A Portaria nº 2.877 de 30 de dezembro de 2011 do Ministério da Justiça aprova o Regimento Interno do Departamento de Polícia Federal (BRASIL, 2011). Esta Portaria define que o Departamento de Polícia Federal – DPF, órgão permanente, específico singular, organizado e mantido pela União, e estruturado em carreira, com autonomia orçamentária, administrativa e financeira, diretamente subordinado ao Ministro de Estado da Justiça, tem por finalidade exercer, em todo o território nacional, as atribuições previstas no § 1° do art. 144 da Constituição Federal e no § 7º do art. 27 da Lei nº 10.683, de 28 de maio de 2003. No capítulo II, a Portaria define a estrutura organizacional do Departamento de Polícia Federal, composta por unidades centrais e descentralizadas. Para este estudo, interessa-nos apenas a estrutura da Diretoria Técnico-Científica (DITEC), definida no inciso XII deste capítulo e suas competências, que estão definidas no artigo 16 do capítulo III.
Art. 16. À Diretoria Técnico-Científica compete:
I - dirigir, planejar, coordenar, orientar, executar, controlar e avaliar as atividades de perícia criminal e as relacionadas a bancos de perfis genéticos; II - gerenciar e manter bancos de perfis genéticos; e
III - propor ao Diretor-Geral a aprovação de normas e o estabelecimento de parcerias com outras instituições na sua área de competência.
É importante destacar que as unidades de Criminalística dos Estados da Federação são tecnicamente subordinadas à DITEC, mas administrativamente subordinadas às Superintendências e Delegacias Regionais de Polícia Federal conforme definido nos anexos desta Portaria. As atribuições do Diretor Técnico-Científico estão definidas no artigo 31 da referida Portaria; já as atribuições do Diretor do Instituto Nacional de Criminalística equiparam- se às atribuições dos Coordenadores-Gerais e Coordenadores e estão definidas no artigo 34. Por outro lado, as atribuições dos Chefes dos Setores Técnico-Científicos estão estabelecidas, junto de outras chefias, no artigo 38 da Portaria.
Art. 31. Ao Diretor Técnico-Científico incumbe:
I - promover a execução das atividades, ações e operações correlatas a área sob sua responsabilidade;
II - aprovar normas orientadoras das ações de perícia criminal, inclusive as relacionadas a bancos de perfis genéticos;
III - prestar apoio técnico ao Diretor-Geral, no âmbito de suas atribuições; IV - supervisionar as atividades das unidades técnico-científicas descentralizadas;
VI - expedir portarias, ordens e instruções de serviço, e aprovar manuais de procedimentos em matérias correlatas à área sob sua responsabilidade; VII - indicar servidores ao Diretor-Geral para o provimento de cargos de direção, assessoramento superior e de funções gratificadas, no âmbito da Diretoria, bem assim propor sua exoneração e dispensa;
VIII - prestar informações sobre matérias de sua atribuição, em atendimento a solicitações de órgãos externos;
IX - promover o intercâmbio de informações, propor a celebração e manter convênios e instrumentos correlatos com órgãos de segurança pública dos Estados e do Distrito Federal e outras entidades e organizações congêneres, em nível nacional e internacional;
X - coordenar e promover pesquisas, e difundir estudos técnico-científicos e suas aplicações, no âmbito de sua área de atuação;
XI - encaminhar ao Diretor-Geral relatórios de metas, de acompanhamento e de avaliação do desempenho de suas atividades;
XII - ordenar despesas e efetuar pagamentos; e XIII - promover o controle estatístico das ações de sua competência e consolidar indicadores para subsidiar decisões da administração da Polícia Federal [...]
Art. 34. Aos Coordenadores-Gerais e Coordenadores incumbe:
I - coordenar, controlar, orientar e avaliar o desenvolvimento das atividades, ações e operações correlatas à área sob sua responsabilidade;
II - orientar suas unidades subordinadas no cumprimento das normas e diretrizes específicas de sua área de atuação, com vistas à otimização de desempenho e a padronização de procedimentos;
III - promover estudos, controlar e divulgar a legislação e a jurisprudência específicas de seu campo de atuação;
IV - expedir portarias e instruções de serviço, e aprovar manuais de procedimentos em matérias correlatas à área sob sua responsabilidade; V - aprovar planos, programas e projetos gerais e específicos de sua área de atuação e de suas unidades subordinadas e vinculadas;
VI - propor e coordenar a execução de operações conjuntas com outras unidades, centrais ou descentralizadas, ou outros órgãos governamentais, e recrutar servidores lotados em suas unidades subordinadas para integrar essas missões policiais; e
VII - promover e manter atualizado o controle estatístico referente às incidências criminais, à eficiência e eficácia das ações da Polícia Federal, e consolidar indicadores para auxiliar as Diretorias na elaboração de seus relatórios de avaliação e desempenho, a fim de subsidiar a tomada de decisões do Diretor-Geral e demais níveis decisórios centrais.
