – São Paulo: Iluminuras, 2004, p. 77.
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permanecerem hegemônicas. Na tentativa de evitar a extinção, de acordo com Ana Rosa Cloclet da Silva, esses grupos, ou pelo menos parte deles, tiveram que se renovar. “Explica- se, assim, a preocupação presente ‘destes filósofos e letrados até aos governos’ em esboçar novos sistemas pedagógicos, bem como a fundação de diversas instituições científicas como Escolas e Academias”.45 Ainda segundo a autora,46 o grande avanço nesta direção foi dado com intelectuais estadistas como D. Luís da Cunha (1662 – 1749), o destacado Luís António Verney (1713 – 1792) e António Nunes Ribeiro Sanches (1699 – 1783). Os esforços desses intelectuais somaram-se a outros, de setores religiosos, ligados à Congregação do Oratório, com um histórico de trabalhos renovados em termos educacionais. Foi a combinação dessas duas frentes, a laica e a religiosa, que provocou um dos maiores avanços na modernização do pensamento português.
Uma das obras mais destacadas do Iluminismo português foi, sem dúvida, O Verdadeiro Método de Estudar, de Verney. Esta obra apresenta um conjunto de propostas em favor de um sistema educacional moderno. O livro está distribuído em cartas, dezesseis ao todo, cada uma propondo um tema. Logo na primeira, ele debate a importância do estudo da língua portuguesa, bem como da gramática. Até aquele momento, os estudos eram feitos em latim.47 Além de propor uma ampliação do acesso ao estudo, dá ênfase à cultura nacional através da língua materna.
Para ilustrar outro aspecto da obra, na Carta Nona, Verney contesta e desvaloriza a metafísica, e como um bom filho do Iluminismo, valoriza o experimento, a prova em detrimento da especulação, dedução sem o contato direto com a natureza. A carta seguinte caminha no mesmo sentido, ao colocar a física em primeiro plano e não mais a metafísica,48 pois o Verdadeiro Método está claramente em sintonia com as necessidades de um novo tempo. As demais cartas discutem temas direta ou indiretamente relacionados ao cultivo de uma nova educação e, mais que isso, uma “nova mentalidade”. Nessa mesma direção, com mais profundidade, caminhava a obra de Ribeiro Sanches, em Cartas Sobre Educação e Mocidade, escrita em 1760. Este tem uma crítica mais acentuada contra o antigo sistema social, pautado nas leis feudais. Graças a pensadores como esses, mudanças foram feitas em favor de novas necessidades.
45
SILVA, Ana Rosa Cloclet da. Inventando a Nação... 2006, p. 34-5.
46
SILVA, Ana Rosa Cloclet da. Inventando a Nação... 2006, p. 37.
47
FALCON, F. C. Política econômica e monarquia ilustrada – a época pombalina – (1700 – 1777). Niterói, 2 vol. 1975. Tese de livre docência, p. 395.
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As reformas educacionais foram, sem dúvida, das mais importantes transformações ocorridas em Portugal, gestadas durante um período relativamente longo. Resultado de anseios e limitações, surgiu um corpo de propostas que visavam a tornar o Estado mais eficiente em diferentes aspectos, não apenas no âmbito pedagógico. Essas mutações constituíram os motores de diversas outras realizações nos campos econômico, político e cultural, fazendo de Portugal, em muitos aspectos, um país mais moderno.
