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BÖLÜM 1: SOSYAL DEMOKRASİ NEDİR?

1.5. Avrupa’da Sosyal Demokrat Hareketlere Tarihsel Bir Bakış

1.5.1. Almanya

As considerações a seguir se baseiam no trabalho desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo S/A (IPT), contratado pela CDHU em 2001 para uma avaliação da execução das suas obras, no âmbito do Programa Guarapiranga e colabora com fortes evidências para identificação do problema desta pesquisa. O objetivo desta contratação está em fornecer elementos técnicos para aprimoramento de diretrizes de intervenção e padrões para elaboração de projetos de urbanização de favelas a serem desenvolvidos pela CDHU.

A metodologia utilizada foi a avaliação de desempenho, adaptando-a para a avaliação de estruturas construídas, conforme se materializam nas urbanizações. Utilizaram-se de requisitos estabelecidos por uma equipe multidisciplinar, constituída por técnicos que atuaram naquele processo, nas multi-especialidades e etapas. O

processo contou com diversas oficinas para discussão dos requisitos preestabelecidos. Outra parte do trabalho contou com entrevistas e visitas aos núcleos selecionados.

As referências bibliográficas utilizadas incluíram relatórios internos da CDHU, do departamento de Gestão, cujo conteúdo também subsidiou o Relatório Final do Programa Guarapiranga (finalizado pela Unidade de Gerenciamento do Programa Guarapiranga - UGP) e de um importante relatório do Departamento de Obras que, além de uma análise retrospectiva do período de implantação das obras, salienta especialmente aspectos de recebimento dos projetos para a execução das obras e aspectos de repasse das obras para os municípios, além de outros da fase intermediária.

A metodologia19 utilizou uma matriz formada por todos os componentes dos sistemas, como água, esgoto, microdrenagem etc, para cada fase do processo (diagnóstico e projetos, execução de obras, repasse e uso e manutenção), analisando diversos itens. Como produto final apresenta uma avaliação global de atendimento aos requisitos de desempenho formulados, demonstrando a necessidade de desenvolvimento nos campos técnicos, institucionais e gerenciais, além de apresentar um roteiro de recomendações.

Há aspectos relevantes, especialmente de natureza gerencial, os quais extrapolam a metodologia escolhida. A influência da estrutura da CDHU, os fluxos e a interdependência departamental para implementação da ação de urbanização implicam num produto diferenciado em relação a sua linha produtiva de conjuntos habitacionais. Seu aparelhamento e a capacitação técnica20 dos agentes envolvidos na intervenção em favela constitui-se em dificuldades que permeiam todas as fases e atividades, colaborando para causas de sucesso e insucesso da experiência.

Cabe ressaltar que até a implementação do Programa Guarapiranga eram pouco disseminadas as experiências, sobretudo havia pouca disponibilidade de profissionais capacitados e com uma visão holística sobre a cidade, sobre cada sítio e cada produto do empreendimento, não havendo quase nenhum parâmetro.

19 Metodologia de avaliação de desempenho dos diferentes elementos analisados.

20 Questiona a capacitação geral dos técnicos da Companhia que participam da cadeia produtiva das

Relata-se neste trabalho a ampliação de requisitos propostos nas oficinas, demonstrando ansiedade dos participantes em discutir o tema, assim como a oportunidade proporcionada. Esta oportunidade de reflexão, principalmente em uma análise cruzada (verdadeiramente multidisciplinar), se constituiu numa grande experiência, pois a rotina do trabalho dos diferentes técnicos acaba não permitindo este momento de troca e de discussão.

O trabalho compreende uma longa análise e não cabe aqui detalhá-la, porém vale citar alguns trechos que fazem menção à implementação dos projetos em campo. Destaca-se a defesa pela necessidade de projetos executivos, obrigatoriamente, para subsidiar a contratação de obras, apesar de considerarem a necessidade de contratação de um ATO para efetuar as adequações necessárias em campo.

Esta referência vem do relatório da gerência de projetos, parte do relatório final da CDHU, para o Programa Guarapiranga.

A despeito da ocorrência de transformações, é nossa opinião que os projetos devam ser desenvolvidos até sua fase executiva, e é este produto que deve ser avaliado durante a execução das obras.

A proposta de se iniciar as obras, tendo como orientação os projetos básicos, não se sustenta sob o argumento de que as áreas estão em permanente transformação, [...] o acompanhamento técnico por parte de projetistas é imprescindível para o bom andamento das obras, [...], mas a execução das obras deve se orientar pelos projetos executivos. (CDHU, 2001)

Consideram ainda que os projetos só se complementam ao final das obras, devendo ser implantados com os projetos sociais para a intervenção, o uso e a manutenção. A avaliação de um projeto se dá pelos seus resultados finais. Sem ações de complementação no pós-ocupação, caberiam apenas avaliações parciais.

Julgam ser absolutamente necessária a execução de projetos e de obras sob padrões técnicos adequados garantindo seu uso, manutenção e conservação. Salientam ser também necessário definir padrões específicos para a ação em favela. Sua defesa se faz pela garantia de detalhamentos suficientes para a sua execução, tal que garantam qualidade e perenização das obras construídas.

“O que ficou evidenciado, é que a execução dos projetos deverá ser complementada, pois cada intervenção interfere ou depende de outra, o que faz com que a perenização das obras dependa da execução da totalidade do projeto”.

A avaliação do IPT cita também diversos aspectos apontados pelos atores da fase de obras21, colaborando para este debate:

Ocorreram diferenças de quantitativos e de serviços em relação à previsão de recursos na licitação baseada no projeto básico, projetos desatualizados após dois anos de sua elaboração, houve necessidade de serviços não previstos, além de falta de familiaridade dos técnicos com o sítio, com a leitura das peças técnicas e com a atividade multidisciplinar.

