KAHRAMANMARAġ’TA HAZIR GĠYĠM ĠġLETMESĠNDE BĠR UYGULAMA ÇALIġMAS
5. Yalın Üretim Sistemi Ve KahramanmaraĢ Ġlinde Bir Uygulama
5.7. ĠĢletme Uygulamaları Ġle Sağlanan BaĢarı
Cinquenta e um títulos de livros, revistas, artigos e canções e quarenta e oito autores (FIG. 19) foram mencionados pelos entrevistados113.
REFERÊNCIA
Títulos* Autores / compositores*
A cor púrpura; A hegemonia de Foucaut; A herdeira; A história de Olga; A revolta de Freud; Admirável mundo novo; Ali Babá e os 40 ladrões; Bíblia; Branca de Neve; Budapeste; Cabeça de porco; Caminhos do Saara; Capitães de areia; Cátia, Simone e outras marvada; Cidade de Deus; Cidadania e miséria; Cristiane F; Gabriela cravo e canela; Gibi do Pato Donald, Gibi Gibi do Mickey, do Walt Disney; Grande Sertão Veredas; Juntando os pedaços; História de mim; Negras raízes; O abusado; O caçador de pipas; O Cofre; O germinal; O guerreiro da luz; Papillon; Távola Redonda; Quando Nietzsche chorou; Rapunzel; Revista Cais; Revista Factum; Revista Letenié; Revista X-man; Revista sobre Raul Seixas; Revista Época; Revista Geografic; Revista Hecho; Revista Isto é; Revista Língua Portuguesa; Revista Líter; Revista Veja; Sítio do Pica-Pau Amarelo; Terapia de todos nós; Três vagabundos; Vida e época de Michael K; Vagabundos.
Abel Rossenin; Ana Boutier; Benjamin Jung; Bocage; Caco Barcelos; Carolina de Jesus; Cora Coralina; Castro Alves; Cecília Meireles; Celso Athaíde; Caetano; Chico Buarque*; Clarice Lispector; Deleuze; Dias Gomes; Dostoievski; Drummond de Andrade; Edgar Allan Paul; Elisa Lucinda; Foucault; Frederico Fellini; Gabriel Garcia Marques; Guimarães Rosa*; Hemingway; Huxley; Irvin D. Yalom; Jack London; Jorge Amado; Kurt Cobain (Banda do Nirvana); Lair Ribeiro; Luis Gama; Malcolm X; Machado de Assis; Manoel Bandeira; Marcelino Freire; Martin Luther King; Máximo Gorki; Monteiro Lobato; MV Bill; Nelson Mandela; Nietzsche; Paulo Coelho; Plínio Marcos; Raul Seixas; Sabotage; Sidney Sheldon; Veríssimo; Washington Olivetto.
TOTAL: 51 TOTAL: 48
FIGURA 19: Títulos e autores mencionados pelos entrevistados. Fonte: Dados obtidos nas entrevistas.
Nota: * Os nomes, completos ou não, aparecem conforme foram citados pelos entrevistados.
** Guimarães Rosa e Chico Buarque foram citados por três entrevistados. Os demais foram citados apenas uma vez
A referência aos nomes foi feita de forma natural no decorrer das entrevistas, ou seja, não houve formalmente uma pergunta sobre os autores ou títulos lidos para todos os entrevistados. Somente foram questionados sobre esse aspecto aqueles que demonstraram ter interesse ou algum hábito de leitura. É importante observar que dos nove entrevistados que
113 Além dos títulos e autores que aparecem da figura 19, houve menção a outros, porém os entrevistados não se
citaram livros e autores, quatro114 se destacaram pelo volume de citações: 29 dos 51 títulos e 40 dos 48 autores.
A diversificação dos temas lidos é grande. Através das entrevistas, da leitura de algumas das obras ou, até mesmo, em breves consultas a sites de livrarias, pode-se constatar que os livros tratam desde assuntos relacionados à psicologia, à filosofia, e à sociologia como, por exemplo, doenças mentais, desigualdade social, droga, racismo, encontrados na literatura estrangeira e brasileira, até temas mais cotidianos, como a corrupção e a violência, encontrados em jornais e revistas.
A referência a grandes autores e títulos, algumas vezes lidos em concomitância, a explicitação das diversas nacionalidades, a afirmação do gosto pela leitura, os comentários sobre as obras e a densidade dos temas tratados produzem o efeito de sentido115 que engloba o saber e criam uma imagem de leitores que leem e conhecem grandes nomes de livros e autores, o que contribui para a construção do ethos de leitores116.
