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Adi Ortaklık Oluşturmayan Pay Sahipleri Sözleşmelerinin Sona Ermesi

H.   Pay Sahipleri Sözleşmesinin Sona Ermesi

2.   Adi Ortaklık Oluşturmayan Pay Sahipleri Sözleşmelerinin Sona Ermesi

Inicio esta seção com o pensamento de Bourdieu que declara,

“Temos móveis de disputa que são, no essencial, produto da competição entre os jogadores; um investimento no jogo, illusio: os jogadores se deixam levar pelo jogo, eles se opõem apenas, às vezes ferozmente, porque têm em comum dedicar ao jogo, e ao que está em jogo, uma crença (doxa), um reconhecimento que escapa ao questionamento [...] eles dispõem de trunfos, isto é, de cartas mestra cuja força varia segundo o jogo: assim como a força relativa das cartas muda conforme os jogos, assim também a hierarquia das diferentes espécies de capital (econômico, cultural, social, simbólico) varia nos diferentes campos. (BOURDIEU, 1974: 73,74).

O autor apresenta que as estratégias dos jogadores variam de acordo com seu capital, entretanto na Câmara Municipal o capital agora era outro, pois haveria uma nova estrutura e o objetivo final do jogo era a conservação do mandato através do acumulo máximo de capital. E o que nos interessa aqui é a maneira que este trabalho foi conduzido e desenvolvido em seus primeiros anos para obtenção deste capital.

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Carta Capital. 11 de Agosto de 2014. Editado por Piero Locatelli e Rodrigo Martins com o tema Os evangélicos crescem com efeitos importantes na política, mas só Deus conhece o desfecho dessa história.

Pretende-se neste segundo capítulo elucidar a chegada à Câmara Municipal de Natal dos vereadores evangélicos eleitos, a participação no novo trabalho e em especial nas funções desenvolvidas por eles durante a gestão. Havia algo de diferente na bancada evangélica que chegava a Câmara? Qual a “mística em torno do político evangélico” como diferencial dos demais. O líder máximo da Igreja Universal em entrevista a Folha Universal declarou:

A política é exercida por cidadãos, e estes compõem a Igreja. Não dá para separar. [Perguntado se ele já pensou em ser Presidente do Brasil, Macedo respondeu] Nunca. O que desejamos é que o Presidente do Brasil e de outros países sejam pessoas verdadeiramente cristãs e comprometidas com a justiça social. (Folha Universal, 05/11/1995 p 8.)

O pensamento do Bispo Edir Macedo é que o político deve ser comprometido com a justiça social e que sejam pessoas verdadeiras. É o tipo de declaração que nós nos propomos a conferir dentro do estereótipo do político de Cristo quando se espera que esta máxima esteja sendo vivenciada. A pesquisa se propõe em analisar se esses elementos estavam na prática política dos vereadores. Embora entendesse que a chegada dos vereadores à Câmara foi algo significativo no campo político e religioso pela criação de novos debates. Importante ressaltar também que o propósito foi de buscar identificar os candidatos que se apresentaram como mensageiros da comunidade evangélica e que foram legitimamente eleitos pela população.

Assim, a pesquisa procura compreender quais são os atributos que os políticos evangélicos possuem e quais foram os impactos destes na Câmara Municipal de Natal depois da obtenção de seus mandatos. Atribuir alguns fatores na pesquisa são de fundamental importância para a compreensão dos vereadores evangélicos eleitos para a formação de um perfil dos pesquisados. Origem familiar, escolaridade e trajetória política.

Segundo Freston, a falta de um ensino, discipulado aos novos que chegam a Igreja evangélica, reflete na vida de seus políticos que na sua grande maioria por falar bem, conversar e ter “carisma” são levados muitas vezes a postos e funções na Igreja que não muito se preocupam com o caráter. (FRESTON: 2006). Para Freston carisma e caráter andam juntos. E, por muito carisma e por pouco caráter, é perceptível como já foi demostrado na pesquisa que a comunidade política evangélica está mais para o “caxias” do que produzir renunciadores, como descreve da Matta.

