4. BULGULAR VE TARTIŞMA
4.2. Ön Denemeler ve Çalışmanın Dizaynı
A presença do Parque Ibirapuera no Plano de Avenidas é importante porque indica a consciência, em 1930, por parte do poder público, de que a cidade precisava de parques urbanos. Indica também o desígnio de que esses parques deveriam integrar um conjunto de espaços livres articulados à estruturação da cidade e de que eles eram elementos fundamentais do planejamento urbano. No entanto, a forma como os parques foram apresentados indica que eles eram vistos como espaços secundários em relação às necessidades de circulação. Os parques eram menos importantes que a rede viária da cidade, entendida como elemento definidor da estrutura urbana de São Paulo, em detrimento de qualquer outro elemento de planejamento e projeto urbano.
Entre as principais referências internacionais consultadas para a elaboração do Plano de Avenidas, como já foi mencionado, destacam-se os estudos e projetos de circulação viária urbana dos arquitetos Stübben e Hénard, por meio dos quais eles arquitetos tornaram-se internacionalmente reconhecidos106. Como ambos os arquitetos também dedicaram parte significativa de seus trabalhos à defesa e ao projeto de espaços livres urbanos, tema relevante na discussão do urbanismo de início do século XX, cabe uma reflexão a respeito do discurso sobre os espaços livres na obra desses arquitetos, com vistas a compreender o lapso de sua apropriação na argumentação que sustentou a proposta do Plano de Avenidas.
Para Stübben107, o plano compreensivo consistia em um plano geral de ruas e praças, de acordo com o qual as novas construções deveriam ser dispostas, de forma a organizar o premente crescimento das cidades a partir da estruturação do sistema de circulação urbana. A partir do plano, formava-se
106
Ambos foram arquitetos convidados a expor seu trabalho em congressos internacionais, como veremos a seguir.
107
Josef Stübben (1845-1936) era conselheiro real de construção na cidade de Colônia, na Alemanha. Estudou arquitetura em Berlim. Durante sua carreira, envolveu-se no planejamento de mais de trinta cidades na Alemanha e em outros países, tornando-se um dos mais conhecidos urbanistas europeus de sua época. Sua projeção internacional deveu-se, sobretudo, ao trabalho que desenvolveu no início do século XX sobre a circulação urbana. Sua principal obra escrita,
Handbuch des Städtebaue, foi publicada pela primeira vez em 1890. Nela, o autor defendeu a
proposta de um processo “sistemático” de crescimento urbano, baseado em um “plano compreensivo”, por oposição a um processo “arbitrário”.
uma rede completa de conexões viárias, organizando tanto os fluxos urbanos como a forma estética da cidade. Em sua concepção, o plano de ruas e praças constituía a “base essencial de uma cidade ordenada”, requisito para o tráfego e para o crescimento urbano108.
O problema enfocado pelo urbanista era o crescimento desordenado da cidade. A solução proposta, inovadora pela racionalidade do plano, era a da viabilização do ordenamento urbano através da estruturação dos fluxos de circulação. Tal proposta se implantava por meio de um sistema completo de vias que acomodassem o tráfego urbano e ao mesmo tempo passassem a definir a forma construída da cidade através da rede viária.
A expansão urbana nas cidades européias, na virada do século, vinha sendo experimentada como um processo caótico que devia ser solucionado por meio de uma estrutura de conexões e acessos que promovesse a racionalização formal do crescimento e a planificação do tráfego urbano. Para responder a essa questão, Stübben propunha um sistema de vias que satisfizesse não apenas a demanda de tráfego centro-bairro, por meio das vias radiais, como também a interligação dos diversos setores da cidade por meio dos anéis perimetrais. A resposta de Stübben ao problema rendeu projeção internacional ao urbanista. O sistema rádio-concêntrico proposto por Stübben contribuía ainda para a setorização da cidade com base na estrutura da rede viária. Esse modelo foi caro à formulação do Plano de Avenidas, em São Paulo, quatro décadas mais tarde.
