• Sonuç bulunamadı

2. BÖLÜM: TMS- 11 İNŞAAT SÖZLEŞMELERİ STANDARDI

2.1. TMS 11- İnşaat Sözleşmeleri Standardının İncelemesi

2.1.14. Açıklama

Efésios 1

1.1 Pau/loj avpo,stoloj Cristou/ VIhsou/ dia. qelh,matoj qeou/ toi/j a`gi,oij toi/j ou=sin Îevn VEfe,sw|Ð86 kai. pistoi/j evn Cristw/| VIhsou/(

1.2 ca,rij u`mi/n kai. eivrh,nh avpo. qeou/ patro.j h`mw/n kai. kuri,ou VIhsou/ Cristou/Å

1.1.Paulo, apóstolo (enviado) de Cristo Jesus através de vontade de Deus, aos santos que estão [em Éfeso] e (aos) fiéis em Cristo Jesus,

1.2 graça a vós e paz da parte de Deus pai de nós e do senhor Jesus Cristo.

No versículo primeiro (1.1), o particípio infectum, toi/j ou=sin, corresponde a um substantivo na função de aposto do dativo, caso em que se encontra toi/j a`gi,oij, adjetivo substantivado indicativo dos destinatários da epístola. Em razão dessa estreita relação, o particípio ou=sin recebe as marcas próprias - como caso (dativo), número (plural) e gênero (masculino) - de a`gi,oij, carregando as funções exercidas por seu referente. Outra tradução possível para toi/j a`gi,oij toi/j ou=sin, que demonstra a interdependência desses elementos lingüísticos, é: aos santos, os existentes87 (aos

santos existentes), condição em que ocorre plena concordância entre os constituintes da frase.

Embora não seja fácil atribuir apenas uma única função para o particípio, pois ele também pode ser considerado um adjunto adnominal ou mesmo um predicativo do dativo, a presença de artigo nos dois elementos nos indica a função apositiva de ou=sin em relação a a`gi,oij. Outros exemplos poderão auxiliar-nos:

...u(/dwr zw=n... (predicativo do acusativo) ...água que é viva... (João 4.10)

...to\\\\ u(/dwr to\\\ zw=n... (função apositiva do acusativo) ...a água, aquela que é viva,... (João 4.11)

86Conforme apresentamos na “Metodologia”, empregamos os seguintes símbolos:

( ) – opção de tradução

[ ] – texto omitido em alguns manuscritos { } – termo subentendido

87 O verbo ser pode ser empregado, por recuperação semântica, com seu sentido forte, indicando uma

condição essencial. Segundo Murachco (2003:407): Em grego, no início, o verbo ser tem um sentido

existencial, forte, absoluto... (grifos do autor). É com tal significação existencial: sou, existo que

Pois, a mulher sob marido está presa pela lei ao homem vivente (enquanto está vivo) (Romanos 7.2).

Como afirma Horta (1991:233):

O artigo, que geralmente vem antes do substantivo ou do grupo formado por este e seus adjuntos adnominais ou complementos, pode, contudo, vir repetido diante do adjunto ou do complemento que suceda ao nome, para pô-los em evidência. (...) O artigo também precede o aposto de um substantivo ou de pronome pessoal.

Entretanto a forma nominal não perde nem o funcionamento, nem a natureza verbal; ela porta todas as noções que são próprias aos verbos, tais como: aspecto, número e voz. Daí ou=sin, verbo-particípio de ei)mi, está no infectum, tem número plural e a sua voz é ativa. Por ser verbo intransitivo, não há complemento objeto; por razões aspectuais, há a idéia de continuidade do processo, de ação durativa; pelo número, observamos a concordância com seu referente que não é singular; pela voz ativa, há a indicação de afirmação a respeito do seu referente88.

Trata-se de verbo intransitivo com sentido forte, existencial, com natureza declaratória89, passível de ser modificado por meio de advérbio. Mantendo,

concomitantemente, as características de adjetivo e de verbo, o particípio sofre modificação em função da locução adverbial evn VEfe,sw|. Tendo em vista que na preposição e)n há uma relação locativa, ao particípio é atribuída uma situação espacial que em português é expressa pelo verbo estar: ... ou=sin Îevn VEfe,sw|Ð, ...que estão em Éfeso.

