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Alanya Yabancılar Meclisinin Üye Seçme Usulü ve Üyeliğin Sona Ermesi

3. Türkiye‟de Yabancılar Meclisi Örneği

3.5. Alanya Yabancılar Meclisinin Üye Seçme Usulü ve Üyeliğin Sona Ermesi

Os depoimentos sugerem que o perfil dos alunos parece interferir diretamente no trabalho dos professores e na implantação do projeto pedagógico da escola. Na escola José Reis, os alunos são mais velhos e, segundo o diretor, estão lá por sentir necessidade de continuar os estudos para permanecer ou se inserir em um mercado de trabalho cada vez mais exigente. Assim, o diretor da escola diz que, apesar de apresentarem graves deficiências em sua formação e de, por vezes, terem uma relação conflituosa com o universo escolar, os alunos tendem a se envolver e se dedicar minimamente ao dia a dia da escola.

Por meio do depoimento do diretor da escola José Reis, é possível perceber que os alunos dessa instituição têm consciência da importância de um conhecimento formal e retomam os estudos no intuito de permanecerem inseridos não só no mercado de trabalho, mas no mundo social. Segundo Charlot (2007), não só o mercado de trabalho tornou-se mais exigente em relação à qualificação do trabalhador, mas as próprias atividades

cotidianas têm se tornado mais complexas e exigem mais conhecimento formal dos indivíduos. De acordo com Charlot, a preocupação em melhorar o nível de educação formal das pessoas em geral tornou-se um imperativo econômico, social e cultural (CHARLOT, 2007, p. 26).

A escola Capanema oferece três turnos de Ensino Médio. De acordo com o vice- diretor, o perfil dos alunos é bastante parecido nos períodos matutino e vespertino. Segundo o diretor, os jovens matriculados nesses turnos têm algum conhecimento a mais sobre o sistema de ensino e, por isso, optam por matricular-se nessa instituição, já que ele acredita que essa é uma escola tradicional que ainda consegue oferecer um ensino de qualidade quando comparada a outras escolas da rede estadual. Assim, segundo o vice- diretor, é possível desenvolver um trabalho de qualidade e muitos alunos saem da instituição preparados para prestar os exames seletivos para entrada em universidades

[...] Ainda que ele seja das... do que na academia eles chamam de classes populares, eles são o topo da classe popular, não é? Muito provavelmente. É. Pode ser que ele tenha um certo esclarecimento. Porque aquilo que... aquela coisa que eu chamo de desajustado mesmo, socialmente falando, ele não fica aqui. Não é o ambiente... ele mesmo se exclui. Ele mesmo vai... já vai embora. (Vice- Diretor de Estadual Capanema)

No turno da noite, os estudantes trabalham durante o dia na região e matriculam-se na escola Estadual Capanema para ir direto do trabalho para as aulas. De acordo com o diretor, o nível de conhecimento dos alunos do período noturno é inferior ao dos alunos dos períodos da manhã e da tarde. No entanto, assim como o diretor da escola José Reis, ele reconhece o envolvimento e o comprometimento desses estudantes com a escola e com os estudos.

A situação é diferente na escola Zélia Gattai. O depoimento do coordenador indica que a escola enfrenta grande dificuldade para lidar com um perfil de aluno desinteressado e desrespeitoso, e em inserir todos os programas exigidos pela prefeitura. Segundo o coordenador, isso acabou tendo um impacto negativo no trabalho do professor, que tem adoecido e faltado mais, e no desempenho dos próprios alunos:

[...] A escola tinha seus instrumentos, não é? Vamos dizer, de... de disciplina, de norma, e tal.... Tinha reprovação, não é? Então, no meio do caminho aí, algumas coisas foram acontecendo... Primeiro foi ... a equivocada interpretação do estatuto da criança... Que se falava muito em direito e... não ventilava muito os deveres. [...] Na sequência, veio um programa da prefeitura de escola plural, que não tinha reprovação, que ficou todo mundo perdido... o alunado também. E juntando... na sequência também, vieram a questão da... da inclusão, do direito à escola e agora a pressão que todo mundo tem que estar na faculdade,

tem que estar na escola e isso aí tornou muito mais heterogêneo esse alunado na escola. (…) E, ao mesmo tempo, a escola começou a absorver uma série de programas... Programas e de problemas ... e não temos outra alternativa, não é? (Coordenador de série da escola Zélia Gattai)

Esse depoimento demonstra a dificuldade da escola Zélia Gattai em descobrir como lidar com as novas demandas e um novo perfil de aluno. Segundo o coordenador, a escola tinha instrumentos para manter a disciplina sobre controle. No entanto, para ele, com a ausência de reprovação, com uma interpretação equivocada do estatuto da criança e do adolescente, com a questão da inclusão, e da absorção de outros programas, a impressão que se tem é que ficou praticamente impossível ensinar. O depoimento do coordenador sugere uma desorganização total da instituição escolar.

Além disso, é interessante observar que a distância entre o mundo dos jovens estudantes e esse novo contexto escolar parece gerar não somente um mal-estar nos docentes, mas também um ambiente muito pouco favorável para o processo de ensino e aprendizagem. Segundo Fanfani (2009), os adolescentes e jovens possuem uma cultura social composta por conhecimentos, valores e atitudes que não coincidem necessariamente com a cultura escolar e com o currículo que a escola pretende desenvolver (FANFANI, 2009, p. 58). Nesse contexto, de acordo com o pesquisador, a escola perdeu o monopólio de transmissora de conhecimentos que agora se tornaram mais diversificados, fragmentados, flexíveis e instáveis. Assim, o mundo escolar e o mundo social dos alunos se encontram e se enfrentam no espaço da escola, o que pode gerar conflitos e desordem.

Na escola estadual Capanema, o vice-diretor diz não ter problemas sérios de indisciplina. Ele acredita que uma das explicações para essa situação aparentemente distinta do contexto da maioria das escolas públicas é o perfil do aluno atendido pelo colégio, que, pela sua descrição, parece ter uma lógica socializadora mais próxima das práticas e da lógica do mundo escolar. No entanto, quando questionado sobre o engajamento dos alunos nas aulas de inglês, o vice-diretor menciona o desinteresse dos alunos em relação ao ensino de todas as matérias. Assim, apesar de não vivenciar um cenário de indisciplina, a escola Estadual Capanema compartilha com as outras escolas o problema da falta de interesse dos alunos em relação ao conteúdo das matérias:

[...] Há uma... há uma... há uma angústia generalizada não é contra o inglês, é contra qualquer coisa. [...]. Um desinteresse total. Por parte do aluno. Não é inglês, é qualquer matéria. Agora, o desinteresse aumenta na medida que você continua naquele tradicionalismo da aula expositiva. Que também depende do

expositor, e da exposição e daquilo que está sendo exposto. Eu, [...] Débora, tenho os meus questionamentos em cima, às vezes, desse professor que está em sala de aula hoje, reclamando. E aí você tem um efeito meio que perverso, não é? Um ciclo perverso. Porque eu reclamo que ganho pouco, por isso eu dou mal as aulas, por outro lado o aluno também não aprende porque também não tem interesse, fica assim... vira aquela bola. (Vice-diretor da escola Estadual Capanema)

É importante notar que em seu discurso o vice-diretor parece perceber o professor como um dos responsáveis pelo desinteresse dos alunos, o que coincide com o resultado apresentado por Silva e Matos (2012) sobre as práticas pedagógicas dos professores como um dos fatores geradores de comportamentos de indisciplina. Assim, de acordo com o depoimento do vice-diretor, a prática do professor parece ter relação com o maior ou o menor interesse do aluno pela matéria.