Sempre houve tensão entre setores da Igreja e do Estado, mas em determinados momentos da história lusa, em que a concepção iluminista do mundo estava mais aguçada, tais conflitos se intensificaram. Os novos tempos trouxeram novos olhares e necessidades. Nesse cenário, para Flávio Rey de Carvalho, “foram os jesuítas qualificados como a personificação das trevas, sendo responsabilizados pela situação de marasmo pedagógico e pelo isolamento intelectual do país”.49 O Estado pombalino pretendia contrastar essa visão, e ao se colocar como representante das luzes, estava disposto a transformar “trevas” em “luz”, antigo em moderno, educação religiosa em laica. O projeto de uma instrução pública não aconteceria sem a supressão da ordem religiosa jesuítica. O governo na época pombalina tinha consciência disso e tomou as medidas necessárias para que tal projeto acontecesse. Não foi tarefa simples, mas o governo de José I estava disposto a levar esse projeto até o fim. Pombal iniciou uma implacável perseguição contra todos aqueles que se opunham a seu projeto, nela incluía, com prioridade, a Companhia de Jesus.50
Joaquim F. Gomes51 assegura que o Iluminismo deu a oportunidade aos países católicos que os protestantes tiveram ainda no século XVI, a de retirar do poder da Igreja a responsabilidade do ensino. Com a Reforma Protestante, foi preciso reelaborar novos valores, tendo sido instituído um sistema de ensino anticatólico. No aspecto educacional, o Iluminismo português inovou em relação aos demais países europeus não protestantes, pois criou um sistema de ensino gratuito e amplo para os padrões da época, uma rede de ensino que corresponde aos dias atuais, uma educação primária, secundária e superior. Todo esse aparato renovado e moderno, público e laico. O alvará de 28 de junho de 1759, o mesmo que expulsou os jesuítas do Brasil, extinguiu as escolas religiosas, então foi preciso criar as bases para o novo ensino. Uma ação não poderia acontecer sem a outra naquelas circunstâncias políticas, tendo sido necessário demolir parte do velho sistema educacional para se
49
CARVALHO, Flávio Rey de. Um iluminismo português?: a reforma da Universidade de Coimbra de 1772. São Paulo: Anablume, 2008, p. 49.
50
SERRÃO, Veríssimo. História de Portugal... 1978, p. 52.
51
GOMES, Joaquim F. O Marquês de Pombal e as reformas do ensino. Coimbra, Livraria Almedina, 1982, p. 13.
reconstruir o novo. Em 1771, a Real Mesa Censória assumiu a direção das escolas menores e maiores de todo o reino português. Nesse mesmo percurso, o famoso Colégio dos Nobres também ficou sob a administração da entidade, sob a nova política educacional. Cada passo dado nessa direção consolidava uma antiga ambição, que precisaria de um tempo razoável para se consolidar.
Quando os jesuítas foram expulsos do Brasil, os missionários tinham dezenas de escolas, a maioria existente no reino e seus domínios. Isso significa dizer que não era fácil, como pode parecer num primeiro momento, o enfrentamento aos religiosos. Apesar de sua indesejada presença, eram eles, mais que o Estado, os tutores da educação. Até o século XVII, as ações da Igreja no campo educacional eram tão presentes que, muitas vezes, substituíam o próprio Governo,52 quando não dividiam as funções equitativamente. Pombal começou com a construção ou retomada de escolas de ensino primário. Ainda em 1758, ele ordenou a criação, em todas as povoações indígenas, de duas escolas públicas, uma direcionada às meninas, outra aos meninos.53
No ano seguinte à expulsão dos missionários católicos e seu impedimento para exercer o ensino em seus colégios, o Estado deveria, imediatamente, preencher o vácuo existente, uma vez que as medidas foram bruscamente implantadas, provocando uma alteração no quadro burocrático e pedagógico dos colégios. Com base nessa informação, Ana R. C. da Silva afirma: “uma vez que a tal proibição se seguiu a necessidade imediata de fundar-se um ensino médio, bem como se criarem rendas para as despesas com a contratação de mestres seculares”.54 Todo o projeto de transformação do ensino no reino português tem seu início efetivo nesse momento, tendo as demais mudanças decorrido daí.
O projeto pombalino não envolve apenas ações relacionadas ao ensino, como a contratação de professores, construção ou apropriação de escolas, reformulação no currículo, entre outras ações nessa direção. Uma das mais importantes ações em defesa de sua proposta educacional envolveu um embate intenso e direto no campo ideológico. Uma importante obra pombalina, em três volumes, foi apresentada em 1767, Dedução Cronológica e Analítica, que tinha a finalidade de apontar os males causados pelos jesuítas na história portuguesa55. Todo um conjunto de propaganda iconoclasta aos religiosos foi intensamente difundido. É evidente que o êxito do Governo dependia do enfraquecimento da Igreja, um se alimentava do outro.
52
GOMES, Joaquim F. O Marquês de Pombal e as reformas do ensino... 1982, p. 13.
53
GOMES, Joaquim F. O Marquês de Pombal e as reformas do ensino. 1982, p. 7.