Mas o arquiteto também trabalhava com a cidade a partir de princípios estéticos. Stübben entendia o urbanismo como “arte pública”, conforme o jargão do final do século XIX, quando a cidade era vista como obra de arte e sua criação era regida por princípios de composição. Seu modo de entender o projeto urbano foi apresentado em uma palestra de 1898, que tratou dos princípios de composição das cidades109. Para Stübben, o projeto de cidades devia seguir exigências de ordem prática e artística. As exigências práticas referiam-se à circulação, à higiene, à exploração do terreno; as considerações artísticas referiam-se à configuração de praças e terrenos reservados a
108
Stübben, J. “Practical and aesthetic principles for the laying out of cities”. In: Deutschen
Vereins für öffentliche Gesundheitspflege, Freiburg, 1885.
109
Stübben, J. Rapport au Premier Congrès International de l’Art Public tenu à Bruxelles du
construções públicas, monumentos e estátuas. A “arte pública” era, para o arquiteto, uma arte capaz de individualizar os setores das cidades, que evitava a uniformidade, a igualdade, a monotonia, concebida “de acordo com as exigências da habitação, que variam para as diferentes classes sociais” 110. Nessa filiação, um dos elementos fundamentais da composição da cidade como obra de arte eram os espaços livres: ruas, praças e bairros.
De acordo com Stübben, as considerações artísticas serviam para estabelecer o enquadramento e a configuração do espaço livre. Para o arquiteto, existiam ruas pitorescas, ruas monumentais, ruas ordinárias e ruas monótonas. A princípio, ele falava que havia um senso comum de que as ruas retas seriam mais belas, mas que as ruas curvas “favorecem a obtenção de efeitos pitorescos”: “a beleza não é uma qualidade exclusiva de ruas curvas ou retas”. Para o urbanista, as ruas deveriam obedecer a uma “proporção estética” entre largura e comprimento, para impedir o “sentimento de incerteza” provocado pela “desaparição do fim”. Deveriam ainda ser embelezadas com flores, árvores, jardins e fontes: as ruas vazias “ofendem o gosto estético”. Stübben previa também monumentos no final das ruas retas para encerrar a perspectiva. Finalmente apontava que as ruas côncavas eram preferíveis às convexas, pois permitiam ver os edifícios inteiros ao fundo da perspectiva, enquanto as convexas permitiam ver apenas o topo dos edifícios111.
As praças, segundo ele, eram definidas pelo “aspecto total da superfície e das fachadas fechando o vazio” 112. A seu ver, havia dois tipos de praças: as de cruzamentos viários, que serviam inteiramente à circulação, e praças monumentais, que poderiam receber monumentos. Deveria então haver uma proporção entre os cheios e vazios em praças do segundo tipo, com distâncias livres convenientes para se contemplar os monumentos e garantir a harmonia entre alturas, larguras e superfícies livres.
Em relação aos princípios de composição dos bairros, o projeto deveria considerar as construções públicas, os edifícios monumentais, as obras de escultores, as estátuas e as fontes. Os bairros deviam ter edifícios públicos ou monumentos de altura extraordinária, como fundo de perspectiva de ruas. 110 Idem, p. 90. 111 Idem, p. 92. 112 Idem, p. 90.
Finalmente, ressalta-se que, na concepção de plano compreensivo de Stübben, era fundamental a presença de parques de interesse higiênico na cidade, promovendo a saúde da população através da oferta de espaços para a prática esportiva ao ar livre, bem como a aeração e ventilação da cidade113. Os parques também eram entendidos pelo urbanista como elementos de embelezamento urbano. Essas idéias também repercutiram na concepção dos parques previstos no Plano de Avenidas, em 1930, em São Paulo.
O caso da apropriação do trabalho de Hénard merece uma observação ainda mais atenta114: Prestes Maia o cita no Plano de Avenidas, em referência aos modelos de circulação de cidades estudados pelo urbanista francês115. Esses modelos foram fundamentais para a concepção da estruturação viária proposta para São Paulo no Plano de Avenidas.
No entanto, para o próprio Hénard, o estudo desses modelos tinha um propósito muito diverso: foi desenvolvido em um contexto de intensas discussões sobre a supressão das muralhas que cercavam a cidade. Nesse debate, não considerado na interpretação de Prestes Maia, a questão dos espaços livres foi fundamental. Mais que um estudo eminentemente viário, os estudos de Hénard eram a expressão de um trabalho que resultou na apresentação de um projeto de doze parques ao redor da cidade, entre os quais nove inteiramente novos, que seriam implantados nos espaços liberados pela eliminação das muralhas. Interessa, pois, compreender o estudo de Hénard sobre as transformações de Paris no início do século XX a partir de seu próprio contexto e das questões que levaram à sua concepção.
