III. EVLİLİĞİ VE ÇOCUKLARI
1.6. ÜMMÜ HABÎBE’NİN AİLESİYLE İLİŞKİLERİ
110 Comitê Municipal de Mudança do Clima e Ecoeconomia
http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/desenvolvimento_urbano/comite_do_clima/historico/index.ph p?p=15084, acesso em 4.2.2011
Alguns governos nacionais se destacam por estimular a adoção de políticas públicas subnacionais em matéria de mudanças climáticas. Essa ação vertical, de cima para baixo, impulsionando governos locais a agir no tema do clima é retratada nesta seção, por tratar-se de um dos vetores que geram políticas no nível subnacional.
Alguns exemplos são comentados a seguir, destacando-se os casos mais ilustrativos de uma ação concreta de governos nacionais, estimulando adoção de políticas subnacionais, como é o caso do Japão, Suécia e Noruega. As iniciativas aqui descritas denotam um nível de engajamento significativo de atores e governos locais no combate às causas e efeitos das mudanças climáticas, estimulados por seus governos nacionais. Muitas vezes, vêm acompanhadas de incentivos financeiros, o que facilita a aprovação e execução das políticas. Esse tipo de exemplo é trazido para esta discussão por demonstrar os movimentos de descentralização das políticas no tema das mudanças climáticas e do reconhecimento de que todas as esferas de governo são relevantes para atuar nesse tema, e a ação conjunta das diferentes esferas, pode gerar impactos mais contundentes. Apesar de não existir ainda no Brasil movimento claro nesse sentido, os exemplos dos outros países servem para demonstrar um processo mais amplo de formulação de políticas públicas em mudanças climáticas pelo reconhecimento da necessidade de ação em todas as esferas de governo.
3.4.1. Japão
O Japão é um dos países pioneiros na adoção de políticas públicas nacionais e subnacionais no tema de mudanças climáticas. Desde 1990 o Japão já tinha um Plano de Ação para combate às mudanças climáticas, antes mesmo da adoção da convenção quadro das Nações Unidas. Não é à toa que o Protocolo de Quioto foi negociado e aprovado no território japonês. Havia por trás disso toda uma mobilização da sociedade e do governo em torno da temática das mudanças climáticas. O governo federal chegou a apoiar alguns governos com recursos financeiros para que esses processos se instalassem.
A Lei de Aquecimento Global do Japão e o Plano de Cumprimento de Metas do Protocolo de Quioto são políticas públicas que determinam aos 47 governos regionais e 1800 governos municipais no país a introdução de programas para controlar emissões de GEE. Todos os governos regionais e muitos governos municipais elaboraram seus próprios planos e
estabeleceram metas de redução de emissões, com estímulo dos governos para participação de empresas e cidadãos no processo de formulação dos mesmos por força de lei federal. (SUGIYAMA; TAKEUCHI, 2008, p. 424). As metas de redução de emissões do Japão sob o Protocolo de Quioto não são divididas entre os governos regionais e subnacionais, como é feito na União Europeia. O plano nacional autoriza os governos locais a decidirem como trabalhar, orientando apenas que espera ação desses governos para redução de emissões na área de transporte-tráfego, conservação e eficiência energética e no recrutamento de voluntários para ação em prol do clima. O governo federal tem uma expectativa de que os governos locais irão se dedicar a educar seus cidadãos e também investir em pesquisa para introdução e produção de energia renovável. Com base na liberdade garantida pela legislação japonesa, alguns governos regionais e locais aprovaram normas obrigando empresas e indústrias locais a formularem planos de redução de emissões de CO2, a comercializarem créditos de carbono em mercados criados para tanto, bem como investirem na produção de energia renovável. Dentre as medidas implementadas por diferentes prefeituras, encontram-se a licitação sustentável, projetos de eficiência energética com empresas ESCO111, subsídios para instalação de equipamentos fotovoltaicos, telhados verdes, projetos de transporte sustentável e estímulo para o uso de transporte público. A cidade de Tokyo conseguiu um feito que não foi possível no nível nacional, por resistência de alguns setores industriais, que foi a introdução de um mercado de créditos de carbono. No entanto, apesar das inúmeras políticas públicas no nível local, o Japão não parece ter tido suficiente sucesso em reduzir suas emissões de GEE como esperado em decorrência dessas ações, conforme relatam os pesquisadores Sugiyama e Takeukchi.
