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3 2 1 ANAYASALARI YAPAN VE ANAYASALARCA YAPILAN “ĐNSAN”

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3 2 1 ANAYASALARI YAPAN VE ANAYASALARCA YAPILAN “ĐNSAN”

Os discursos coletados foram analisados por meio da técnica de análise lingüística do discurso. Pela técnica, observou-se a construção de narrativas, discutindo-se os achados com o saber científico disponível. Os conceitos e ferramentas da análise lingüística do discurso são aplicados a diversos e diferentes objetos sociais resultantes da interação linguageira (MELLO, 2005). A análise do discurso, utilizada neste trabalho apenas como ferramenta de análise metodológica, visa compreender como uma mensagem é transmitida, explorando o seu sentido (VERGARA, 2005). A análise do discurso possibilita, por meio da investigação de textos escritos e da interação oral, compreender a passagem do subjetivo para o objetivo, configurando-se em uma rica fonte de conhecimento sobre os fenômenos organizacionais (CARRIERI; RODRIGUES, 2001).

Para González Rey (2005), na pesquisa qualitativa é de grande importância a compreensão do processo de comunicação e do processo dialógico, visto que o homem permanentemente se comunica nos diversos espaços sociais em que vive. Tal ênfase centra-se no fato de que grande parte dos problemas social e humana expressa-se, de modo geral, na comunicação das pessoas, de forma direta ou indireta. A comunicação é uma via privilegiada para se compreender os processos subjetivos que caracterizam os sujeitos, assim como as diversas condições objetivas da vida social que afetam o homem. Dessa forma, através do entendimento da comunicação busca-se compreender as diferentes formas de expressão simbólica utilizadas pelo sujeito, que se configuram como vias para o estudo da sua subjetividade.

Faria e Linhares (1993) enfatizam a importância do discurso, compreendido como a combinação de elementos lingüísticos utilizados como forma de expressão de pensamentos e de ação no mundo. Para Maingueneau (2005), o código linguareiro é individual, representa as visões de mundo de cada sujeito.

Na análise do discurso, destacam-se as relações que a linguagem mantém com a ideologia. A ideologia é um fenômeno da realidade “que oculta as relações mais profundas e expressa-as de um modo invertido. A inversão da realidade é a ideologia” (FIORIN, 2005, p. 29). Não há um conhecimento neutro, pois este sempre expressa o ponto de vista de uma classe. Como afirma este autor, “uma formação ideológica deve ser entendida como a visão de mundo de uma determinada classe social, isto é, um conjunto de representações, de idéias que revelam a compreensão que uma dada classe tem do mundo” (FIORIN, 2005, p. 32). Essa visão de mundo se reproduz, então, por meio do discurso. As formações ideológicas ganham existência nas formações discursivas, ou seja, na linguagem, entendida em seu sentido amplo de instrumento de comunicação verbal e não-verbal. Por formação discursiva entende-se que esta

[...] é ensinada a cada um dos membros de uma sociedade ao longo do processo de aprendizagem lingüística. É com essa formação discursiva assimilada que o homem constrói seus discursos, que ele reage lingüisticamente aos acontecimentos. [...] Assim como uma formação ideológica impõe o que pensar, uma formação discursiva determina o que dizer (FIORIN, 2005, p. 32).

Dessa maneira, a formação discursiva deve ser compreendida, a fim de se depreender as determinações ideológicas que nela se materializam. A análise do discurso se propõe a desvelar a visão de mundo dos sujeitos inscritos no discurso. Para tanto, faz-se necessário compreender sua estrutura. Nesse sentido, é importante a diferenciação do que corresponde à sintaxe e à semântica discursiva. Fiorin (2005) afirma que a sintaxe discursiva compreende aspectos como a introdução, ou não, da primeira pessoa no discurso e a utilização de discurso

direto, indireto e indireto livre, dentre outros. São estratégias argumentativas utilizadas a fim de persuadir o leitor, garantindo ao discurso efeito de verdade. Já a semântica discursiva é o campo da determinação ideológica.

