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Üretime Sevkin Stabil Olduğu Durumda Yöntemler

6. STOK DEĞERLEME YÖNTEMLERİNİN MALİ TABLOLARA ETKİSİ 59

6.2. Ortalama Maliyet ve FİFO Yöntemlerinin Karşılaştırmalı Analizi

6.2.1. Üretime Sevkin Stabil Olduğu Durumda Yöntemler

253

Essas informações foram consultadas e estão disponíveis em: AVALIAÇÃO DO impacto ambiental. Portal Educação, artigos de biologia, 3 Abr. 2008. Disponível em: <http://www.portaleducacao.com.br/biologia/artigos/4639/avaliacao-de-impacto-ambiental>. Acesso em: 30 nov 2011; e RESOLUÇÃO CONAMA Nº 001, de 23 de janeiro de 1986. Portal do MMA. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res86/res0186.html>. Acesso em: 30 nov. 2011.

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“A Deliberação Normativa COPAM nº 74, de 9 de setembro de 2004. (Publicação – Diário do Executivo – ‘Minas Gerais’ – 02/10/2004) estabelece critérios para classificação, segundo o porte e potencial poluidor, de empreendimentos e atividades modificadoras do meio ambiente passíveis de autorização ambiental de funcionamento ou de licenciamento ambiental no nível estadual, determina normas para indenização dos custos de análise de pedidos de autorização ambiental e de licenciamento ambiental, e dá outras providências”. DELIBERAÇÃO NORMATIVA COPAM nº 130, de 14 de Janeiro de 2009. SEMAD - Secretaria de Estado de Meio Ambiente e desenvolvimento sustentável, 9 Set. 2004. Disponível em: <http://www.siam.mg.gov.br/sla/download.pdf?idNorma=9051#_ftn1>. Acesso em: 4 maio 2012.

255

Essa classificação foi extraída de: REGULARIZAÇÃO ambiental. Meio Ambiente. Disponível em: <http://www.meioambiente.mg.gov.br/regularizacao-ambiental>. Acesso em: 15 jan. 2012.

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CAPÍTULO APÍTULO APÍTULO APÍTULO 2222:O ASSENTAMENTO DE REFORMA AGRÁRIA 174 Segundo informações obtidas junto ao SUPRAM Regional através de acesso a cópia do Processo Administrativo do PA 21 de Abril, o empreendimento foi classificado na classe 1, portanto o tipo de regularização é Autorização Ambiental de Funcionamento (AAF), processo técnico sob o número 05549/2009. O PA não é passível de licenciamento ambiental, mas é passível da obtenção da AAF (Autorização Ambiental de Funcionamento) conforme a Deliberação Normativa COPAM nº130, de 14 de janeiro de 2009.256

Com relação às características do PA 21 de Abril e sua capacidade de assentamento, Ricardo dos S. Balbino ponderou:

Essa fazenda aqui, ela teve um problema muito [...] que divergiu o número de família. Por exemplo, a Portaria de negociação da fazenda na época fechou em 110 famílias, só que isso divergiu muito, porque com o passar do tempo foi vendo que não teria condições é de sobrevivência para essas 110 famílias ser assentadas aqui dentro. Então veio um trabalho de técnico do INCRA que apontou 80 famílias, entendeu? Depois teve um trabalho, foi a RVA, Relatório de

Viabilidade Ambiental.257

Nesse momento da entrevista de Ricardo, atentando-me às interpretações de João Pedro, indaguei-o sobre o EIA/RIMA: “Não! O EIA/RIMA o INCRA não tem condições financeira de estar fazendo, é um outro documento exigido para a questão do licenciamento”.258 Contudo, Muniane Silva Santos, também ao lembrar-se de suas experiências e narrá-las, afirmou que, no início, “o nosso [PA] ficou pendente nesse [procedimento]”259 do EIA/RIMA.