(87) Eu tava lendo [ao mesmo tempo] “O caçador de pipas”, tava lendo “Quando Nietzsche chorou” e “A história de Olga” nossa, cada uma mais triste
que o outro e então eu falei: “não, peraí, deixa eu ler um depois eu vou ler outro, depois vou ler o outro” [...] eu tô lendo agora uma sele..., uma linha de livros assim falando de grandes filósofos, né, e todos eles do
Irvin D. Yalom, é um escritor alemão, escreve muito, então eu já li “Quando Nietzsche chorou”, A revolta de Freud”, agora tem, é... agora tem a... “A hegemonia de Foucaut” e tem... e tem... “Deleuze” e “Cidadania e miséria”, acho que é quatro, quatro ou cinco, então eu tô lendo uma
coleção assim só de, aí quando que eu li esse “Quando Nietzsche chorou”,
nossa enquanto eu não cheguei no fim desse livro eu não parei e muita coisa sabe, muita coisa eu consegui pegar porque é uma história de uma
cura por palavra, a cura sobre palavra, a cura da palavra ele curou uma doente, débil mental que achavam que era débil mental, ele curou através da palavra e assim ele curou Nietzsche, é Breuer médico, Freud psicanalista curaram Nietzsche que só depois, que ele era louco o negócio dele era se matar, só depois dele curado, ele escreveu né
Humano, humanamente impossível, da Gaia e tal e foi escrevendo, mas só
depois quatro anos passando por tratamento é, tratamento clínico com Joseph Breuer e tratamento psicológico com o Freud e a partir daí é que ele viu que aconteceu a cura de outras pessoas ele conseguiu curar Nietzsche e a partir daí começou escrever esse monte e eu tô lendo essa sequência. (02CBA)
114
Entrevistados 02CBA, 05JA, 06JFJ e 09TPF que citaram respectivamente 13 títulos e 9 autores, 6 títulos e 8 autores, 3 títulos e 7 autores, 7 títulos e 16 autores.
115 O termo “efeito de sentido” é aqui usado para nos referirmos não ao sentido literal, mas ao “sentido
específico, que aparece em contexto e em situação” e que é apreendido por inferência (cf. MAINGUENEAU & CHARAUDEAU, 2006, p.79).
116 As expressões sublinhadas nos excertos desse item destacam nomes de autores, obras lidas, comentários sobre
(88) Eu tenho uma mania de leitura né, quando... lá em São José dos Campos
eu lia pelo menos dois livros por semana.[...] eu sou sócio da biblioteca desde adolescente [...] eu lia pelo menos, três, quatro, dois, um livro por semana e:: daí teve uma... teve a prefeitura do PT lá na cidade né da Ângela
Alckmin, ex-deputada daí ela criou uma... uma... como é que chama? Um conselho literário na Fundação Cultural de São José dos Campos e eu
participava desse conselho literário e eles criavam, faziam até uma revista
literária chamada “Liter”... e lá eles colocavam Gabriel Garcia Marques é... Dostoievski é... Edgar Allan Paul a gente trabalhava com literatura e
fazia textos, escrevia. (05JA)
(89) Eu lia de tudo né que ele trazia desde escritores ingleses né o Huxley aquele “Admirável mundo novo” até Máximo Gorki né escritor russo depois [meu irmão] começou a trazer Clarisse Lispector e Jorge Amado [...] Acho que [a partir] daí deu esse gosto pela literatura né, porque a
literatura tem essa coisa né, quando a gente pega o gostinho da coisa a gente não quer largar mais né. (06JFJ)
(90) Eu tô hoje lendo uns livros que é uma escritora que me dá... então ela fez uma seleção de grandes autores que ela acha que vão contribuir pra minha escrita que tem muito a ver com a linha que eu escrevo, aí eu tô lendo esses livros, são alguns autores internacionais [...] Olha, eu li, por exemplo, eu gostei de “Três vagabundos” que é do Jack London, eu gostei, “O germinal” eu gostei eu li “Vida e época de Michael K”, “Vagabundos”
tem bastante livro aí que eu tô lendo né. (08SNO)
4.2.3.2 A identificação com temas e autores
Consoante com a afirmação de Orlandi (2006, p.185), que sustenta que “o leitor, na medida em que lê, se constitui, se representa, se identifica”, nesta sessão analisaremos a questão da identificação do MSR com autores e temas tratados em suas leituras e escritas 117. Partilhando da concepção de Resende & Ramalho (2006, p.72), que entendem que “a maneira como atores sociais são representados em textos pode indicar posicionamentos ideológicos em relação a eles e a suas atividades” e que a “a análise de tais representações pode ser útil no desvelamento de ideologias em textos e interações”, analisaremos também os posicionamentos ideológicos revelados na apresentação dos autores e temas representados. Iniciaremos com a análise de um relato sobre a formação do hábito de leitura de um dos entrevistados:
