4. ĠLGĠLĠ ARAġTIRMALAR
1.4. Ölçeğin Geçerlik ÇalıĢması
O uso inadequado do vídeo pode causar problemas na educação, razão pela qual MORAN (1998) delineia situações de usos inconvenientes do vídeo.
Segundo MORAN (1998), o vídeo pode ser útil quando ocorre um imprevisto, como a ausência do professor. Porém quando imprevistos são frequentes, o aluno associa o vídeo ao fato de não ter aula, situação em que atribui- se o termo “vídeo tapa buraco”. Já o “vídeo enrolação”, de acordo com o autor, é quando o vídeo é passado sem estar relacionado com nenhum conteúdo.
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Há situações em que o professor só transmite o vídeo e não executa outras metodologias durante as aulas. Nessas circunstâncias, segundo MORAN (1998), tem-se o “Vídeo – deslumbramento”. Existem também situações nas quais o professor só exibe o vídeo de acordo com o conteúdo trabalhado em sala, mas não o integra com a aula, além de não fazer comentários, o que designa com a nomenclatura “só vídeo”. Em outros momentos, o professor questiona muito o vídeo e busca os defeitos do vídeo, nesse caso tem-se o “vídeo-perfeição”. De acordo com o autor, os vídeos com problemas conceituais podem ser utilizados como forma de questionar os alunos, pois o professor pode deixar os alunos encontrarem o problema do vídeo.
Diante desses apontamentos, ARROIO e GIORDAN (2006) ressaltam que é importante que o professor assista ao vídeo antes de exibi-lo, teste os equipamentos nos quais ele será exibido, analise o vídeo (som, cenário, linguagem), programe de qual forma será aplicado (se será exibido todo o vídeo ou trechos) e planeje quais atividades serão desenvolvidas pelos alunos, para que ocorra compreensão do que foi visto no vídeo. Segundo ROSA (2000), quando possível, é importante reprisar o vídeo: “todo vídeo deve ser passado duas vezes para quem assiste possa realmente tomar conhecimento da mensagem contida nele”.
MORAN (2003) apresenta algumas formas de explorar melhor o vídeo, que serão descritas a seguir.
Após a exibição do vídeo, segundo MORAN (2003), pode ser feita a “análise em conjunto”, na qual o professor comenta o vídeo em conjunto com os alunos e, depois, dá abertura para os alunos discutirem e perguntarem. Pode ser feita também a “análise globalizante”, isto é, o professor pode questionar os alunos sobre os pontos positivos, negativos, a ideia principal e o que poderia ser mudado no vídeo. Os questionamentos e as discussões, após a exibição do vídeo, podem ser acompanhados da revisão de cenas importantes. Nesse caso tem-se a leitura concentrada.
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Os alunos podem ser autores, pois a “videoprodução” requer que eles elaborem um vídeo, criem um roteiro, gravem, editem e sonorizem. Eles também podem atuar sobre um vídeo pronto, ao desenvolverem um final, essa situação denominada “completar o vídeo” ou inserir músicas, falas e imagens, atividade denominada “modificar o vídeo”.
Outra atividade com vídeos, segundo MORAN (2003), é “comparar versões”, caso em que os alunos analisam dois ou mais vídeos e, com orientação do professor procuram as diferenças e os pontos comuns entre eles como a linguagem, as cenas, as imagens, os conteúdos e o tema principal.
Mediante tais apontamentos, observa-se que existem diversas maneiras de explorar um vídeo. Todavia, MORAN (2007) indica que, infelizmente, esse recurso é pouco aproveitado na educação: “Estamos deslumbrados com o computador e a Internet na escola e vamos deixando de lado a televisão e o vídeo como se já estivessem ultrapassados, não fossem mais tão importantes (...)”.
