B) Ġtiraz ve ġartları
2) Ġtiraz Edilebilen Talepler
O grupo dos segurados rurais obrigatórios da Previdência Social enquadrados como contribuintes individuais é composto pelas seguintes pessoas físicas: a) o empregador rural e b) o trabalhador eventual (Lei n. 8.213/1991, art. 11, inc. V, alíneas a, f e g).
Quanto ao empregador rural, o Estatuto do Trabalhador Rural estabeleceu que os empregadores, proprietários, arrendatários e demais empregados não enquadrados como segurados do Funrural, por terem sido excluídos da proteção previdenciária criada por aquele diploma, poderiam contribuir facultativamente para o Iapi:
Art. 161. Os proprietários em geral, os arrendatários, demais empregados rurais não previstos no artigo anterior, bem como os titulares de firma individual, diretores, sócios, gerentes, sócios solidários, sócios quotistas, cuja idade seja, no ato da Inscrição até cinqüenta anos, poderão, se o requererem, tornar-se contribuinte facultativo do IAPI.
§ 1º A contribuição dos segurados referidos nêste artigo será feita à base de 8% (oito por cento) sôbre um mínimo de três e um máximo de cinco vêzes o salário mínimo vigorante na região.
§ 2º Os segurados referidos nêste artigo e seus dependentes gozarão de todos os benefícios atribuídos ao segurado rural e dependente rural.
Na LC n. 11/1971, os empregadores ficaram excluídos da previdência rural. Posteriormente, a Lei n. 6.260/1975 instituiu benefícios de previdência e assistência social em favor dos empregadores rurais e seus dependentes.125 O que caracterizava o produtor rural como empregador, de acordo com essa lei, era a existência de empregados:
125 BRASIL. Lei n. 6.260, de 6 de novembro de 1975. Institui benefícios de previdência e assistência social em
favor dos empregadores rurais e seus dependentes, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 7 nov. 1975. Seção 1. p. 14785. Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1970- 1979/lei-6260-6-novembro-1975-357098-publicacaooriginal-36899-pl.html>. Acesso em: 10 jun. 2013.
Art. 1º São instituídos em favor dos empregadores rurais e seus dependentes os benefícios de previdência e assistência social, na forma estabelecida nesta Lei.
§ 1º Considera-se empregador rural para os efeitos desta Lei, a pessoa física. proprietário ou não, que, em estabelecimento rural ou prédio rústico, explore, com o concurso de empregados, em caráter permanente, diretamente ou através de prepostos, atividade agroeconômica, assim entendidas as atividades agrícolas, pastoris, hortigranjeiras ou a indústria rural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais. Reforçando a ideia de que o empregador rural é a pessoa física que explora a atividade agropecuária com o auxílio de empregados, a Lei n. 5.889/1973 assim conceituou:
Art. 3º - Considera-se empregador, rural, para os efeitos desta Lei, a pessoa física ou jurídica, proprietário ou não, que explore atividade agro- econômica, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou através de prepostos e com auxílio de empregados.
§ 1º Inclui-se na atividade econômica, referida no "caput" deste artigo, a exploração industrial em estabelecimento agrário não compreendido na Consolidação das Leis do Trabalho.
O empregador rural foi classificado na Lei n. 8.213/1991 como uma espécie de trabalhador autônomo (art. 11). Posteriormente, a Lei 9.876/1999 extinguiu a figura do autônomo, passando a denominá-lo contribuinte individual.126 O empregador, portanto, é atualmente qualificado como contribuinte individual, mantendo-se a ideia de que é assim considerada a pessoa física que explora atividade agropecuária com o auxílio de empregados:
[...] a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária, a qualquer título, em caráter permanente ou temporário, em área superior a 4 (quatro) módulos fiscais; ou, quando em área igual ou inferior a 4 (quatro) módulos fiscais ou atividade pesqueira, com auxílio de empregados ou por intermédio de prepostos; ou ainda nas hipóteses dos §§ 9º e 10 deste artigo; (Redação dada pela Lei n. 11.718, de 2008).