54
SILVA, Ana Rosa Cloclet da. Inventando a Nação... 2006, p. 68. 55
Na época, Pombal apresentou sua obra, que tratava de defender sua política e criticar os que iam de encontro a ela, a exemplo dos religiosos. Pregador das luzes, não perdeu a oportunidade de atacar as velhas ideias e práticas, que tentavam resistir aos novos tempos. Nas palavras de Ferrão,
[...] são os dois mais formidáveis libelos escritos contra os jesuítas, não só em Portugal como em toda a Europa. Mas, ao passo que o primeiro era um formidável ataque de natureza política, o Compêndio Histórico é uma cerrada crítica de carácter científico, pedagógico e moral.56
Pombal abriu várias frentes de enfrentamento contra os religiosos, provavelmente receoso de que ainda pudessem, mais cedo ou mais tarde, esboçar reações. Trabalhou cuidadosamente tanto para erguer seu edifício como para demolir o dos jesuítas. Pode-se dizer que o êxito de Pombal foi incontestável, à medida que alterou a relação do Estado com a ordem religiosa, e desta com a educação, até que os religiosos ficaram à margem dos processos educacionais na sociedade portuguesa.
Como extensão dessas mudanças no âmbito educacional, destaca-se a reforma da Universidade de Coimbra. Os estatutos da Instituição reformada foram publicados em 1772, como parte do programa geral de aperfeiçoamento do ensino.57 O segundo momento das reformas abarca a parte mais importante. Ao reformular o conceito de universidade, estava-se reformulando o próprio conceito de Estado português, naquele momento, propenso a novos projetos e conquistas, para se tornar uma nação mais próspera.
Na década de 1760, a reforma educacional tornou-se uma das prioridades do Governo luso. Apesar da lacuna no quadro de professores, provocada pela expulsão dos jesuítas, o Marquês estava disposto a seguir em frente. Para Maxwell, “As reformas educacionais de Pombal visavam a três objetivos principais: trazer a educação para o controle do Estado, secularizar a educação e padronizar o currículo”.58 Ao que parece, essa convicção de mudar as instituições lusas, em especial o sistema educacional, foi amadurecida durante sua permanência em Londres e em Viena, tempo em que ficou mais sensível às novas ideias de intelectuais como Luís António Verney e António Ribeiro Sanches59. Ao observar os exemplos estrangeiros, Pombal se deu conta de que seu país, se almejasse um lugar entre as grandes nações, deveria modificar seu sistema pedagógico. Nesse cenário, o ano de 1772 é
56
FERRÃO, António. A reforma pombalina da Universidade de Coimbra. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1926, p. 43.
57
TEIXEIRA, Ivan. Mecenato Pombalino e poesia neoclássica... 1999, p. 43.
58
MAXWELL, Kenneth R. Marques de Pombal... 1996, p. 104.
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emblemático para os portugueses, porque marca o início da refundação da Universidade de Coimbra e da criação do ensino primário renovado.
A reforma desta instituição, segundo informações de Falcon,60 passou por duas etapas: “A primeira corresponde às sucessivas providências ordenadas para adaptar a Universidade, especialmente suas condições de ingresso [...] vindo, em 1761, a criação de uma aula de retórica no Colégio das Artes em Coimbra”. A segunda parte da reforma surgiu com a Junta de Providência Literária criada para, entre outras funções, reformar os Estatutos da entidade de ensino. A eficiência dessas mudanças é visível, quando são observadas as mudanças no governo pombalino.
A Junta de Providência Literária era uma comissão para levantar as causas dos problemas estruturais da Universidade.61 Era objetivo da Junta apontar soluções para o problema e isso seria feito com a apresentação de propostas sobre a criação de determinadas disciplinas no currículo e um novo método a ser empregado para que a Coimbra pudesse dar passos qualitativos, e atender a novos propósitos. Incluíam-se nos objetivos da instituição a promoção, sob novas perspectivas, de pesquisas científicas, bem como artísticas e estudos de humanidades.
