2.1.2. İş Doyumu
2.1.2.3. İş Doyumunu Etkileyen Faktörler
2.1.2.3.2. Örgütsel Faktörler
O Grupo de danças Gracinha é uma atividade de arte-educação que se dá no interior do trabalho da Associação pela família. Portanto, para contar a história do Grupo de danças mostrou-se necessário passar pela trajetória da Associação, que desde seu início se propôs integrar educação e assistência social e cujo percurso de atuação nos esclarece as escolhas feitas mais tarde pelo Centro de Convivência Gracinha.
A Associação pela Família é uma entidade de caráter filantrópico e sem fins lucrativos, que atende crianças e jovens, em escolas formais e em centros de convivência. Criada há 50 anos, por operárias e educadoras, tem suas origens nos grupos de trabalho da Ação Católica.
A Ação Católica teve seus primeiros traços definidos pelo Papa Pio XI, na década de vinte e visava incrementar a participação dos leigos no apostolado e na difusão dos princípios católicos. No Brasil, este movimento chegou em 1935,
inicialmente dirigido por Alceu Amoroso Lima56, apresentava um caráter conservador, preocupava-se em afastar a influência comunista dos jovens e estudantes. No entanto, em 1947, Dom Helder Câmara57 foi nomeado assistente nacional da Ação Católica, criando cinco grupos de trabalho: Juventude Agrária Católica (JAC), Juventude Estudantil Católica (JEC), Juventude Independente Católica (JIC), Juventude Operária Católica (JOC) e Juventude Universitária Católica (JUC).58 A partir deste momento de ampliação, também diversificou-se, na Ação Católica, as tendências políticas de seus participantes.
A JIC era um grupo voltado para jovens de classe média e alta e tinha um predomínio de mulheres. Um destes núcleos se reunia numa escola de Ensino Fundamental, a Escola Nossa Senhora das Graças, que ficava em Higienópolis. Numa das reuniões gerais da Ação Católica, houve o encontro destas jovens elitizadas com as operárias integrantes da JOC, que já faziam um trabalho de catequese no bairro do Ferreira. Eram as costureiras, Durvalina Noronha e suas sobrinhas Zilda Noronha Miné e Ilda de Noronha Miné, que são personagens-chaves desta história, pois foram as doadoras do terreno, onde funciona até hoje o Centro de Convivência Gracinha, onde se desenvolve o Grupo de Danças brasileiras Gracinha, objeto desse estudo. A própria Ilda trabalhou no centro de 1963 a 1984.
A Associação pela Família nasceu, em 1956, do encontro entre essas operárias e as jovens de classe média, da JIC, em sua maioria, educadoras. As fundadoras da Associação pela Família acabaram por comprar a Escola Nossa Senhora das Graças, em 1959, que passava por dificuldades financeiras e ameaçava fechar. No ano seguinte, promoveram a mudança da escola para o prédio do Itaim Bibi, onde funciona até os dias atuais.
Com a gestão desta escola, a Associação pôde dar continuidade a um projeto pedagógico com o qual se identificava e gerar receita para um programa de ações sociais, a que deram o nome de Ação Social. Essas ações se concretizavam em Centros Educacionais que a Associação pela Família implementava em bairros
56 Alceu Amoroso Lima, escritor fluminense, nascido no final do século XIX. Católico conservador, teve importante atuação na defesa dos direitos humanos, após o golpe militar de 1964.
57 Dom Helder Câmara, nascido em Fortaleza, ordenou-se sacerdote em 1931. Desde então tem sua ação voltada para as questões sociais e os direitos humanos. Durante a ditadura militar, foi proibido de se pronunciar publicamente. Fundou a CNBB, Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, e foi seu secretário por doze anos. Morreu aos 90 anos. Sua atividade política, social e religiosa foi reconhecida mundialmente.
periféricos de São Paulo, contando com receitas obtidas com a Escola Nossa Senhora das Graças, entre eles o Gracinha.
O trabalho da Ação Social nos Centros de Convivência corria em paralelo ao trabalho na Escola Nossa Senhora das Graças, que todavia passou por dificuldades no período de ditadura militar, deflagrada com o golpe de 1964, em função de sua proposta ser associada diretamente com a subversão e o esquerdismo. Na década de 1980, os laços entre a escola e a Ação Social se reforçariam com a participação dos alunos da Escola Nossa Senhora das Graças fazendo monitoria e recreação com as crianças atendidas nos então chamados centros educacionais.
No período de 1990 a 2006, os Centros Educacionais passaram de dois para oito, favorecidos pela ampliação da receita propiciada pela criação de uma nova unidade escolar, a Nova Escola59, em 2004. Desde os anos de 1990, os centros acompanharam o processo de profissionalização deflagrado em todas as unidades da Associação; nesse período, houve o investimento na formação de professores e funcionários, acompanhado de um movimento de laicização da entidade.
Em 2011, ocorreu uma reestruturação no atendimento e foco da Associação pela Família, para se adequar à Lei n.º 12.101, de 27 de novembro de 2009 e à Resolução n.º 109, de 11 de novembro de 2009, que obrigava as organizações não governamentais a optarem por educação ou pela assistência social. O que implicou na supressão de alguns centros educacionais e um deles, Colibri, que funciona próximo a cidade de Embu, virou escola formal. A Associação optou, no entanto, por seguir com três unidades socioeducacionais, agora chamados: Centro de Convivência Gracinha, que desenvolve atividades, voltadas às artes, no contraturno escolar, para crianças e adolescentes do Distrito Vila Sônia; Centro de Convivência Clarisse Ferraz Wey, que atende diariamente, no contraturno escolar, crianças e adolescentes do Jardim Jaqueline; e Centro Social Caminho Novo, que oferece cursos para homens em situação de abrigamento, na Mooca60.
