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5. ARAġTIRMANIN SINIRLILIKLARI

2.6. Analiz ĠĢlemleri

Na Educação Infantil, a avaliação do desenvolvimento e da aprendizagem da criança ancora-se na Resolução nº 5/2009 (BRASIL, 2009a), que preconiza que as instituições devem criar procedimentos para acompanhar o trabalho pedagógico e avaliar o desenvolvimento integral das crianças. Não há, nessa etapa da educação, uma avaliação que se dedique a promover, selecionar ou classificar as crianças. Na visão contemporânea de Educação Infantil, esses processos são excludentes, restritivos e desconsideram toda a potencialidade que o ingresso em uma instituição pode desempenhar no desenvolvimento e formação da criança nos diversos aspectos (OLIVEIRA, 2012, p. 362).

Segundo o art. 10 das DCNEI, a avaliação na Educação Infantil deve garantir:

I - a observação crítica e criativa das atividades, das brincadeiras e interações das crianças no cotidiano;

II - utilização de múltiplos registros realizados por adultos e crianças (relatórios, fotografias, desenhos, álbuns etc.);

III - a continuidade dos processos de aprendizagens por meio da criação de estratégias adequadas aos diferentes momentos de transição vividos pela criança (transição casa/instituição de Educação Infantil, transições no interior da instituição, transição creche/pré-escola e transição pré-escola/Ensino Fundamental);

IV - documentação específica que permita às famílias conhecer o trabalho da instituição junto às crianças e os processos de desenvolvimento e aprendizagem da criança na Educação Infantil;

V - a não retenção das crianças na Educação Infantil (BRASIL, 2009a, p. 5).

Partindo do exposto na legislação nacional, a SME disponibilizou ao professor da Educação Infantil um documento de orientações intitulado Diretrizes Pedagógicas da Educação Infantil, no qual, além de outros assuntos referentes à ação pedagógica com as crianças de 1 a 5 anos, esclarece a dinâmica da avaliação na rede municipal, bem como os instrumentos a serem utilizados para esse fim (FORTALEZA, 2016b).

Os professores foram orientados a realizar os procedimentos de avaliação partindo da observação das crianças no cotidiano da instituição, seus progressos e reações diante das experiências e interações de que participam diariamente e, para que não se perca na memória, uma vez que essa é falha, deveriam efetuar o registro do que foi observado, configurando, dessa forma, o primeiro procedimento. Além do registro textual das observações e falas das crianças, a documentação pedagógica também serve de subsídios para que o professor possa descrever a história vivida pela criança na instituição ─ fotos, atividades, filmagens, gravações, etc.

A SME orientou, ainda, como o segundo procedimento, o preenchimento do documento oficial denominado Ficha de acompanhamento do desenvolvimento e aprendizagem da criança – Infantil V (Anexo A), a qual foi utilizada no 1º e 3º bimestres do ano letivo. Trata-se de um instrumento para acompanhamento de forma objetiva e traz 48 itens referentes aos aspectos do desenvolvimento e da aprendizagem. As diretrizes da SME (FORTALEZA, 2016b, p. 20) asseveram que: “[...] esse instrumento oferece elementos para nortear a observação do professor a partir das experiências propostas nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil [...]”. Partindo desse argumento, os professores deveriam, cotidianamente, registrar, com base nas suas observações, os avanços das crianças.

Para dar conta desse registro, utilizava-se a legenda C, RM, NO e ANC, conforme detalhamento no quadro a seguir.

Quadro 8 ─ Legenda para a indicação da situação de aprendizagem da Ficha de acompanhamento do desenvolvimento e aprendizagem da criança

Legenda Definição Comentário

C Consolidado

Indica que a criança já possui a referida aprendizagem como desenvolvimento real. Isto é, indica aquilo que a criança consegue fazer sozinha em determinada atividade ou realizar determinada ação.

RM

Realizada

com

Mediação

Indica que a criança depende do professor ou de outra criança que possua a aprendizagem já consolidada para realizar determinadas atividades ou realizar determinada ação.

NO Não

Observado

Indica que o professor ainda não observou esse indicador no desenvolvimento da criança.

ANC Ainda Não Consolidado

Indica que a criança ainda não consegue realizar uma determinada atividade ou ação.

Fonte: Fortaleza (2016b, p. 21).

