I. BÖLÜM
1.6 Anadolu’da Ahiliğin Ortaya Çıkışını Hazırlayan Etkenler
O discurso em torno da JOC (Juventude Operária Católica), advindo do próprio fundador ou da militância, apresentou-se muito mais definido, claro, objetivo e mais radical também já nos anos 1950. A JOC foi tomada como modelo de organização, ação e doutrina da Ação Católica. Não é sem razão que a JOC foi considerada o carro chefe da Ação Católica por diversos autores de estudos sobre a mesma. Isso se deve, aparentemente, por ser o setor que primeiro se organizou e, assim, acumulou experiência. Também, por se tratar de um movimento destinado aos jovens operários, teve a vantagem de obter para o catolicismo uma consciência social mais crítica e, a partir daí, pôde exercer sua influência nos outros setores da Ação Católica e, portanto, na transição para o catolicismo progressista.
As contribuições da JOC para as mudanças no catolicismo podem ser consideradas verdadeiramente revolucionárias. Primeiro porque trouxe inovações pedagógicas: esta “insistia para que partisse dos fatos da vida do jovem trabalhador, para analisá-los em suas causas e consequências” e examinar as implicações dessa análise para o “engajamento prático. A ação, o engajamento, a tomada de posição,
95 NEOTTI, Clarêncio. Os leigos estão em primeira linha. A Fé, Bauru, 4 out. 1959. 96 Ibid.
são essenciais ao método”. Depois porque trouxe implicações teológicas e políticas: chamava atenção de que o Reino de Deus estava presente na realidade humana. Cabia ao trabalhador envidar esforços para a construção do Reino. 97
Em reprodução de artigo de Joseph Cardijn, fundador da JOC, “A Fé”, em agosto de 1951, explicitou os objetivos do movimento de Ação Católica para o meio operário juvenil; definiu três finalidades para o movimento: recristianizar a vida diária dos jovens na família, no trabalho e na rua. Destacou-se que não visava apenas a “ensinar o jovem a ir à missa. É a própria vida que quer atingir”. Em segundo lugar, propunha a “recristianização do ambiente”. E o que denomina de “característica mais nova da Ação Católica: a transformação cristã do meio mediante apóstolos desse meio”. E, por último, “deve recristianizar as instituições que regem o meio: a legislação, a escola, o salário”.98
Principiava-se, assim, a disseminar a ideia de que a relação entre a fé e vida cotidiana não deveria ser de ambiguidade, mas sim de unidade e fator de transformação da realidade social. Politicamente, a fé deveria levar ao exercício da reivindicação de direitos sociais:
chamo a atenção sobre o fato de que a JOC nunca separa a vida religiosa da vida temporal. O que ela quer não é ensinar a rezar, porém que os Jocistas se sirvam da oração para recristianizar a própria vida e o próprio ambiente. Não convém jamais separar o culto da vida. [...] enfim, a JOC é corpo representativo da juventude operária. Ela deve poder fazer todas as reivindicações junto das instituições privadas e públicas para defender e sustentar os jovens operários.99
A Ação Católica adotou como mote a expansão do reinado de Cristo sobre o mundo todo e todo o mundo, adentrando todos os ambientes: fábricas, oficinas, escritórios e lares. Ou seja, a recristianização da sociedade. Na festa de Cristo Rei, introduzida por Pio XI, celebrada no mês de novembro, comemora-se o dia da Ação Católica. Através do jornal “A Fé”, o grupo da JOC, até então composto pela ala
97
MARIAE, Servus. Para entender a Igreja no Brasil: a caminhada que culminou no Vaticano II (1930-1968). Petróplois: Vozes, 1994. p. 65.
98
CARDIJN, Joseph. O que é a JOC? A Fé, Bauru, 26 ago. 1951. p. 2. Ressalte-se que já havia um grupo de JOC, em Bauru, na Igreja se São Sebastião, em março de 1951. “A Juventude operária católica Feminina, está promovendo hoje, na Igreja de São Sebastião, em Vila Cárdia, uma festa de confraternização, a fim de levar os seus ideais de moça Operária Cristã, às suas colegas que ainda não ingressaram nas fileiras dessa associação que está se tornando, através dos ingentes esforços dos seus membros, um dos mais belos movimentos da Ação Católica Brasileira”. JOC. A fé, Bauru, mar. 1951. p. 4. Participou das comemorações do dia do trabalhador. CF. SOLENE comemoração do dia do trabalho. Bauru, A Fé, 29 abr. 1951. p. 4. CF. CARDIJN, Joseph. Os três fins da JOC. A Fé, Bauru, 11 nov. 1952. p. 3.