Estas mudanças foram necessárias, pois, segundo a Lei acima citada, a ASPF precisou rever sua missão. Desde sua fundação, educação e ação social caminharam juntas. Porém, foi preciso optar por uma ação ou outra, implicando em perda de receita para gerir a ação social. Já que tanto a Escola Nova como a Nossa
59 A Nova Escola desde 2004 atende crianças da Educação Infantil até o Ensino Médio no bairro V. Mascote em São Paulo, como unidade de ensino particular da Associação pela Família.
60 A Associação pela Família organiza um curso de alfabetização para os frequentadores do Centro Social Caminho Novo, que são, em sua maioria, moradores de rua.
Senhora das Graças deixavam de estar ligadas diretamente aos Centros de convivência: educação e ação social se separavam, não permitindo que recursos financeiros fossem destinados de um âmbito para outro.
Na década de 1990, a Associação pela Família intensificou o processo de busca de parcerias com o poder público, em suas esferas municipais, estaduais e federais, assim como com a iniciativa privada, entendendo que as questões sociais brasileiras, agravadas nas últimas décadas, só encontrariam solução com a soma e integração de várias entidades.
Foi assim que se firmou uma parceria importante entre a ASPF e o Instituto C&A61, com o financiamento, por parte do Instituto, de oficinas de música, dança, circo, teatro e artes visuais, ministradas por arte-educadores, nos centros educacionais. Com o desenvolvimento desse programa, o Gracinha acabou por adotar a arte como eixo norteador dos seus trabalhos, explorando as possibilidades que as linguagens artísticas oferecem para desenvolver a sociabilidade, a curiosidade por conhecer e as potencialidades de crianças e jovens que atendia. Nas palavras da atual diretora do Centro de Convivência Gracinha, Hilda Hashimoto:
Desde 98 nós resolvemos dar um diferencial no trabalho e o caminho foi a utilização da linguagem artística. A arte possibilita explorar melhor todas as habilidades, todas as competências. Fornece, por exemplo, material amplo, rico, belo. Que é o cantar, o dançar.62
Este projeto, com o Instituto C&A, se estendeu a todos os Centros Educacionais, e mesmo com o fim da parceria e do financiamento, o Centro de Convivência Gracinha conseguiu, todavia, manter as oficinas de artes visuais, lideradas então pela arte-educadora Rita Coelho.
Em 1999, a Associação pela Família fechou convênio com o Instituto Ayrton Senna, no projeto Educação pela Arte para o desenvolvimento humano.
Esse programa propunha uma educação estética inovadora a partir da construção de um conhecimento sensível do ser humano e do mundo. A ideia não era formar artistas nem usar atividades lúdicas ou artesanais para entreter ou ensinar pequenas habilidades. Pensava numa formação mais completa para crianças e jovens,
61 O Instituto C&A é uma organização sem fins lucrativos de interesse público, dedicada a promover e qualificar o processo de educação de crianças e adolescentes no Brasil. Atua por meio de programas, que se orientam a apoiar a realização de projetos que atendam às demandas sociais. Os projetos são desenvolvidos a partir do estabelecimento de parcerias e de alianças com outras organizações sociais e com o poder público. (<http://www.institutocea.org.br>).
dançando, pintando, atuando ou cantando, terem a oportunidade de se preparar para serem cidadãos do século 21, desenvolvendo suas competências pessoais, relacionais, cognitivas e produtivas. (<http://senna.globo.com/institutoayrtonsenna>).
Chama a atenção, na proposta acima, a preocupação com a educação da sensibilidade e a visão de uma formação cidadã através das linguagens artísticas. Prosseguindo na exposição da proposta, estabeleciam como objetivos: incrementar a educação complementar à escola, despertando em crianças e jovens habilidades relacionadas à sensibilidade, à percepção e à criatividade. Pretendiam, ainda, durante a parceria, capacitar educadores para transformar potenciais em competências, trabalhando três aspectos do ensino de arte: fazer arte, aprender arte e multiculturalismo.
A parceria entre a Associação pela Família e o Instituto Ayrton Senna firmou- se através do projeto Crisálida, que reuniu as iniciativas de arte-educação de quatro Centros educacionais, entre eles o Gracinha.
No Centro de Convivência Gracinha desenvolveram-se propostas diferenciadas, sobretudo no campo das artes visuais. A proposta do Instituto Ayrton Senna incrementou ainda mais o trabalho já desenvolvido no Gracinha com as linguagens artísticas. Trabalhava-se com os jovens e paralelamente dedicavam-se à formação de educadores desses Centros de Convivência, pensavam numa “Educação pela Arte para o desenvolvimento humano”. O projeto finalizou com a publicação de Crisálida: o
casulo do novo cidadão, onde ficaram registrados os trabalhos das crianças e jovens.
Figura 4 – Dança do pau de fitas. Ensaio do grupo de danças no Centro de Convivência Gracinha. 2010