A discussão sobre a supressão da fortificação de Paris remonta ao final do século XIX. Os debates sobre essa questão começaram em 1879, quando foi proposta pelo conselho municipal, pela primeira vez, a derrubada das
113
Stübben, J. Op. cit., 1885.
114
Eugène Hénard (1849-1923), arquiteto, urbanista e paisagista francês, foi adjunto do diretor dos serviços de arquitetura da Exposição Universal de 1900, quando propôs a destruição do Palácio da Indústria para a construção de um novo bulevar, em continuidade ao plano de Haussmann, completando o Champs-Élysées com dois novos palácios de exposições: o Grand
Palais, sede da Exposição Universal, e o Petit Palais. Foi também Diretor de trabalhos da
Cidade de Paris e do Sena, colaborador de Bouvard e seguidor de Alphand.
115
muralhas116. Naquele momento, alguns temas animavam o debate sobre a cidade e foram preponderantes para a proposta de preservar a faixa de terras em redor de Paris sem construções: em primeiro lugar, o desejo de eliminar entraves ao crescimento da cidade e facilitar a articulação urbana com a periferia, dentro de uma perspectiva de organização espacial para a expansão urbana; em segundo lugar, a necessidade de criação de espaços livres.
Os debates sobre o destino da fortificação de Paris foram encampados por um grupo de reformadores sociais que pretendiam discutir propostas, visando modificar as condições de vida das classes trabalhadoras. Esse grupo organizou-se em torno de uma instituição fundada em 1894, denominada Museu Social117.
O Museu Social
O Museu Social é uma fundação privada francesa instituída com o objetivo de “colocar gratuitamente à disposição do público os documentos, modelos, planos, estatutos, informações, etc., das instituições e organizações sociais que têm por objetivo e por resultado melhorar a situação material e moral dos trabalhadores”. Entre os principais meios de ação, a sociedade se propunha fazer “exposições permanentes de economia social”, criar uma “biblioteca e uma sala de trabalho”, organizar “conferências, cursos e demonstrações orais” e “missões de estudo e de pesquisa na França e no estrangeiro”, além de promover comunicações, consultas técnicas, publicações, prêmios e medalhas118.
A fundação reuniu um grupo de reformadores de diversas facções políticas e de diferentes campos profissionais: higienistas, técnicos municipais e profissionais liberais, engenheiros, médicos, sanitaristas, arquitetos e
116
Sobre o debate e as propostas em relação à supressão da fortificação de Paris, ver Charvet, M. Les Fortifications de Paris. De l’hygiénisme à l’urbanisme, 1880-1919. Rennes: Presses Universitaires de Rennes, 2005.
117
Sobre as origens e a formação do Museu Social e seu papel na discussão sobre as condições de vida do trabalhador na França cf. Horne, J. Le Musée social aux origines de l’État
providence. Paris: Belin, 2004.
118
“Statut du Musée Social”, de 31 de agosto de 1894, modificado por decretos de 15 de maio de 1896 e 24 de abril de 1900, pp. 03-04. Trad. nossa.
urbanistas, políticos e militantes da habitação social, que tinham o objetivo comum de equacionar problemas econômicos e sociais119. Através dos estudos e propostas encampadas no Museu Social a partir da preocupação com os problemas gerados pelo crescimento industrial e urbano, seus membros desempenharam, entre o fim do século XIX e as primeiras décadas do XX, um papel decisivo para o debate sobre a reforma social na França. Alguns autores consideram a elaboração do pensamento e das políticas sociais propostas nesse contexto como inauguradores do Estado de bem estar social francês120.