99
feminina do operariado, demonstrando seu orgulho e missão, assim se manifestou: “Avante! Sempre avante! E a JOC neste cantinho de mundo, nesta distanciada Bauru, embora, modestamente, com seu fervor, poderá competir com as demais companheiras de apostolado de todo o Brasil”.100
Pouco se menciona sobre a Ação Católica especializada no período abordado. Porém, em janeiro de 1954, foram divulgadas as conclusões de um encontro diocesano da JOC o que sinaliza sua existência organizada na diocese e a tolerância do clero diocesano em relação à organização do operariado católico. As conclusões do encontro evidenciaram o tom reformista das preocupações de que se ocupava a organização diocesana, característico da Igreja social cristã. Lamentou-se a carência de organizações sindicais “adequadas”, a migração do campo para a cidade em virtude dos baixos salários e das dificuldades da vida no campo; reclamou dos patrões que não observavam a lei ao contratar operários por um determinado salário e pagar um outro menor, aproveitando-se das dificuldades dos jovens que não tinham opções no mercado de trabalho. E também,
constatou-se um afastamento considerável da prática religiosa, e ao mesmo tempo um alastramento do espiritismo e das superstições. Isto se explica pela falta de sacerdotes e de militantes auxiliares da Igreja, assim como pela falta de profundas convicções cristãs, por parte dos católicos.101
Apesar da orientação assistencialista da JOC local, discutiu-se no semanário “A Fé” alguns temas relativos à necessidade de organizações sindicais de orientação Católica e temas relativos à realidade sócio-econômica local. Apesar de aparecerem nas discussões os temas sociais e econômicos, mantinha-se a preocupação da hierarquia em relação à adesão à doutrina católica para a salvação das almas. A referência às “superstições” revela ainda a insensibilidade do clero às formas de pensar e de resolver problemas do dia a dia por parte dos jovens trabalhadores católicos, ou seja, havia dificuldade do clero para concretizar o ideal da JOC de superar a separação existente entre a fé e a vida concreta.
A 25 de agosto de 1957, efetivou-se uma peregrinação mundial da JOC para Roma. A Diocese de Botucatu foi representada, naquele evento, pelo jovem Carlos
100
JOCISTAS de Bauru. A Fé, Bauru, 13 nov. 1953. p. 2.
101 ENCONTRO diocesano da JOC de Botucatu – 16, 17 e 18 de janeiro de 1954. A Fé, Bauru, 14 mar. 1954. p.
Antonio Rosa,102 o que evidencia certo desenvolvimento e representatividade da
organização local. Naquele encontro com o Papa, o jornal salientou a concentração de 30 mil jovens103. Dava-se destaque aos números em função do impacto social e
político do catolicismo no mundo, numa perspectiva de neocristandade.
Na oportunidade, destacou o jornal, que muitos jovens não conheciam a “doutrina libertadora” da Igreja, a única capaz de resolver a questão da opressão, da fome, do sofrimento, da educação dos jovens trabalhadores. Reconhecia que crescia, assustadoramente, o número de trabalhadores no mundo. Enfatizou que o fim do paganismo e o conhecimento da doutrina cristã seriam as soluções para os problemas sociais, resquícios do tom apologético do discurso conservador da Igreja.104
Em meados do ano de 1960, o arcebispo de Botucatu colocou a JOC entre os três movimentos mais importantes da arquidiocese. O que o preocupava era a “situação material, moral e espiritual da mocidade operária, isto é, do jovem, rapaz ou moça, que vive com seu salário”.105 A lembrança de que os jovens também tinham
o direito a uma vida material digna significava um avanço considerável. Com certeza, o desemprego e a pobreza eram fatores determinantes para tornar o jovem uma presa dos comunistas no pensamento do clero.
A posição política de D. Henrique, naquele momento, era de um reformista neste campo de acordo com a autocompreensão da Igreja social cristã: “A JOC, movimento sério e cristão, quer unir o operário ao chefe; que se conheçam, se amem, se ajudem mutuamente”,106 conforme a doutrina social reformista herdada
desde o Papa Leão XIII.
Em fevereiro de 1961, o semanário “A Fé” reproduziu um manifesto divulgado a partir do Encontro Nacional de Empregadas Domésticas, coordenado pela liderança da JOC no qual já apareceram, com clareza, os passos dados pelo movimento para a mudança da Igreja.