O conceito de empregador rural adotado no art. 11 da Lei n. 8.213/1991 repete, em linhas gerais, o do art. 3º da Lei n. 5.889/1973, bem como o do art. 1º, § 1º, da Lei n. 6.260/1975, nos quais o contribuinte individual agropecuarista ou empregador pescador era caracterizado pela exploração da atividade com o auxílio de empregados, ainda que de forma não contínua.
126 BRASIL. Lei n. 9.876, de 26 de novembro de 1999. Dispõe sobre a contribuição previdenciária do
contribuinte individual, o cálculo do benefício, altera dispositivos das Leis n. 8.212 e 8.213, ambas de 24 de julho de 1991, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 29 nov. 1999b. p. 1. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9876.htm>. Acesso em: 10 jun. 2013.
Em reconhecimento às necessidades dos segurados especiais, a Lei n. 11.718/2008 permitiu que esses segurados explorassem a atividade rural com o auxílio de empregados por até 120 dias/ano (Lei n. 8.213/1991, art. 11, § 7º). Assim, para que se considere contribuinte individual, há a necessidade de que esse limite seja excedido.
Até a Lei n. 11.718/2008, também não havia limite para a área explorada. O INSS, com fundamento no Decreto-lei n. 1.166/1971, entendia que o limite era correspondente ao módulo rural.127 A jurisprudência se firmou no sentido de que o fato de o imóvel ser superior ao módulo não afasta, por si só, a qualificação de quem o explora como segurado especial.128 Com a edição da mencionada lei, os produtores rurais em regimes de economia familiar foram beneficiados, já que o limite passou a ser de quatro módulos fiscais (Lei n. 8.213/1991, art. 11, inc. VII, alínea a, n. 1).
Também é contribuinte individual o titular de firma individual rural, bem como o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa rural (Lei n. 8.213/1991, art. 11, inc. V, alínea f):
[...] f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei n. 9.876, de 26.11.99).
São, portanto, contribuintes individuais o produtor rural pessoa física que explore atividade agropecuária em área superior a quatro módulos fiscais ou, ainda que inferior, com a utilização de empregados por mais de 120 dias/ano, e o empresário rural, seja em firma individual ou sociedade.
Quanto ao titular de firma individual, não há razão para considerá-lo contribuinte individual, exceto quando se enquadrar na hipótese antecedente, tendo em vista as alterações promovidas pela Lei n. 11.718/2008, que passou a admitir que os segurados especiais, sem
127 BRASIL. Decreto-lei n. 1.166, de 15 de abril de 1971. Dispõe sobre o enquadramento e contribuição sindical
rural. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 16 abr. 1971a. In: PAIXÃO, Floriceno. O
trabalhador rural. Porto Alegre: Síntese, 1974. p. 69.
128 Nesse sentido, a Súmula n. 30 da TNU: “Tratando-se de demanda previdenciária, o fato de o imóvel ser
superior ao módulo rural não afasta, por si só, a qualificação de seu proprietário como segurado especial, desde que comprovada, nos autos, a sua exploração em regime de economia familiar.” (CONSELHO DA JUSTIÇA FEDERAL. Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais Federais: consultas: súmulas. Disponível em: <https://www2.jf.jus.br/phpdoc/virtus/>. Acesso em: 6 ago. 2013).
que percam essa condição, podem exercer atividades paralelas à produção agropecuária e pesqueira, como a hospedagem e o artesanato. Até mesmo para possibilitar a comercialização do artesanato ou a exploração do turismo rural pode surgir a necessidade da criação de uma empresa ou firma individual.129
Resta mencionar, como contribuinte individual, a pessoa física que “[...] presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego [...]” (Lei n. 8.213/1991, art. 11, inc. V, alínea g).
O trabalhador eventual, para o direito do trabalho, é a pessoa física que presta serviços sem continuidade, em geral a vários empregadores, em períodos curtos de tempo (CLT, art. 3º, a contrario sensu). Para o INSS, o boia-fria seria um trabalhador eventual. Contudo, conforme visto no tópico anterior, não se pode concordar com essa classificação.