Importante a ser destacado na narrativa de Ricardo é como ele significou os trâmites governamentais para a liberação do funcionamento do assentamento e como os assentados lidaram com o fato, explicando suas experiências:

Aí é o seguinte: essa RVA apontou 80 famílias e com tanta divergência com o número de famílias o INCRA resolveu mandar

256

Altera os artigos 1º e 5º e a Listagem G – Atividades Agrossilvipastoris do Anexo Único da Deliberação Normativa COPAM nº 74, de 09 de setembro de 2004, e dá outras providências. (Publicação – Diário do Executivo – “Minas Gerais” – 16/01/2009). Segundo consta na cópia do Processo do PA 21 de Abril disponibilizado pela SUPRAM TM/AP esse PA enquadra-se na Listagem de Atividades G-05-03-7, ou seja, Projeto de Assentamento para fins de reforma agrária com o número de famílias: ≤ 100 é porte pequeno.

257

Ricardo dos S. Balbino. Entrevista concedida à autora em 2012.

258

Ibid.

259

mais uma equipe aqui, mais um trabalho técnico pra ver o que seria apontado no número de famílias. Então fechou em 77 famílias e tal, beleza! Aí veio a questão do licenciamento ambiental. Foi uma das partes mais burocráticas que a gente deparou e que mais nos tomou tempo, né, a questão do licenciamento ambiental. O licenciamento ambiental, nós começamos ele em 2008, o PDA, que é o Plano de Desenvolvimento [do Assentamento], já estava pronto, a partir daí a gente já começou a cobrar a questão do licenciamento ambiental. Essa questão do licenciamento teve uma alteração na legislação que, no nosso caso aqui, foi feito uma LIO – Licença de Instalação e Operação. Na época a lei pedia o seguinte: todo assentamento acima de 50 famílias teria que se fazer a LIO, a LIO é uma licença bem detalhada, é trabalho detalhado, tal, isso requer muito tempo, né? A gente começou a providenciar a questão da LIO, o INCRA começou a fazer, veio uma alteração ambiental que de 50 [famílias] passou a 100, então, todo aquele esforço que havia sido feito pra questão da LIO teve que parar e fazer outro licenciamento que chamaria AAF – Autorização Ambiental de Funcionamento. É uma licença mais resumida, mas que também veio a dar problema. Liberaram as casas, liberaram o assentamento através de Pedido Excepcional [...]. O assentamento nosso hoje tem autorização pra funcionar, entendeu? Isso veio através de um Pedido Excepcional da Superintendência, porque por meio legal [...] a Superintendência pede e a SUPRAM faz a emissão, não teve condição da SUPRAM fazer essa emissão, aí o INCRA pediu através de um pedido excepcional, então, através desse pedido a SUPRAM fez a licença, aí nos mandou a declaração pra funcionamento pra uso do solo tal. Agora, a gente estamos trabalhando a questão dos créditos [...]. A [AAF], a SUPRAM

finalizou o ano passado [2011].260

Por meio dessa fala observa-se uma articulação talvez indicando maior compreensão desse assentado sobre os trâmites dos órgãos governamentais que intervêm na liberação para o funcionamento de um assentamento de reforma agrária, principalmente de órgãos governamentais ligados ao meio ambiente e sustentabilidade do assentamento. De toda forma, percebe-se uma série de etapas a serem cumpridas que é sentida com muita dificuldade, pois, por conta disso, não conseguem melhorar o padrão de vida. Sem poder funcionar o assentamento, é limitada a garantia de sustento das famílias.

No que se refere à licença de funcionamento do assentamento para que os assentados explorem as terras de suas posses, é possível perceber que as alterações, liminares ou novas resoluções de órgãos ambientais são motivadoras de atrasos e mesmo estagnação nas etapas de concretização de um PA, deixando os assentados na expectativa de acessarem todos os créditos rurais, seja o de Instalação ou do PRONAF

260

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CAPÍTULO APÍTULO APÍTULO APÍTULO 2222:O ASSENTAMENTO DE REFORMA AGRÁRIA 176 – Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, o qual é feito através do sistema de empréstimos bancários.

