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B. Uzun Dönemde Karşılaşılan Komplikasyonlar

3. BİREYLER VE YÖNTEM 1 Bireyler

3.2.1.9. Ağrı ve Yorgunluk Değerlendirmes

Suely tem 37 anos e é casada. Ela nasceu em Belo Horizonte. Pouco tempo após o seu nascimento, seus pais se separaram. Foi criada pela mãe (65 anos), empregada doméstica aposentada, e pelo padrasto (bombeiro). É a quarta filha (a última do primeiro casamento de sua mãe) de uma família de oito filhos101. Seus três irmãos homens possuem ou possuíram as seguintes ocupações: eletricista, pintor de carro e segurança. Das quatro irmãs, duas são donas- de-casa, uma trabalha com serviços gerais e a mais nova é estudante do ensino médio. Suely quase não conviveu com o pai, que foi pedreiro e faleceu há dois anos.

Desde a adolescência Suely reside no bairro Palmares, em Belo Horizonte (limite entre as regiões Cachoeirinha e Cristiano Machado). Em sua residência, ela vive com o marido, que é pintor de casas e pastor em duas igrejas evangélicas de origem neopentecostal, e com a filha de seis anos que estuda em horário integral em uma escola municipal de Belo Horizonte. No mesmo lote, há mais quatro casas construídas: três delas de irmãos do seu marido e uma delas de sua sogra recém falecida.

Assim como Graça, Suely não chegou a concluir a 5ª série. Cursou o primário em uma escola municipal de Belo Horizonte e parte da 5ª série em uma escola estadual. Parou de estudar aos 13/14 anos, embora tenha tido duas tentativas de retorno: uma em uma escola estadual e outra em um supletivo mantido pela igreja.

Suely atribui o abandono da escola ao desejo que tinha pela independência financeira, relatada por ela como ter dinheiro para se vestir e calçar adequadamente em um momento de sua vida no qual havia começado a namorar. Seu relato indica que ela deixou a escola justamente após seu ingresso como empregada doméstica em uma casa de família. Antes disso, já trabalhava. Entretanto, o trabalho como babá que desenvolvia desde os dez anos de idade na parte da manhã ainda permitia que ela estudasse no período da tarde. Tudo leva a crer que a proposta do emprego doméstico era mais vantajosa em termos financeiros. Assim, nota-se que Suely conseguiu conciliar por pouco tempo trabalho e estudo.

Das lembranças que tem sobre as tarefas escolares, não se recorda de ter tido ajuda em casa. Ela se apoiava em alguns livros didáticos dos irmãos mais velhos que, além do calendário, eram os únicos materiais escritos que se lembra de ver em casa. Levava as atividades que não

conseguia fazer sozinha para a escola e pedia auxílio de algum colega. Raramente um de seus irmãos mais velhos a ajudava. Sua mãe é analfabeta.

Como foi dito anteriormente, após ter abandonado a escola, Suely tentou retomar os estudos por duas vezes. Na primeira vez, ela se matriculou em uma escola estadual, mas não suportou a diferença de idade que tinha em relação aos colegas. Na segunda vez, relatou dificuldades em conciliar o casamento aos estudos e referiu-se também às despesas com o deslocamento para a escola que pesavam sobre seu orçamento. Nas duas situações, diz que os constantes dizeres das pessoas sobre a necessidade de se escolarizar para alcançar bons empregos contribuíram para que ela voltasse a estudar. Ao analisar a sua evasão escolar, ela atribui a culpa a si própria, que não teve empenho suficiente. Hoje, Suely diz não ter mais ânimo para retomar os estudos. Sua atenção está voltada para a escolarização de sua única filha e para o casamento.