Pi/stoi=j surge como acréscimo ao pensamento do autor. Embora anartro, está ligado a a`gi,oij tanto pela forma (masculino, dativo, plural) quanto por kai,, conectivo somatório, assumindo na expressão toi/j a`gi,oij...kai. pistoi/j os caracteres de apresentação e de qualificação dos destinatários da carta. O enunciador faz justaposição de duas características quando se dirige aos seus leitores: Por um lado, estão separados

88 Quando o verbo é transitivo, a voz ativa indica a ação do sujeito sobre o objeto; quando é intransitivo,

há uma afirmação a respeito do agente.

89 Como em João 1.1: ...hån o( lo/goj..., a palavra era. O verbo ser está no sentido de existir; não expressa

para o serviço de Deus em Éfeso90 e por isso são santos; por outro lado, são fiéis porque estão em Cristo91.

No versículo 2 há a saudação inicial. Os santos e fiéis são apenas identificados através do pronome pessoal: ca,rij u`mi/n...( graça a vós...), o que perdurará durante toda a Epístola quando o destinador dirigir-se aos destinatários de modo específico, direto. A saudação grega encontrada nos textos neotestamentários é cai,rein92, mas Paulo emprega usualmente o seu cognato ca,rij93.

As condições estruturais de endereçamento: a introdução, que inclui o nome do remetente e do destinatário, e a saudação, são comuns ao gênero epistolar e são as que o apóstolo freqüentemente utiliza. Podemos isso verificar nos seguintes exemplos:

Pau/loj...pa/sin toi/j ou=sin evn ~Rw,mh| avgaphtoi/j qeou/( klhtoi/j a`gi,oij( ca,rij u`mi/n kai. eivrh,nh avpo. qeou/ patro.j h`mw/n kai. kuri,ou VIhsou/ Cristou/Å

Paulo... a todos os que estão em Roma, aos amados de Deus, aos chamados santos, graça a vós e paz da parte de Deus, pai de vós e do senhor Jesus Cristo (Romanos 1.1, 7).

90 Na cultura judaica, a palavra “santo” era empregada para designar aqueles que eram consagrados para o

serviço de Deus, que eram separados para viver em santidade, e não para indicar pureza por mérito pessoal.Dunn afirma (2003:74): (...) agora os gentios chegavam para participar das bênçãos prometidas por Deus particularmente a (por meio de) Israel (Gl. 3,6-14). Os gentios que não haviam conhecido a Deus agora receberam participação no conhecimento de Israel (4, 8-9). Daqui o desembaraço de Paulo ao saudar as comunidades predominantemente gentílicas de Roma e outros lugares como “amados por Deus, chamados para ser santos”, “eleitos de Deus”, isto é, usando epítetos que haviam caracterizado a visão que Israel tinha de si. Os gentios participam das bênçãos de Deus participando do “status” especial que Deus conferira a Israel.

Segundo Terra (2001:545): O Novo Testamento evita usar “hierós” (santo, consagrado) porque, ancorado na mitologia grega, refletia todo o ambiente religioso conexo com a antiga concepção de Deus e da natureza... Na época helenística, segundo os estudos de Terra: “Hágios” torna-se...o epíteto da transcedência divina. Esse fato teve um peso decisivo na escolha do vocabulário sacro na Bíblia grega. A Septuaginta escolheu a palavra “hágios” para traduzir o termo hebraico “qadol” – santo – porque não estava comprometido com o culto idolátrico do paganismo e era mais apto para expressar a transcedência divina. Pelo mesmo motivo, o Novo Testamento usa cerca de 233 vezes o adjetivo “hágios” (Terra, 2001:565).

91 A expressão metafórica “em Cristo” é muito comum no corpus paulinum. Para o apóstolo não é

possível ser autêntico cristão se não estiver “em Cristo” (cf. Romanos 6.3; 6.11, 8.1, 12.5; 1Coríntios 1.2, 15.18-19, 22; 2Coríntios 5.17, 19, 12.2, Gálatas 1.22, 2.17, 3.26-28, 5.6, 6.15, entre outros).

