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3. Türkiye‟de Yabancılar Meclisi Örneği

3.1. Alanya Yabancılar Meclisinin KuruluĢu Ve Yasal Dayanağı

O objetivo deste item é fazer uma apresentação da graduação em Letras da UFMG. Não é nossa intenção fazer uma análise da matriz curricular, mas sim discutir aspectos do curso que possam impactar o valor do diploma de licenciatura em inglês. A estrutura curricular apresentada aqui se refere ao curso atual e não corresponde exatamente ao contexto acadêmico no qual os egressos analisados se formaram. Os egressos analisados nessa pesquisa entraram para a graduação em Letras entre os anos de 1999 e 2005 e, desde então, o curso passou por mudanças em sua matriz curricular. Entretanto, ainda que tenha havido alterações, à época da entrada desses alunos na UFMG, o curso de Letras já oferecia a licenciatura plena em língua inglesa, a opção das modalidades de bacharelado ou de licenciatura, e habilitações em diversos idiomas. Além disso, já possuía o Centro de Extensão, doravante CENEX, e oferecia aos alunos da graduação oportunidades de se engajarem em atividades acadêmicas como projetos de pesquisa e monitoria.

O atual de Letras da UFMG oferece nove habilitações: Alemão, Espanhol, Francês, Grego, Inglês, Italiano, Latim, Linguística e Português. A opção da habilitação é feita pelo aluno ingressante já no primeiro período do curso. Além do idioma a ser estudado, o aluno deve escolher entre as modalidades de licenciatura ou bacharelado. Dentro da licenciatura, o aluno pode optar por fazer uma licenciatura simples (formando-se em um idioma) ou uma licenciatura dupla (formando-se em dois idiomas, sendo um necessariamente a língua portuguesa). Essa opção é feita pelo aluno a partir do quinto período. Segundo a descrição da estrutura curricular do curso de Letras obtida no site da faculdade, a licenciatura prepara o aluno para a docência e as disciplinas oferecidas na grade curricular visam “desenvolver o espírito criativo do futuro professor, o

conhecimento de técnicas e reflexões desenvolvidas na área da linguística aplicada ao ensino e na didática”. Já o bacharelado prepara o aluno para atividades profissionais fora

da docência, como “a tradução, a edição e a editoração de livros, a fonética clínica, a

linguística forense”. Pode, também, abrir “uma ponte entre as áreas de pós-graduação existentes na FALE8 e o aluno da graduação”. Vale ressaltar que além do estudo sobre

aspectos linguísticos das LEs e da língua portuguesa, a graduação em Letras da UFMG possibilita o contato do estudante com cânones da literatura nacional e internacional e com outros aspectos da linguagem e da cultura legítima de outros países, o que pode acrescentar um traço de distinção ao curso da UFMG. O quadro da próxima página apresenta a oferta atual do curso:

Quadro 1: Habilitações e Modalidades do Curso de Letras da UFMG.

MODALIDADE Licenciatura Bacharelado

HABILITAÇÃO Diurno Noturno Diurno Noturno

Português X X X X Inglês X X X X Alemão X Espanhol X X Francês X Italiano X Grego X Latim X Linguística X Português-Francês X Português-Alemão X Português-Italiano X Português-Grego X Português-Latim X

Fonte: Matrizes Curriculares, FALE, 2007.

De acordo com o quadro apresentado, tanto as línguas clássicas quanto o Francês e o Italiano são oferecidos somente no turno diurno e na modalidade bacharelado, o que sugere que muito provavelmente os estudantes desses cursos não tenham a necessidade urgente de se inserir no mercado de trabalho e que possam cursar toda a graduação no período da manhã. Ainda que optem por fazer a licenciatura dupla, essa opção só é oferecida no período diurno. Além disso, a escolha por uma licenciatura dupla significa também um investimento de tempo, já que são necessários dez semestres para a obtenção do diploma, em vez dos oito semestres requeridos para a licenciatura simples ou para o bacharelado. O caráter distintivo desses cursos também pode ser percebido no valor simbólico dos idiomas. Além de limitar a atuação profissional ao Ensino Superior, a formação nas línguas clássicas tem forte caráter erudito, o que por si só já é um traço distintivo. As línguas francesa e italiana, de acordo com Prado (1995), são associadas a alta cultura e sofisticação, o que também possivelmente confere certo grau de distinção ao curso.

Apesar de ser oferecida somente no período noturno, o que poderia indicar menor prestígio devido ao caráter prático relacionado à uma possível inserção no mercado de trabalho, a habilitação em Alemão só é oferecida na modalidade de bacharelado ou na licenciatura dupla. Assim como nas habilitações em Francês e Italiano, essa característica sugere que os estudantes dessa habilitação possuem disponibilidade para um investimento

maior tanto em relação ao tempo despendido no curso de graduação quanto em relação ao investimento no aprendizado de uma LE não tão comum quanto Inglês ou Espanhol. É interessante notar que o estudo de Prado (1995) sobre o valor das LEs aponta para uma ideia mais pragmática do uso da língua alemã. Apesar do valor simbólico, ela está mais associada à inserção no mercado de trabalho e assuntos técnicos e não é vista como sinal de sofisticação como a língua francesa, por exemplo.