Dentre os aspectos do desenvolvimento e da aprendizagem constantes na referida ficha, destacam-se, para efeito dessa pesquisa, cinco deles relacionados diretamente à aprendizagem da leitura e à demonstração de comportamentos decorrentes da inserção e interação da criança com a cultura letrada. São eles:

a) identifica a escrita de seu nome completo;

b) apresenta comportamentos leitor, compreendendo a função social da escrita; c) relaciona texto e imagem e antecipa sentidos na leitura de histórias;

d) conhece narrativas literárias identificando nomes e características dos personagens;

e) realiza leitura utilizando-se de hipóteses.

Para Oliveira (2012, p. 366-367), a observação realizada tendo como suporte uma pauta, como é o caso da ficha de acompanhamento mencionada, “pressupõe um alto grau de antecipação” e não pode prescindir de três elementos importantes em qualquer forma de observação das crianças: foco, objetivo e continuidade. Esses elementos são inerentes ao ato de avaliar, não podendo ser esquecidos. O foco, porque direciona o olhar do educador aos aspectos do desenvolvimento mais relevantes da criança ou grupo de crianças; o objetivo, oriundo da inquietação ou da necessidade de conhecer aspectos específicos e respostas às vivências proporcionadas; e a continuidade, como um procedimento permanente extensivo ao longo do tempo em que a criança frequenta a instituição, possibilitando ao educador o conhecimento da individualidade de seus alunos, seus gostos, preferências e reações frente às situações que experienciam.

Complementa a avaliação das crianças da Educação Infantil ─ constituindo o terceiro procedimento avaliativo ─ dois relatórios semestrais. Segundo as diretrizes da SME, os relatórios semestrais devem conter “[...] a síntese das análises, das interpretações, das reflexões, dando visibilidade ao percurso escolar da criança e ao trabalho do professor. [...]” (FORTALEZA, 2016b, p. 21, grifo do autor). Um relatório corresponde ao primeiro semestre e o outro ao segundo semestre letivo do ano em que a criança frequenta a instituição. Os relatórios de avaliação, conforme Hoffmann (2012, p. 88), “[...] representam a memória ressignificada da história vivida pela criança na instituição e favorecem a continuidade de seu processo de aprendizagem.” É, sobretudo, um instrumento portador dos

sentimentos e da interpretação do professor acerca das observações atentas e interessadas na trajetória percorrida pelas crianças no decurso de tempo em que conviveram no ambiente escolar. Revela o grau de envolvimento e relacionamento com o grupo de crianças e com cada uma em particular. É, pois, um documento repleto de sentido.

As valiosas observações registradas por meio dos dois procedimentos anteriores ─ registros das observações e ficha de acompanhamento ─, aliadas à documentação pedagógica, são fundamentais para a tessitura do relatório individual da criança. O relatório semestral elaborado pelo professor em uma matriz própria para esse fim (Anexo B) deve conter, de forma mais abrangente possível, o retrato do desenvolvimento e da aprendizagem da criança. Nesse sentido, coerentes com a concepção de criança e de Educação Infantil expressas nos documentos oficiais, as diretrizes da SME reiteram:

Compreendendo que cada criança apresenta peculiaridades no seu processo de aprendizagem e desenvolvimento, o relatório diverge de uma visão estática e deve considerar o dinamismo desse processo, relatando os fatos cotidianos significativos e que expressem os progressos, as dificuldades, as reações, os sentimentos das crianças (FORTALEZA, 2016b, p. 22).

Os achados da pesquisa revelaram os instrumentos de avaliação a que são submetidos os meninos e as meninas do Infantil V expressos no quadro a seguir.

Quadro 9 ─ Instrumentos de avaliação - Infantil V

Instrumento Objetivo Periodicidade

Caderno de registro das observações

Registrar sucintamente as observações feitas pelo professor das interações cotidianas das crianças e subsidiar a escrita do relatório semestral.

Diário/semanal

Ficha de acompanhamento do

desenvolvimento da criança

Preencher baseado em critérios pré-estabelecidos o desenvolvimento das crianças e subsidiar a escrita do relatório semestral.

Semestral 1º e 3º bimestres

Relatórios individuais

Descrever criticamente o percurso de desenvolvimento vivido pelas crianças em cada um dos semestres do ano letivo.

Semestral 2º e 4º bimestres Fonte: Achados da pesquisa documental.