Os vereadores eleitos em 2004 iniciavam uma jornada ao desconhecido, pois todos eles chegavam pela primeira vez ao cargo de legislador, e como prevista na Constituição Nacional desde 1988 os vereadores eleitos deveriam elaborar o orçamento do Município para execução de todas as políticas públicas da Cidade, audiências públicas para aprimoramento de projetos de Lei, conhecendo todas as implicações para a sociedade e valores envolvidos, em tese seriam estes os desafios para os novos vereadores que chegavam ao seu primeiro mandato. (DUMURESQ, PEREIRA, & PESSOA, 2012: 25).

A origem familiar de cada um dos vereadores evangélicos eleitos será analisada através de um levantamento simples do histórico familiar e se este possuía algum político em sua família, para análise de possíveis conexões entre a presença de políticos na família dos vereadores.

Max Weber (2005) aborda os três tipos puros de dominação: legal, tradicional e carismática. É no tipo tradicional que a dominação pode ocorrer em relação à trajetória política, dominação em virtude da crença na santidade das ordenações e dos poderes senhoriais de há muito existentes. Sempre que a relação de domínio esteja fundada na dependência pessoal ou na honra estamental, por vínculos de fidelidade e em princípios materiais, com ausência de direito formal, como bem Weber aborda. Weber ainda aponta que, conforme a relação de dominação tem o seu alcance ampliado, e esta ampliação se deu na obtenção do mandato para a Câmara Municipal e tornou-se necessário para a obtenção de mecanismos que possibilitassem a sua eficiência que garantiriam a execução das suas ordens.

Os vereadores evangélicos eleitos em 2004 eram das camadas populares sem uma herança genealógica da política tradicional. Salatiel de Souza, Bispo Francisco de Assis, Gilson Moura, Sargento Siqueira e Adenúbio Melo advinham desta realidade social. Convém ainda ressaltar que para o desenvolvimento de cada vereador evangélico na Câmara Municipal é necessário entender que a origem sócio profissional é um fator para analise do desempenho dos vereadores, pois há alguma relação entre profissão e comportamento político. Qual profissão exercida antes de assumir o mandato? Eram empresários, profissionais liberais, funcionalismo público ou magistrados. O que faziam? É necessário para que se possa ter uma compreensão do preparo ou despreparo para a atividade desenvolvida.

No decorrer da análise é necessário constatar a trajetória política, obrigamo-nos a perceber as características da caminhada percorrida por cada vereador contribuindo para

traçar o perfil de todos. Cruzar estas peculiaridades com o comportamento político e a função desempenhada pelo partido político compreende o próximo passo, no intuito de examinar se a trajetória política interfere no procedimento político na Câmara Municipal. Comumente, as análises de trajetória consideram a história política anterior ao primeiro cargo a ser assumido, e como era a primeira legislatura a percepção do desenvolvimento da participação do vereador será uma oportunidade singular para uma análise com maior propriedade.

Importante assinalar que a participação no sistema político brasileiro em sua grande maioria ocorre no legislativo, (NOVAES, 2002: 64) é no plano municipal que os atores deste grupo exercem uma maior presença. E é fundamental uma retórica apropriada para se ter destaque político na aquisição de espaço para os projetos a serem apresentados na Câmara. Membros de Igreja local tem um ponto a mais na conquista deste espaço, pois muitos já discursão em suas Igrejas e sendo assim a produção e todo discurso ou ato retórico inclusive o que se afirma dentro de um contexto social, onde a disputa pelo poder é um elemento importante se faz presente com mais facilidade na vida dos novos vereadores.

2.1 A CÂMARA MUNICIPAL DE NATAL.

É importante compreender a realidade institucionalista direcionados à compreensão da função dos vereadores na política municipal a sua dinâmica no trabalho interno que servem para compreender os vínculos institucionais na dinâmica política nos municípios. Existe uma escassez documental de estudos sobre o trabalho de vereadores em Câmaras municipais. A importância de estudos sobre a esfera municipal é encontrada na literatura clássica da ciência política que irá nortear a compreensão das atividades dos vereadores na Câmara. (QUEIROZ, 1976; 177).