Janet Horne caracteriza a rede de personagens associadas ao Museu Social como um grupo de elite que passou a se questionar sobre a formação de um mercado livre auto-gerido121. A autora insere esse questionamento em um contexto internacional, incluindo, sobretudo, os Estados Unidos, a Inglaterra e a Alemanha. Segundo Horne, os debates do período nesses países tendiam a “temperar o individualismo liberal com novas idéias relativas à justiça social e aos direitos e deveres dos cidadãos”, ajudando a “corrigir os excessos do liberalismo do laissez-faire”, que mostrava uma incapacidade de responder às crises provocadas pela economia industrial. O Museu Social foi criado em nome da defesa de uma “economia social” em substituição à economia política vigente, associada ao movimento operário do período e afinada com os interesses de um Estado liberal. “Para preservar as liberdades individuais, era necessário um mínimo de ação social organizada, graças à iniciativa privada, à via associativa, às municipalidades ou ao Estado”. 122
O Museu Social foi fundado pelo Conde de Chambrun123, que designou para o comitê de direção da nova instituição Jules Siegfried como presidente,
119
Sobre a participação de diferentes grupos profissionais e facções políticas no movimento de reforma social na França, ver Topalov, C. Laboratoires du nouveau siècle. La nebuleuse
réformatrice et sés réseaux en France, 1880-1914. Paris: Éditions de l’École des Hautes Études
en Sciences Sociales, 1999.
120
Ver Horne, J. Op. cit., 2004, p. 15. A autora contrapõe-se à noção tradicional de que o Estado de bem estar social francês foi inaugurado em 1945, com a legislação de seguridade social.
121
Horne, J. “Le libéralisme à l’épreuve de l’industrialisation: la réponse du Musée social”. In Chamberlland, Colette (dir.). Le Musée social en son temps. Paris: Presses de l’École Normale Supérieure, 1998, p. 14.
122
Idem, p. 17. Trad. nossa.
123
O Conde de Chambrun (1821-1899) foi um político aristocrata, deputado e senador, ex- monarquista “convertido à economia social”: influenciado pelo pensamento de Aléxis de Tocqueville e Frédéric Le Play, passou a defender a transformação da economia política de Estado em uma nova economia que atentasse para as questões sociais. Ver Blum, F. “Le Comte
Charles Robert como vice-presidente e tesoureiro, Émile Cheysson como vice- presidente, Edouard Gruner como secretário, além de Emile Boutmy, Albert Gigot e Georges Picot124.
Jules Siegfried125, presidente da instituição entre 1896 e 1914, foi um pioneiro na discussão sobre a habitação social na França, concebida como parte de uma política de higiene e de melhoria das condições de vida operária. O liberal defendia uma política de construção de moradias que permitisse ao operário tornar-se proprietário126. Sua posição a favor da reforma social tinha um conteúdo higienista e, ao mesmo tempo, moralista: garantir a salubridade da moradia operária era trabalhar pela defesa da família como base da sociedade, em uma perspectiva de regulação patronal da vida dos trabalhadores127.
Durante a Exposição Universal de 1889, ocorreu o primeiro congresso internacional de habitação social. O congresso levantava a necessidade de uma política de habitação popular, sob a responsabilidade do Estado. No ano seguinte, por esforço de Siegfried, Cheysson e Picot128, foi criada a Sociedade Francesa de Habitações Sociais, uma instituição privada que congregava particulares, industriais, profissionais liberais e sociedades locais. O propósito da Sociedade era estimular a iniciativa privada a colaborar pela melhoria das condições de moradia na França, com vistas a permitir o controle da salubridade, das epidemias, e a restauração da família, da moral e da pátria, além de lutar contra a ameaça das utopias socialistas129. Em 1892, a Sociedade apresentou, por meio de Siegfried como deputado, um projeto de lei de habitação social, aprovado no mesmo ano.
Com a prerrogativa da melhoria das condições de higiene e saúde pública nas cidades, uma série de questões urbanas começou a ser discutida de Cambrun: catholique, mécène des protestants?”. In Chamberlland, C. Op. cit., 1998, pp. 27- 41.
124
“Statut du Musée social”, p. 07.
125
Jules Siegfried (1837-1922), político republicano liberal de origem burguesa, foi prefeito do Havre, deputado e senador. Ver Ardaillou, P. “Foi protestante, action sociale et convictions républicaines: Jules Siegfried”. In Chamberlland, C. Op. cit., 1998, pp. 75-101.
126
Idem, p. 95.
127
Idem, p. 99.
128
Émile Cheysson (1836-1910), engenheiro politécnico, vice-presidente do Museu Social entre 1896 e 1911, defensor da função social do engenheiro, pensador da economia social, membro ativo e participante de diversas instituições associadas à reforma social; Georges Picot (1838- 1909), juiz, discípulo de Le Play, anti-socialista declarado, administrador da Sociedade Filantrópica Francesa, membro do conselho diretor do Museu Social desde a sua fundação.
