A expressão bens culturais surgiu após a Segunda Guerra Mundial, no âmbito do Direito Internacional, como repúdio às ações de destruição de elementos da cultura dos países arrasados pelo conflito, paralelamente à promulgação de normativas para evitar perdas futuras provocadas por intervenções militares, saques e tráfico ilícito. No âmbito jurídico, os bens culturais passaram a significar “aqueles bens cujas características estão vinculadas a fatos históricos ou que possuem valor excepcional, que formam o patrimônio cultural do Município, do Estado, da Nação ou da Humanidade” (SOUZA FILHO, 2011).
Inicialmente, a expressão bens culturais estava relacionada à territoridade e à temporalidade dos grupos sociais; ou seja, ao lugar, à região e aos elementos materiais ligados à sua memória coletiva. Por isso, os bens culturais são considerados “aqueles que materializam e dão identidade a um grupo humano habitante de certo espaço e tempo, criando manifestações que os distinguem de outros grupos e garantindo uma continuidade entre as suas diversas gerações” (MIRANDA; ARAÚJO; ASKAR, 2009, p. 157).
De certo modo, o bem cultural personifica a defesa dos interesses de cada grupo social. Na opinião de Giannini (1976), não é uma coisa ou um valor associado a um objeto, mas sim a um interesse incorporado a um suporte material. Para Bittencourt (2009, p. 21), coisa é tudo quanto possa existir, de natureza corpórea ou incorpórea; é aquilo do que se
fala, fato concreto ou abstrato. Meneses (2009, p. 34) conclui que tudo é coisa até ter um interesse atribuído por nós.
De acordo com Garcia e Rendón (2001), o bem cultural é, antes de tudo, o objeto, o produto que desde o momento de sua criação já possuía uma intenção humana, que posteriormente foi associado a crenças, tradições, ofícios, valores, sentidos. Segundo Volpato e Silva (2013), os bens culturais são portadores de um tríplice processo: o de produção e de uso na sua origem; o de descoberta e de uso do conhecimento; e o de valorização social como bens culturais. Tal valorização pressupõe que o objeto considerado bem cultural é também aquele digno de ser conservado e preservado, ou seja, aquele sobre o qual incidem uma ação e uma visão de proteção.
A construção da noção de bens culturais e o princípio das ações protetivas partiram de uma perspectiva global para local, a partir dos textos das conferências realizadas pela Unesco11, os quais podem ser de dois tipos: convenções e recomendações.
Os textos finais das convenções internacionais são ações normativas que consistem em acordos para reforçar a solidariedade e facilitar a cooperação entre os países membros da organização. Estabelecem regras e normas internacionais para determinada área, servindo de guia para a legislação e a regulação nacional. As recomendações são séries de textos legais internacionais que orientam os Estados membros sobre como proceder para a adoção de medidas específicas.
O texto da Convenção da Unesco sobre a Proteção de Bens Culturais em Caso
de Conflito Armado12, realizada em Haia (Suíça), em 1954, foi o primeiro tratado a empregar
a expressão bens culturais, os quais foram divididos em três categorias:
a) os bens, móveis ou imóveis, que tenham uma grande importância para o património cultural dos povos, tais como os monumentos de arquitetura, de arte, ou de história, religiosos ou seculares, os lugares que oferecem interesse arqueológico. Os grupos de edificações que, em vista de seu conjunto apresentem um elevado interesse histórico ou artístico, as obras de arte, manuscritos, livros e outros objetos de interesse histórico, artístico ou arqueológico, bem como as coleções científicas e as coleções importantes de livros, de arquivos, ou de reproduções dos bens acima definidos;
b) os edifícios cuja finalidade principal e real seja a de conservar e expor os bens culturais móveis definidos na alínea (a), tais como os museus, as grandes bibliotecas, os depósitos de arquivos, bem como os abrigos destinados a proteger, em caso de conflito armado, os bens culturais móveis definidos na alínea (a);
c) os centros que contenham um número considerável de bens culturais (definidos nas alíneas (a) e (b)), os quais serão denominados "centros que contêm monumentos" (UNESCO, 1954, grifos da autora).
11 Os textos de convenções e recomendações da Unesco sobre patrimônio cultural integram o conjunto de
acordos internacionais sobre a matéria denominados Cartas patrimoniais (CURY, 2004).
