III. EVLİLİĞİ VE ÇOCUKLARI
1.3. HABEŞİSTAN’A HİCRETİ
As mudanças climáticas globais causam consequências relevantes nas cidades, tornando-se uma questão desafiadora para os governos locais. Todos os aspectos gerais abordados até agora, de causas e consequências, quando não diretamente relacionados às cidades, afetam- nas indiretamente, já que as cidades dependem da produção de alimentos dos campos, de água proveniente de bacias cujos regimes hídricos são impactados pelas mudanças climáticas, podem ter infraestrutura e população impactada por eventos climáticos extremos, podem sofrer com a migração de vetores transmissores de doenças, gerando impacto sobre sistema de saúde, dentre outros fenômenos já descritos anteriormente. Os centros urbanos podem ser impactados pela migração de pessoas fugindo das agruras de áreas afetadas drasticamente pelas MC ou por eventos climáticos extremos. Portanto, entender o impacto sobre as cidades, implica compreender outros fatores transversais e de ordem macro, que atingem as cidades de várias maneiras. E, nesta sessão serão tratados os principais fatores diretamente relacionados às cidades no que tange às mudanças climáticas globais. Em particular, chama a atenção o aumento demográfico dos grandes centros e a complexidade de problemas a ele associados. Nos grandes aglomerados urbanos os problemas ambientais são de toda sorte. Incluem questões de escassez ou precário acesso a recursos hídricos, baixo ordenamento territorial, concentração de parques industriais, contaminação dos recursos hídricos e solos, baixo nível de vegetação, altas taxas de impermeabilização e enchentes decorrentes, erosão de encostas, ocupação de áreas insalubres, gerenciamento de resíduos, dentre outros. Todos esses problemas tem implicações maiores ou menores para a emissão de gases de efeito estufa, ou sua absorção pela vegetação. A gestão municipal ou por governos locais dos problemas ambientais torna-se, portanto, fundamental não só em termos de saúde pública e qualidade de vida, mas também para a gestão das emissões de GEE.
O argumento demográfico é extremamente relevante ao se tratar de políticas públicas em MC em nível subnacional. Alguns dados de contexto são trazidos para situar o debate. Segundo dados das Nações Unidas, em 2010, cerca de 3,5 bilhões de pessoas viviam em núcleos urbanos.( POPULATION DIVISION OF THE DEPARTMENT OF ECONOMIC AND SOCIAL AFFAIRS OF THE UNITED NATIONS SECRETARIAT, 2007). No caso europeu, um em cada cinco cidadãos vive num ambiente urbano (VAN STADEN; MUSCO, 2010, p. 123, 2010).
Em algumas regiões do globo, onde há alta concentração de população urbana, o volume de emissões de GEE pode ser significativo. Esse é um dos problemas, dentre vários problemas ambientais que esses centros urbanos enfrentam, e que podem agravar-se nas próximas décadas, principalmente nos países menos desenvolvidos.
Segundo as Nações Unidas, em 2008 a humanidade atingiu um ápice em termos demográficos. Pela primeira vez na história, registrou-se que mais da metade da população humana, então com 3,3 bilhões, vivia nas cidades. A expectativa das Nações Unidas é de que esse número aumente para 5 bilhões, em 2030, sendo que em sua maioria, esses “urbanóides” serão de classes mais pobres. A população urbana cresceu vertiginosamente no século 20, aumentando de 220 milhões, para 2,8 bilhões. As próximas décadas continuarão a ver esse intenso crescimento, principalmente na África e na Ásia. Calcula-se que em 2030 as cidades dos países em desenvolvimento contarão com 81% da população urbana do planeta.
O estudo da UNFPA sobre “Urbanização e Mudanças Climáticas” alerta que as cidades e o fenômeno da urbanização são normalmente considerados por cientistas que estudam os fenômenos climáticos como o lócus principal de origem das mudanças climáticas. No entanto, a UNFPA não considera essa constatação verdadeira, afirmando que apenas 35% dos GEE emitidos no mundo são gerados em cidades. Criticam o pressuposto de que o simples fato de acontecer processos de urbanização e crescimento populacional implicariam necessariamente no aumento das emissões de GEE nas cidades. O estudo critica o posicionamento de que as emissões per capita em áreas urbanas são maiores do que as constatadas em áreas rurais, pois consideram que há situações em que isso não ocorre. No estudo, afirmam também que em países de baixo nível de renda per capita não ficou claro ainda se há emissões per capita mais elevadas em zonas rurais ou urbanas. Segundo o estudo, o fenômeno de urbanização não deve ser automaticamente interpretado como sendo causador de maior volume de emissões de GEE, devendo-se fazer análises específicas sobre isso para cada contexto. No estudo, afirma-
se que o aumento do número e concentração de pessoas não é determinante no aumento das emissões de GEE, mas o aumento do número de consumidores e as implicações em termos de emissões de GEE de seus padrões de consumo constituem os dados mais relevantes a serem analisados.
A intensificação de concentração da população em cidades traz consigo uma série de problemas ambientais e sociais.90
Em termos de impactos, a 2ª Comunicação Nacional, publicada pelo Brasil em 2010, traz informação em sessão intitulada “Áreas de Alta Poluição Atmosférica Urbana”, corroborando informe do Quarto Relatório de Avaliação do IPCC (IPCC, 2007), em que se anuncia maior frequência de ondas de calor em áreas urbanas, com maior intensidade e duração. A publicação do MCT alerta ainda que é possível prever uma deterioração da qualidade do ar e o aumento de áreas de risco, em especial nas cidades tropicais, cada vez mais sujeitas a chuvas intensas que podem provocar escorregamentos de encostas e alagamentos. (BRASIL, 2010a)
No caso das mudanças climáticas, alguns se destacam. Cidades costeiras, por exemplo, poderão ser profundamente afetadas pelo aumento do nível médio do mar, uma dos impactos já confirmados. A intensidade de fenômenos climáticos extremos afetará – e já afeta – habitações construídas de forma precária e instaladas em locais vulneráveis.