129
Guerrand, R-H. “Jules Siegfried, la Société Française des habitations à bon marché”. In Chamberlland, C. Op. cit., 1998, pp. 157-173.
entre os reformadores sociais. Alguns autores defendem que esse período encerra o próprio nascimento do urbanismo na França130. Um dos temas fortemente discutidos nesse sentido foi o modelo inglês da cidade-jardim. Em 1903 o Museu Social confiou a Georges Benoit-Lévy131 a missão de estudar as cidades-jardim na Inglaterra. A pesquisa resultou em um trabalho publicado em 1904132, e deu origem a um amplo debate sobre o modelo de habitação operária proposto por Ebenezer Howard. Na Inglaterra, a cidade-jardim era uma cooperativa de construção e de gestão. Na França, a partir dessa discussão, o modelo foi assimilado não como cidade patronal, mas como solução para o problema da habitação nos bairros da periferia das grandes cidades133.
Para a pesquisadora Suzanna Magri, essa nova interpretação do modelo correspondeu ao interesse da elite francesa na renovação das políticas patronais de habitação. Os liberais não ignoravam que a cidade-jardim era um modelo proveniente do movimento socialista inglês, que propunha cooperativas operárias de habitação auto-gestadas, com propriedade coletiva e fundada na
130
Para alguns autores, o urbanismo surge na França a partir do movimento reformador do início do século XX, como desdobramento de ações de caráter higienista, de um lado, e filantrópico, de outro, com vistas à melhoria das condições de vida da população das grandes cidades. Segundo Viviane Claude, até o final do século XIX, eram raras as obras consagradas às técnicas urbanas em língua francesa. Claude, V. “Technique sanitaire et reforme urbaine”. In Topalov, C. Op. cit., 1999, p. 271. Tal visão insere-se na análise feita por Christian Topalov do movimento reformador urbano na virada do século, na Europa e nos Estados Unidos da América. Outro trabalho que utiliza essa hipótese é Gaudin, J. P. “La gênese de l’urbanisme de plan et la modernisation politique”. In: Revue Française de Science Politique, vol. 39, no. 03,
FNSP/AFSP, junho de 1989. Essa hipótese contrapõe-se a uma visão segundo a qual o urbanismo na França teria nascido com a reforma encampada em Paris pelo Barão Haussmann, em um movimento de transformação das capitais européias que remonta à metade do século XIX. Ver Choay, F. A regra e o modelo. São Paulo: Perspectiva, 1985. Para Choay, o criador e primeiro sistematizador do urbanismo como disciplina e prática profissional foi Ildefonso Cerdá, em meados do século XIX, ainda que este nunca tenha utilizado o termo “urbanismo” para designar a nova disciplina. Ver o prefácio de Françoise Choay a Cerdá, I. La théorie Générale de L´Urbanisation. Paris: Seuil, 1979.
131
Georges Benoit-Lévy (1880-1971), advogado, membro do Museu Social, foi um dos promotores da Associação Francesa das Cidades-jardim.
132
Benoit-Lévy, G. La cité-jardin. Paris: Henri Jouve, 1904.
133
“A cidade-jardim foi concebida como cidade patronal antes de ser concebida como uma modalidade de reorganização do habitat na banlieue urbana. Essa primeira interpretação da
garden-city deveu muito a Georges Benoit-Lévy, fundador da Associação das cidades-jardim
da França”. Magri, S. “Du Logement monofamilial à la cité-jardin. Les agents de la transformation du projet pérormateur sur l’haitat populaire en France, 1900-1909”. In Chamberlland, C. Op. cit., 1998, p. 190. Trad. nossa. Ela menciona que a cidade-jardim mais estudada por Georges Risler não foi Letchworth, mas Hampstead Garden Suburb, que fica localizada na periferia de Londres. Idem, p. 217.
solidariedade134. A cidade-jardim dos franceses era concebida como um modelo de habitação para ser construído pelos industriais, de acordo com o pensamento liberal, dentro de uma perspectiva de contenção da “dilatação sem fim da cidade”. Para Magri: “combatendo os socialistas nesse terreno, os reformadores