Segundo Ricardo, o impacto dessas mudanças para a regularização ambiental do assentamento trouxe um novo desafio:

Assentamento abaixo [de 100 famílias] é esse procedimento [AAF – Autorização Ambiental de Funcionamento], pra cima de 100 é outro. Hoje todo assentamento acima de 100 é a LIO [Licença de Instalação e Operação] e abaixo é a AAF. Aí essa questão da AAF tem um decreto a nível de estado que onde entra o EIA/RIMA e o INCRA alega que não tem condições de estar fazendo ele, [...] pro SUPRAM fazer a liberação da AAF, no caso, pros assentamentos hoje abaixo de 100 ele necessita do EIA/RIMA, que o INCRA faça o EIA/RIMA e o INCRA não tem condições de estar fazendo [...] ele alega que o custo por família fica muito alto, fica em torno de R$ 7.500,00 por família pra fazer esse trabalho.

Leandra: Mas o INCRA num é responsável pela reforma agrária? Ricardo: Ele é, mas eles alegam que não tem recursos pra estar destinando para essa área, entendeu?

Leandra: Aí o que vocês fazem nesse sentido [...]?

Ricardo: -ão, aí, nesse caso, a gente conseguiu através de um Pedido

Excepcional, agora, no caso de outras pessoas eu num sei o que pode acontecer. [...] A gente fez tudo via INCRA, né, a gente e o INCRA,

negociação [...] teve apoio político também no meio, entendeu? Teve

parceria com deputado Adelmo [Carneiro Leão]261 aqui de Uberaba

nos ajudou muito, tem o Gilmar [Machado]262 nos ajudou, a questão

do “Luz para Todos” o Adelmo também nos ajudou [...] a gente conheceu o Adelmo, tem uns quatro anos que a gente conhece ele e

ele, sempre, quando a gente precisa, ele tem nos ajudado.263

Aqui é importante destacar como o Ricardo sugere a organização deles e a intervenção política de deputados ligados ao PT originários de Uberaba (Adelmo Leão) e Uberlândia (Gilmar Machado) na articulação e uma possível agilização de processos junto aos órgãos governamentais e ambientais, que, do contrário, podem levar anos, ficando os assentados na expectativa de dias melhores. Faz-se necessário ressaltar que no tempo da escrita desta tese o Poder Judiciário do estado de Minas Gerais, através do Juízo da 5ª vara de Fazenda Pública da comarca de Belo Horizonte proferiu decisão liminar na Ação Civil Pública nº 0446101-38.2011.8.13.0024 impedindo a concessão e renovação de Autorizações Ambientais de Funcionamento (AAFs) para todo e qualquer

261

Deputado Estadual pelo PT.

262

Ibid.

263

projeto agropecuário que contemplem área superior a 1.000 hectares, todavia em sede de Embargos de Declaração a liminar restou retificada e limitada. O Juízo reconheceu que os empreendimentos e atividades que recebem tratamento especial por parte do CONAMA, como o projeto de assentamento para fins de reforma agrária (Resolução CONAMA nº 387/2006), requerem estudos ambientais distintos do EIA/RIMA, para os quais são previstos procedimentos simplificados de licenciamento ambiental.264 No caso, o empreendimento PA 21 de Abril abrange uma área, retificada após vistoria do INCRA, de 2.406,4794 hectares.