O ingresso de Suely na atual família empregadora aconteceu quinze anos após a sua inserção como babá, logo, doze anos após seu distanciamento dos bancos escolares. É a única empregada pesquisada que teve sua mãe como responsável direta na sua colocação como babá e também como empregada doméstica no mercado de trabalho (vale lembrar que sua mãe trabalhou com doméstica até se aposentar). Assim, no caso de seu atual trabalho, da mesma forma como ocorreu em admissões anteriores para outras casas de família, o ingresso se deu por intermédio de sua mãe, que no momento era faxineira da casa onde ela atualmente trabalha. Os patrões requisitaram à faxineira que indicasse uma empregada que pudesse trabalhar diariamente na residência da família e ela indicou a própria filha, que no momento trabalhava como artesã, confeccionando bijuteiras. Foi também com a mãe que Suely relata ter aprendido a fazer “o serviço de casa”.

A família para a qual Suely trabalha reside em Belo Horizonteno, no bairro Cidade Nova, região nomeada como Cristiano Machado (ver mapa abaixo). De todas as empregadas pesquisadas, ela mora mais próximo ao trabalho. Trabalha de segunda à sexta-feira, no horário de 08h às 17h. Em momentos anteriores, seu horário de trabalho já foi flexível. Atualmente não o é, pois é ela quem leva (e busca) sua filha para a escola e tem, portanto, a obrigação de cumprir com os horários de saída e entrada de alunos, determinados pela escola.

As diferenças sociais entre o local de moradia de Suely e o de seus patrões são as menos evidentes entre os quatro casos pesquisados. Já foi dito que Suely vive no limite entre duas

regiões. Se considerarmos que ela reside na região Cachoeirinha102 (região em maior desvantagem social quando comparada a sua região vizinha Cristiano Machado), percebemos algumas diferenças sociais que, se não são abissais, podem ser consideradas relevantes para a qualidade de vida. A região Cachoeirinha encontra-se classificada no nível intermediário de analfabetismo (em uma escala de três níveis) de Belo Horizonte, de 4.200 a 895 residentes analfabetos, com uma taxa de alfabetismo de 96,67% de seus residentes. Nessa região, o índice de vulnerabilidade social foi classificado como o terceiro da capital (em uma escala de 5 níveis). Em relação ao número de moradores mestres e doutores, a região Cachoeirinha possui o menor indicador em uma escala de três níveis, de 25 a 01. Por outro lado, a região de moradia dos patrões, Cristiano Machado, apresenta alguns dados que diferenciam as regiões em termos sociais. A taxa de analfabetismo é a intermediária (assim como a da região de Suely), entretanto, a porcentagem de alfabetismo é ligeiramente superior, 98,22%. O índice de vulnerabilidade social é melhor em uma gradação, ou seja, é o segundo menor de Belo Horizonte. Entre as duas regiões, os números de mestres e doutores são os que mais se diferenciam. Na região onde moram os patrões, entre 253 a 107 residentes apresentam esse grau de escolaridade, classificando-se na faixa mais elevada de número de mestres e doutores da capital.

102 A escolha por apresentar a moradia de Suely na região Cachoeirinha é possível pela observação das duas regiões

feita por mim. Mesmo estando no limite entre as duas regiões, o bairro de Suely é visivelmente mais pobre do que o de seus patrões.

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Figura 2 – Mapa da localização das residências de Suely e dos seus patrões na cidade de Belo Horizonte.

Suely é a empregada mais jovem pesquisada e também a que se inseriu no serviço doméstico mais cedo, aos dez anos de idade. Como foi dito, seu primeiro contrato no serviço doméstico foi como babá, embora ela realizasse outras tarefas além do cuidado do bebê103. O bebê em questão era o filho de sua professora primária. Nessa época, trabalhava no período da manhã e freqüentava a escola no período da tarde. Nas memórias que tem desse período, relata ter sido grande a responsabilidade de, com tão pouca idade, cuidar de uma criança, arrumar a casa e depois estudar. Nessa residência, permaneceu por três anos.

