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AB ÜLKELERİNE YÖNELİK PANEL VERİ ANALİZİ 1 Ampirik Literatür

O sétimo princípio metodológico está ligado às condições sócio-históricas e antropológicas da exploração pessoal dos sentidos. Deve-se considerar a dimensão sócio-histórica nos encontros de Brasões, pois há uma estreita relação entre o fechamento operacional de caráter predominantemente subjetivo e os acoplamentos estruturais com o meio.

A linguagem e os conceitos não conseguem expressar as realidades existenciais do mesmo modo que o imaginário. Este engloba uma diversidade de sentidos dificilmente expressos pela linguagem conceitual. A linguagem simbólica dos Brasões permite uma comunicação social profunda através do compartilhamento das significações pessoais. Para sua leitura precisa-se recorrer a uma tomada de consciência subjetiva das formas que simbolizam nossa formação, bem como proceder a uma tomada de consciência das influências culturais e sociais.

Deve-se proceder a um desvio sócio-histórico que possibilita cruzar as emanações de caráter predominantemente subjetivo e as condições históricas e

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Para Lerbet (1997, pp. 97-98) “saber-gnose” está relacionado a um conhecimento que exprime um sentido interno próprio à pessoa emissora, portanto rico em conotações íntimas. O “saber-gnose” juntamente com o “saber-episteme”, que está relacionado à informação exterior à pessoa, constituem duas formas complementares e interativas do saber.

culturais que as influenciam. Desse modo, para que ocorra a busca de sentido pessoal revelado pelo imaginário, é necessário cruzar o sentido subjetivo dos símbolos com as significações que eles assumem dentro de uma determinada cultura.

A compreensão do imaginário não se dá exclusivamente a partir da ótica isolada do sujeito ou pela atribuição de sentido aos símbolos pelos outros, mas se dá dentro de fontes arquetípicas mergulhadas na cultura. Essa estreita conexão entre o mundo subjetivo e o meio sócio-cultural, ambos igualmente necessários para a leitura do imaginário, acentua a dimensão antropológica dos encontros de Brasões.

A sociologia do imaginário concebe o termo ambiente incluso que designa a constelação simbólica que impregna uma época.

“O ambiente incluso determina, de um modo forte, as atitude individuais, os modos de vida, as maneiras de pensar e as diversas inter-relações sociais, políticas, econômicas, ideológicas, religiosas, constituintes da vida em sociedade” (MAFFESOLI, 1985, apud GALVANI, 1997, p.73).

Segundo Maffesoli, citado por Galvani (1997, p. 73), vivemos na pós- modernidade, momento histórico que substituiu o racionalismo positivista da modernidade, e que está permeada por um ambiente incluso que dá ênfase à estética, à ecologia, ao sentimento de ligação e ao símbolo. Ao realizarmos os encontros de Brasões temos que ter clareza dessa bacia semântica do ambiente contemporâneo no qual estamos imersos, bem como da racionalidade técnica que permeia o ambiente e as metodologias de nossas escolas.

Para que os encontros de Brasões constituam um local de efetiva tomada de consciência, faz-se necessário ligar a expressão simbólica individual com a dimensão sócio-histórica que a influencia.

3.4 Brasões e a Abordagem Bio-cognitiva

A metodologia dos Brasões revela uma íntima conexão com a Abordagem Bio- cognitiva, pois constitui um meio eficaz para a simbolização dos acoplamentos estruturais e do fechamento operacional que compõem a autoformação.

Galvani (1997, p.143) apresenta o Brasão simbolizando as interações do ser com

o seu meio (seu acoplamento estrutural) em diversas culturas, tomando como referência o catálogo da exposição do Museu Guimet em 1964, intitulada Emblemas,

Totens e Brasões.

Galvani cita os índios do noroeste da América do Norte que utilizavam pilastras erguidas nas tribos e nelas representavam seus emblemas, símbolos do prestígio e dos direitos hereditários e seus privilégios. Os índios Bororós da América do Sul utilizam um sistema de colocação de penas nas flechas e de decoração dos arcos como meio de simbolização de seu acoplamento estrutural com o meio, pois pela natureza e cor do revestimento dos arcos, bem como pelo nome, natureza, e repartição das penas na madeira, deduz-se o pertencimento de um indivíduo a uma determinada tribo.

Marcel Griaule observa que esse mesmo procedimento é encontrado nos guerreiros da África Oriental que utilizam nas suas proteções (armaduras) uma decoração que permite a identificação de suas idades e suas regiões de origem.

“Assim, brasões e emblemas são a testemunha de uma das funções fundamentais do totetismo tal qual nos aparece entendido e vivido pelos Dogon; manifestar, manter e perpetuar as “categorias”, das quais os clãs são as testemunhas sobre o plano social, e as “correspondências” estabelecidas entre elas, cada clã estando ligado aos outros e portanto distinto, como o são as “articulações” ou organismo de um corpo vivo, neste caso o homem imagem microcósmica do universo” (Emblemas,

Totens e Brasões, 1964, p. 44, in GALVANI, 1997, p. 144).

