2.4. Okul Öncesi Eğitim Programı
2.4.4. Aile Katılımı
A par t ir do acom panham ent o da exper iência da Escola Plur al, feit o por int er m édio de leit ur as e diálogos com colegas que lecionam em escolas da Rede Municipal de Belo Hor izont e, fui conduzida a um a sér ie de r eflexões e quest ionam ent os a r espeit o do “ lugar ” ocupado pelas pr át icas cor por ais — e pela Educação Física enquant o com ponent e cur r icular — no cont ext o de um pr oj et o polít ico- pedagógico que se pr opõe a r om per com a lógica t r adicional de educação escolar .
Com o j á foi expost o nest e capít ulo, o discur so que fundam ent a a pr opost a pedagógica da Escola Plur al apont a par a um a educação com pr om et ida com a em ancipação do suj eit o e o pleno ex er cício da cidadania, com pr om isso esse que deve im pr egnar a at iv idade educat iva desde a or ganização do t em po at é a seleção de cont eúdos a ser em abor dados. Apont a t am bém par a a const r ução de um a escola configur ada com o t em po/ espaço de vivência cult ur al e de pr odução colet iva.
O cader no Escola Plur al: Pr opost a Polít ico- Pedagógica ( BELO HORI ZONTE,1994) , anuncia um a pr eocupação, por par t e dos idealizador es do Pr ogr am a, com a for m a com que o cor po deve ser t r at ado pela escola:
“ O r it m o de nossas aulas é m onót ono, r epet it ivo, pouco at iv o. Os alunos e alunas per m anecem dem asiado t em po iner t es, par ados olhando o quadr o, copiando. Passam hor as na m esm a post ur a, nos m esm os espaços: na car t eir a, na sala de aula. [ ...] A educação dos cor pos — não o seu adest r am ent o e cont role — m er ece m aior at enção nos pr ocessos escolar es. É um a das lacunas m ais lam ent áveis em nossa pedagogia. Recolocar o cor po na cent r alidade que ele t em na const r ução de nossa ident idade e da t ot alidade da nossa cult ura exige criat ividade pr ofissional de t odos nós.”
Um m em br o do depar t am ent o de educação de um a das subunidades adm inist r at ivas ( conhecidas com o “ Regionais” ) , que par t icipou da gênese do Pr ogr am a, declar ou que a pr eocupação com o cor po est ava pr esent e desde as discussões iniciais.
“ Olha, logo que a gent e est ava pensando na elabor ação da pr opost a da Escola Plur al, e nessa época eu est ava na Regional Nor oest e, e est ava sendo pensado um a... um a escola que pr ivilegiasse out r os aspect os que não fossem apenas o cognit ivo. [ ...] A gent e acha que esse pr ocesso de t r abalho com o cor po, ele é fundam ent al, independent e da Educação Física. Nós não gost ar íam os que se r eduzisse apenas à ár ea de Educação Física, que esse pr ocesso de t r abalho com o cor po per passasse t odo o conhecim ent o cult ur al que nós t em os.”
Na m esm a dir eção, ARROYO ( 2000) afir m a que dar ao cor po cent r alidade no pr ocesso educat ivo é um a t ar efa fundam ent al da escola e desafia os pr ofissionais da educação básica — não apenas os de Educação Física, r essalt a ele — a buscar est r at égias par a r ecuper ar a cor por eidade com o elem ent o da for m ação hum ana.
Dois dos eixos nor t eador es do Pr ogr am a Escola Plur al, “ A
sensibilidade com a t ot alidade da for m ação hum ana” e “ A escola com o t em po de vivência sócio- cult ur al” r eflet em , de for m a especial, a pr eocupação com a
per da da função socializador a da escola e cham am a at enção par a a necessidade de um a m aior aber t ur a do t em po e do espaço escolar es par a a incor por ação de novas dim ensões de for m ação e de vivência da cult ur a.
“ São inúm er as as prát icas que t ent am alar gar a est r eit a concepção de educação ainda vigent e. Novas dim ensões da for m ação dos alunos, alunas e profissionais pr essionam par a t er um lugar legít im o nos Pr oj et os Polít ico- pedagógicos das escolas. Cada ár ea e cada gr upo de educador es poder á ident ificar inúm er as ações, que apont am essa sensibilidade cr escent e com a plur alidade das dim ensões da for m ação hum ana das cr ianças, dos j ovens e dos pr ópr ios pr ofissionais.” ( BELO HORI ZONTE, 1994)
Encont r a- se, t am bém , em um dos docum ent os da Escola Plur al, a afir m ação de que “ t odo o sist em a [ da Escola Plur al] est á volt ado par a o aluno apr ender saber es, cr escer , desenvolver - se com o suj eit o sociocult ur al, na plur alidade de suas pot encialidades hum anas” ( BELO HORI ZONTE,1996, p.3) .
