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ADLİ BİLİŞİM İLE ELDE EDİLEN KİŞİSEL VERİLER

D KOLLUĞUN SUÇ ÖNCESİ KİŞİSEL VERİ ELDE ETME YÖNTEMLERİ

E. KOLLUĞUN SUÇ SONRASI KİŞİSEL VERİ ELDE ETME YÖNTEMLERİ

4. ADLİ BİLİŞİM İLE ELDE EDİLEN KİŞİSEL VERİLER

A categoria de análise Agricultura Familiar elaborada com base na Diretriz V da Lei 11.947/09 trata de um dos temas que mais interferem na implementação do PNAE, e que representa um desafio para a administração pública e para os próprios produtores, como esclarecido por Santos (2013), Teo e Monteiro (2013).

Segundo Wanderley (1996) a agricultura familiar representa uma diversidade de elementos que a caracterizam, compreendida como aquela que ao mesmo tempo é proprietária dos meios de produção e assume o trabalho no estabelecimento produtivo.

O PNAE pode ser analisado a partir dos objetivos relacionados à segurança alimentar e nutricional por um lado, e por outro, pelos objetivos que envolvem o desenvolvimento local e regional, estando a aquisição da agricultura familiar, entre esses últimos objetivos (SANTOS, 2013; FROEHLICH, 2010). Destaca-se que pelo programa ser descentralizado pode possibilitar o desenvolvimento local e regional (BELIK, CHAIN e WEIS, 2011).

Neste tópico serão discutidos: o processo de aquisição de gêneros alimentícios da agricultura familiar e as dificuldades, tanto dos produtores, quanto da administração pública, no âmbito de Belo Horizonte.

4.5.1. Subcategoria de análise: Processo de aquisição da agricultura familiar

Como já discutido, a aquisição de gêneros alimentícios da agricultura familiar faz parte do processo de implementação da PNAE. O processo de compra ocorre de duas formas no município: licitação, por meio de pregão eletrônico, processo de ampla concorrência regulamentado pela Lei 8.666/93; e as chamadas públicas, forma de aquisição de produtos da agricultura familiar.

A aquisição de produto da agricultura familiar é um dos pontos destacados na Lei 11.947/09, que traz que ao menos trinta por cento dos recursos repassados aos municípios

101 para a merenda escolar devem ser utilizados adquirindo produtos desse segmento da agricultura. A discussão sobre esse tema, de forma mais aprofundada, se justifica pela exigência da lei e pelos desafios em sua implementação pela administração pública de Belo Horizonte.

Das exigências colocadas pela legislação do PNAE em 2009, a aquisição da Agricultura familiar foi apontada como a que apresenta maior dificuldade de implementação. Existe na gestão do programa a vontade política de se implementar essa compra, desde o ano de 2010, quando as exigências entraram em vigor. Contudo, a maior parte das chamadas públicas realizadas nesse período fracassaram devido às dificuldades e exigências para se fornecer para um município do porte de Belo Horizonte. O Gestor 03 esclarece:

Hoje nós compramos esse ano, nós chegamos a noventa por cento, oitenta e nove vírgula sete por cento nós executamos do recurso, eu fiz essas contas ontem pra levar lá pro COMUSAN, dos sete milhões e cem que a gente teria nós já executamos seis milhões e alguma coisa, então nós já executamos oitenta e nove vírgula sete por cento dos trinta por cento que a gente tem que executar, então eu estou super feliz, eu acho que já foi um avanço, pra quem não conseguia executar nada porque não apareceu ninguém, fracassou tudo, ninguém veio fornecer nada pra gente (GESTOR 03).

Anteriormente, a média de preço dos produtos da agricultura familiar era desatualizada. Quando passou-se a utilizar as cotações do IPEAD, em seu preço completo, diferentemente das licitações, começou a haver mais retorno nas chamadas públicas realizadas. De fato, os produtos adquiridos da agricultura familiar são até 30% mais caros que os adquiridos em licitação.

A gestão do programa destaca a vontade de cumprir o que é estabelecido em lei, mesmo sendo necessário adquirir a um preço elevado, os produtos para a merenda, o que pode interferir negativamente em termos de quantidade e qualidade dos produtos, uma vez que o recurso para aquisição é limitado. Sobre esse tema o Gestor 05 enfatiza:

[...] agora a gente compra, nós compramos, mas nós compramos não perecíveis, porque quando eu compro não perecíveis, eu deixo de comprar do meu contratado, eu to pagando em média trinta por cento mais caro, só pra você ter uma ideia esse ano nós estamos gastando um milhão e meio a mais, porque nós precisamos comprar da agricultura familiar, o custo é muito mais alto, até trinta por cento mais alto, então, economicamente é um desastre pra nós, mas nós não temos nada contra, a gente entende que a gente tem que fortalecer a agricultura familiar, agricultor familiar na verdade é o grande produtor de alimentos do país (GESTOR 05)

102 Os 30% dos recursos repassados pelo FNDE em Belo Horizonte chegaram a sete milhões de reais, tornando o município um mercado interessante para a agricultura familiar. Um dos principais problemas são os produtores terem capacidade de produção, de transporte, de distribuição e financeira para atender o município. Atualmente nenhum produtor do Estado de Minas Gerais fornece para a merenda escolar na capital, apenas grandes cooperativas de outros estados, principalmente do sul do país atuam fornecendo produtos não perecíveis para o PNAE. O fato de se adquirir de outros Estados não possibilita para o município que realiza a compra, o desenvolvimento local e regional apontado por Belik, Chain e Weis (2011). O Gestor 06 traz que “[...] a gente tenta aqui fazer várias chamadas públicas para atingir esse percentual, mas grande parte da deserta, agricultores aqui de perto não têm interesse, a gente compra muito de agricultores do sul do país, de associações e cooperativas do sul”.

