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8. Alâeddîn es-Semerkandî
O hipocampo é uma estrutura encefálica localizada no lobo temporal, bilateralmente, é um importante componente do sistema límbico, desempenhando um papel fundamental na formação de memórias de curta e longa duração sendo que diferentes áreas corticais aferentes e eferentes interagem com esta estrutura para regular a aquisição e o armazenamento de novas informações (Izquierdo, 2002). Anatomicamente, a cabeça do hipocampo, corpo e cauda são ligados a regiões distintas do córtex entorrinal, que transmite a informação processada a partir do córtex de associação para o hipocampo (Hackert et al.,2002).
A formação de uma memória de longa duração envolve uma série de processos metabólicos no hipocampo e em outras estruturas cerebrais, processos estes que compreendem diversas fases e que requerem entre três e oito horas. O conjunto desses processos e o seu resultado final são chamados de consolidação. O hipocampo desempenha um papel crucial na consolidação da memória.
Os hipocampos, por desempenharem um papel crucial na memória, principalmente a declarativa, têm sido uma das regiões cerebrais mais estudadas. Particularmente a memória declarativa é relevante neste tipo de estudo por ser uma das primeiras a sofrer alterações nos pacientes com DA (Van Petten, 2004).Além disso, como essas regiões são importantes para o
funcionamento da memória declarativa, parece haver associação entre a atrofia do hipocampo e o desempenho da memória verbal imediata em indivíduos-controle (Bottino, 2000)
Um recente estudo de Chen et al., (2010) constatou que pode ocorrer uma maior redução do volume da cabeça do hipocampo em relação à cauda relacionada com a idade. O volume da cauda direita do hipocampo pode estar relacionado com a memória espacial, enquanto o volume do corpo do hipocampo esquerdo pode estar associado com a memória verbal. Nesta mesma linha encontramos o estudo de Hackert et al., (2002) investigaram 511 participantes, com idades entre 60-90 anos, quanto ao desempenho da memória verbal e sua relação com diferentes regiões do hipocampo, a saber, à cabeça, ao corpo ou à cauda. O estudo avaliou o desempenho da memória através de teste de aprendizagem com 15 palavras, incluindo as tarefas de recordação imediata e tardia. Participantes que mostraram maior volume da cabeça hipocampal, apresentaram desempenho significativamente maior no teste de memória, principalmente na evocação tardia. Os dados sugerem envolvimento seletivo da cabeça do hipocampo na memória verbal. No entanto, no estudo de Van Petten (2004) de meta-análise de 33 estudos com adultos mais velhos, a observação mais marcante foi a extrema variabilidade: a evidência de uma relação positiva entre o tamanho do hipocampo e a capacidade de memória episódica em adultos mais velhos foi surpreendentemente fraca.
Schmand et al., (2011) avaliaram o valor de testes neuropsicológicos, volumetria do hipocampo para diagnosticar a Doença de Alzheimer em grupos etários mais jovens e mais velhos. Indivíduos com comprometimento cognitivo leve (CCL, n = 179), indivíduos com DA (n = 91), e controles normais (n = 105). O CCL foi definido de acordo com queixas subjetivas dememória, corroboradas por um informante e um escore anormal na recordação tardia do subteste Memória Wechsler Scale-Revised, e o Mini-Exame do Estado Mental com pontuação maior que 23. Os testes neuropsicológicos e volumetria foram as técnicas mais informativa, com 84% e 82% de classificações corretas. Esses números aumentaram
ligeiramente quando as técnicas foram combinadas. Todas as análises foram repetidas para as metades mais jovens (<75) e mais velhos (≥ 75) da amostra. Avaliação neuropsicológica e volumetria de hipocampo são os métodos de diagnóstico de primeira escolha, se DA é suspeita. Em outro estudo de Devanand et al., (2007) acharam menores volume do hipocampo em pacientes com CCL com Mini-Exame do Estado Mental (MMEE) pontuações > ou = 27 em 30 (21% convertido em DA) e no subgrupo de pacientes com CCL amnésico (35% convertidos em DA). Resultados semelhantes foram obtidos no teste Adultos Wechsler Intelligence Scale-Revised (WAIS-R), menores volumes do hipocampo contribui para a previsão de conversão para Doença de Alzheimer. No entanto, a combinação desses volumes com a idade e medidas cognitivas leva a altos níveis de previsão que podem ter potencial para aplicação clínica. No estudo de Yavuz et al., (2007) e também de Paul et al., (2011) comfirmaram que o MMEE foi correlacionado com o volume do hipocampo. Concluiram que a volumetria do hipocampo pode ser usado no diagnóstico precoce de comprometimento cognitivo, bem como classificação de declínio cognitivo.
Dawe et al., (2011) combinaram a ressonância magnética e histopatologia post mortem em 100 idosos do Projeto Memória Rush e Envelhecimento e o Estudo das Ordens Religiosas. Queriam validar as informações contidas nos dados post mortem, e testaram a hipótese de que o volume do hipocampo pós-morte é menor em indivíduos com diagnóstico clínico de Doença de Alzheimer em comparação com indivíduos com comprometimento cognitivo leve ou não, como observado em estudos de imagem ante-morte. Posteriormente, as relações de volume do hipocampo pós-morte para DA foi examinado. Foi demonstrado que o volume do hipocampo era menor em pessoas com diagnóstico clínico de DA em comparação com aqueles sem comprometimento cognitivo. Além disso, o volume do hipocampo estava relacionada com múltiplas habilidades cognitivas avaliadas próxima à morte, com sua forte associação com a memória episódica. Globalmente, este inquérito confirmou a relação do volume do
hipocampo medido post mortem para o diagnóstico clínico da Doença de Alzheimer e as medidas de cognição e concluiu que DA afeta o volume do hipocampo em idade avançada. Figura 3 – imagem ilustrativa do hipocampo.
Figura 3. Imagem ilustrativa da localização do hipocampo.