1. BÖLÜM
4.2. Sonuç ve Öneriler
As filosofias de Santo Agostinho76 e de São Tomás77 estão cercadas das
idéias dos grandes filósofos gregos, especialmente de Platão e de Aristóteles. No
74CÍCERO, As Leis, Livro I. apud MORIS, Clarence. Os grandes fisosófos do direito: leituras escolhidas em
direito. São Paulo: Martins Fontes, 2002 – (Coleção justiça e direito), p. 34.
75[ MORIS. Clarence. Os grandes fisosófos do direito: leituras escolhidas em direito. São Paulo: Martins
Fontes, 2002 – (Coleção justiça e direito), p. 34-35.
76Aurélio Agostinho nasceu em Tagasta, cidade da Numídia, de uma família burguesa, a 13 de novembro do
ano 354. Seu pai, Patrício, era pagão, recebido o batismo pouco antes de morrer; sua mãe, Mônica, pelo contrário, era uma cristã fervorosa e exercia sobre o filho uma notável influência religiosa. Indo para Cartago, a fim de aperfeiçoar seus estudos, começados na pátria, desviou-se moralmente. Tendo terminado os estudos, abriu uma escola em Cartago, donde partiu para Roma e, em seguida, para Milão. Afastou-se definitivamente do ensino em 386, aos trinta e dois anos, por razões de saúde e, mais ainda, por razões de ordem espiritual. Entrementes - depois de maduro exame crítico -, abandonara o maniqueísmo, abraçando a filosofia neoplatônica que lhe ensinou a espiritualidade de Deus e a negatividade do mal. Destarte, chegara a uma concepção cristã da vida - no começo do ano 386. Entretanto, a conversão moral demorou ainda, por razões de luxúria. Finalmente, como por uma fulguração do céu, sobreveio a conversão moral e absoluta, no mês de setembro do ano 386. Agostinho renuncia inteiramente ao mundo, à carreira, ao matrimônio; retira-se, durante alguns meses, para a solidão e o recolhimento, em companhia da mãe, do filho e de alguns discípulos, perto de Milão. Aí escreveu seus diálogos filosóficos e, na Páscoa do ano 387, juntamente com o filho Adeodato e o amigo Alípio, recebeu o batismo em Milão das mãos de Santo Ambrósio, cujas doutrina e eloqüência muito contribuíram para a sua conversão. Tinha trinta e três anos de idade. Depois da conversão, Agostinho abandona Milão e, falecida a mãe em Óstia, volta para Tagasta. Aí vendeu todos os haveres e, distribuído o dinheiro entre os pobres, funda um mosteiro numa das suas propriedades alienadas. Ordenado padre em 391 e consagrado bispo em 395, governou a igreja de Hipona até à morte, que se deu durante o assédio da cidade pelos vândalos, a 28 de agosto do ano 430. Tinha setenta e cinco anos de idade. As obras de Agostinho que apresentam interesse filosófico são, sobretudo, os diálogos filosóficos: Contra os acadêmicos, Da vida beata, Os solilóquios, Sobre a imortalidade da alma, Sobre a quantidade da alma, Sobre o mestre, Sobre a música. Interessam também à filosofia os escritos contra os maniqueus: Sobre os costumes, Do livre arbítrio, Sobre as duas almas, Da natureza do bem. Dada, porém, a mentalidade agostiniana, em que a filosofia e a teologia andam juntas, compreende-se que interessam à filosofia também
entanto, como não poderia deixar de ser, o fundamento destas filosofias está na
Bíblia.
No velho e no novo Testamento, encontram-se várias passagens que tratam da justiça e do amor. Há uma grande polêmica a respeito das diferenças entre os dois testamentos, especialmente no que concerne ao conceito de justiça. É famosa a passagem do velho Testamento que diz: “Pagarás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferimento por ferimento, contusão por contusão” {Êxodo, XXI, 23}.
Noutra passagem, lê-se: “Se um homem ferir um compatriota, far-se-á a ele o que ele fez: fratura por fratura, olho por olho, dente por dente; infligir-se-á a ele o mesmo ferimento que ele infligiu ao outro” {Levítico, XXIV, 19}.
Essas duas passagens do velho Testamento parecem expressar claramente a velha lei de talião. Elas indicam a mesma idéia de justiça prefigurada pelas primeiras legislações gregas, de Zaleucos, de Locres e de Dracon. Mais ainda, elas evocam o sentimento de vingança provocado pelos crimes e pela injustiça.
Em contraponto a essa concepção de justiça e de vingança, inúmeras passagens do novo Testamento trazem as idéias do perdão e do amor como fundamentos do cristianismo. Neste sentido, vale citar uma passagem dos Romanos:
Não retribuais a ninguém o mal pelo mal; tomai a peito fazer bem diante de todos os homens. Se for possível, no que depender de vós, vivei em paz com todos os homens. Não vos vingueis, meus diletos, mas deixai agir a cólera de Deus, pois está escrito: A mim pertence a vingança, eu é que retribuirei, diz o senhor {Romanos, XII, 17-19}.
as obras teológicas e religiosas, especialmente: Da Verdadeira Religião, As Confissões, A Cidade de Deus, Da Trindade, Da Mentira.
77São Tomás de Aquino, tido como santo pela Igreja Católica, foi um frade dominicano e teólogo italiano.
Nascido numa família nobre, estudou filosofia em Nápoles e foi depois para Paris, onde se dedicou ao ensino e ao estudo de questões filosóficas e teológicas. Aos 19 anos, fugiu de casa para se juntar aos dominicanos. Conseguiu entrar na Ordem fundada por São Domingos de Gusmão. Foi mestre em Paris e morreu na Abadia de Fossanova quando se dirigia para Lym a fim de participar do Concílio de Lym. Seus interesses não se restringiam à religião e à filosofia, mas também interessou-se pelo estudo de alquimia, tendo publicado uma importante obra alquímica chamada "Aurora Consurgens". O mérito transcendente de São Tomás consistiu em introduzir aristotelismo na escolástica anterior. A partir de São Tomás, a Igreja tem uma teologia (fundada na revelação) e uma filosofia (baseada no exercício da razão humana) que se fundem numa síntese definitiva: fé e razão. São Tomás é considerado um dos maiores mestres da Igreja, pois conseguiu alcançar um profundo entendimento da espiritualidade cristã. É também conhecido como o Doutor Angélico. Seu mais importante trabalho filosófico intitula-se “Suma Teológica”
A interpretação corrente entre os filósofos cristãos é que o novo
Testamento não se opõe ao conceito de justiça do velho Testamento. Tratar-se-ia,
muito mais, de uma elucidação daquele conceito. Mesmo considerando a justiça do novo Testamento como a expressão de uma idéia de reciprocidade, caberia a Deus fazê-la, e não aos homens:
Por teu endurecimento, por teu coração impenitente, acumulas, contra ti um tesouro de cólera para o dia da cólera, no qual se revelará o justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo as suas obras: vida eterna para aqueles que, por sua perseverança em praticar o bem, procuram glória, honra e incorruptibilidade, mas cólera e indignação para aqueles que, por rebeldia, revoltam-se contra a verdade e se submetem à injustiça {Romanos, II, 5-8}.