Natal é um município do Estado do Rio Grande do Norte, é capital do Estado e situa-se na região litorânea, formada por dez municípios. A Região Metropolitana de Natal39 apresenta-se como uma das regiões de maior dinamismo econômico e social do Rio Grande do Norte. Do ponto de vista da urbanização, apresenta uma acentuada diferença, pois a população rural de alguns municípios é superior à população urbana.

39 Área territorial Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (23 de janeiro de 2013). Visitado em 26 de Novembro de 2014.

Com uma área40 de 167,263 km², é a segunda capital brasileira com a menor área territorial e de acordo com a estimativa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2014, sua população é de 862 044 habitantes.

A Câmara Municipal de Natal na 15ª legislatura de 2005 – 2008 ficou composta por 21 vereadores41, que dedicariam a maior parte do seu tempo ao atendimento aos eleitores, cujas demandas são, na grande maioria das vezes, de caráter pessoal ou particularista. A prática do atendimento aos eleitores é uma busca de solução para questões pontuais e nela a interação face a face com o eleitor (no gabinete ou na rua) e com os problemas que o afetam no dia-a-dia é de fundamental importância. O atendimento é a atividade em torno da qual se desenvolve o trabalho diário dos vereadores no município.

É de especial modo à função básica de um vereador segundo Dumaresq o da racionalidade eleitoral, de aumentar a capacidade de votos, esse comportamento é coerente, dado que o capital político do Vereador é medido por sua capacidade de atender aos pedidos que lhe são encaminhados.

A maior atividade que o vereador tem é receber e encontrar soluções no atendimento por parte do Executivo juntamente com as suas secretarias. Constantemente é confrontada com escolhas que o remete a dinâmica do relacionamento entre o Executivo e o Legislativo. Na nova função em que os vereadores estarão a vivenciar cabe apoiar o governo e o Prefeito e ter maior possibilidade de eles corresponderem aos seus interesses, ou ser oposição e ter sua capacidade de atendimento cerceada.

As relações entre o Legislativo e o Executivo municipais só podem ser devidamente compreendidas após analisarmos a importância sobre as demandas dos eleitores.

Desde a instalação da primeira legislatura em 1948, a preocupação dos vereadores estava em proporcionar o bem estar da população, nas primeiras atas registradas são evidentes as ações em busca de uma infraestrutura melhor para a Cidade.

É registrado segundo Dumaresq que foi aprovada pelo vereador Severino Galvão a redução nos preços de transportes urbanos, em 10 de Junho de 1948. No dia 11 Junho de 1948 foi aprovado através do vereador Elyseu Leite, problemas com águas pluviais e

40 Estimativa da População residente no Brasil e Unidades da Federação com data de refefência em 1º de Julho de 2014. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (28 de agosto de 2014). Visitado em 26 de Novembro de 2014.

ainda nesta mesma data foram solicitados pelo Vereador Severino Galvão melhorias em calçadas públicas para uma melhor circulação pelas ruas do bairro Alecrim. Solicitações sem fim foram sendo registradas em prol da Cidade de Natal e estas ações caracterizavam a força e a participação dos vereadores na Câmara Municipal. É dito ainda que,

Os projetos começaram a ser votados e a cidade foi mudando seu aspecto físico e administrativo. É inegável, também, o empenho dos edis no que diz respeito à infraestrutura e a educação na cidade do Natal, o que é visível nos extratos das sessões, em que podemos tomar conhecimento da situação na sociedade, suas reinvindicações e costumes de uma época. (DUMURESQ, PEREIRA, & PESSOA, 2012:64, 65).

Desde a sua instalação até o início da 14ª Legislatura o trabalho e a vida política cotidiana do Vereador, se desenvolve através do atendimento a população e as suas reinvindicações para a Cidade.