Constata-se que parte das diferenças deveu-se ao detalhamento insuficiente para sua quantificação e outra parte deveu-se à defasagem pelo tempo, as imponderabilidades e a falta de capacitação dos técnicos para a ação de urbanização. Isso demonstra que as dificuldades não estão somente na discussão sobre a pertinência dos projetos executivos ou não. Há muitos outros elementos envolvidos.

Quanto aos produtos resultantes dessa avaliação, verifica-se uma extensa listagem de recomendações:

- Ter o projetista no campo (indispensável).

- Contratar a obra com Projeto Executivo, subsidiado por acompanhamento técnico na fase de execução.

- Aprimorar os termos de referência de contratação de projetos e de obras.

- Buscar a construção de indicadores para subsidiar decisões.

- Ampliar as propostas do núcleo quando influírem no seu entorno e vice- versa.

- Elaborar mapas de risco e rotinas de inspeção.

21 As obras foram licitadas pelo projeto básico. No espaço de tempo entre este momento e o início

- Construir padrões e diretrizes para favelas.

Outros aspectos citados detalham necessidades relativas ao lote, como, por exemplo, a dificuldade de garantir adequadas ligações domiciliares de água, esgoto e drenagem superficial dos quintais aos sistemas públicos e o risco de perda das obras em detrimento das alterações na moradia ou no lote, posteriormente à urbanização da área.

Quanto a estes riscos, fazem referência a análise sobre habitabilidade, salubridade e a previsão de critérios para esta avaliação, a serem alcançados na fase de implantação. Sugere inúmeras vezes a necessidade de “pactos com a população”, além de assessorias para orientar ampliações e novas construções. Trata-se, entretanto, de um importante gargalo para garantir sua sustentabilidade.

Finalmente, apresenta um grupo de recomendações gerais referindo-se a aspectos institucionais, relações da CDHU com contratados e com a comunidade e a necessidade de capacitação da própria empresa. Outras recomendações extrapolam para alterações estruturais, conceituais e a construção de indicadores diversos. Cabe, entretanto, inserir estas necessidades nas discussões da Companhia.

A CDHU promoveu novas discussões com o grupo, produzindo um novo texto consolidado, de fácil leitura e divulgação. Buscou ao mesmo tempo ampliar e detalhar essas recomendações e ainda sistematizá-las a uma leitura facilitada (resumindo as recomendações mais emergenciais) e também incluir recomendações acrescentadas pela UGP e pelas concessionárias.

A ação de urbanização de favelas parte de uma visão macro-estrutural, num nível de tomada de decisões estratégicas, objetivos e metas, decrescendo para escalões subseqüentes, porém ampliando horizontalmente a quantidade de atividades paralelas.

Dessa complementação denominada “Sistematização das Recomendações Técnicas para Intervenções em Urbanização de Favelas”22 (CDHU, 2004), pode-se destacar:

a) Recomendações técnicas de caráter geral:

- Articular os planejamentos de projeto, obras e social.

- Realizar ao final da obra o as built e sistematizar todos os dados socioeconômicos para repasse da intervenção aos órgãos responsáveis pela manutenção e continuidade das ações.

b) Recomendações técnicas de caráter específico:

- Atender integralmente os domicílios com água, esgoto e unidades sanitárias, não esquecendo as edificações limítrofes.

- Prever substituição de moradias precárias, disponibilizando-se de alternativas para alojar as famílias.

c) Recomendações gerenciais / institucionais:

- Utilizar instrumento de modificações de soluções em obras (ATO) com base em acordos entre projetistas e equipe multidisciplinar de acompanhamento.

- Implantar comissões de acompanhamento das intervenções conforme previsto nas ZEIS ou legislações semelhantes.

- Prever a educação ambiental e treinamento para uso dos sistemas. - Estabelecer períodos de transição para a entrega das obras,

promovendo eventos, formalizando-se este momento. - Estabelecer indicadores para avaliação das intervenções.

Merecem destaque também as recomendações técnicas para as etapas do processo em novas intervenções:

a) Licitações:

- Estender a participação do projetista à fase de obras. - Utilizar instrumentos de modificações de soluções em obra.

- Realizar análise de impacto a cada proposta de modificação. b) Elaboração de projeto

- Mapear situações de risco por métodos apropriados. - Mapear os riscos sanitário e estrutural das moradias.

c) Critérios para soluções de projeto e execução de obras:

- Articular a elaboração dos projetos executivos com o plano de obras, realizando-o próximo da sua implantação, buscando evitar incompatibilidades entre o projeto previsto e a realidade.

- Adotar critérios com base na noção de custo-benefício para tomada de decisões em cada parte do projeto (alterações, relocações etc).

- Prever a execução das ligações domiciliares de água e esgoto. d) Execução de obras:

- Elaborar o Plano de Obras por equipe multidisciplinar (projetos, obras, equipe social e empresa contratada).

- Atualizar o mapeamento socioeconômico das famílias e a caracterização dos domicílios.

- Verificar sempre o levantamento topográfico cadastral realizado para a elaboração do projeto executivo e a situação real do assentamento, devido à grande mobilidade das famílias nos núcleos.

- Analisar as seqüências executivas.

São previstas outras recomendações para as demais etapas: repasse da obra; gestão do processo produtivo; integração técnica (CDHU, projetista, gerenciadora e empreiteira), educação ambiental e treinamento para o uso e avaliação de desempenho técnico e satisfação do usuário.