Para a aquisição da agricultura familiar o processo de controle de qualidade não se diferencia em nada do processo de compra via licitação. O contrato aponta as especificações dos produtos, as penalidades, o processo de análise de qualidade. Todas as exigências são idênticas nos processos de aquisição de gêneros alimentícios para a merenda escolar.

No ano de 2014 a gestão do programa conseguiu adquirir em produtos da agricultura familiar cerca de 89 % do recurso destinado a esses produtores, o que representa um avanço, já que em anos anteriores, essa situação foi diferente, chegando a não se adquirir da agricultura familiar.

É fato que a gestão do programa conseguiu adquirir uma quantia de produtos da agricultura familiar no ano de 2014. Entretanto, foi identificada que essa informação não chega às instituições de ensino, 82% dos respondentes dos questionários afirmam que não ocorre a aquisição de produtos da agricultura familiar para a merenda escolar.

4.5.2. Subcategoria de análise: Dificuldades e desafios da aquisição da agricultura familiar

Um dos principais assuntos a se discutir em se tratando do fornecimento da agricultura familiar para o PNAE em Belo Horizonte, é identificar e descrever fatores impeditivos e dificuldades que impossibilitam que esse fornecimento, que é regulamentado em lei, de fato ocorra. Em 2014 o município conseguiu adquirir uma quantidade considerável desse segmento, mas ainda vários fatores dificultadores são relevantes e merecem ser especificados.

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Figura 11 - Principais dificuldades no fornecimento de produtos da agricultura familiar para o PNAE em Belo Horizonte

Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

Uma das dificuldades mais evidentes trata da questão de Belo Horizonte não possuir área rural, não existindo na região agricultura familiar suficiente que consiga atender a demanda do município. Essa dificuldade da existência de agricultura que consiga atender se estende para a região metropolitana, sendo umas das questões problemáticas apontadas para o não fornecimento de produtores familiares de Minas Gerais.

Outro fator relacionado à discussão anterior, e que impossibilita muitas vezes o fornecimento dos agricultores familiares é o volume exigido de produtos, a grande demanda existente em um município como o de BH (Vide Anexo B).

Outro aspecto identificado é que os produtores têm que estar organizados em associações ou cooperativas, pois o município só adquire de organizações formais11, exatamente pela quantidade de produtos que são demandados para a merenda e para outros programas de segurança alimentar e nutricional. O Gestor 02 traz algumas informações sobre esse assunto:

11 Sobre a opção de se adquirir somente de organizações formais a Resolução N° 26 de 2013 preceitua: “Nos

Estados, Distrito Federal, Municípios e escolas federais onde o valor total de repasse do FNDE para execução do PNAE seja superior a R$ 700.000,00 (setecentos mil reais) por ano, a EEx poderá optar por aceitar propostas apenas de organizações com DAP Jurídica, desde que previsto na chamada pública.” (BRASIL, 2013).

Aquisição da Agriultura Familiar Grande Volume de produtos Produção insuficiente na Região Exigência de capital de giro Organização dos produtores Logística de transporte e distribuição

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[...] o volume de alimentos é muito grande, eu recebi, por exemplo, quinze toneladas de feijão, hoje tão chegando mais quinze toneladas, é muito grande, e por exemplo leite agora na última licitação, no pregão eletrônico, do chamamento da agricultura familiar, tivemos que aprovar duas amostras boas, por que uma não consegue cumprir o volume de alimentos que a gente vai receber, então nós vamos receber duas marcas de leite, de duas cooperativas diferentes, uma só não consegue. A característica da agricultura familiar é de pequenos agricultores, aí tem que comprar de cooperativas senão não tem jeito (Gestor 02).

A falta de organização dos agricultores familiares, assim como o grande volume de produtos demandados, são fatores dificultadores, que interferem no fornecimento da agricultura familiar. É necessário que os produtores se organizem para atender um município como Belo Horizonte.

A falta de capital de giro dos produtores também é apontada como uma dificuldade para que ocorra e se mantenha o fornecimento. A burocracia da administração pública, o processo de conferência de notas fiscais, o gerenciamento dos recursos, a parte contábil e financeira da administração pública, até a efetivação do pagamento para o fornecedor pode demorar um certo período de tempo, muitas vezes exigindo do fornecedor um capital de giro para manutenção do fornecimento, recurso que nem sempre o produtor familiar dispõe.

Todos os pontos apresentados foram apontados como fatores que dificultam o fornecimento da agricultura familiar, mas a logística de transporte e distribuição foram os mais citados e destacados, uma vez que têm relação com alguns dos problemas já apresentados.

No município de Belo Horizonte o fornecedor é o responsável pela entrega dos produtos perecíveis nas entidades atendidas. A distribuição tem um custo elevado, sendo necessário transportar o produto até o município e depois distribuir esse alimento entre as instituições, semanalmente dependendo do produto. Esse processo exige também meios de transporte específicos que mantenham a integridade e a qualidade dos produtos fornecidos (utilização de transporte com câmara frigorífica, por exemplo).

A grande demanda de produtos, a logística de transporte e a distribuição complexa e de alto custo, a exigência de capital de giro para manutenção do fornecimento, todas essas questões indicam que para suprir a demanda, somente produtores organizados teriam condições de atender o município de forma satisfatória.

A agricultura familiar forneceu no ano de 2014 produtos não perecíveis para a merenda escolar, realizado por grandes cooperativas, ou seja, produtores organizados, que são entregues no depósito da prefeitura.

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