(91) eu era muito menina a minha mãe pôs a gente nas casas né, aquela coisa “ah, deixa eu cuidar do filho da senhora, dona Antônia, ajudar”ajudar nada, escravizar a gente, gera os escravismo isso sim, mas enfim até hoje eu
117 As expressões sublinhadas nos excertos desse item destacam autores, títulos e expressões relevantes na
agradeço a situação porque a gente, se nós tivemos um pouco de conhecimento de coisas melhores foi por causa disso que a gente foi morar na casa das patroa da minha mãe e a minha mãe tinha muita patroa, ela era cozinheira, renomada lá em Minas essas coisas, quituteira né muito, todo mundo chamava, chamava e aquele monte de filho, mãe solteira aí ajudavam, então nessas casas que eu trabalhava tinha aqueles, aquelas ESTANTES ENORMES eram mansões né, aquelas estantes enorme e eu lia, via aquilo eu ficava assim MARAVILHADA, inclusive tinha uns livros de inglês, o inglês que eu sei do que eu sei do básico, sem ser o da escola, foi nesses livrinhos que eram pra criança, então era muito fácil e eu tinha uma memória muito boa, então eu já via aquilo ali gravava né, e li inglês, lia as histórias, FÁBULAS né tinha todos aqueles livros daquelas histórias “Rapunzel”, “Branca de Neve”, todas essas, “Ali Babá” eu lembro que eu gostava desse “Ali Babá e os 40 ladrões” toda essa linha do “Ali Babá” eu lia tudo, sabia tudo de cor [...] aí eu lembro que a gente morava na favela e chegava no final de semana que a gente ia pra casa eu juntava a criançada lá a gente ia brincar de “roda”, a gente brincava de “rouba bandeira”, “queimada” eu falava: “a gente vai brincar de contar história.”e eu era a única que sabia contar história, as crianças sentavam e eu ficava contando e era desses livros que eu lia nas estante né, enquanto eu tava limpando, arrumando a casa eu ficava lá lendo “ah, menina, você demora tanto pra limpar, aí em cima não tá tão sujo” era a parte de cima né, dos quartos é que eu tava lendo... e ainda esses dias eu tava falando que eu não gostava muito de Monteiro Lobato eu falava: “nó como é que pode um homem escrever tanta coisa chata.” eu achava chato Monteiro Lobato aí hoje eu sei porque... não vou nem comentar porque é uma coisa bem é coisa de racismo sabe enfim... [...] mas eu lia essas outras fábulas eu gostava, lia livros eu lembro que eu li “A cor púrpura” eu era muito menina... eu li “Negras raízes” eu era meninona... que livro mais eu li... aquele do Sidney Sheldon que era lindo “A herdeira”... tem esses clássico que eu li tudo foi assim né... e eu gostava já de ler, gostava de ler, escrevia, não sei o que eu fazia com as escritas, eu escrevia, escrevia, era até uns anos atrás eu rasguei um caderninho, que dó que eu rasguei aquele caderninho tinha tanta coisinha que eu escrevia... (SIR09TPF)
A informante inicia o relato marcando o seu lugar de filha da cozinheira e traz o discurso do racismo, da sociedade que “escraviza a gente”, mas que, apesar disso, trouxe oportunidades para o acesso ao “conhecimento” de livros e da língua inglesa, símbolos de prestígio social. De forma envolvente, transporta o leitor, ora para o cenário suntuoso das bibliotecas das casas, que representa o poder social, ora para a favela, local em que se brinca como criança e em que se reproduz o conhecimento através das histórias lidas e desconhecidas pelos habitantes do lugar. É importante observar que a biblioteca é o palco do encantamento, mas também é o do despertar da consciência. Se, em um primeiro momento, a informante associa, ainda que de forma vaga, o autor Monteiro Lobato ao racismo, em um segundo momento toma consciência disso (“hoje eu sei porque... não vou nem comentar porque é uma coisa bem é coisa de racismo”) e traz à tona vozes de autores que se rebelam contra o tema.
Questionada sobre o que tem lido atualmente, a informante continua:
(92) Ah, eu tô, como é o nome, Manoel Bandeira, Cora Coralina, maravilhosa, nossa gente do céu eu falo: “como é que essa pessoa foi fazer sucesso com 76 anos né?” esse Plínio Marcos que é super forte aqui em São Paulo que é também tô tentando compreender melhor ainda é aquele Bocage
identifica muito comigo né, safadeza pura ê “trem bão sô” (risos) falei:
“ah é a minha cara isso.” é o Bocage, quem mais que eu tenho lido, eu tenho em casa nossa, um monte de livro bacana né, li a história do