Ao final de algumas pesquisas, concluiu-se que a Universidade estava em decadência, e a causa era a sua velha maneira de funcionar. A filosofia escolástica tinha perdido, quase completamente, sua utilidade. Aprisionada num passado “obscuro”, a única saída seria o rompimento com a velha concepção, em detrimento das novas disciplinas e métodos, sustentados pela nova ciência. Nesse contexto, a Junta de Providência Literária apresentou, em 1771, o Compêndio Histórico.62 Na mesma data, Pombal foi nomeado para executar a reforma de substituição dos Estatutos, suspensos há um ano. Considerando as limitações estruturais, todo o processo foi relativamente rápido. Um novo regime de estudos foi estabelecido, com base em uma nova pedagogia. Para o Estado Ilustrado português, os princípios da nova ciência, de caráter natural e experimental, eram a base de sustentação das monarquias, que, para sobreviver, necessitavam de um corpus de pensamento distinto do que havia. Nessa perspectiva, só o conhecimento científico poderia proporcionar o êxito das monarquias.
60
FALCON, F. C. Política econômica e monarquia ilustrada... 1975, p. 522-3.
61
CARVALHO, Flávio Rey de. Um iluminismo português?... 2008, p. 49.
62
O Compêndio Histórico, obra prima de Pombal, informa que a velha Universidade, antes das reformas, era composta de quatro faculdades: Teologia, Cânones, Leis e Medicina. Após os novos Estatutos, foram acrescentadas as faculdades de Matemática e Filosofia.63 Somadas às mudanças curriculares, houve alterações metodológicas na forma como operar as novas disciplinas e transformar a sociedade. Também houve uma fragmentação do conhecimento entre as ciências humanas, biológicas e exatas, que, por sua vez, tinham outras subdivisões.64 Essa subdivisão permitiu maior especialização e dinamização do conhecimento, ao contrário da Universidade pré-pombalina, que tinha um só corpo de conhecimento, sem aplicação direta no mundo da natureza e dos homens. De acordo com Flávio Rey de Carvalho, percebe-se que
Das inovações presentadas na reforma, destacaram-se aquelas empreendidas no âmbito do direito e da filosofia (...). A reestruturação da faculdade de Leis e a criação da faculdade de Filosofia estavam em conformidade com as ambições da Coroa lusa daquele momento. Com essas duas esferas de formação, visava-se a proporcionar, respectivamente, o fortalecimento do poder régio e o revigoramento da economia portuguesa por meio do estímulo à pesquisa dos recursos naturais rentáveis em todo o império.65
A Universidade de Coimbra foi um importante meio para muitas das novas realizações do Governo no campo científico, econômico, político e religioso. Com a renovação universitária, vieram outros empreendimentos, que deram suporte ao novo modelo de produção de conhecimento. Entre as instituições paralelas criadas, somam-se um hospital, um teatro anatômico, para a dissecação de corpos, um dispensatório farmacêutico, observatório, gabinete de física experimental, teatro de história natural, laboratório de química, jardim botânico.66 Vários outros empreendimentos de médio e pequeno porte foram necessários para o funcionamento do novo corpo acadêmico.
Joaquim F. Gomes67 afirma que o número de alunos nos novos cursos foi reduzido, especialmente no curso de filosofia e ciências naturais. Mesmo assim, significou mudanças comportamentais importantes referentes à produção de conhecimento, com base na experimentação. Um novo espírito científico, após as reformas educacionais, surgiu em Portugal, e as mudanças foram sensíveis no reino e nas colônias. Até aquele momento, Portugal desconhecera uma reforma dessa profundidade, especialmente na área do conhecimento. Por conta disso, a agregação de novos cursos e a reformulação da faculdade de
63
GOMES, Joaquim F. O Marquês de Pombal e as reformas do ensino... 1982, p. 80.
64
CARVALHO, Flávio Rey de. Um iluminismo português... 2008, p. 101.
65
CARVALHO, Flávio Rey de. Um iluminismo português?... 2008, p. 64.
66
SILVA, Maria Beatriz Nizza da. A cultura luso-brasileira. Da reforma da Universidade à independência do Brasil. Lisboa, Editorial Estampa, 1999, p. 15.
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medicina constituíram a parte mais importante na reforma de 1772, pois seus resultados positivos se materializaram desde então. A nova faculdade de filosofia foi composta por seis disciplinas: lógica, metafísica, ética, história natural, física experimental e química.68
Mesmo que pareçam simples, naquele momento essas mudanças significaram um dos maiores avanços da história da Universidade portuguesa, porque, pela primeira vez, o conhecimento tinha como principal objetivo resolver os problemas do mundo prático; o