92 Atos 15.23, 23.26, Tiago 1.1 entre outros.

93 Romanos 1.7, 1Coríntios 1.3, 2Coríntios 1.2, Gálatas 1.3, Filipenses 1.2, Colossenses 1.2, 1Tessalonicenses 1.1, 2Tessalonicenses 1.2, 1Timóteo 1.2, 2Timóteo 1.2, Tito 1.4, Filemom 1.3.

kai. eivrh,nh avpo. qeou/ patro.j h`mw/n kai. kuri,ou VIhsou/ Cristou/Å

Paulo... à igreja de Deus, a que está em Corinto, santificada em Cristo Jesus, aos chamados santos... graça a vós e paz da parte de Deus, pai de nós e do Senhor Jesus Cristo (1Coríntios 1.2,3).

1.3 Euvloghto.j o` qeo.j kai. path.r tou/ kuri,ou h`mw/n VIhsou/ Cristou/( o` euvlogh,saj h`ma/j evn pa,sh| euvlogi,a| pneumatikh/| evn toi/j evpourani,oij evn Cristw/|(

1.3 Bendito o Deus e pai do senhor de nós Jesus Cristo, aquele que nos bendisse (o que tendo-nos bendito, abençoado) em toda bênção (bendição) espiritual nas {regiões} celestiais94, em Cristo,

O versículo 3 é o princípio de um discurso em que Deus95 (o` qeo.j) é louvado. A palavra euvloghto,j não aparece muitas vezes no Novo Testamento, mas todas as suas ocorrências referem-se a Deus.96 Para os seus escritores, apenas ele é digno de louvor.

Em razão de ter sido revelado através do filho, o pai é bendito como o Deus e pai do senhor de nós Jesus Cristo, expressão esta que podemos encontrar em Romanos 15.6, 2Coríntios 1.3, 11.31, 1Pedro 1.3. Como afirma Dunn (2003:56): Deus é o pressuposto fundamental da teologia de Paulo, o ponto de partida da sua teologização, o subtexto primário de toda a sua obra escrita.

O particípio é adjetivo deverbal que pode assumir as funções de substantivo. Em 1.3 encontra-se substantivado, pois está precedido por artigo: o` euvlogh,saj. Como

94 Dunn (2003:145) afirma: Paulo compartilhava da crença comum de que havia vários céus; ele mesmo tinha experimentado uma viagem celeste até o terceiro céu (2Coríntios 12, 1-4). Mais relevante para o nosso caso, ele compartilhava do que também era crença comum, isto é, que os céus inferiores eram povoados por vários poderes hostis ou que os poderes celestes hostis montavam uma espécie de barreira para impedir o acesso aos céus superiores (o paraíso estava no terceiro céu – 2Coríntios 12,3). Em nota, ele acrescenta: Os ´lugares celestiais´ de Efésios parecem ser a descrição usada para os céus inferiores (3,10; 6,12) e os céus superiores (1,3 e 20; 2,6).

95 Dunn (2003:56) diz: Via de regra nas cartas paulinas Deus é mencionado logo de início como fato primário de legitimação atrás da obra da vida de Paulo (2Coríntios 1.1; Efésios 1.1; Colossenses 1.1; 2Timóteo 1.1, Gálatas 1.1).

96 Marcos 14.61, Lucas 1.6, Romanos 1.25, 9.25, 2Coríntios 1.3, 11.31, 1Pedro 1.3.

(Todas as nossas pesquisas neotestamentárias e veterotestamentárias referentes ao vocabulário e ao emprego de estruturas lingüísticas foram realizadas por meio do The Greek New Testament (GNT), edited by Kurt Aland, Matthew Black, Carlo M. Martini, Bruce M. Metzger, and Allen Wikgren.In: Software “Bible Works”. Copyright © 1995 Michael S. Bushell).

nome, possui marcas formais de número (singular), gênero (masculino) e caso declinado (nominativo), as quais definem as suas funções na frase.

Por não possuir sinal indicativo de pessoa, o seu referente poderá ser identificado através da concordância formal. Pela morfologia podemos reconhecer que o` qeo,j, substantivo, nominativo, masculino, singular, é a quem o particípio está ligado. Sua função na expressão o` qeo.j... o` euvlogh,saj, é a de aposto.