Observou-se que a noção de bens culturais estava essencialmente ligada a seus lugares de guarda ou às áreas de maior concentração, nos quais poderiam ser facilmente encontrados. Assim, as edificações se confundiam com os bens nelas armazenados. Embora a caracterização de bens culturais em edifícios e centros que possuem monumentos seja importante para a proposta desta pesquisa, esta seção se restringiu ao estudo da categoria dos bens culturais móveis, na qual se inserem os livros raros.
A noção de bens culturais está associada a aspectos intrínsecos, como a materialidade (formato, composição, consistência, etc.) e a autenticidade, e a aspectos extrínsecos, como o conteúdo informativo e os modos de apropriação pelos indivíduos. Por essas razões, comumente, emprega-se aos bens culturais a distinção entre bens materiais, ou tangíveis, e bens imateriais, ou intangíveis.
Os bens culturais materiais, ou tangíveis, são aqueles que possuem um suporte material de grande valor significativo incorporado ao valor simbólico do bem (CASTRIOTA, 2009b). Podem ser coisas corpóreas, palpáveis, como documentos, edificações e monumentos (MIRANDA, 2006). São aqueles que possuem história, função e significados que mudam de tempo em tempo (BRASIL, 2013b, p. 20). Os bens culturais materiais se dividem duas categorias: bens culturais imóveis; e bens culturais móveis.
Os bens culturais imóveis são aqueles que sofrem mudanças de uso e de sentido com o passar do tempo, mas se caracterizam principalmente pela imobilidade ou fixação permanente ao solo, de forma natural ou artificial, pela qual não podem se mover em sua totalidade sem se desfazerem ou se destruírem. Esta categoria inclui os sítios e as edificações de conjuntos tradicionais, como os vestígios de civilizações anteriores e os bairros históricos das zonas urbanas e rurais que possuem valor histórico, científico, artístico, arquitetônico, etnográfico, religioso ou secular (MIRANDA; ARAÚJO, ASKAR, 2009), tais como monumentos, núcleos urbanos, edifícios, templos, sítios arqueológicos e sítios paisagísticos (PELEGRINI, 2009). Salienta-se que os bens imóveis foram os primeiros a ser reconhecidos internacionalmente como elementos culturais e os primeiros a dispor de mecanismos legais para sua proteção.
Os chamados “bens culturais móveis” englobam “o conjunto de elementos artísticos, artefatos e objetos significativos para a memória, que se caracterizam pela facilidade de transporte” (RODRIGUES, 2008). Portanto, o reconhecimento de algo como bem cultural móvel está condicionado às características do seu suporte, às práticas sociais de valorização dele ao contexto no qual está inserido, a exemplo dos edifícios, dos lugares e das cidades, mas também ao risco de mobilidade para outros espaços. Incluem obras de arte, objetos litúrgicos, acervos museológicos, bibliográficos, arquivísticos, coleções
arqueológicas, fósseis, utensílios, equipamentos, instrumentos e qualquer objeto de valor cultural atribuído (PELEGRINI, 2009).
Os bens culturais móveis se caracterizam ainda pela possibilidade de integração entre si, isto é, a junção com elementos similares que também possuem mobilidade, a exemplo dos bens reunidos em coleções e acervos, como as bibliotecas. Também se caracterizam pela possibilidade de incorporação aos bens culturais imóveis, como é o caso dos elementos artísticos que ornamentam a ambiência de edificações e de igrejas, denominados bens integrados ou bens móveis integrados (COSTA, 1987). Dessa forma, a perda de qualquer elemento constituinte compromete a preservação de todo o conjunto.
Os bens culturais imateriais, intangíveis ou incorpóreos, são “aqueles que não se revestem de materialidade, porque não importa sua matéria-prima ou suporte que as materializa, apenas, a evocação ou a representação que sugerem” (MIRANDA; ARAÚJO; ASKAR, 2009). Incluem as obras literárias, artísticas e interpretativas e as invenções industriais; em suma, bens novos, produtos do espírito e do conhecimento humano, relacionados ao progresso da humanidade. Deve-se frisar que, a título de preservação, os bens culturais imateriais acabam por gerar produtos em suporte material que vêm a se constituir como bens culturais móveis, a exemplo dos acervos multimídia, que reúnem registros audiovisuais de manifestações populares (SILVA; REIS, 2013).