O segundo trabalho de Suely foi como empregada doméstica e seu início coincide com o abandono da escola. Pela primeira vez, ela passou a residir com a família empregadora, o que provavelmente dificultou a continuidade dos estudos. Nessa família, Suely tinha por obrigação realizar todas as atividades domésticas: limpeza da casa, almoço, lavagem das roupas, etc. Nesse trabalho ela passou grande parte da sua adolescência: dos 13 aos 17 anos e, após breve interrupção, voltou a trabalhar para a família por mais algum tempo. Os relatos sobre esse período são poucos. Pergunto sobre possíveis dificuldades encontradas e ela disse ter encarado o serviço de forma mais tranqüila do que no primeiro trabalho. Suely destaca a possibilidade de ter seu próprio dinheiro como uma das grandes vantagens desse período. Conforme apontado por Brandt (2002), muitas vezes o emprego doméstico possibilita melhoria nas condições de vida de seus trabalhadores, levando-os a ter, muitas vezes, uma imagem positiva dele.

O terceiro emprego de Suely também foi como empregada doméstica. Ela foi indicada para trabalhar nessa família pela patroa de seu segundo emprego. Ela não sabe ao certo quantos anos trabalhou nessa residência. O fato é que saiu de lá aos 23 anos, após o seu casamento. Começou dormindo no emprego e depois passou a ir e voltar todos os dias.

De todas as empregadas pesquisadas, Suely é a única que não apresenta em seus relatos dificuldades quanto à aprendizagem da maneira como realizar o serviço doméstico em um espaço que, embora doméstico, é de outro (que pertence a um outro meio social). Talvez isso seja reflexo da tentativa que tive de inverter os temas da entrevista. No caso de Suely, ao invés de abordar na primeira entrevista a rotina de seu trabalho na família empregadora (resultado da dificuldade em obter relatos mais detalhados sobre a rotina de trabalho), decidi abordar sua trajetória profissional. Essa escolha pode não ter sido adequada, uma vez que em seu segundo contato

103 De acordo com Brandt (2002, p.146), entre as empregadas domésticas e entre as babás, é comum a extensão das

comigo (o primeiro se deu em uma conversa rápida, para que eu selecionasse os sujeitos) ela já me contou sobre sua inserção no serviço doméstico e todas as implicações que isso teve para a sua vida. Por outro lado, a naturalidade com que Suely parece ter encarado as tarefas domésticas pode estar relacionada ao fato de sua mãe ter sido empregada doméstica durante praticamente toda a sua vida104. Vale ressaltar que ela diz ter aprendido com a mãe (e não com as patroas) como realizar as atividades domésticas. Além disso, ela foi a empregada que se inseriu mais precocemente nessa atividade profissional.

Assim, em uma entrevista posterior, pergunto à Suely como ela soube quais deveriam ser as suas tarefas no seu trabalho na casa da atual família empregadora. De acordo com o que me contou, logo na admissão do emprego, a patroa deixou claro quais eram suas expectativas ao dizer o que gostaria que estivesse pronto antes do almoço. Relata ainda que a patroa “não é de ficar falando” suas tarefas cotidianamente e, por isso, diz ter muita liberdade. Enfim, Suely diz saber o que deve ser feito (para ela, todas as domésticas sabem) e realiza suas tarefas autonomamente. Acentua ser ela quem escolhe o cardápio do almoço e também ser ela quem escolhe o local onde guardar utensílios ou alimentos. Vale ressaltar que todas as quatro empregadas entrevistadas avaliam positivamente a autonomia que têm no gerenciamento de suas atividades.

Além do trabalho de empregada doméstica e de babá, Suely teve outras duas experiências profissionais, ambas nos intervalos de suas ocupações em casas de família: uma como auxiliar de limpeza em uma academia de esportes e outra como artesã na confecção de bijuterias (realizava o acabamento de bijuterias montadas por outra artesã). É interessante notar o caráter temporário dessas atividades que foi acompanhado de pouca mobilização para permanecer nelas.

Assim como Graça, Suely vende cosméticos paralelamente ao trabalho como empregada doméstica. Ela não é consultora direta de nenhuma empresa de cosméticos. No entanto, possui contato com consultoras que lhe repassam as mercadorias. Diz não ter pretensões financeiras com essa atividade. Muitas vendas são realizadas com o objetivo de receber produtos em troca.