3.4.2. Suécia
No caso da Suécia, cujo sistema de governo caracteriza-se por sua descentralização, a tradição na formulação de legislação ambiental é muito antiga. Foi um dos países pioneiros na formulação de normas desse tipo, e o primeiro país a criar uma agência ambiental
111 Segundo a ABESCO, Associação de Empresas Brasileiras ESCO, o significado da sigla ESCO é “Energy
Services Company”) são Empresas de Engenharia, especializada em Serviços de Conservação de Energia, ou seja, em promover a eficiência energética e de consumo de água na instalações de seus clientes, utilizando-se
primordialmente de contratos de performance. Fonte: http://www.abesco.com.br/datarobot/sistema/paginas/pagebody2.asp?id=22&msecundario=42, acesso em 6.2.2011
governamental no mundo, em 1967. A Suécia preparou-se cedo para uma economia de baixo carbono, sem necessariamente estar focando nisso, pois reagiu rapidamente após a crise do petróleo da década de 1970, buscando criar alternativas energéticas ao petróleo para sua economia. Esse movimento criou uma cultura de busca de alternativas e promoção de eficiência energética no país. Nos anos 1990, após a Rio 92, com o advento do movimento em prol da adoção da Agenda 21, muitos governos municipais e organizações da sociedade civil, se organizaram para promover programas em prol do desenvolvimento sustentável, o que também criou uma prática e base política para a ação que hoje se estabelece em prol da adoção de legislação subnacional em mudanças climáticas. Existe uma visão da agência ambiental nacional sueca de que os municípios são atores relevantes na ação colaborativa em prol do equilíbrio ambiental, o que os torna candidatos naturais para atuar na governança da questão climática, segundo Granberg & Elander (2007). Em 2001 foi lançada a primeira estratégia nacional sobre mudanças climáticas do país, e por ocasião da alocação de metas de redução de emissões de GEE do bloco europeu, a Suécia beneficiou-se com o direito de aumentar suas emissões, já que tinha reduzido historicamente desde a década de 1970. Mas, a Suécia recusou-se a utilizar esse benefício, e apresentou compromisso de reduzir suas emissões em 4%, no período de 2008-2012, com base nas emissões de 1990. E, para estimular ação dos governos locais, o governo federal doou recursos financeiros para projetos selecionados em concorrência pública. No período entre 1998 e 2002, atores locais podiam solicitar fundos do programa LIP - Local Investment Program (Programa de Investimento Local), que visava estimular ações em prol do desenvolvimento sustentável. Em 2003 o programa LIP foi substituído por outro focado especificamente em clima (KLIMP), cujo objeto era a redução de emissões de GEE. Segundo o programa, os governos subnacionais podiam submeter projetos e concorrer aos recursos desde que comprovassem a aprovação de uma estratégia climática, incluindo objetivos principais e intermediários, e medidas de cumprimento e avaliação. Alem disso, os governos subnacionais tinham que apresentar contrapartida equivalente a 15-30% do orçamento dos projetos. Nas cidades que adotaram política de clima, prevaleceu o enfoque nas atividades de mitigação, e não de adaptação, apesar desta última ter um potencial de impacto enorme no nível local. (GRANBERG; ELANDER, 2007, p. 540 -541 ).
Em 2005 a organização SSNC (Sociedade Sueca para a Conservação da Natureza) fez uma avaliação sobre políticas municipais em mudanças climáticas. Menos de metade dos 290 municípios do país responderam. Alem de focar em ações em questões energéticas, de
transporte e de resíduos, os governos responderem que procuram reduzir suas emissões de CO2 tomando medidas de gestão administrativa mais amigáveis ao meio ambiente, usando carros menos poluentes, buscando energias menos impactantes para aquecimento dos edifícios públicos, adquirindo produtos eco-eficientes, dentre outros. Dos municípios respondentes, 69 afirmaram que reduziram suas emissões de CO2 em função de doações recebidas do governo nacional. Dos 184 governos que responderam essa pesquisa, 72% reconheceram que atuam em rede para trabalhar especificamente questões relacionadas a mudanças climáticas, principalmente dentro da Suécia. E, muitas responderam que trabalham em redes internacionais também. A Suécia chegou a criar uma rede de municípios pela proteção do clima (Kimatkommunerna) com o objetivo de fomentar cooperação entre os municípios para redução das emissões de GEE. (GRANBERG; ELANDER, 2007, p. 541-542 )
3.4.3. Noruega
O caso da Noruega ilustra a importância de organizações não-governamentais como atores influentes na adoção de políticas subnacionais. No país, duas organizações foram particularmente importantes, a “Future in our Hands” (FIVH – Futuro em Nossas Mãos) e a organização de jovens “Friends of the Earth” (NU - Amigos da Terra), pois ambas apoiaram a adoção de políticas públicas no tema de mudanças climáticas. Em 1995, a FIVH formulou a política da cidade de Oslo, e a Nu, na sequência, apoiou formulação de políticas em 25 municípios. Em 1995 o governo federal aprovou política estipulando que os governos locais deveriam estabelecer seus planos de clima locais, para redução de emissões de GEE e incremento do sequestro de carbono por via de projetos de aflorestamento. Em 2000, uma política federal passou a estimular a adoção dessas políticas de forma mais veemente, financiando 26 projetos, em 37 municípios. O projeto viabilizou um sistema online com programa que permitia aos municípios calcularem suas emissões de GEE, base para formulação de suas estratégias de clima. (AALL; GROVEN; LINDSETH, 2007, p. 84-87). As políticas aqui descritas promovidas pelos governos dos países Suécia, Japão e Noruega constituem exemplos interessantes a serem seguidos pelo governo federal no Brasil, em prol da adoção de políticas subnacionais em MC. O exemplo do financiamento dos esforços básicos para a instalação de marco regulatório nas cidades mais importantes do país em
matéria de MC pode ser seguido aqui, com apoio do recém criado Fundo Nacional de Mudanças Climáticas. Com isso o governo federal pode acelerar o cumprimento de sua legislação sobre MC e o cumprimento das metas internacionais assumidas pelo país de redução de emissões de GEE, contribuindo de forma mais efetiva para o objetivo de promoção do equilíbrio climático planetário.