Art. 38. Aos Chefes de Setor, Núcleo e CIAPA incumbe:
I - planejar, supervisionar, orientar, fiscalizar e promover a execução das ações correlatas à sua área de atuação;
II - cumprir e fiscalizar o cumprimento das normas e diretrizes emanadas das unidades centrais, na sua área de atuação;
III - executar e fiscalizar a execução de programas, planos e projetos de trabalho específicos;
IV - expedir portarias e instruções de serviço regulamentadoras das atividades correlatas à sua área de atuação; e
V - coletar, analisar e organizar os dados sobre as ações empreendidas, incidências criminais, quando for o caso, e propor indicadores para subsidiar decisões dos níveis hierárquicos superiores.
Segundo Vergara e Villela (2011), a Criminalística da Polícia Federal teve seu marco regulatório com a edição da Lei nº 4.483, de 19/11/1964, com a criação do Instituto Nacional de Criminalística. A partir disso, a Perícia Criminal Federal se estruturou e consolidou a sua atuação na persecução penal em várias capitais dos Estados da Federação. Com a realização de concursos públicos, a Criminalística se estabeleceu em todas as capitais e no Distrito Federal, bem como firmou presença em Santos (SP) e em Foz do Iguaçu (PR). Assim, com uma rede de unidades estruturada e voltada para a produção de provas, materializou-se o Sistema Nacional de Criminalística19 da Polícia Federal. O sistema vem sendo estruturado com o objetivo de priorizar a produção de prova pericial com celeridade a partir de procedimentos padronizados.
O Sistema Nacional de Criminalística é gerido pela Diretoria Técnico-Científica (DITEC) da Polícia Federal e tem como órgão central o Instituto Nacional de Criminalística (INC), com atribuições técnico-científicas e normativas sobre a atividade pericial realizada em suas dependências e nas unidades descentralizadas. O INC, além da execução de perícias, também tem atribuições de instituto de pesquisa, desenvolvendo metodologias de trabalho e agregando conhecimento técnico-científico para difusão a todo o sistema, valendo-se de extenso intercâmbio com outras instituições. Com o objetivo de consolidar sua cobertura nacional e alinhando-se ao processo de interiorização então em curso no âmbito da Justiça Federal e do Ministério Público Federal, a partir de 2007 foi iniciado o programa de interiorização da Criminalística, por meio da criação de Unidades Técnico-Científicas (UTEC) junto a delegacias no interior do País20 (VERGARA; VILLELA, 2011).
A Figura 1 apresenta o território nacional e evidencia o quantitativo e a distribuição das unidades de Criminalística da Polícia Federal, cujo efetivo total de peritos criminais é hoje de 1.08921 (VERGARA; VILLELA, 2011).
Figura 1 – Unidades de Criminalística da Polícia Federal.
Fonte: VERGARA; VILLELA, 2011.
A fim de permitir a validação e o compartilhamento das melhores práticas gerenciais e operacionais, foram criados comitês de avaliação dos processos administrativos e técnicos no Sistema Nacional de Criminalística. Um deles tem a função de realizar auditorias focadas na gestão das unidades, por meio de comissões temporárias e itinerantes, e o outro tem por objetivo avaliar a qualidade dos documentos técnico-científicos produzidos por meio de Câmaras Especializadas de Criminalística. Esses instrumentos, focados na padronização detalhada de procedimentos e na melhoria da qualidade dos exames periciais, visam consolidar uma filosofia de qualidade total e de melhoria contínua, permitindo que a administração central possua um sistema de informações confiável, base de um Sistema de Gestão da Qualidade capaz de controlar de forma mais eficiente a qualidade dos produtos e serviços entregues aos clientes. Além desses comitês, destaca-se o desenvolvimento de outros dois processos de controle dentro do Sistema de Gestão da Qualidade que são os Indicadores de Desempenho e a Pesquisa de Satisfação do Cliente. Esses processos encerram o grande ciclo de coleta e tratamento de informações no âmbito do Sistema Nacional de Criminalística (VERGARA; VILLELA, 2011).
2.3.1 A Organização do trabalho
As características de classes pertinentes aos cargos de nível superior e médio da Carreira Policial Federal do Departamento de Polícia Federal estão definidas na Portaria nº 523 de 28 de junho de 1989 da Secretaria de Planejamento e Coordenação do Ministério do Planejamento. Segundo essa Portaria, o cargo de Perito Criminal Federal está estruturado em três classes22 e suas características e qualificações estão definidas no anexo I.
PERITO CRIMINAL FEDERAL