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5. TÜRKİYE’DE İNŞAAT SEKTÖRÜNDE PROJE YÖNETİMİ

5.5 Alan Araştırmasının Değerlendirilmesi 142

Uma vez referenciado o posicionamento dos “serviços” no cenário econômico, os esforços para conceituá-los e como vêm se situando no âmbito das inovações, conforme os modelos anteriormente postos em destaque, chegou a hora de se estabelecer um fio condutor com a prática, onde a teoria até então apresentada tem a chance de se comprovar dentro da realidade, a partir de alguns indicadores, os quais, no presente estudo, serão de natureza qualitativa.

Com efeito, esse exercício terá como aplicação o AGROAMIGO, serviço inovador e espécie de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), cujo arcabouço, doravante, passa a ser retratado.

48 No Brasil o financiamento direcionado para o microempreendedor rural é realizado basicamente dentro do PRONAF, o qual foi criado por meio do Decreto 1946, de 28.06.1996, cujas normas foram consolidadas na Resolução 2310, do Conselho Monetário Nacional, em 29.06.1996 (BANCO DO NORDESTE, 2011a).

De acordo com a Secretaria da Agricultura Familiar (SAF), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), o PRONAF “financia projetos individuais ou coletivos, que gerem renda aos agricultores familiares e assentados da reforma agrária” (BRASIL, 2011), mediante a aplicação de taxas de juros diferenciadas em compatibilidade com o porte e capacidade de pagamento desses agentes produtivos.

Em sua gênese, a expressão “agricultura familiar” contou com os estudos realizados por Ricardo Abramovay, em 1991, tendo recebido o reforço de Veiga, ao realizar estudos de interesse da Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO∕INCRA) em 1994, procurando este estabelecer uma distinção entre a agricultura patronal, bem sucedida, e os pequenos agricultores, sequiosos por uma política que pudesse atender suas peculiariades (BASTOS, 2006, p. 80).

Segundo Belik (1999), o que hoje conhecemos como agricultor familiar era em passado recente considerado miniprodutor rural dentro do enquadramento preconizado pelo Manual de Crédito Rural - MCR, do Banco Central do Brasil (2011), aspecto que colocava seus projetos de finaciamento em desvantagem relativamente aos demais agropecuaristas, já que deveriam seguir o mesmo fluxo de atendimento estabelecido pelas instituiçõs financeiras, cujo desenho era mais direcionado aos grandes produtores.

A fragilidade de suas estruturas produtivas devido as adversidades climáticas, falta de assessoria técnica e extensão rural adequada, ausência de orientação empresarial que lhe permitisse enfrentar as exigências dos fornecedores e colocar seus produtos em condições

49 mais favoráveis no mercado, potencializavam as desigualdades perante os pares com maiores condições de suplantar essas dificuldades.

Nas palavras de Maciel (2008):

O objetivo do PRONAF é fortalecer a agricultura familiar mediante o financiamento da infraestrutura de produção e de serviços agropecuários e atividades não agropecuárias, com o emprego direto da força de trabalho do produtor rural e de sua família, com vistas à geração de ocupação e renda, objetivando o exercício da cidadania dos agricultores familiares e a melhoria da qualidade de vida (MACIEL 2008, p. 66):

O Manual de Crédito Rural - MCR (BACEN, 2011) estabelece que podem ser beneficiários do PRONAF as pessoas que façam parte de unidades familiares de produção rural e cujo enquadramento esteja dentro das seguintes exigências:

I. Explorem parcela de terra na condição de proprietário, posseiro, arrendatário, parceiro ou concessionário do Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA); II. residam na propriedade ou em local próximo;

III. não disponham, a qualquer título, de área superior a 4 (quatro) módulos fiscais, quantificados segundo a legislação em vigor; obtenham, no mínimo, 70% (setenta por cento) da renda familiar da exploração agropecuária e não agropecuária do estabelecimento;

IV. tenham o trabalho familiar como predominante na exploração do estabelecimento, utilizando apenas eventualmente o trabalho assalariado, de acordo com as exigências sazonais da atividade agropecuária, podendo manter até 2 (dois) empregados permanentes;

V. tenham obtido renda bruta familiar nos últimos 12 (doze) meses que antecedem a solicitação da DAP acima de R$6.000,00 (seis mil reais) e até R$110.000,00 (cento e dez mil reais), incluída a renda proveniente de atividades desenvolvidas no estabelecimento e fora dele, por qualquer componente da família, excluídos os

50 benefícios sociais e os proventos previdenciários decorrentes de atividades rurais (Res 3.559; Res 3.731 art 2º).