Mas a forma nominal também continua mantendo as suas características verbais com noções de aspecto, número e voz. Por encontrar-se no aoristo, podemos concluir que a ênfase do enunciador não está na ação em desenvolvimento, como se ela estivesse em progresso, nem tampouco no seu término, na conclusão do processo verbal, como se o agente já tivesse completado, concluído, encerrado o ato de bendizer. Trata-se apenas da menção do evento, da ação pura, simples, pontual, em que a atividade do sujeito não está em curso; faz-lhe referência de modo geral, sem desejo de enfatizar o seu processo. Em português, equivale a uma oração subordinada adverbial temporal reduzida: tendo bendito ou desenvolvida: depois que bendisse.

A forma bendisse, no chamado pretérito perfeito, pode sugerir a idéia equivocada de ato concluído (perfectum), alterando, significativamente, a exegese do excerto. Se assim fosse, a ênfase recairia sobre o ato verbal completo e indicaria um estado permanente até o momento da enunciação.

Outra característica verbal que podemos destacar é a de que o particípio também tem a função de predicado que se relaciona a um referente e que busca seu complemento. Como afirmamos, o particípio está concordando com o` qeo.j e, para complemento, busca seu objeto: h`ma/j, pronome pessoal no caso acusativo: o` qeo.j...o` euvlogh,saj h`ma/j... (o Deus... o que nos tendo bendito...).

Quanto à categoria tempo, euvlogh,saj refere-se à ação que foi realizada antes da que está expressa pelo verbo da oração principal; por ser um particípio pontual, tem anterioridade relativa, e mesmo que esteja substantivado, essa sua relação temporal ainda continua bem definida. Como já afirmamos, o traço aspectual aoristo estabelece a idéia da expressão verbal pura; é a referência à ação sem contornos e sem limites.

Elucidativo, quanto ao uso dos diferentes aspectos, é o texto de Atos 3.26:

prw/ton avnasth,saj o` qeo.j to.n pai/da auvtou/ avpe,steilen auvto.n euvlogou/nta u`ma/j evn tw/| avpostre,fein e[kaston avpo. tw/n ponhriw/n u`mw/nÅ

Primeiramente, Deus, tendo levantado o seu filho, enviou-o, bendizendo-vos no desviardes cada um das maldades de vós.

Nesse fragmento escrito por Lucas, discípulo de Paulo, encontramos o particípio aoristo avnasth,saj fazendo alusão à ação com tempo relativo de anterioridade e o infectum euvlogou/nta referindo-se a um evento com tempo relativo de simultaneidade, ambos concernentes ao ato expresso pelo verbo da oração principal. Por sua vez, avpe,steilen, indicativo aoristo, da mesma maneira porta a noção de relatividade temporal, embora seja quanto à fala do enunciador. Nessas condições, avpe,steilen, pelo tempo externo não absoluto, alude à localização do ato verbal em relação ao momento em que o falante produziu o seu enunciado e, pelo aspecto, determina que a ação é pontual, que apenas está sendo mencionada. Ao fato sem duração no tempo de enviou, ocorreram outras duas ações: uma simultânea: ...avpe,steilen auvto.n euvlogou/nta u`ma/j... (...enviou-o bendizendo-vos...) e outra anterior: ...avnasth,saj...avpe,steilen auvto.n... (enviou-o... depois que levantou...).

O verbo da oração principal a que euvlogh,saj (verbo particípio aoristo substantivo aposto) marca anterioridade é apresentado no versículo seguinte: o` qeo.j... o` euvlogh,saj h`ma/j... evxele,xato... (o Deus..., aquele que depois de bendizer-nos..., elegeu...), v.1.4.

Os temas pontuais carregam a noção de uma narração seqüencial, conforme Murachco (2003:236):

...o uso do indicativo exprime o carácter da simples enumeração de fatos isolados, pontuais, no passado, sem marcar anterioridade de um em relação ao outro (a anterioridade seria expressa pelo particípio aoristo ou por um advérbio de tempo).

Embora essa afirmação inicialmente apenas contemple o indicativo aoristo, podemos observar que no versículo 3 ocorre a enumeração de fatos pontuais no passado

e com noção de sucessão temporal em razão do particípio aoristo que marca a precedência de um ato em relação ao outro.