Essas questões levantadas pelos assentados, principalmente o modo como João Pedro se posiciona frente ao reconhecimento da importância da Reserva Legal (RL)265 no assentamento, chamam a atenção para a polêmica e embate de forças políticas em torno das possíveis mudanças no Código Florestal brasileiro. Os movimentos sociais de

264

O artigo 4º dessa Resolução reza: “A critério do órgão ambiental competente, mediante decisão fundamentada em parecer técnico, poderá ser admitido procedimento simplificado de licenciamento ambiental para Projetos de Assentamento de Reforma Agrária, considerando, entre outros critérios, a sua localização em termos de ecossistema, a disponibilidade hídrica, a proximidade de unidades de conservação, terras indígenas, áreas remanescentes dos quilombos e outros espaços territoriais protegidos, o número de famílias a serem assentadas, a dimensão do Projeto e das parcelas e a base tecnológica de produção.” (RESOLUÇÃO CONAMA Nº387, DE 27 DE DEZEMBRO DE 2006).

265

No momento do acesso à cópia do Processo Administrativo do PA 21 de Abril junto a SUPRAM TM/AP em 03/04/2012 foi obtida a informação de que a área de Reserva Legal do PA não havia sido concluída e que tinham sido realizados os ajustes necessários na planta do PA pela empresa contratada pelo setor de cartografia do INCRA e que seria priorizado a formalização de processo para a regularização da Reserva Legal junto ao Núcleo de Regularização Ambiental de Uberaba. E o INCRA já detinha os estudos necessários para formalização do processo de outorga, porém devido à falta de regularização da Reserva Legal (condicionante) o processo de outorga ainda não era possível. Tal processo é um instrumento legal que permite ao requerente o direito de utilizar o recurso hídrico de superfície ou subterrânea. Foi explicado pela Diretoria de Controle Processual da SUPRAM TM/AP que para a liberação da AAF são exigidos que esses processos (Reserva Legal e outorga) estejam regularizados, podendo ser feito, em casos da não conclusão desses processos, a regularização do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o INCRA/MG e a SEMAD (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais) para liberação do funcionamento do empreendimento. Com isso se padroniza e agiliza a emissão das AAFs para assentamentos criados no estado com até 100 famílias. No caso do PA 21 de Abril, na época da pesquisa desta tese, o TAC ainda não estava firmado e constava no Processo Administrativo cópia de um ofício/ SUPRAM – TMAP nº 3102/2011 (Retificado) datado de 24 de novembro de 2011 autorizando para fins específicos a utilização do solo, não era a AAF, a qual estava em andamento. Tal ofício esclarece que considerando o disposto no art. 6º da Resolução do CONAMA 387/2006 c/c o art. 8º da Deliberação Normativa COPAM 88/2055 e considerando que o empreendimento é o local de residência de famílias que estavam: “[...] desprovidas das devidas condições estruturais e de saneamento básico, e que as atividades de produção agropecuária são essenciais à subsistência das famílias do PA [...] considerando por fim, que não será necessário efetuar supressão de vegetação e/ou intervenção em área de preservação permanente para as obras citadas; Esta Superintendência, diante das considerações suso mencionadas e das premissas legais vigentes, autoriza o [...] INCRA a promover as benfeitorias requeridas, tais como: uso alternativo do solo para fins de produção agropecuária de subsistência, e obras de infraestrutura destinada a moradia, desde que não seja efetuada nenhuma intervenção em área de preservação permanente e/ou supressão de vegetação”.

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CAPÍTULO APÍTULO APÍTULO APÍTULO 2222:O ASSENTAMENTO DE REFORMA AGRÁRIA 178 luta pela terra, como o MST, têm enfrentado a questão sob a perspectiva da luta de classes, analisando o avanço do agronegócio na disputa pelo campo. Ou seja, a temática, dependendo do ponto de vista, se restringe ou se amplia na disputa entre o projeto do agronegócio e o projeto da agricultura familiar.