É suficiente para comprovar sua condição de agricultor familiar aqueles(as) que apresentem perante as instituições financeiras a Declaração de Aptidão ao PRONAF (DAP), cuja emissão pode ser feita pelos agentes credenciados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), como é o caso dos Sindicatos de Trabalhadores Rurais.

Na forma prevista pelo Manual de Crédito Rural – MCR (BACEN), o PRONAF também pode ser concedido a pescadores artesanais, extrativistas, silvicultores, aquicultores, maricultores e psicultores.

O Quadro 4 demonstra as finalidades para onde os créditos do PRONAF, basicamente são destinados, conforme disposição da Secretaria da Agricultura Familiar (SAF, 2012):

Quadro 4 – Linhas de Crédito Oferecidas pelo PRONAF

Linha de Crédito Destinação

Custeio Financiamento das atividades agropecuárias e de beneficiamento ou industrialização e comercialização de produção própria ou de terceiros agricultores familiares enquadrados no PRONAF.

Investimento Financiamento da implantação, ampliação ou modernização da infraestrutura de produção e serviços agrocupecuários, no estabelecimento rural ou em áreas comunitárias rurais próximas.

PRONAF Agroindústria

Financiamento de investimentos, inclusive em infraestrutura que visam o

beneficiamento, o processamento e a comercialização da produção agropecuária e não agropecuária, de produtos florestais e do extrativismo, ou de produtos artesanais e a exploração de turismo rural.

PRONAF Agroecologia Financiamento de investimentos dos sistemas de produção agroecológicos ou orgânicos, incluindo os custos relativos à implementação e manutenção do empreendimento.

PRONAF Eco Financiamento de investimentos em técnicas que minimizam o impacto da atividade rural ao meio ambiente, bem como permitam ao agricultor melhor convívio com o bioma em que sua propriedade está inserida.

PRONAF Floresta

Financiamento de investimentos em projetos para sistemas agroflorestais, exploração extrativista ecologicamente sustentável, plano de manejo florestal, recomposição e manutenção de áreas de preservação permanente e reserva legal e recuperação.

PRONAF Semi-Árido

Financiamento de investimentos em projetos de convivência com o semi-árido focados na sustentatibilidade dos agroecossistemas, priorizando infraestrutura hídrica e implantação, ampliação, recuperação ou modernização das demais infraestruturas, inclusive aquelas relacionadas com projetos de produção e serviços agropecuários e não agropecuários, de acordo com a realidade das famílias agricultoras da região semiárida.

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Quadro 4 – Linhas de Crédito Oferecidas pelo PRONAF

Linha de Crédito Destinação

PRONAF Mulher Financiamento de investimentos de propostas de crédito da mulher agricultora. PRONAF Jovem Financiamento de investimentos de propostas de jovens agricultores e agricultoras.

PRONAF Custeio e Comercialização de Agroindústrias Familiares

Financiamento aos agricultores e suas cooperativas ou associações para que financiem as necessidades de custeio do beneficiamento e industrialização da produção própria e∕ou de terceiros.

PRONAF-Cota-Parte

Financiamento de investimentos para a integralização de cotas-partes dos agricultores familiares filiados a cooperativas de produção ou para aplicação em capital de giro, custeio ou investimento.

Microcrédito Rural

Financiamento aos agricultores de mais baixa renda, permite o financiamento das atividades agropecuárias e não agropecuárias, podendo os créditos cobrirem qualquer demanda que possa gerar renda para a família atendida. Créditos para agricultores familiares enquadrados no Grupo B e agricultoras integrantes das unidades familiares de produção enquadradas nos Grupos A ou A∕C.

Fonte: Elaborador pelo autor com base nas informações da SAF (2012).

A operacionalização do PRONAF, de acordo com a SAF, ocorre por intermédio dos agentes financeiros integrantes do Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR), sendo estes agrupados em básicos (Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia) e vinculados (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social-BNDES, BANCOOB, BANSICREDI e associados à Federação Brasileira de Bancos-FEBRABAN).

Os valores que dão suporte aos financiamentos concedidos em favor dos beneficiários da agricultura familiar são oriundos dos recursos controlados do crédito rural e dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte (FNO), do Nordeste (FNE) e do Centro-Oeste (FCO).