1.4 kaqw.j evxele,xato h`ma/j evn auvtw/| pro. katabolh/j ko,smou ei=nai h`ma/j a`gi,ouj kai. avmw,mouj97 katenw,pion98 auvtou/ evn avga,ph|(

1.4 como elegeu-nos (para si99) nele antes da fundação do mundo para sermos, nós, santos e sem censura à vista dele em amor,

O versículo 4 é iniciado pelo conectivo kaqw,j (assim como, como) que liga frases, que une ações, que estabelece relações entre fatos, o que reforça ainda mais a noção verbal de euvlogh,saj (v. 1.3).

O indicativo aoristo evxele,xato, embora tenha sido formado com o aumento e-, não possui tempo absoluto, mas somente aquele que é externo-relativo já que apenas faz

97 A palavra

a)/mwmoj, sem mancha, no Novo Testamento, tem conexão direta com os sacrifícios exigidos

pela Lei do Antigo Testamento. Somente o animal considerado perfeito, sem censura (culpa > defeito) podia ser ofertado a Deus.

O apóstolo Pedro faz uso do termo e aplica-o à pessoa de Cristo:

avlla. timi,w| ai[mati w`j avmnou/ avmw,mou kai. avspi,lou Cristou/ (1Pedro 1.19).

mas com precioso sangue, como de cordeiro sem censura(culpa > defeito) e sem mancha, de Cristo. Judas o faz quanto aos cristãos:

tw/| de. duname,nw| fula,xai u`ma/j avptai,stouj kai. sth/sai katenw,pion th/j do,xhj auvtou/ avmw,mouj evn avgallia,sei (Judas 1.24).

mas ao que pode guardar-vos sem tombo e pôr de pé diante da glória dele sem censura em excedida alegria.

98 katenw,pion é uma preposição empregada com genitivo. Encontramo-la apenas outras 2 vezes no Novo Testamento:

...parasth/sai u`ma/j a`gi,ouj kai. avmw,mouj kai. avnegklh,touj katenw,pion auvtou/...

...para junto dispor-vos santos e sem mancha e não chamados (sem acusação) à vista dele... (Colossenses 1.22)

...kai. sth/sai katenw,pion th/j do,xhj auvtou/ avmw,mouj... ...e dispor à vista da glória dele sem mancha... (Judas 1.24).

O uso dessa preposição com genitivo marca as noções de diferença, distância, separação, existentes entre “vós - destinatários”, u`ma/j, e “ele - Deus”, auvtou/. A preposição kata/, de cima para baixo, reforça ainda mais tais idéias.

99 A voz média do verbo grego é, em português, traduzida como ativa. O que as diferencia é que na média

há o envolvimento do agente no ato verbal. Murachco (2003:62 – vol. 2, nota 2) diz: Na voz média, o sujeito é agente: apenas está envolvido na ação. No vol. 1, p. 457 assevera: Podemos notar que na voz média grega o sujeito é agente do ato verbal, isto é, uma forma média em grego deve ser traduzida na voz ativa em português. O que diferencia a voz ativa da voz média é o envolvimento ou não do agente no ato verbal. Benveniste (2005:187-8) afirma: No ativo, os verbos denotam um processo que se efetua a partir do sujeito e fora dele. No médio, que é a diátese que se definirá por oposição, o verbo indica um

processo do qual o sujeito é a sede; o sujeito está no interior do processo (...) o sujeito é o centro ao mesmo tempo que ator do processo; cumpre algo que se cumpre nele (grifos nossos). Diante de tais

menção do ato em si e aponta a localização temporal do acontecimento no quadro narrativo.

No versículo houve fusão do significado da preposição-advérbio e)k (a partir de, de dentro de) com o do verbo e)kle/gomai (escolho, elejo); tal fusão constitui um todo expressivo e, por isso, encontramos como complemento de e)kle/gomai o acusativo h`ma/j e não um genitivo, caso que lhe seria natural. Segundo Murachco (2003:566), tal circunstância amplia semanticamente o sentido da preposição e dá ao verbo as idéias:

a) ou de um início abrupto da ação, e então poderíamos entender evxele,xato como arrojou-se a eleger;

b) ou de um acabamento, esgotamento da ação, e então, elegeu completamente, dando ênfase ao ato.

Os dois sentidos são possíveis ao contexto. Tendo em vista que o aspecto aoristo apresenta fatos isolados que são apenas trazidos ao conhecimento ou à memória, a primeira opção pode fazer alusão ao puro caráter da ação, à realização abrupta do ato em si, à menção do evento sem noção de continuidade.

