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Aile İlişkileri ve Evlilikle İlgili Büyüler

Os varejistas, argumentam Jones et al (2005), desempenham um papel importante quanto ao desenvolvimento sustentável por serem intermediários entre o produtor e o consumidor final, conduzindo o primeiro na mudança dos processos produtivos e o segundo quanto aos padrões de consumo.

As três principais cadeias varejistas atuantes no Brasil têm desenvolvido programas relacionados às mudanças climáticas, certificando e comprometendo-se a comprar apenas de produtores e frigoríficos que respeitem certos critérios socioambientais. É assim que o Grupo Carrefour tem o Programa “Garantia de Origem”, o Pão de Açúcar tem o “Qualidade desde a Origem” e o Walmart o “Pacto Pela Sustentabilidade”. Como resposta, os frigoríficos têm desenvolvido um sistema de rastreamento da origem da carne bovina, sobretudo para atestar que a carne não é proveniente de áreas com novos

focos de desmatamento. Em 2013, o Ministério Público Federal (MPF) assinou um termo de cooperação técnica com a ABRAS visando incentivar todos os estabelecimentos do setor a também monitorarem a origem da carne e divulga-la no seu ponto de venda (LEITÃO, 2013).

Quanto ao consumidor final, tem-se aumentado o comportamento de compra consciente (RIBEIRO e VEIGA, 2011). Bonini et al (2008) identificaram que 17% dos consumidores brasileiros consultados apontaram que estariam mais inclinados a escolher empresas da área de alimentação e bebidas que estivessem fortemente engajadas em relação às mudanças climáticas32. Esse resultado é relevante na medida em que, segundo Rocha et al (2001) destacam, apenas as exigências dos consumidores provocarão a reorganização do sistema produtivo bovino.

Dentre as formas de se exigir mudanças, o boicote é uma forma em que os consumidores evitam o consumo de determinado produto ou marca devido aos questionamentos ambientais levantados sobre os mesmos (TALLONTIRE et al, 2001). No caso da carne, diversos pesquisadores têm defendido a redução do consumo de carne bovina como forma de reduzir as emissões de GEE (GOODLAND; ANHANG, 2009; GARNETT, 2011) ou mesmo o consumo de outros tipos de proteínas, animal e até vegetal (SCHWARZ, 2012).

No Brasil, organizações eminentes de consumo consciente têm advogado que os consumidores reduzam o consumo de carne bovina. O Instituto Akatu (2012), em texto disponível em seu website, aponta dez ações que ‘podem contribuir muito quanto à mudança climática’. Dessas dez ações, duas concernem especificamente e tão somente ao consumo de carne: diminuir seu consumo e saber a origem da carne. Da mesma forma, o IDEC (2005), com apoio oficial do Ministério da Educação e Ministério do Meio Ambiente, publicou cartilha sobre consumo sustentável em que recomenda ao consumidor redução do consumo de carne, pois “O aumento do consumo de carne e seus derivados também é motivo de preocupação, pois a criação de animais constitui

uma importante fonte de contaminação ambiental” (p. 48). Outras ações do IDEC

incluíram o lançamento da campanha “Clima e Consumo”33, que trouxe uma

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Este fato, contudo, não significa necessariamente disposição em pagar um valor superior pelo produto ou que desconsiderem outros atributos dos produtos , como demonstram Ottman et al (2006).

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calculadora para que as pessoas mensurassem suas próprias emissões, propondo-se, ao fim do cálculo, que se reduza o consumo de carne; e o lançamento, junto ao MPF, da

campanha “Carne Legal”34

, visando evitar o consumo de carne advinda de áreas de desmatamento da Amazônia. Por fim, a Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), com apoio das Secretarias do Verde e de Educação da cidade de

São Paulo, estão promovendo o projeto “Segunda sem Carne”35

, em que defende a alimentação vegetariana um dia por semana com ênfase sobretudo na redução das emissões. Como resultados, o restaurante universitário da FSP-USP e as escolas da rede municipal de ensino de São Paulo não oferecerão carne no seu cardápio às segundas- feiras, revelando também certo engajamento por parte do poder público.

É importante ressaltar que essas ações de proposição de redução do consumo de carne vêm na contramão do aumento do consumo mundial de carne, sobretudo nos países subdesenvolvidos, que viram seu consumo crescer 77% entre 1960 e 1970 (BELLARBY et al , 2008).

Paralelamente a esse movimento, estudo elaborado em 2008, mostrou que as mudanças climáticas estão cada vez mais presentes na grande mídia brasileira impressa, consolidando-se a cobertura tanto quantitativamente quanto qualitativamente. Entre 2007 e 2008, por exemplo, os jornais de abrangência nacional publicaram, em seu conjunto, em média, uma matéria a cada dois dias a respeito da temática (BARBOSA, 2010). Ainda que a pesquisa tenha mostrado que as políticas públicas sejam objeto de destaque, é razoável imaginar que tais matérias ajudam a moldar a percepção da população – e, por extensão, dos consumidores – a respeito da questão. Percepção, contudo, não significa atitude, isto porque pesquisas mostram que o consumidor médio ainda está tomando medidas tímidas em relação a um consumo dito mais verde, sobretudo porque considera mais preponderantes fatores como qualidade e preço (TALLONTIRE et al, 2001).

Apesar dessas ressalvas, na medida em que os países diferem significativamente quanto ao nível de percepção dos seus cidadãos em relação ao ambiente natural, haverá também diferentes níveis de percepção com que estes observarão como sendo legítimas ou não

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http://www.carnelegal.mpf.gov.br 35

Inserida dentro da campanha global Meatless Monday. Informações em http://www.segundasemcarnenausp.yolasite.com

as ações das empresas (DELMAS; TOFFEL, 2008). Nesse sentido, aspectos ambientais como as mudanças climáticas, podem afetar a pauta do comércio internacional. Com efeito, é de se esperar que empresas atuando em diferentes países sofram diferentes níveis de pressão. É o caso da indústria frigorífica brasileira.

Além de afetar a dinâmica de consumo no mercado interno brasileiro, as mudanças climáticas podem guardar efeitos na competitividade e apelo da carne brasileira no comércio internacional. Serôa da Motta (1997; 2011) já chamava atenção para o fato da tendência de imposição de barreiras comerciais internacionais não-tarifárias relacionadas à questão ambiental, inclusive apontando os acordos internacionais relativos aos gases de efeito estufa como possíveis alvos de sanções futuras.

Reflexo dessa dinâmica do mercado internacional, os europeus, um dos principais destinos das exportações de carne brasileiras e líderes na questão das políticas climáticas (LEVY; KOLK, 2002; KOLK; PINKSE, 2004; JESWANI et al, 2008; GIDDENS, 2010), na medida em que já estão incentivando internamente a produção agropecuária de baixo carbono (EUROPEAN COMISSION, 2009) e têm histórico de imposição de barreiras não-tarifárias e tarifárias à importação de produtos agropecuários (CONTINI; TALAMINI, 2005), podem tender também a impor medidas que restrinjam a entrada de produtos agropecuários intensivos em carbono. Poderiam tomar essa diretiva respaldados no European Union Trading System (EU-TS)36, como forma de equiparar as exigências e não prejudicar a competitividade de seus produtores internos, situação que já se aplica para as empresas áreas que operam na Europa no setor de aviação civil (SERÔA DA MOTTA, 2011).