No Manual de Crédito Rural (BACEN) há recomendação para que os empreendimentos apoiados pelo PRONAF sejam objeto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), tanto nas operações de crédito de custeio como nas de investimento, objetivando dotar de maior segurança a condução dos financiamentos realizados e, assim, em bases mais sólidas, buscar a correspondente viabilidade técnica e econômico-financeira.

52 Os prazos de reembolso e valores firmados sob a égide do PRONAF devem ser compatíveis com o tipo da atividade financiada e se encontrar em consonância com os princípios do crédito rural de oportunidade, suficiência e adequação do crédito.

Por alcançar uma faixa de agentes produtivos com características bem específicas, o PRONAF possui custos financeiros inferiores às taxas normalmente praticadas no mercado financeiro brasileiro, cabendo a regulação ao Banco Central do Brasil sob o direcionamento do Conselho Monetário Nacional.

Para que se tenha ideia dos juros praticados pelo PRONAF, abaixo são divulgados no Quadro 5 os percentuais aplicados pelo Banco do Nordeste do Brasil S/A:

Quadro 5 – Juros cobrados pelo PRONAF

Grupos e Linhas Juros Bônus de Adimplência (¹)

Comum

Custeio

- Até R$10 mil – 1,5% ao ano - R$10 mil e até R$20 mil 3% ao ano

- R$20 mil e até R$50 mil 5% ao ano com bônus de adimplência sobre os juros

Investimento

- Valor proposto+ operação existente de investimento (a partir de 01.07.2009) seja de até R$10 mil – 1% ao ano

- Valor proposto+operação já existente de

investimentos (a partir de 01.07.2009) seja superior a R$10 mil e até R$50 mil – 2% ao ano.

Custeio

Superior a R$20 mil a R$50 mil – 25% sobre os juros para empreendimentos no simi- árido e 15% fora do semiárido.

Jovem 1% ao ano Não se aplica Semi-Árido 1% ao ano nos financiamentos até R$12 mil Não se aplica Fonte: Elaborado pelo Autor com base no Banco do Nordeste (2011a).

Nota: (¹) O produtor somente fará jus ao bônus de adimplência se pagar as parcelas do financiamento em dia.

Tem sido marcante a participação da agricultura familiar na geração do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, evidenciando que o apoio governamental se constitui como fundamental para esse desempenho econômico ao disponibilizar crédito por meio do PRONAF. Assim, o percentual de contribuição desse importante segmento do agronegócio tem girado em torno de 10% da riqueza nacional, durante o período considerado no Gráfico 1:

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Gráfico 1 - Participação do PIB do agronegócio familiar e patronal no PIB do Brasil

Fonte: (BRASIL, 2007).

O Governo Federal como indutor de uma evolução no desempenho da agricultura familiar na economia brasileira, lançou mais um “Plano Safra”, em junho de 2011, envolvendo recursos orçados em R$16,0 bilhões. Entre os anos de 2006 e 2007 esse montante era de R$10,0 bilhões.

O Plano Safra é desenhado de forma que a parte mais dinâmica e consolidada da agropecuária possam ter níveis de produtividade em ascensão, mas em harmonia com uma crescente produção no segmento menos favorecido.

De fato, no caso do PRONAF B, operacionalizado pelo Banco do Nordeste sob a égide do AGROAMIGO que será apresentado no tópico seguinte, as contratações subiram de duas para três, por produtor rural, e o valor de cada uma delas, passou de R$2,0 mil para R$2,5 mil, sendo mantido o rebate de 25% (vide nota no Quadro 5) e a taxa de juros de 0,5% ao ano (BANCO DO NORDESTE, 2011a).

Enaltecendo a importância da agricultura familiar para o país, o Ministério do Desenvolvimento Agrário-MDA em seu portal na internet afirma que:

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O Brasil vive um ciclo de crescimento econômico e social marcado pela distribuição de renda e inclusão social. Um dos pilares desse crescimento é a agricultura familiar, que, com mais de 4,3 milhões de unidades produtivas, impulsiona o desenvolvimento sustentável no meio rural brasileiro. Fundamental para a segurança alimentar e a economia do País, a agricultura familiar produz 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros e responde por mais de 74% do pessoal ocupado no campo e por 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro (BRASIL, 2012).

Corroborando essa afirmação, o sítio do Banco do Nordeste (2011), também na internet, informa que esse grupo de produtores rurais é responsável pela produção de 84% da mandioca, 67% do feijão, 54% do leite, 49% do milho, 40% das aves e 58% dos suínos consumidos pela população brasileira.

Benzer Belgeler