Para o MST e Via Campesina, esse debate deveria partir de e ser colocado sob outros parâmetros, atacando o cerne da questão: o poder econômico e político do capital financeiro sobre alterações do Código Florestal. Na sua campanha contra essas mudanças aprovadas no Plenário da Câmara dos Deputados em maio de 2011, o MST procurou e procura suscitar o debate colocando para reflexão as seguintes problemáticas:

[...] Essa disputa terá duração prolongada. E precisamos nos preparar para fazer o enfrentamento e levar o debate para as ruas, envolvendo a sociedade para denunciar os efeitos perversos dessas mudanças [do Código Florestal] e quem está por trás delas. Os primeiros interessados são os latifundiários mais arcaicos que desmataram e que foram multados. Há também o interesse de um latifúndio ligado à grilagem de terra e à necessidade de expansão, que quer incorporar novas áreas. Para isso, será necessário grandes desmatamentos e

precisam da anistia.266

Essas posições indicam como, na relação sócio-histórica e política entre governo, proprietários rurais e trabalhadores, a prática tem sido a de beneficiar os grandes proprietários, o que quer dizer, por exemplo, perdoar dívidas agrícolas. Outra grande polêmica recente é a questão do Novo Código Florestal, cujas possíveis mudanças, até maio de 2012, indicavam, entre outros retrocessos ambientais, a anistia dos crimes ambientais267 de grandes produtores que desmataram ilegalmente até julho

266

CÓDIGO FLORESTAL AGRONEGÓCIO tenta flexibilizar lei para devastar o país. MST, site oficial, 2 de setembro de 2011. Disponível em: <http://www.mst.org.br/Codigo-Florestal- agronegocio-enta-flexibilizar-lei-para-devastar-o-pais%20>. Acesso em: 3 out. 2011.

267

Em 24 de maio de 2011 foi aprovado na Câmara dos Deputados, “Sob ameaça de veto presidencial, [...] o novo Código Florestal do país. A votação marcou a primeira grande derrota do governo Dilma Rousseff (PT) no Congresso. O Planalto viu os parlamentares, em uma rebelião da base aliada, aprovarem dois pontos que considerava inaceitáveis: a anistia a proprietários rurais que promoveram desmatamentos ilegais até julho de 2008 e a diminuição da autonomia da União para definir quais áreas de preservação permanente (APPs) de margens de rios e encostas de morros poderão ser exploradas economicamente – o texto do novo Código atribui aos estados parte dessa responsabilidade. [...] O texto aprovado ontem segue para o Senado, onde o Planalto pretende que as alterações sejam revertidas antes da sanção da presidente. Caso contrário, Dilma deverá vetar esses pontos, conforme anunciou ontem a ex-ministros do Meio Ambiente [...]”. (CÓDIGO FLORESTAL É aprovado com anistia a desmatadores. Gazeta do Povo, 25 de maio de 2011. Disponível em: <http://www.gazetadopovo.com.br/vidapublica/conteudo.phtml?id=1129647>. Acesso em: 3 out. 2011). E no dia 06 de dezembro de 2011: “[...] o Plenário aprovou o novo Código Florestal (PLC

de 2008, enquanto, por seu lado, forças contrárias a esse tipo de mudança pressionavam para que a presidenta Dilma Rousseff vetasse integralmente o texto final do código aprovado pelo Congresso.268 Uma das polêmicas em torno das alterações que se pretendem no Código Florestal diz respeito à possibilidade de descentralização de fiscalização e regras ambientais, passando para as unidades federativas a decisão sobre o tamanho de margens de rios e nascentes a serem preservadas na garantia da sustentabilidade e de mínimos impactos ambientais gerados pela instalação de um empreendimento rural. Enquanto isso, os assentados são enredados em uma “máquina” burocrática para a liberação de funcionamento real dos lotes, ou seja, lhes é cobrado o cumprimento de leis ambientais para que possam acessar benefícios dos créditos rurais e começar a produção nas terras em empreendimento de baixo impacto ambiental.