Outro exemplo de utilização do Brasão como símbolo do acoplamento estrutural, concebido por Galvani, provém do trabalho de Lévi-Strauss com os aborígines da Austrália. Estes simbolizam no Tjuringa o corpo físico de um determinado ancestral, que é considerado o ser vivo reencarnado, geração após geração.

É interessante observar que hoje se verificam nos grupos de adolescentes trabalhos de grafitagem que são diferenciados dos trabalhos de pichação. Parece haver, em algumas situações, um acordo “velado” entre os dois grupos. Quando isso ocorre, o trabalho do grafiteiro raramente é alvo de uma pichação, indicando que há certa hierarquia entre as duas tribos.

Com a análise do material oferecido pelo catálogo da exposição do Museu Guimet, Galvani (1997) também consegue observar a função do Brasão de simbolizar o fechamento operacional do sujeito em diversas culturas. O fechamento operacional simboliza o movimento que permite a cada ser se conhecer, fazendo do acoplamento estrutural um local de nascimento pessoal. O Brasão simboliza a essência, as qualidades intrínsecas, a vocação de uma pessoa, de uma comunidade, de um local, de uma personagem legendária.

O catálogo da exposição do Museu Guimet mostra que na Grécia Antiga as armaduras dos guerreiros não eram hereditárias, mas representavam um símbolo rigorosamente pessoal, como um elemento mágico de proteção.

Nesse mesmo catálogo, há o trabalho de Marcel Griaule sobre os Dogons, povo da África Oriental. Nesse trabalho Griaule define que a função do Brasão para os Dogons é de fornecer aos membros do grupo a imagem das coisas e das pessoas essenciais desse grupo.

“Cada coisa, dizem os Dogons, cada ser é provido pela seiva de Deus com seu nome e com a sua placenta – placenta sobre a qual está gravado

seu sinal. Os Brasões totêmicos reproduzem e repetem a “gestação” da coisa representada”. (Emblemas, Totens e Brasões, 1964, p.43, in

GALVANI, 1997, p. 145).

Os Brasões ocidentais inicialmente refletiam as características espirituais e pessoais do cavalheiro; a partir da metade do século XII os Brasões passam a representar as qualidades das famílias hereditárias, perdendo sua característica exclusiva de marcas distintas e individuais.

Para uma melhor compreensão da função do Brasão como símbolo do fechamento operacional, Galvani (1997) apresenta a relação que existe entre o Brasão e o nome pessoal, buscando em diversas culturas o modo como se “escolhe” o nome de um indivíduo. Desse modo, Galvani procura mostrar que existe uma íntima relação entre o modo como se constrói um Brasão e se “escolhe” o nome pessoal.

Nas tribos dos índios Lakota, o nome é muito parecido com a tradição medieval de se construir Brasão, pois tem um caráter individual e não está ligado aos laços familiares. Segundo a cultura Lakota, tanto o nome como o Brasão refletem a essência do ser.

Nas tribos dos índios da América, os indivíduos possuem vários nomes: o nome “social” o qual é dado por um ancião para honrar a pessoa, o “apelido” que é um modo fácil de estigmatizar a pessoa e o nome “íntimo” que evoca o ser espiritual.

Diferente da prática social atual de “dar” um nome próprio, que pretende definir uma realidade fixa, as práticas primitivas de “dar” nome são dinâmicas; elas exprimem um chamado, um sinal de um caminho espiritual. Desse modo, o nome e o Brasão, não são uma etiqueta, mas um princípio espiritual essencial à pessoa.

Deve-se tomar cuidado ao considerar o Brasão como símbolo do fechamento operacional, pois este representa uma operação de si sobre si, na qual o ser é concebido como uma realidade formante e não como uma realidade fixa e acabada. Desse modo, as imagens que são refletidas nos Brasões não podem ser confundidas com marcas ou etiquetas de uma identidade pessoal, mas devem ser concebidas como orientações qualitativas que as pessoas manifestam visando um chamado que a conduza a uma realização pessoal.

A abordagem antropológica do Brasão permite uma melhor compreensão de sua função de simbolização da autoformação. O Brasão realiza um reflexo, uma representação simbólica do acoplamento estrutural e do fechamento operacional.

“O termo Brasão, deriva da palavra alemã blasen “soprar”, ela retoma à

simbolização do sopro como espírito. Construir um Brasão retorna à expressão simbólica da identidade de um ser. Como nós temos visto, essa função de expressão pode se aplicar de maneira variada à forma pessoal do ser (seu nome secreto, seu fechamento operacional íntimo), às relações pessoais que um ser estabelece com seu meio físico e social (acoplamentos estruturais Auto/eco e Auto/hetero), ou enfim para a expressão de uma aliança com os seres espirituais (orientação dos processos de personalização, guia espiritual)” (GALVANI, 1997, pp. 148-

149, tradução nossa).

3.5 A Autoformação, a Antropologia do Imaginário de Gilbert Durand.

Benzer Belgeler