A Lei n. 11.718/2008, que instituiu alguns avanços na efetivação dos direitos previdenciários dos segurados rurais, afirma no art. 11, § 7º, que o segurado especial, sem que perca essa condição, poderá utilizar-se de empregados contratados por prazo determinado ou de trabalhador de que trata a alínea g do inciso V do caput daquele artigo, à razão máxima de 120 pessoas/dia no ano civil. Contempla, assim, além do assalariado temporário, o trabalhador rural eventual.
Na prática, entretanto, são bastante limitadas as possibilidades de trabalho eventual no meio rural. No máximo, poderão ser identificados alguns trabalhadores remunerados unicamente por tarefa e para trabalhos específicos e de curta duração, como o aplicador de inseticidas, o motosserrista, o fazedor de cercas, o amansador de animais, além dos profissionais autônomos, como o veterinário, o técnico agrícola ou o técnico em inseminação artificial etc. Esses trabalhos, como se pode ver de sua própria natureza, são bastante esporádicos e não fazem parte do rol de atividades rurais cotidianas braçais.
129 Nesse sentido, permitindo ao segurado especial a participação em sociedade, ainda que com ressalvas, Cf. a
MP n. 619/2013. (BRASIL. Medida provisória n. 619, de 6 de junho de 2013. Autoriza a Companhia Nacional de Abastecimento a contratar o Banco do Brasil S.A. ou suas subsidiárias para atuar na gestão e na fiscalização de obras e serviços de engenharia relacionados à modernização, construção, ampliação ou reforma de armazéns destinados às atividades de guarda e conservação de produtos agropecuários; altera as Leis n. 8.212, de 24 de julho de 1991 e n. 8.213, de 24 de julho de 1991, para dispor sobre a condição de segurado especial, o Decreto-Lei n. 167, de 14 de fevereiro de 1967 e a Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002, para dispor sobre prazos do penhor rural, e as Leis n. 12.096, de 24 de novembro de 2009 e n. 12.512, de 14 de outubro de 2011; atribui força de escritura pública aos contratos de financiamento do Fundo de Terras e da Reforma Agrária, de que trata a Lei Complementar n. 93, de 4 de fevereiro de 1998, celebrados por instituições financeiras por meio de instrumentos particulares; institui o Programa Nacional de Apoio à Captação de Água de Chuva e Outras Tecnologias Sociais de Acesso à Água - Programa Cisternas; e dá outras providências. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 7 jun. 2013b. p. 1. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/Mpv/mpv619.htm>. Acesso em: 25 jun. 2013).
Quanto aos trabalhadores que lidam diretamente na lavoura ou no cuidado de animais, é difícil encontrar algum que possa ser enquadrado no conceito de trabalhador eventual, já que se trata de atividades-fim, as quais são exercidas mediante intensa subordinação. Normalmente, o trabalho é exercido mais de um dia por semana na mesma fazenda e pode durar até por semanas ou meses, enquanto durar a atividade preponderante em determinada região, seja a colheita, o plantio ou o preparo da terra. O rótulo de eventual, assim, é frequentemente utilizado pelos empregadores, com o apoio inclusive da legislação previdenciária, que não especifica com maiores detalhes as características de cada um dos segurados rurais, para dissimular uma verdadeira relação de emprego e impor obstáculos aos direitos trabalhistas, relegando uma grande quantidade de trabalhadores à informalidade. Nesse sentido, Jane Lucia Wilhelm Berwanger observa que “[...] em muitos casos o segurado é, de fato, um empregado, rural, mas o empregador não assina a Carteira, e não o trata, juridicamente, como empregado.”130 Com isso, um grande número de trabalhadores boias- frias fica completamente excluído da proteção previdenciária.
Uma vez afirmado o vínculo de emprego, ainda que temporário (por dias, semanas ou meses), o recolhimento da contribuição previdenciária é responsabilidade do empregador, o que acarreta diversas consequências na seara previdenciária.