Retomando análise sobre a questão do acesso aos créditos rurais, é importante observar como os assentados destacaram o controle governamental desses possíveis benefícios, já que, como explica João Pedro, “[...] é depositado na conta da Associação [...] [só que] essa conta é uma conta travada, nós não temos acesso a ela, a não ser pra extrato [...] essa conta é dirigida pelo governo, pelo INCRA, que seja, pelo órgão do governo, então ela é bloqueada, nós não temos o poder pra sacar nem o juro [...]”.269

O juro do dinheiro, que, segundo os assentados, está depositado em uma conta corrente no Banco do Brasil em nome da Associação dos Assentados, é regulamentado

30/2011) na forma de substitutivo dos senadores Luiz Henrique (PMDB-SC) e Jorge Viana (PT-AC) para o texto do então deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) [...] o novo Código Florestal estabelece disposições transitórias – para contemplar as chamadas ‘áreas consolidadas’, em que há atividades agrossilvopastoris em Áreas de Preservação Permanente (APPs) – e disposições permanentes, com critérios a serem seguidos a partir da data de 22 de julho de 2008, data da publicação do Decreto 6.514/2008, que define penas previstas na Lei de Crimes Ambientais. A mesma data é o marco temporal para isentar de recuperação as propriedades rurais de até quatro módulos que desmataram as Reservas Legais (RLs) Para isso, o projeto determina a criação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e estabelece prazo de um ano, prorrogável uma única vez por igual período, para que os donos de terras registrem suas propriedades nesse cadastro. Os dados do CAR serão disponibilizados na internet e servirão para a elaboração dos Programas de Regularização Ambiental. [...]”. (NOVO CÓDIGO FLORESTAL É aprovado e volta à Câmara dos Deputados. Da Redação Agência Senado, 06 de dezembro de 2011. Disponível em: <http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2011/12/06/novo- codigo-florestal-e-aprovado-e-volta-a-camara-dos-deputados>. Acesso em: 20 dez. 2011).

268

Faz-se necessário mencionar que, no período de conclusão desta tese, em 25 de maio de 2012 a presidenta Dilma vetou parcialmente o Código Florestal aprovado em abril de 2012 na Câmara dos Deputados, com 12 vetos e 32 modificações no projeto e anunciando a criação de uma Medida Provisória para o Congresso. Segundo a Via Campesina, o veto da presidenta trouxe derrota aos ruralistas, mas ainda é insuficiente. (Cf. FERNANDES, Vivian. Veto parcial ao código é insuficiente, mas representa derrota ao latifúndio. Da Radioagência P, 28 de maio de 2012. Disponível em: <http://www.mst.org.br/content/veto-parcial-ao-codigo-florestal-e-insuficiente-mas-representa- derrota-ao-latifundio>. Acesso em: 30 maio 2012).

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CAPÍTULO APÍTULO APÍTULO APÍTULO 2222:O ASSENTAMENTO DE REFORMA AGRÁRIA 180 pela Norma de Execução nº 79 de 26 de dezembro de 2008 do MDA e INCRA e deve retornar aos beneficiários do Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA). No caso dos assentados do PA Emiliano Zapata, como ainda nem todos haviam tido acesso à modalidade Material de Construção do Crédito Instalação, o dinheiro do juro não podia ser retirado. Portanto, o mesmo ocorria com os assentados do PA 21 de Abril, que até março de 2012 não haviam começado a construção das casas, apesar de terem iniciado no final de 2011 e início de 2012 os trâmites de acesso a essa modalidade do Crédito Instalação.

Segundo Maria Eleusa Mota, a qual, junto a outros dois assentados, é membro da comissão de crédito (exigência institucional) e no nome dos quais foi aberta a conta corrente bloqueada para o depósito do Crédito Instalação, o valor para cada família do PA Emiliano Zapata advindo desse juro era de R$ 2.500,00 de acordo com o extrato bancário no início do ano de 2012. Entretanto, só terão acesso a esse valor quando for regularizada a situação do assentado que ainda não pegou seu crédito Material de