As habilitações em Inglês e Espanhol são as únicas que oferecem a modalidade de licenciatura plena. Assim, os estudantes desses idiomas têm a opção de obter o diploma de licenciatura em apenas uma LE, não uma licenciatura dupla, como no caso dos outros idiomas. A habilitação em Espanhol é oferecida somente no período noturno enquanto a habilitação em Inglês é oferecida tanto no período noturno quanto no diurno. A oferta da licenciatura plena nesses dois idiomas parece atender uma demanda do mercado de trabalho, que, segundo os fundamentos conceituais do curso, é uma das preocupações do curso de graduação (FALE, 2007). Aqueles que buscam essas habilitações provavelmente terão mais oportunidades de emprego, já que o Inglês e o Espanhol são as línguas mais ensinadas tanto no ensino regular quanto em escolas de idiomas.

Tendo em vista um curso com tão ampla oferta de habilitações, é possível supor que exista grande heterogeneidade no perfil dos alunos da graduação em Letras da UFMG. O Censo Socioeconômico e Étnico dos Estudantes de Graduação da UFMG (BRAGA e PEIXOTO, 2006, p. 13) não apresenta informações específicas sobre os alunos de acordo com as modalidades (bacharelado e licenciatura) e habilitações oferecidas pelo curso (Alemão, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Português, Grego ou Latim), mas tanto alunos quanto professores da universidade observam empiricamente a existência de um perfil bastante distinto de alunos nas diferentes modalidades e habilitações do curso de Letras.

Em sua pesquisa de mestrado, Silva (2010) investigou as estratégias de rentabilização do diploma de licenciatura realizadas por alunos do curso de Letras da UFMG e a relação entre essas estratégias e o perfil sociocultural dos estudantes. O trabalho não teve como objetivo analisar alunos de uma habilitação específica, mas apresentou resultados que evidenciaram as diferenças nos perfis e nas estratégias de alunos que optavam por uma habilitação em LE. A pesquisa demonstrou que os alunos das licenciaturas em LEs apresentam estratégias e perfis bastante distintos quando se leva

em consideração o idioma da habilitação escolhida por eles, devido, principalmente, às diferenças de valor dos próprios idiomas nos mercados simbólicos. Por ter maior número de falantes e ser o idioma mais ofertado tanto em cursos livres como no ensino básico, o Inglês possui um caráter menos distintivo que outras LEs modernas, como Francês, Italiano e Alemão. Por outro lado, é mais fácil se inserir no mercado escolar por meio do conhecimento da língua inglesa que pelo domínio dos outros idiomas.

Uma das conclusões destacadas pelo pesquisador foi a de que os alunos com maior capital cultural investem na docência em cursos livres de idiomas, em experiências no exterior e em disciplinas da área de literatura, por serem mais valorizadas que as disciplinas relacionadas diretamente ao ensino. Apesar de declararem se sentir preparados para atuar como professores de idiomas no ensino básico, esses alunos rejeitam a ideia de atuar nesse campo específico do mercado escolar. Aqueles alunos que viveram algum tempo em um país estrangeiro apresentam maior rejeição à docência no ensino básico. Dados semelhantes foram verificados nas entrevistas com os egressos analisados neste trabalho e serão apresentados mais à frente.

Os resultados da pesquisa de Silva (2010) mostram relação direta com aqueles de pesquisas sobre baixa atratividade da carreira docente. Alunos de camadas mais altas tendem a rejeitar o magistério em razão da desvalorização da profissão de professor. É interessante notar que esses estudantes investem na docência em cursos livres, sugerindo que, apesar da desvalorização da LE no ensino básico, os cursos de idiomas continuam tendo um traço distintivo que na visão dos alunos compensaria a desvalorização da profissão docente.

Apesar de menos valorizado dentro da hierarquia dos cursos de graduação, o curso de Letras da UFMG é bem avaliado e pode ser considerado uma referência no estado de Minas Gerais e no país, não somente pelos resultados alcançados em avaliações externas, mas também por ser oferecido por uma universidade de renome. O desempenho do curso de Letras da UFMG no ENADE também é considerado bom, já que o curso recebeu nota 4 na última avaliação, feita em 2011. Nas avaliações de 2005 e 2008, o curso obtivera nota 5, o conceito máximo dessa avaliação. Além disso, a despeito do pouco prestígio dentro do universo dos cursos de graduação oferecidos pela UFMG, o fato de oferecer habilitações como Latim, Grego e seis LEs modernas, sendo o Espanhol e o Inglês ofertados como licenciaturas plenas, sugere que o curso de Letras da UFMG possui uma

estrutura que o coloca no grupo das melhores faculdades de Letras do país. Mesmo dentre as universidades públicas, são poucas aquelas que oferecem tantas habilitações.