Nesta pesquisa, o principal interesse de estudo foram os bens culturais móveis, categoria na qual se incluem os livros raros. A intenção era compreender como as condições de identificação e de guarda dos bens culturais móveis influem em sua proteção legal, porque, segundo Rodrigues (2008, p. 48),
[...] Os bens móveis, por sua possibilidade de circulação, são passíveis de serem alienados sem muito controle, de serem deslocados de um lugar para outro, dentro ou fora das fronteiras nacionais ou de serem emprestados ou postos em depósito, fatos que, por si sós, fundamentam a necessidade de criação de normas mais específicas para a proteção desses bens culturais. De acordo com Askerud e Clement (1999), existem três escolas de pensamento relativas à aplicação de métodos para a definição e a proteção dos bens culturais móveis. A primeira adota o método de categorias, que consiste na descrição geral de bens do patrimônio cultural que devem ser protegidos. A segunda emprega o método de enumeração, pelo qual cada tipo de objeto é descrito com o objetivo de ser incluído em inventários para fins de proteção. Este é o método utilizado pela legislação em língua inglesa. A última escola usa o método de classificação, no qual o objeto é identificado e protegido a partir de uma decisão administrativa tomada por um técnico ou um especialista. O objeto passa, então, a ser o centro de uma série de medidas protetivas. O método de
classificação é inspirado na legislação francesa sobre patrimônio cultural e é o mais utilizado pelos Estados membros da Unesco, inclusive pelo Brasil.
A definição de bens culturais, com base no método de categorias, foi incorporada ao texto da Recomendação sobre medidas destinadas a proibir e impedir a
exportação, a importação e a transferência de propriedade ilícita de bens culturais13,
aprovada na Conferência Geral da Unesco realizada em Paris, em 1964:
Art. 1: Para efeito desta recomendação são considerados bens culturais os bens móveis e imóveis de grande importância para o patrimônio cultural de cada país, tais como as obras de arte e de arquitetura, os manuscritos, os livros e outros bens de interesse artístico, histórico ou arqueológico, os documentos etnológicos, os espécimes tipo da flora e da fauna, as coleções científicas e as coleções importantes de livros e arquivos, incluídos os arquivos musicais (UNESCO, 1964, grifos da autora).
A progressiva ampliação do conceito de patrimônio cultural para além dos monumentos e das obras de arte, compreendendo o conjunto de bens culturais, efetivou-se por meio da Convenção relativa às medidas destinadas a proibir e impedir a exportação, a
importação e a transferência de propriedade ilícita de bens cultuais14, realizada durante a
Assembleia Geral da Unesco em Paris, entre 12 a 14 de novembro de 1970. A expressão
bens culturais passou a significar “quaisquer bens que, por motivos religiosos ou profanos, tenham sido expressamente designados por cada Estado como de importância para a arqueologia, a pré-história, a história, a literatura, a arte ou a ciência” (UNESCO, 1970, p. 3). O texto desta convenção estabeleceu dez categorias de bens culturais:
a) as coleções e exemplares raros de zoologia, botânica, mineralogia e anatomia, e objetos de interesse paleontológico;
b) os bens relacionados com a história, inclusive a história da ciência e da tecnologia, com a história militar e social, com a vida dos grandes estadistas, pensadores, cientistas e artistas nacionais e com os acontecimentos de importância nacional;
c) o produto de escavações arqueológicas (tanto as regulares quanto as clandestinas) ou de descobertas arqueológicas;
d) elementos procedentes do desmembramento de monumentos artísticos ou históricos e de lugares de interesse arqueológicos;
e) antiguidades de mais de cem anos, tais como inscrições, moedas e selos gravados;
f) objetos de interesse etnológico; g) os bens de interesse artístico [...];
h) manuscritos raros e incunábulos, livros, documentos e publicações antigos de interesse especial (histórico, artístico, científico, literário etc.), isolados ou em coleções;
i) selos postais, fiscais ou análogos, isolados ou em coleções; j) arquivos, inclusive os fonográficos, fotográficos e cinematográficos; k) peças de mobília de mais de cem anos e instrumentos musicais antigos (UNESCO, 1970, p. 3-4, grifo da autora).
13
Ratificada pelo Brasil através da Lei nº 4.845, de 19 de novembro de 1965.