O manifesto dirigido a toda a sociedade brasileira iniciava-se revelando que “o momento presente é marcado por uma tomada de consciência da classe operária.
102 A JOC de Botucatu em Roma. A Fé, Bauru, 11 ago. 1957. 103
30.000 JOVENS OPERÁRIOS: concentrados Na Praça de São Pedro em Roma. A Fé, Bauru, 1 set. 1957.
104 25 DE AGOSTO de 1957: peregrinação mundial da JOC. A Fé, Bauru, 28 jul. 1957. 105
TRINDADE, Henrique G. três movimentos importantes. A Fé, 3 jul. 1960. D. Henrique acolheu em sua diocese o encontro da JOC da região Sul para o planejamento das ações para o ano seguinte.
Esta deseja participar do progresso atual do mundo em todos os setores”.107 A
prática do método “ver, julgar e agir” criado por Cardijn conduzia o jocista ao desvelamento da realidade social e política em que vivia e, através da ação prática coletiva, era-lhe facultada a busca de soluções para as questões sociais do mundo do trabalho. Não bastava apenas aderir à moral e práticas sacramentais para que o mundo melhorasse. O cristão passou a ser visto como o prolongamento dos braços de Deus no mundo. Começou-se a compreender que a evolução da história dependia da ação humana e principalmente dos cristãos. Pois, de acordo com Richard “há um dualismo entre a Igreja e a história. A Igreja e os cristãos dão sentido à história, mas são os ‘outros’ que a fazem”.108 Na segunda metade da
década de 1950 a Igreja decide que os cristãos deveriam passar a ser agentes da história com mais razão que os outros.
Deste modo, o manifesto, “representando a maior parcela feminina no mundo do trabalho levantamos a nossa voz pedindo RESPEITO PELA DIGNIDADE HUMANA E DE FILHAS DE DEUS, PELA VALORIZAÇÃO DE NOSSA PROFISSÃO”. 109 O ponto de partida para as mudanças de concepção de Igreja e
sua missão encontrava-se no reconhecimento da dignidade humana e da semelhança do homem com seu criador.110 Deste reconhecimento, se descortinavam
as dimensões políticas e sociais das comunidades cristãs.
Em decorrência desses princípios, o manifesto lista uma série de reivindicações práticas, tais como: respeito e compreensão no ambiente de trabalho; alimentação sadia e normal; habitação conveniente; salário correspondente às necessidades; horário de trabalho que evite horas extras excessivas; férias anuais; possibilidade de frequentar cursos de alfabetização; a profissão deveria ser considerada como qualquer outra e não inferior; participação nos direitos previdenciários.111
O manifesto se encerrava com um apelo dos jocistas para a promoção humana integral que nortearia o catolicismo social cristão: “como dirigentes jocistas, convocamos todas as jovens empregadas domésticas a se unirem a nós na luta pela
107
MANIFESTO DAS EMPREGADAS domésticas. A Fé, Bauru, 12 fev. 1961.
108
RICHARD, 1981, p. 148.
109
MANIFESTO DAS EMPREGADAS domésticas. A Fé, Bauru, 12 fev. 1961. (destacado no original)
110
A Constituição Pastoral “Gaudium et Spes” do Vaticano II reservou todo se primeiro capítulo para o tema da dignidade humana. Cf. GAUDIUM ET SPES. In: Compêndio do Vaticano II: constituições, decretos e declarações. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 1975. p. 143-256.
promoção integral de todas as nossas irmãs de trabalho”.112
O encontro nacional de empregadas domésticas repercutiu em Botucatu onde “as domésticas resolveram organizar um movimento de classe com tendência para organização de um sindicato para obtenção das reivindicações aprovadas no congresso”. Como primeira ação prática, foi divulgado um manifesto readaptado daquele nacional dirigido às “patroas e ao povo de Botucatu”.113
Em 1963, a JOC se utilizou de espaço no jornal “A Fé” para divulgar eventos nacionais que tiveram a participação ou o apoio da mesma. No dia 21 de abril de 1963, a JOC local se manifestou em apoio à greve de Perus - SP, que foi declarada legal pelo poder judiciário.114
Em 28 de julho do mesmo ano, foi divulgado um manifesto da JOC nacional que apresentou reivindicações para a sociedade brasileira naquela conjuntura, em apoio às reformas de base propostas pelo governo: “queremos manifestar o nosso apoio radical às reformas estruturais que o povo brasileiro exige”. As reformas deveriam considerar “o respeito à dignidade da pessoa humana, rejeitando toda solução que torne o homem escravo da máquina, da produção e o Estado”.115
O manifesto declarou apoio a “uma reforma agrária radical”, à reforma urbana, “à reforma da empresa que concede aos trabalhadores a participação na sua direção e nos seus lucros”, à extinção do analfabetismo, à reforma eleitoral com voto do analfabeto e de “toda ingerência externa que impede o nosso desenvolvimento, como nação soberana e livre [...]”.116 Se o manifesto da CNBB apoiou as reformas
propostas pelo governo e alertou para os riscos do marxismo, a JOC tomou uma posição, naquele momento, em apoio à posição do governo e dos bispos que apontavam para uma reforma neo-capitalista.