De todas as empregadas domésticas pesquisadas, Suely é quem possui uma participação mais intensa na religião evangélica. Ela é praticante dessa religião desde que se casou. Já

104 Lahire (2002) afirma que alguns hábitos são incorporados durante a infância e a adolescência e não são

percebidos dessa maneira. Assim, a observação da execução de determinada tarefa por inúmeras vezes faz com que, posteriormente, essa tarefa seja executada pelo sujeito de forma quase automática. Ele exemplifica narrando o caso de uma feminista, contrária às atividades domésticas durante a adolescência e que, após se casar, tornou-se uma grande cozinheira. Ela despertou disposições que estavam adormecidas.

participou de pelo menos três igrejas evangélicas diferentes. Atualmente freqüenta a igreja onde o marido trabalha como pastor, às quartas-feiras e aos domingos. Sua filha freqüenta a escola dominical. Em sua residência, são encontrados predominantemente105 CDs, DVDs106, livros e revistas evangélicos. A predominância da leitura religiosa na família será tratada mais adiante. Antes de se casar, freqüentava esporadicamente a igreja católica.

Além da prática religiosa, Suely e sua família possuem outras práticas culturais. Entre suas atividades de fim-de-semana, relata ir ao clube campestre (com a filha, o marido e outros parentes), visitar a sua mãe, ir ao shopping ou ao Parque Municipal. Os aniversários da única filha são usualmente comemorados. Nessas ocasiões, a família empregadora é convidada a participar107.

2.2.2. Breve perfil da família empregadora

Se, no caso de Suely, as diferenças sociais dos locais de residência (dela e de seus empregadores) são as menos emblemáticas, o mesmo não pode ser dito quanto à ocupação e à escolarização dos membros da família para a qual ela trabalha. A família reside no bairro Cidade Nova e compõe-se do casal e de dois filhos. O pai é doutor em medicina e professor universitário de uma prestigiosa universidade pública há 31 anos. A mãe é especialista em saúde pública e aposentada como funcionária pública da área da saúde e também como professora universitária de uma prestigiosa universidade confessional. O filho mais velho do casal (28 anos) atualmente reside no exterior, onde cursa doutorado. A filha caçula (25 anos) reside com a família e é aluna de mestrado.

É interessante notar que, nesse caso, ambos os empregadores são professores universitários. Vale ressaltar que, para a seleção dos casos, não foi intencional a escolha por patrões professores universitários. No entanto, a busca por lares letrados que contavam com o serviço de uma empregada doméstica pouco escolarizada, levou-me ao encontro desses patrões professores. Como foi feito para o caso anterior, vale a pena reconstruir a trajetória dessa família.

105 Além dos CDs evangélicos pude ver alguns títulos de “música sertaneja” e da “música internacional” que,

segundo Suely, são de outra fase da vida do casal, antes de se converterem à religião evangélica. Os DVDs da filha do casal são diversificados: além dos evangélicos, há filmes da produção comercial norte-americana, brasileira e latino-americana.

106 Além dos DVDs com pregações de pastores de diferentes regiões do Brasil, há, na casa de Suely, três DVDs com

filmagens de casamentos celebrados por seu marido.

Sr. I.108 nasceu em uma cidade mineira localizada no Vale do Mucuri e tem 57 anos. É o primogênito de uma família de nove filhos109. Seu pai trabalhou como funcionário público na Rede Ferroviária Federal e posteriormente como comerciante de jóias e pedras. Sua mãe fez o curso Normal, mas não chegou a atuar como professora. Ela foi dona-de-casa durante toda a vida e já contou, em sua residência, com o serviço de empregadas domésticas.

Com exceção do cursinho preparatório para o vestibular que realizou em concomitância ao final do científico, Sr. I. viveu toda a sua trajetória escolar em escolas públicas. Parte do científico foi cursada em um colégio público federal, em Belo Horizonte. Seu ingresso nessa instituição tem a mesma data de sua primeira mudança, em 1969, para a capital mineira. Dessa escola, Sr. I. saiu aprovado para ingressar no curso de medicina. Ele se formou médico em uma prestigiosa universidade pública no início da década de 1970.