Par a SOARES ( 2000) , essa int enção se r eflet e no pr ocesso ensino- apr endizagem no sent ido de um a ext r apolação do âm bit o da at ividade int elect ual ( que r ecebe um a ênfase exacerbada no cont ext o escolar t r adicional) . A escola “ passa a incluir out r os aspect os, m uit as vezes m ar ginalizados na escola, t ais com o os pr ocessos cor por ais e m anuais, os pr ocessos socializant es, a vivência cult ur al e a est ét ica” ( p.25) . É nest a m esm a per spect iva que BRACHT ( 2001b, p.77) afir m a a im por t ância da educação est ét ica ou da sensibilidade “ com o elem ent o im por t ant e do que poder íam os cham ar cr it icidade” . Ressalt ando que a idéia de cr it icidade é m uit o cent r ada na idéia de r azão ( com o dim ensão int elect ual) , o aut or acr edit a que t r at ar o cor po com o “ suj eit o” , englobando as dim ensões est ét icas e ét icas, pode cont r ibuir par a r efor m ulação do conceit o de cr it icidade e alar gam ent o do pr ópr io conceit o de r azão.
Há que se dest acar , ainda, a invest igação feit a por Adm ir ALMEI DA JÚNI OR ( 2002) . Em sua pesquisa de Mest r ado, ele analisou a pr át ica pedagógica de um a pr ofessor a de Educação Física em um a escola m unicipal que apr esent a for t e nível de adesão ao Pr ogr am a Escola Plur al. O pesquisador obser vou que essa pr ofessor a consegue art icular , em suas aulas, as dim ensões t eór ica e pr át ica do conhecim ent o sobr e os t em as da cult ur a cor por al de m ovim ent o. Valendo- se de difer ent es est r at égias, ela pr ocur a apr oxim ar os sent idos de “ fazer par a com pr eender ” e “ com pr eender par a fazer ” , est im ulando, nos alunos, a r eflexão acer ca dos “ códigos, sent idos e significados das pr át icas t r abalhadas nas aulas” ( p.131) . As noções de inclusão, de dir eit o à par t icipação e de r espeit o às difer enças são t am bém cont em pladas nas aulas da pr ofessor a pesquisada. ALMEI DA JÚNI OR dest acou, ainda, a influência do cont ext o ( um a escola que se or ganiza com o “ Plur al” ) na const it uição dos saber es docent es dessa pr ofessor a, dest acando que sua pr át ica pedagógica se desenvolve em sint onia com o pr oj et o polít ico- pedagógico da escola e com as dir et r izes da Escola Plur al.
Diant e de “ pist as” com o as for necidas por ALMEI DA JÚNI OR e levando em cont a o conj unt o de int enções expost o nos docum ent os do Pr ogr am a Escola Plur al, sent i- m e aut or izada a for m ular a seguint e hipót ese: a escola ( na concepção “ Plur al” ) est ar ia, de difer ent es for m as, abr indo- se par a um m aior envolvim ent o do cor po no pr ocesso educat ivo, não m ais no sent ido
de confor m ação, m as de valor ização do m ovim ent o com o possibilidade de exer cício da cr it icidade, da cr iat ividade e m anifest ação da cult ur a.
Essa per spect iva r em et e a m ais algum as per gunt as que consider o r elevant es. Com o um a escola que se or ganiza com o “ Plur al” t r at a a cor por eidade de seus alunos? Que concepções e pr át icas envolvem o m ovim ent o cor por al nesse cont ext o? Quais as possíveis r eper cussões dos pr incípios e dir et r izes da Escola Plur al no ensino da Educação Física? Com o a Educação Física t em se r elacionado com as dem ais ár eas do conhecim ent o e com a const r ução do pr oj et o polít ico- pedagógico da escola?
Est as quest ões — confesso — est ão est r eit am ent e ligadas às m inhas ut opias. Sonho com um a escola que est ej a aber t a par a ouvir a voz do cor po, ao invés de silenciá- la; que consider e o aluno na sua int eir eza, r econhecendo a cor por eidade com o elem ent o indivisível e indispensável no pr ocesso de apr endizagem ; que valor ize o m ovim ent o cor por al com o expr essão e pr odução de cult ur a.
Desde o per íodo inicial de im plant ação da Escola Plur al at é os dias at uais, alguns pesquisador es t êm invest igado a Educação Física em escolas m unicipais de Belo Hor izont e ( ALTMANN, 1998; FARI A, 2001a; ALMEI DA JÚNI OR, 2002) . Em bor a em t odos esses t r abalhos haj a r efer ências ao Pr ogr am a, est e se configur ou com o pano- de- fundo, j á que os pesquisador es t inham out r os t em as com o obj et o pr incipal.32 Com a invest igação da inser ção da Educação Física/ at ividades cor por ais no cont ext o de um a pr opost a inovador a de educação, pr et endo for necer elem ent os que cont r ibuam par a subsidiar r eflexões, discussões e posicionam ent os diant e das r ecent es alt er ações nas for m as de or ganização do conhecim ent o escolar .