Em 1963, o Padre Luiz Baldini, formado dentro da nova mentalidade social do catolicismo e ordenado no ano anterior, foi nomeado assistente arquidiocesano da JOC, além de cooperador da Matriz do Divino de Bauru. Ficou registrado que “em
112 MANIFESTO DAS EMPREGADAS domésticas. A Fé, Bauru, 12 fev. 1961. O manifesto do encontro nacional
das empregas domésticas foi divulgado no jornal O Estado de São Paulo no dia 4 fev. 1960, com comentário favorável às reivindicações das empregadas domésticas.
113 Ibid.
114 JOC. Perus: resumo da greve. A Fé, Bauru, 21 abr. 1963. p. 3. 115
MANIFESTO DA JOC. A Fé, Bauru, 28 jul. 1963. p. 4.
116
Ibid. Esse tipo de publicação evidencia que não havia censura para a divulgação de ideias mais radicais. A interpolação de artigos com tonalidades ora de direita e de esquerda demonstra não haver uma linha definida nesse sentido. Ao contrário, havia espaço para divulgação daquilo que fosse aprovado pela hierarquia, independente de posição doutrinária ou autocompreensão da Igreja adotada.
Bauru há um grupo maior que já está em ponto de ser aproveitado em trabalhos apostólicos. Os meninos são poucos”.117
Em abril de 1963, houve um encontro diocesano “da pastoral jocista na cidade de São Manuel [...]. Presidiu-o o Padre Luiz Baldini. Presentes os vigários do Divino, São Benedito e da cidade de Lençóis Paulista e mais alguns jovens trabalhadores e duas irmãs de Jesus Crucificado da comunidade de São Manuel. Em geral, o encontro agradou a todos. Não houve conclusões práticas”.118
No dia primeiro de maio de 1963, “estiveram em Bauru os padres Aristeu Cirilo e Nivaldo Rosa. Aquele para reunião com Jocistas e este, com Jucistas”.119
Foi organizado em Bauru, no mesmo ano, pelo Padre Luis Baldini, o que foi denominado de Congresso de Jovens Trabalhadores, nos dias 8 e 15 de setembro para domésticas, operários e comerciários. O Congresso seria uma oportunidade para que os jovens tomassem consciência dos
graves problemas operários. [...] A classe operária vive uma situação de injustiças: salário de fome, sonegação do salário mínimo, desemprego, exploração do trabalho do menor, falta de união entre os trabalhadores, classe operária esmagada pelo capitalismo, falta de consciência do valor da pessoa do trabalhador. O Congresso é uma ocasião para a juventude trabalhadora tomar consciência de seus problemas e descobrir sua responsabilidade no mundo de hoje.120
O motivo para atrair mais jovens à militância da JOC foi a reflexão sobre o baixo valor do salário mínimo e que nem todos os jovens trabalhadores o recebiam. Aquela situação trazia insegurança e revolta por parte dos trabalhadores. Pois,
pensem onde pode levar a ganância e fome do lucro: ‘E agora, vós, ricos, chorai aos gritos sobre as misérias que vos ameaçam. Está podre a vossa riqueza’ (São Tiago). Boas palavras do Apóstolo para o exame de consciência dos que exploram o salário de seus operários, deixando-os viver na miséria e na opressão. 121
Para justificar a luta pelo salário justo, Padre Baldini lançou mão das encíclicas Mater et Magistra e Pacem in Terris, ao afirmar que a remuneração do trabalho deveria ser feita dentro dos preceitos de justiça; e deveria ser condizente com a dignidade humana. Finalizou Padre Baldini: “os cristãos são chamados a dar uma resposta aos problemas da classe trabalhadora, uma resposta de irmãos, uma
117
Livro Tombo Paróquia do Divino Espírito Santo de Bauru. f. 45, 25 fev. 1962. Arquivo da Paróquia.