Por sua vez, pode também indicar que o ato realizado no passado, simplesmente mencionado pelo enunciador, foi exaurido pelo agente, sem dar destaque a qualquer condição de acabamento ou de resultado (perfectum). Desse modo o ato de eleger seria integral, mas não um estado permanente.

O sujeito de evxele,xato é o mesmo referente de o` euvlogh,saj explicitado no versículo 3: o` qeo.j. Formado pelas desinências secundárias médias, o ato realizado por esse sujeito tem a si mesmo como beneficiário: elegeu para si. Seu complemento direto é h`ma/j, pronome pessoal no acusativo plural, que inclui tanto aqueles cristãos-gentios santos e fiéis citados no verso 1 (...a`gi,oij toi/j ou=sin Îevn VEfe,sw|Ð kai. pistoi/j...), isto é, o grupo tratado como “vós”, quanto o próprio enunciador e o grupo étnico que ele representa: Paulo e os judeus. Dessa forma o “nós” refere-se ao conjunto formado por pessoas de origens diferentes - gentílica e judaica - que foram eleitas e)n au)t%=, nele.

Considerando os outros diversos textos bíblicos que a afirmam, tais como João 13.18, João 15.16 e 19, 1Coríntios 1.27 e 28 e Tiago 2.5, entre outros, a ação divina expressa por evxele,xato indica uma proposição de realidade objetiva passada, de modo que não é apenas uma verdade a partir do ponto de vista do enunciador.

A expressão locativa e)n au)t%=, que tem o dêitico au)to/j como constituinte, faz

alusão a alguém já mencionado. Deus (o( qeo/j) escolheu-nos para si (e)cele/cato h(ma=j) nele (e)n au)t%=), isto é, em Cristo (e)n Xrist%= de 1.3). A expressão locativa tem a função de adjunto adverbial de lugar evidentemente abstrato.

Essa união de etnias em Cristo é bem comum na literatura paulina. Na concepção do apóstolo não há qualquer distinção entre os homens e com igualdade foram eleitos pro. katabolh/j ko,smou (antes da fundação do mundo). Ele mesmo afirmou:

evka,lesen h`ma/j ouv mo,non evx VIoudai,wn avlla. kai. evx evqnw/n...

chamou-nos não só dentre os judeus mas também dentre os gentios... (Romanos 9.24)

O apóstolo, pessoalmente ou por epístolas, proclamava a mensagem do Evangelho indistintamente a todos, judeus e gentios: iconienses (Atos 14.1), atenienses (Atos 17.16,17), coríntios (Atos 18.1 e 4; 1Coríntios 1.24; 1Coríntios 12.13;), efésios (Atos 20.21; Efésios 3.6), gálatas (Gálatas 3.14), romanos (Romanos 3.29; 9.24), colossenses (Colossenses 1.27), tessalonicenses (1Tessalonicenses 2.16), entre outros.

Em sua Epístola a Tito Paulo ensina:

Epefa,nh ga.r h` ca,rij tou/ qeou/ swth,rioj pa/sin avnqrw,poij

Foi manifestada, pois, a graça do Deus salvífica a todos os homens (Tito 2.11).

Pedro compartilha da mesma idéia:

VAnoi,xaj de. Pe,troj to. sto,ma ei=pen\ evpV avlhqei,aj katalamba,nomai o[ti ouvk e;stin proswpolh,mpthj o` qeo,j(

Tendo Pedro aberto a boca disse: Em verdade, apreendo que Deus não é de tomador de rostos (não é partidário),

Mas em toda nação aquele que o está temendo e operando justiça lhe é aceitável (Atos 10.34-5).

Tiago, o líder da Igreja, assim defende (no primeiro concílio em Jerusalém) o trabalho evangelístico de Paulo e Barnabé:

avpekri,qh VIa,kwboj le,gwn\ a;ndrej avdelfoi,( avkou,sate, mouÅ Sumew.n evxhgh,sato kaqw.j prw/ton o` qeo.j evpeske,yato labei/n evx evqnw/n lao.n tw/| ovno,mati auvtou/Å

kai. tou,tw| sumfwnou/sin oi` lo,goi tw/n profhtw/n kaqw.j ge,graptai\