No entanto, os valores associados ao conceito de bem cultural só foram destacados a partir da Recomendação sobre o Intercâmbio Internacional de Bens Culturais aprovada na Conferência Geral da Unesco, realizada em Nairobi, em 26 de outubro de 1976. O documento definiu bens culturais como “aqueles que são expressão e testemunho da criação humana ou da evolução da natureza e que tem, ou possa ter a critério dos órgãos competentes do Estado, um valor de interesse histórico, artístico, científico ou técnico” e que pertençam a uma das cinco categorias abaixo:
a) Espécimes de zoologia, botânica e geologia; b) Objetos de interesse arqueológico;
c) Objetos e documentação de etnologia; objetos de artes plásticas e decorativas assim como as artes aplicadas;
d) Obras literárias, musicais, fotográficas e cinematográficas; e) Arquivos e documentos (UNESCO, 1976).
É possível perceber que as recomendações e as convenções da Unesco tinham o claro objetivo de coibir a evasão de bens sem prévia autorização dos Estados membros. Vale lembrar que o tráfico ilícito de bens culturais é o segundo crime mais rentável do mundo, perdendo apenas para o tráfico de drogas, e é a principal causa de desmantelação do patrimônio cultural nos países da América Latina (ASKERUD; CLEMENT, 1999; BAEZ, 2010).
Na segunda metade da década de 1970, os textos promulgados pela Unesco passaram a aprofundar as peculiaridades dos bens culturais. A Recomendação sobre a
proteção dos bens culturais móveis, aprovada na Conferência Geral da Unesco celebrada
em Paris em 1978, aprimorou o documento da Conferência de Nairóbi. O texto dedicado exclusivamente aos bens culturais móveis os definiu como:
[...] Todos os bens móveis que são a expressão e testemunho da criação humana ou da evolução da natureza e que tem um valor arqueológico, científico ou técnico artístico histórico, em particular os que correspondem às categorias seguintes:
i. O produto das explorações e escavações arqueológicas, terrestres e subaquáticas;
ii. Os antigos objetos, como ferramentas, cerâmicas, inscrições, moedas, selos, jóias, armas e restos funerários, em especial as múmias;
iii. Os elementos procedentes do desmembramento de monumentos históricos;
iv. Os materiais de interesse antropológico e etnológico;
v. Os bens que se referem à história, incluindo a história das ciências e das técnicas, a história militar e social, assim como a vida dos povos e líderes nacionais, pensadores, cientistas e artistas e os acontecimentos de importância nacional;
vi. Os bens de interesse artístico, tais como: Pinturas e desenhos feitos inteiramente à mão sobre qualquer suporte e toda classe de materiais (com excecção dos desenhos industriais e dos artigos manufacturados decorados à mão); Estampas originais, pôsteres e fotografias, que
constituem meios originais de criação; Conjuntos artísticos e montagens originais qualquer que seja a matéria utilizada; Produções de arte estatuario qualquer que seja a matéria utilizada; Obras de arte e artesanato feitos com materiais como vidro, cerâmica, metal, madeira, etc.; vii. Os manuscritos e incunábulos, códices, livros, documentos ou
publicações de interesse especial;
viii. Os objectos de numismática (moedas e medalhas) ou filatélico;
ix. Os documentos de arquivo, incluindo documentos textuais, mapas e outros materiais cartográficos, fotografias, filmes, gravações sonoras e registros legíveis por máquina;
x. Os móveis, tapeçarias, tapetes, trajes e instrumentos musicais;
xi. Os espécimes de zoologia, botânica e geologia (UNESCO, 1978, tradução e grifo da autora).15
As Recomendações da Unesco (1976, 1978) têm especial importância para a Biblioteconomia de Livros Raros ao atribuírem não só ao museu, mas também às instituições culturais similares, como as bibliotecas e os arquivos, a tarefa de zelar pela guarda e gestão dos bens culturais móveis. Para Lins (2011), são fundamentais a instituição e a manutenção de museus, bibliotecas e arquivos para a conservação de tais bens. Infelizmente, existe uma visão equivocada de que “as obras de arte, as peças históricas, os documentos e os livros estão em regra acondicionados em museus espalhados pela cidade” (SOUZA FILHO, 2011, p. 120). Essa visão errônea é reforçada por Costa (1987, p. 151):
O museu é o órgão específico de defesa do patrimônio cultural móvel de uma nação, região ou uma cidade. Outros órgãos poderão cumprir essa tarefa em caráter eventual ou de maneira complementar – como inventaria- lo, estudá-lo, restaurá-lo ou fiscalizá-lo com alguma regularidade. Mas só o museu o fará integral e permanentemente, porque essa é a razão de ser de sua existência. E para isso conta, ou deve contar, com especialistas adequados às coleções e aos serviços vários que uma entidade dessa natureza requer.