118
Ibid., f. 46, 29 abr. 1963.
119 Ibid., f. 46, 1 maio 1963.
120 CONGRESSO DE JOVENS TRABALHADORES. A Fé, Bauru, 8 set. 1963. 121
resposta cristã”.122 Estas ações e discursos em favor da classe trabalhadora são
reveladoras da opção de classe que a JOC protagonizava em nome da Igreja diocesana e indicava uma mudança de autocompreensão da Igreja: a socialmente engajada com o movimento popular. Esta reconhece a existência da ralação opressão-libertação baseada na leitura do evangelho.
Em relação à JUC, foram veiculadas raras notícias sobre a atuação do grupo existente na Faculdade de Filosofia, na Faculdade de Direito de Bauru e Faculdade de Ciências Econômicas. Havia alguns estudantes da Faculdade de Direito de Bauru que também militaram na JUC e mais tarde na Ação Popular.
Entre as poucas notícias veiculadas pelo jornal, sabe-se que houve dois dias de estudo em março de 1963 para o planejamento das ações a serem levadas a efeito naquele semestre. Neste encontro, os temas debatidos foram: “Ideologias: capitalismo, socialismo e cristianismo”.123
Também, em junho de 1963, realizou-se em Bauru um encontro regional da JUC com representantes de Bauru, Lins, Marília e Araçatuba. Os temas estudados foram justamente “Consciência Histórica e Cristianismo” e “Engajamento Profissional” seguidos de círculos de estudos e revisão dos trabalhos.124
Os temas abordados nos encontros e reuniões apontam para a integração da organização dos estudantes católicos da diocese de Botucatu junto ao movimento nacional da Ação Católica. Em Bauru, alguns estudantes que participaram das organizações lideradas pelo clero tornaram-se militantes políticos de esquerda: ‘seus militantes estudavam a fundo as encíclicas sociais e eram influenciados por ideais de esquerda. Através do método ‘ver, julgar, agir’ se discutia a realidade brasileira
122
BALDINI, Luis. Congresso de jovens trabalhadores. A Fé, Bauru, 15 set. 1963. Na mesma página publicou-se um convite aos jovens trabalhadores para participarem da JOC e do congresso, com os seguintes dizeres: ”UNIDOS VENCEREMOS. Jovem trabalhador amigo! Você tem uma função importante na promoção da classe operária bauruense. Você precisa tomar consciência dos problemas que enfrentam seus colegas de trabalho. Olhe em seu redor, no seu trabalho, no seu bairro. Quantos problemas? Salário insuficiente, sonegação de salário, más condições de trabalho. Seus companheiros de trabalho ainda não tomaram conhecimento desses problemas? Que fazer? Venha discutir esses assuntos no: CONGRESSO DE JOVENS TRABALHADORES. [...]”. Ibid.
123
JUC: DIAS DE ESTUDO. A Fé, Bauru, 5 maio 1963.
124 JUVENTUDE ESTUDANTINA CATÓLICA. A Fé, Bauru, 23 jun. 1963. p. 3. Os temas debatidos foram
justamente aqueles propostos pelo Padre Henrique Vaz. Cf. Introdução. Em 8/09/1963, “A Fé” publicou artigo de D. Cândido Padin, assistente nacional da JUC intermediando um diálogo entre esta e a hierarquia que passou a ter dúvidas sobre as atividades do movimento. Segundo a redação do jornal “A Fé”, D. Padin teria a missão de “tomar conta da JUC sobre cujas atividades e ideias pairavam certas dúvidas”. In: PADIM, Cândido. Visão de conjunto da JUC. A Fé, Bauru, 8 set. 1963. O conflito entre JUC e a hierarquia se deu em função da alegada excessiva autonomia do movimento em relação aos setores da hierarquia mais tradicionais.
sempre a procura de alternativas justas de modificar a realidade social do país’.125
Uma das lideranças que se destacou em Bauru foi o jovem Saad Zogheib Sobrinho que militou na JEC (Juventude Estudantil Católica) e depois na JUC como estudante de direito. As reuniões dos grupos ocorriam em salas nos porões da Matriz do Divino Espírito Santo, em Bauru. Segundo Saad,
a JEC compreendia reuniões semanais, alternadas por programas de ação no próprio ambiente ou meio, utilizando a metodologia da enucleação, isto é, identificar um meio ou um núcleo e identificar entre seus membros, o líder ou a pessoa que tivesse um significativo