Primeiramente, surgiu a televisão e o vídeo e, agora, tem-se o computador e Internet, mas as formas de utilização de cada meio não foram e não são exploradas e nem utilizadas como deveriam. Ainda na linha de raciocínio de aplicação das diversas tecnologias na educação, LINHARES (1999) diz que não se deve excluir nenhuma mídia em favor de outro: “o novo não deve inviabilizar o velho, nem este dificultar o estabelecimento do novo”, assim o uso do computador e Internet não deve impedir o uso da televisão e vídeo só porque os primeiros apresentam uma tecnologia mais avançada, mas também não precisa utilizar só televisão e vídeo, deixando de lado o computador e a Internet. É necessário uma combinação da utilização dos meios.
Os preços das câmeras digitais e filmadores têm diminuído atualmente, à medida que vemos que a quantidade de vídeos disponíveis tem aumentado em função dos avanços da Internet. Com a possibilidade dos alunos
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terem as câmeras digitais e filmadora em mão, surgem novas metodologias de ensino para utilizar o vídeo, como “videoprodução”, já citada.
Existem dificuldades para aplicação de métodos que utilizam tecnologias. De acordo com LINHARES (1999), algumas dificuldades citadas por professores para o uso do vídeo são a falta de equipamento e espaço, roubo de aparelho, falta de assistência técnica entre outras. Com relação ao professor, eles apresentam familiaridade com a TV e vídeo, mas não conhecem as formas de melhor utilizá-los e não têm tempo para procurar um vídeo, analisá-lo e buscar metodologias para integrá-lo. Ainda em conformidade com esse autor, modificações nas grades curriculares a nível universitário devem ocorrer com a finalidade de preparar melhor os futuros professores para suas práticas docentes. O mesmo autor complementa que as universidades e instituições que formam educadores devem considerar que há influência da mídia e forte presença de imagens e tecnologias como forma de comunicação na formação desses futuros profissionais.
Na pesquisa de SANTOS e colaboradores (2010), foram analisadas as opiniões de estudantes dos cursos de Licenciatura em Química da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), sobre experimentação por meio do vídeo. No total, 41 estudantes que cursavam a disciplina de uso de recursos didático sobre experimentação no ensino de química, participaram da pesquisa. Foi verificado que a maioria dos estudantes (28) não vivenciou situação de aprendizagem com vídeo. Com relação à possibilidade do uso da experimentação por meio do vídeo, a maioria (29 alunos) acredita que é possível utilizar a experimentação por meio de vídeo, apresentando como, principais justificativas que vídeos constituem uma atividade interessante devido à visualização de imagens, não apresentam risco na realização dos experimentos, não demandam custos com materiais e reagentes, podem ser utilizados em condições de ausência de laboratório nas escolas e são favoráveis por reduzir o tempo da atividade. As sugestões desses alunos concordam com os
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pressupostos de ARROIO e GIORDAN (2006), que dizem que a experimentação em química também pode ocorrer por meio de vídeos. Alguns estudantes (12) citaram que não é possível a experimentação por meio do vídeo, pois acreditam que a vivência no laboratório é importante.
Ao serem questionados sobre as vantagens da experimentação com uso de vídeos em relação ao experimento real, 10 alunos comentaram da existência de vantagens, sendo que os principais benefícios citados foram a redução de tempo e custo de experimentos. Entretanto, 19 alunos disseram que a experimentação por vídeo não tenha vantagens em relação à experimentação real. Segundo os autores do trabalho esses estudantes estão fortemente ligados ao ensino tradicional vivido ao longo de suas formações. E colocam que esse fato influência de forma negativa a utilização de metodologias inovadoras (SANTOS et al., 2010).
Existem diversas formas de apresentar o conteúdo na forma de vídeo, para a sala de aula. Por conseguinte, o professor pode atrair, motivar, promover a interação entre os alunos, além de poder ajudá-los a melhor compreender conceitos abstratos. O vídeo e a televisão sozinhos não garantem uma aprendizagem, razão pela qual a presença do professor com suas habilidades e experiências é primordial.
É necessária uma nova postura dos professores em relação a essas tecnologias. A mudança na postura do professor pode ser realizada aos poucos, uma simples aplicação do vídeo pode promover efeitos positivos, tanto para o aluno como para o professor. Cada conteúdo pode ter uma melhor maneira de ser aplicado ao vídeo, cabe ao professor encontrá-la por meio de sua prática.