Há no discurso, então, o campo da manipulação consciente e o da manipulação inconsciente. A sintaxe discursiva é o campo da manipulação consciente. [...] O campo das determinações inconscientes é a semântica discursiva [...]. A semântica discursiva é o campo da determinação ideológica propriamente dita. Embora esta seja inconsciente, também pode ser consciente (FIORIN, 2005, p. 18-19).

Para a compreensão do discurso e de sua relação com a ideologia, é fundamental o entendimento de duas dimensões: a interdiscursividade e a intradiscursividade. Todo discurso é atravessado pela interdiscursividade, uma relação multiforme com outros discursos, em geral, categorias de oposição. O discurso remete a uma concepção no qual se constrói e a uma oposição desta concepção. Faria propõe “a oposição como categoria para análise das relações entre o intradiscurso e o interdiscurso; essa categoria analítica permite, a partir de um dado discurso, caracterizar o outro discurso, a outra ‘visão de mundo’ em oposição à qual aquele discurso dado se constitui” (FARIA, 2005, p. 257).

Para perceber o contexto interdiscursivo no qual o texto se insere, deve-se tomar como base o intradiscurso presente na narrativa, ou seja, as trajetórias de sentidos desenvolvidas ao longo da narrativa, os percursos semânticos. Na percepção dos percursos semânticos, é importante desvelar os temas e figuras observados, bem como os aspectos explícitos, implícitos e silenciados no decorrer do discurso. As metáforas e metonímias são também elementos importantes presentes no intradiscurso que indicam suas relações com a interdiscursividade e sustentação da argumentação discursiva. As metáforas e metonímias são dados lingüísticos que contribuem para a formação do plano de discurso proposto do enunciador ao enunciatário. A metáfora reside na relação comparativa, ao passo que a metonímia expressa relações de

contigüidade entre parte e todo, e vice-versa (FARIA, 2000). Carrieri (2001) reconhece que a utilização das narrativas e das metáforas construídas pelo sujeito é valiosa fonte de informação sobre os fenômenos organizacionais, destacando que ambas resultam de um processo, de uma construção social da realidade na qual os sujeitos e os grupo estão inseridos. O autor enfatiza também sobre a importância das metáforas como meio de compreensão da apreensão que os sujeitos têm da realidade, além de possibilitar o entendimento dos universos simbólicos envolvidos.

Na análise discursiva, é de grande valia identificar também as estratégias de persuasão ideológica presentes no discurso. Faria e Linhares (1993) identificam como estratégias de persuasão importantes: as personagens discursivas, as relações estabelecidas entre as afirmações explícitas e as implícitas, o silenciamento sobre determinados temas e a seleção lexical. Os autores afirmam que as estratégias discursivas de persuasão ideológica constituem parte da formação discursiva – ou seja, do que é socialmente dito, do que deve ser dito, da visão de mundo do sujeito. O entendimento das relações descritas é importante para se compreender o discurso em profundidade.

Concluindo, compreende-se a dimensão discursiva como uma perspectiva da subjetividade, como produção essencial desta, sem, no entanto, desconsiderar outras dimensões do subjetivo e tampouco o sujeito individual em sua capacidade geradora e crítica em relação aos aspectos discursivos em que transita (GONZÁLEZ REY, 2005). A análise discursiva é utilizada neste trabalho é como ferramenta, auxiliando na compreensão do tecido informacional produzido pelos sujeitos.

A análise dos depoimentos das entrevistas e das fontes documentais foi norteada por um roteiro de análise do discurso5. Dessa forma, buscou-se identificar aspectos como: seleção lexical utilizada, temas e figuras (explícitos ou implícitos) recorrentes, principais percursos semânticos, discurso(s) presente(s) no texto, principais aspectos ideológicos defendidos no(s) discurso(s), principais aspectos ideológicos combatidos no(s) discurso(s) e posição do discurso hegemônico no texto, com relação aos discursos hegemônicos na sociedade em que ele se situa.