Pode-se arriscar dizer então que os vereadores respondem a parte das expectativas sociais que os eleitores têm em relação a eles, mesmo que nem todas essas expectativas sejam condizentes com a motivação pessoal ou a sua história de vida ou ainda com as imposições institucionais. É importante entender as organizações sociais do país e dos próprios indivíduos como

Nossa definição de processo visa ao que se passa no âmbito das estruturas e das organizações sociais, e não o que tem lugar interindividualmente, ou culturalmente (…) O conceito de processo é habitualmente definido de acordo com as teorias evolucionistas; foi por isso sempre relacionado com a mudanças social, quando utilizado no âmbito da estrutura e da organização social. A sociedade porém é um todo que ora se modifica ora se mantém, segundo a ação interna e externa dos processos sociais; tanto sua permanência quanto sua transformação dependem destes. (QUEIROZ, 1991)

O resultado é uma relação nada fácil entre modos de ação social distintos ou opostos em que a norma social e a regra legal são divergentes. As relações sociais entre os atores da esfera pública dentro da Câmara Municipal de Natal constroem-se a partir da interação de comportamentos motivados por valores que são, não apenas distintos, mas contraditórios, em especialmente dentro da esfera religiosa. Visto das implicações

da fé, era esperada uma ação e postura diferente dos agora eleitos vereadores de Natal na esfera política municipal que na relação entre os agentes políticos e os eleitores, o mundo público das leis impessoais e universais é constantemente confrontado com a necessidade de burlá-lo para atender às demandas do universo privado dos parentes, dos amigos, dos apadrinhados, dos aliados e até dos próprios.

A inserção ao mundo legislativo mostraria a questão da ética do Sermão do Monte, como será observada na vida dos novos legisladores.

2.2 A CÂMARA.

A Câmara de Vereadores de Natal que à partir de 21 de Dezembro de 1975, durante a 8ª Legislatura, na gestão do presidente Érico Hackradt, instalou-se no prédio onde funcionou a antiga Escola de Serviço Social e, depois a Faculdade de Serviço Social, situada à rua Jundiaí, nº 546, Tirol. Uma homenagem prestada ao religioso Natalense e líder revolucionário republicano denominou a nova sede de Palácio Padre Miguelinho. Segundo Dumaresq, o terreno onde se encontra a sede da Câmara Municipal de Natal pertence à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Sua sede abriga os gabinetes dos 21 vereadores, plenário, onde se realizam as sessões, algumas salas adicionais que abrigam as demais seções operacionais da Casa, tais como Contabilidade, Coordenadoria Geral da Câmara, Departamento Jurídico, Sala das Comissões Permanentes e mais uma recém-reformada biblioteca. As sessões plenárias é o órgão deliberativo e soberano da Câmara Municipal.

Denominado Plenário Érico Hackradt, em homenagem a um ex-presidente da Casa, é o local onde os vereadores se reúnem para debater e votar os projetos em benefício da cidade, podendo ser aprovados e transformados em lei. As sessões ordinárias ocorrem as terças, quartas e quintas-feiras42.

Vários programas são mantidos e desenvolvidos com o apoio da CMN, e alguns se destacam e são eles Câmara nos Bairros. Programa que leva a estrutura da Câmara Municipal para as comunidades de Natal. Durante três dias, os vereadores deixam o Plenário e realizam as sessões nos bairros. O objetivo é aproximar cada vez mais os vereadores da população.

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http://www.cmnat.rn.gov.br/pordentrocamara# Visita realizada em 14 de Dezembro de 2014

Escola na Câmara, o programa Escola na Câmara acontece por meio de visitas regulares de alunos das redes de ensino público e privada, dos níveis de ensino fundamental e médio, ao Palácio Padre Miguelinho, sede da Câmara Municipal de Natal. Parlamento do Futuro, o programa é destinado aos alunos de ensino médio das escolas públicas e privadas com o objetivo principal de possibilitar aos estudantes uma visão mais ampla do Poder Legislativo, além de prepará-los para a participação política, como cidadãos. Todas estas atividades estão a serviço da população e os novos vereadores teriam este grande desafio entre outros de desenvolver e fazer funcionar toda esta realidade.