15 [...] todos los bienes amovibles que son la expresión o el testimonio de la creación humana o de la evolución
de la baturaleza y que tienen um valor arqueológico, histórico, artístico, científico o técnico, en particular los que corresponden a las categorias siguientes; i) El produto de las exploraciones y excavaciones arqueológicas, terrestres y subacuáticas; ii) Los objetos antigos tales como instrumentos, alfareria, inscripciones, monedas, sellos, joyas, armas y restos funerários, em especial las momias; iii) Los elemento procedentes del desmembramento de monumentos históricos; iv) Los materiales de interés antropológyco y etnológico; v) Los bienes que se refieren a la historia, incluída la historia de las ciências y las técnicas, la historia militar y social, así como la vida de los pueblos y de los dirigentes, pensadores, científicos y artistas nacionales y los acontecimentos de importância nacional; vi) Los bienes de interés artístico, tales como: Pinturas y dibujos hechos enteramente a mano sobre cualquier soporte y em toda classe de matérias (com exclusión de los dibujos industriales y los artículos manufacturados decorados a mano); Estampas originales, carteles y fotografias que constituyan médios originales de creación; Conjuntos y montajes artísticos originales cualquiera que se ala matéria utilizada; Producciones de arte statuario, cualquiera que se ala matéria utilizada; Obras de arte y de artesanía hechas com materiales cini el vidrio, la cerâmica, el metal, la madera, etc; Los manuscritos e incunables, códices, libros, documentos o publicaciones de interés especial; vii) Los objetos de interés numismática (monedas y medallas) o filatélico; viii) Los documentos de archivos, incluídas grabaciones de textos, mapas y otros materiales cartográficos, fotografias, películas cinematográficas, grabaciones sonoras y documentos legibles a máquina; ix) El mobiliário, los tapices, las alfombras, los trajes y los instrumentos musicales; x) Los espécimes de zoologia, de botânica y de geologia (UNESCO, 1978).
Contrariando tais argumentos, a Recomendação sobre o Intercâmbio
Internacional de Bens Culturais definiu as instituições culturais como “todo estabelecimento permanentemente administrado com a função de interesse geral, com o objetivo de conservar, estudar, valorizar e por ao alcance do público bens culturais reconhecidos pela autoridade pública competente” (UNESCO, 1976).
Atualmente, as instituições culturais similares aos museus dedicadas à gestão de bens móveis de interesse cultural são denominadas de “estabelecimentos” ou “equipamentos culturais”, isto é, “as edificações ou as instituições destinadas a práticas culturais (teatros, cinemas, arquivos, bibliotecas, centros de cultura) e os grupos produtores culturais abrigados ou não fisicamente nestes espaços (orquestras, corais, corpos de baile e etc.)” (COELHO, 2004, p. 383).
Para Scovazzi (2011) estes lugares são espaços culturais. Por isso, não são meros bens imóveis, mas bens móveis, porque em vários casos podem ser transferidos para outro local. Os espaços culturais, de certo modo, são intangíveis. São espaços físicos ou simbólicos nos quais as pessoas se encontram para desenvolver, partilhar ou trocar práticas sociais ou ideias. Portanto, as instituições culturais são os ambientes destinados a uso ou frequência coletivos, orientados principalmente para a produção, prática, acolhimento, divulgação e/ou comercialização de bens e serviços culturais geridos por instituições públicas ou particulares (MIRANDA; ARAÚJO; ASKAR, 2009, p. 161).
Em âmbito regional, as ações de salvaguarda do patrimônio na América ampliaram as tipologias de bens culturais até as instituições de guarda. De acordo com o
Tratado da Unión Panamericana, firmado pela Organização dos Estados Americanos (OEA)
em 1972, os bens culturais móveis são denominados monumentos móveis, isto é, “os bens