Imediatamente após a formatura, foi indicado pelos seus próprios professores para trabalhar na Secretaria de Saúde. Vinculado ao trabalho, fez curso de especialização em Administração de Sistema de Saúde na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, onde se aproximou da temática da medicina social.

Ainda na Secretaria de Saúde, trabalhou durante o ano de 1974 em Juiz de Fora participando da criação dos centros regionais de saúde. Em 1975, retornou a Belo Horizonte, para trabalhar na Administração Central no Centro de Saúde de Tuberculose. Iniciou sua carreira universitária aos 26 anos, como professor de uma prestigiosa universidade pública. Atualmente, permanece na universidade das 8h até por volta de 20h.

Dois anos após o casamento com C., ocorrido no final da década de 1970, Sr. I. mudou para o Rio de Janeiro com a finalidade para realizar o mestrado. Ele cursou todas as disciplinas, mas não chegou a concluir a dissertação. Posteriormente, em 1988, ingressou no doutorado em uma prestigiosa universidade pública de São Paulo, tendo concluído o curso em 1996. Em São Carlos (SP), permaneceu estudando por dois anos e meio.

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Esse patrão receberá o tratamento de senhor, visto que é assim que a empregada se refere a ele. Nos outros casos, utilizam-se apenas as iniciais dos nomes dos patrões e também das patroas.

109 As profissões dos seus irmãos são: advogado e empresário, professor universitário na área de Geografia,

sociólogo e secretário de políticas sociais de Montes Claros. Suas irmãs, por sua vez, são: psicóloga, advogada e jornalista. Uma delas não terminou o ensino médio e encontra-se desempregada.

Sua esposa, por sua vez, tem 59 anos e nasceu no interior oeste de Minas Gerais. Ela é a segunda na fratria de uma família de cinco filhos110. Seu pai, já falecido, trabalhou como técnico de companhia telefônica e posteriormente foi proprietário de uma empresa de construção civil. Sua mãe é dona-de-casa e mora no andar de cima do prédio.

C. formou-se no curso Normal aos 18 anos, em uma instituição religiosa. Trabalhou durante um ano como professora primária do curso noturno. Mudou-se para Belo Horizonte aos 19 anos e trabalhou mais um ano como professora primária, também no curso noturno. Posteriormente, foi bancária por dois anos, concomitantemente aos primeiros anos do curso superior e antes de conseguir um estágio na universidade.

Ela se formou em Serviço Social, em uma universidade confessional de prestígio, no início da década de 1970, aos 23 anos. Cursou parte de uma pós-graduação em Administração Hospitalar e concluiu uma pós-graduação, desta vez em Saúde Pública, em Belo Horizonte. Atualmente cursa disciplinas isoladas do curso de mestrado e de doutorado na área da medicina.

C. é aposentada. Em sua carreira, foi funcionária pública e professora universitária. Na prefeitura de Belo Horizonte, trabalhou na implementação do programa Saúde da Família. Como funcionária federal, trabalhou no Ministério da Saúde (na época do seu ingresso, Ministério da Previdência) nas áreas de planejamento da saúde, atendimento ao usuário do sistema público de saúde e na implantação do Sistema Único de Saúde. Também trabalhou na Escola de Saúde Pública, lecionando cursos para funcionários do estado na área da saúde e para funcionários de outras prefeituras. É professora aposentada de uma prestigiosa universidade confessional, tendo lecionado na área de saúde pública para o curso de Serviço Social.

Assim, pode-se dizer que a própria ocupação de Sr. I. e de C., como a dos outros patrões professores do ensino superior entrevistados, coloca em evidência a importância das práticas de leitura e escrita111 em suas trajetórias profissionais. No caso de Sr. I., para ser e se manter professor universitário, além da graduação, ele teve que estender sua escolarização por oito anos. Além disso, essa atividade profissional exige constante estudo para acompanhar o desenvolvimento científico do campo em que atua. Algumas das práticas de leitura e de escrita relacionadas ao trabalho do Sr. I. e relatadas por ele são a leitura de revistas científicas, de livros